{"id":1113,"date":"2021-11-18T16:37:27","date_gmt":"2021-11-18T16:37:27","guid":{"rendered":"http:\/\/focas.uniso.br\/?p=1113"},"modified":"2021-11-18T19:38:25","modified_gmt":"2021-11-18T19:38:25","slug":"consciencia-negra-sera-que-a-temos-em-busca-da-consciencia-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2021\/11\/18\/consciencia-negra-sera-que-a-temos-em-busca-da-consciencia-negra\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia Negra: ser\u00e1 que a temos?"},"content":{"rendered":"\n<p>O m\u00eas da consci\u00eancia negra na cidade de Sorocaba come\u00e7ou com mais um dia de l\u00e1grimas para uma fam\u00edlia e revolta entre a popula\u00e7\u00e3o. O jovem negro Vitor Nascimento Carvalho, de 21 anos, foi assassinado por um seguran\u00e7a de um clube de kart da cidade. Segundo testemunhas, Carvalho estava tentando apartar uma briga, quando foi covardemente alvejado pelo seguran\u00e7a. Neste novembro, tamb\u00e9m, completa um ano da morte de Jo\u00e3o Alberto Silveira Freitas, na \u00e9poca, com 40 anos. Ele morreu exatamente na data comemorativa, ap\u00f3s ser brutalmente espancado por dois seguran\u00e7as brancos em uma loja de uma rede de hipermercados francesa, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Mesmo ap\u00f3s tantas campanhas e o acontecimento de trag\u00e9dias como as aqui citadas, ainda ocorre em nossa sociedade a falta de consci\u00eancia sobre as quest\u00f5es raciais que afligem todo o mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso faz com que, mesmo ap\u00f3s tantos anos da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, o povo negro tenha que replicar \u2013 aos prantos, e com a for\u00e7a trazida pela resist\u00eancia \u2013 a frase de George Floyd \u201c<em>I can\u2019t breathe<\/em>\u201d (Eu n\u00e3o consigo respirar!). Desta forma, tais questionamentos s\u00e3o inevit\u00e1veis: Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do dia 20 de novembro? Quem foi Zumbi dos Palmares? Por que existe o genoc\u00eddio negro? Para responder estas e outras indaga\u00e7\u00f5es \u00e9 necess\u00e1rio refletir sobre temas como a <em>Necropol\u00edtica <\/em>(termo criado pelo fil\u00f3sofo camaron\u00eas Achille Mbembe para explicar a fragiliza\u00e7\u00e3o de determinados grupos que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de desigualdade, viol\u00eancia e etc.,&nbsp; atrav\u00e9s do uso do poder pol\u00edtico e social, principalmente por parte do Estado, para determinar, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es, quem pode ficar vivo ou quem deve morrer), mas principalmente, revisitar parte do contexto hist\u00f3rico dos negros no Brasil, como a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e seus desdobramentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A falsa aboli\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-6-1024x819.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1114\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-6-1024x819.png 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-6-300x240.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-6-768x614.png 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-6.png 1243w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Mariana Ribeiro:<\/strong> <em>\u201cQue aboli\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? Que dignidade humana voc\u00ea tem em um contexto onde voc\u00ea n\u00e3o recebeu nenhuma infraestrutura para sobreviver? \u201d <\/em><strong>Foto: Rafael Filho<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cDisseram que a \u00c1urea foi assinada para libertar. Mentira! Foi pura hipocrisia, pois nenhum Negreiro obteve volta ao lar\u201d. O trecho da m\u00fasica Ra\u00edzes, lan\u00e7ada pelo sambista sorocabano Claudio Silva no \u00faltimo m\u00eas de abril, reflete um dos mais diversos problemas que persistem mesmo ap\u00f3s a assinatura da Lei, pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888. J\u00e1, para a historiadora sorocabana Mariana Alice Pereira Schatzer Ribeiro, \u00e9 preciso repensar sobre a idolatria que existe em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem da princesa Isabel, como uma salvadora, uma santa redentora. Visto que ela apenas assinou a lei, devido a grandes press\u00f5es para o fim da escravid\u00e3o no final do s\u00e9culo 19. \u201cMuito se fala sobre a princesa Isabel, mas \u00e9 esquecido o protagonismo dos negros na hist\u00f3ria. Antes da assinatura da lei, muitos fatos ocorreram. A for\u00e7a de intelectuais, de membros da imprensa e a revolta de homens e mulheres escravizados, contribuiu muito para a luta pela aboli\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Doutora em Hist\u00f3ria pela Unesp de Assis\/SP, Mariana Ribeiro comenta sobre o termo que vem sendo muito utilizado dentro da historiografia nos \u00faltimos 40 anos, defendendo que ele \u00e9 v\u00e1lido, pois a lei da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura possu\u00eda grandes falhas. \u201cA lei \u00c1urea dizia apenas que a partir daquela data, todos os escravizados do imp\u00e9rio brasileiro se tornariam livres. Mas ela s\u00f3 disse isso. N\u00e3o houve nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 moradia, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao contrato de trabalho, \u00e0 sa\u00fade e etc., para atender toda essa popula\u00e7\u00e3o que vivia no Brasil. Ent\u00e3o essas pessoas foram abandonadas, sem perspectiva futura de melhoras\u201d, declara. A professora explica, tamb\u00e9m que, essa falta de cuidados com os libertos, frequentemente os for\u00e7ou a permanecer nas fazendas onde j\u00e1 viviam ou em seus locais de trabalho na cidade, muitas vezes sem receber nenhum tipo de remunera\u00e7\u00e3o, dependendo da moradia cedida pelos senhores. \u201cEnt\u00e3o, que aboli\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? Que dignidade humana voc\u00ea tem em um contexto onde voc\u00ea n\u00e3o recebeu nenhuma infraestrutura para sobreviver? \u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p>Silva, que al\u00e9m de produtor cultural, \u00e9 pesquisador e divulgador dos mais diversos assuntos referentes \u00e0 cultura africana, acredita, tamb\u00e9m, que exista uma falsa aboli\u00e7\u00e3o, pois os negros que deixaram de ser escravizados n\u00e3o tiveram um projeto de inser\u00e7\u00e3o social. Ele salienta que, fatos como a lei da vadiagem e a repress\u00e3o \u00e0 capoeira, demonstram que a elite quis impor a manuten\u00e7\u00e3o dos seus privil\u00e9gios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs japoneses, italianos e demais imigrantes europeus que vieram trabalhar no Brasil, principalmente nas lavouras, eram remunerados, mas os negros n\u00e3o. A aboli\u00e7\u00e3o ocorreu depois de v\u00e1rias protela\u00e7\u00f5es da elite escravagista, que criou leis para tentar enganar as cobran\u00e7as \u2013 como por exemplo as geradas pela Coroa Inglesa \u2013 pelo fim da escravid\u00e3o. E isso surte efeito at\u00e9 hoje. Quantos negros voc\u00ea v\u00ea estudando em uma faculdade? E um negro professor universit\u00e1rio? \u201d, indaga Silva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele comenta tamb\u00e9m sobre a necessidade de se difundir cada vez mais essas situa\u00e7\u00f5es. \u201cNa Alemanha, por exemplo, apesar de se envergonharem do Nazismo, ele \u00e9 um assunto discutido sempre nas escolas, para que isso n\u00e3o venha a ocorrer novamente. Foram quase 400 anos de escravid\u00e3o, o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds do mundo a aderir ao fim dela. Isso tem que ser lembrado sempre, pois a desigualdade social ainda \u00e9 implac\u00e1vel, letal com rela\u00e7\u00e3o ao povo negro\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"687\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-7-1024x687.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1115\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-7-1024x687.png 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-7-300x201.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-7-768x515.png 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-7.png 1298w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Claudio Silva:<\/strong> <em>\u201cA desigualdade social, ainda \u00e9 implac\u00e1vel, letal com rela\u00e7\u00e3o ao povo negro\u201d<\/em>. <strong>Foto: Rafael Filho<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Citando o livro As Trapa\u00e7as da Sorte: Ensaios de Hist\u00f3ria Pol\u00edtica e de Hist\u00f3ria Cultural da autora Isabel Lustosa, Silva comenta um fato que refor\u00e7a ainda mais a exist\u00eancia de uma falsa aboli\u00e7\u00e3o. \u201cUm ano antes da Aboli\u00e7\u00e3o, na cidade de Campinas\/SP, fazendeiros foram fazer um pedido para a regente, para que fosse utilizado o ex\u00e9rcito na ca\u00e7a de escravos que fugiam de suas propriedades. Isso demonstra como a elite escravagista se utiliza do estado, desde aquela \u00e9poca at\u00e9 hoje, para manter sua domina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de comprovar que abolir a escravid\u00e3o n\u00e3o era a inten\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, e sim, algo assinado por obriga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAinda carregamos o fardo e as consequ\u00eancias dos 300 anos de escraviza\u00e7\u00e3o de seres humanos em nossa sociedade. Temos que combater essa falsa aboli\u00e7\u00e3o, que deve ser propagada aos quatro cantos, para que todos saibam que ela nunca existiu. Hoje em dia, temos que lutar contra outro tipo de escravid\u00e3o: a escravid\u00e3o intelectual. Ela faz com que muitas pessoas n\u00e3o percebam a falta de inser\u00e7\u00e3o social e, principalmente, a falta de oportunidade para qualquer afrodescendente. E isso est\u00e1 muito latente na atualidade\u201d explica Silva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalhos dom\u00e9sticos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu posso falar pois senti isso na pele. Sou filho de uma cozinheira que trabalhou por muitos anos na casa de uma fam\u00edlia Libanesa. O filho de uma dom\u00e9stica \u00e9 visto apenas como uma pessoa que no m\u00e1ximo ir\u00e1 se tornar o motorista ou o seguran\u00e7a da fam\u00edlia\u201d conta Silva. Segundo ele, muitas fam\u00edlias ou cl\u00e3s de fam\u00edlias de classe alta, t\u00eam a vis\u00e3o de que seus filhos se tornem m\u00e9dicos ou juristas, por exemplo, o que \u00e9 algo inalcan\u00e7\u00e1vel para um jovem pobre. \u201cMesmo que com muito esfor\u00e7o voc\u00ea consiga entrar no ambiente dos filhos do patr\u00e3o e comece a estudar medicina, por exemplo, voc\u00ea ser\u00e1 discriminado. Ser\u00e1 feito de tudo para voc\u00ea desistir, sendo for\u00e7ado a sair. Pois at\u00e9 os pais dos seus colegas de classe ir\u00e3o se sentir incomodados com um afrodescendente ou filho de empregada no meio deles\u201d, desabafa Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada sobre o porqu\u00ea at\u00e9 os dias atuais, a maioria das pessoas que exercem servi\u00e7os dom\u00e9stico s\u00e3o negras e principalmente mulheres, Ribeiro faz um resumo hist\u00f3rico e aponta que, desde o s\u00e9culo 19, a explora\u00e7\u00e3o do trabalho, seja atrav\u00e9s dos ind\u00edgenas, escravizados ou dos imigrantes, foi muito defendida como algo necess\u00e1rio para o desenvolvimento do pa\u00eds. Mas esse desenvolvimento beneficiou na verdade, somente as elites dominantes, grupos pol\u00edticos, fazendeiros e etc. Ela salienta que mesmo com tantas transforma\u00e7\u00f5es que vivenciamos, como a terceiriza\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as nas legisla\u00e7\u00f5es trabalhistas, houve muitos governos que n\u00e3o se dedicaram de fato a essas quest\u00f5es, o que faz com que a luta por dignidade, que ocorre desde o s\u00e9culo 19, tenha que continuar at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cAinda vivemos consequ\u00eancias desses n\u00f3s t\u00e3o emaranhados da escravid\u00e3o em nosso pa\u00eds. Principalmente no trabalho dom\u00e9stico, onde em pleno s\u00e9culo 21, a grande parte \u00e9 feita por mulheres negras, com baixa qualifica\u00e7\u00e3o e que muitas vezes est\u00e3o submetidas \u00e0 ideologia da casa grande, do servir, da coa\u00e7\u00e3o, da humilha\u00e7\u00e3o\u201d, explica Ribeiro. Ela comenta sobre o pa\u00eds ter demorado muito para apoiar essa classe, citando que a legaliza\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o de direitos e garantias dos trabalhadores dom\u00e9sticos s\u00f3 ocorreram em 2013, atrav\u00e9s da PEC das Dom\u00e9sticas (Emenda Constitucional&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1034514\/emenda-constitucional-72-13\">72<\/a>\/2013) e que isso causou, na \u00e9poca, muita discuss\u00e3o e um choque, principalmente, entre as classes m\u00e9dia e alta, pois os custos para estabelecer garantias para esses indiv\u00edduos seriam altos. Ribeiro defende que essas pessoas permanecem nesses tipos de trabalhos, porque est\u00e3o ligados \u00e0 falta de qualifica\u00e7\u00e3o e de estudos e isso esbarra nas quest\u00f5es do desenvolvimento e incentivo ao acesso a uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"685\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-8-1024x685.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1116\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-8-1024x685.png 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-8-300x201.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-8-768x514.png 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-8.png 1297w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Claudio Silva:<\/strong> <em>\u201cO filho de uma dom\u00e9stica \u00e9 visto apenas como uma pessoa que no m\u00e1ximo ir\u00e1 se tornar o motorista ou o seguran\u00e7a da fam\u00edlia\u201d.<\/em> <strong>Foto: Rafael Filho<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cEssa desigualdade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 antiga. At\u00e9 a era Vargas, aproximadamente 1930, os libertos n\u00e3o tinham acesso a escola p\u00fablica de qualidade, isso era destinado apenas \u00e0 classe m\u00e9dia e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o branca. Esse direito foi negado ao povo afrodescendente durante muito tempo. E isso reverbera por gera\u00e7\u00f5es. Nos \u00faltimos 15 anos, tivemos mudan\u00e7as como o acesso da popula\u00e7\u00e3o afrodescendente \u00e0s universidades. Mas apesar de muito positivo, ainda temos muito a se fazer\u201d, argumenta Ribeiro. Defendendo a ideia de que o pa\u00eds tem a sua base social, econ\u00f4mica e cultural pautada em um passado escravista, a historiadora faz uma liga\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o da democracia racial. Que apesar de ser defendida por Gilberto Freire no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, e por outros te\u00f3ricos, na sua vis\u00e3o, ela n\u00e3o existe de fato. \u201cN\u00f3s sabemos que ela \u00e9 uma fal\u00e1cia. Que democracia racial \u00e9 essa onde essas popula\u00e7\u00f5es mais pobres n\u00e3o t\u00eam acesso a um ensino p\u00fablico de qualidade, para que possam alcan\u00e7ar o ensino superior e se manter no curso? As pol\u00edticas afirmativas est\u00e3o a\u00ed para nos ajudar a responder\u201d, declara Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Surgimento das favelas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O desamparo sofrido pelos rec\u00e9m libertos gerou v\u00e1rios desdobramentos. \u00c9 poss\u00edvel estabelecer, por exemplo, uma liga\u00e7\u00e3o com o surgimento das favelas. Segundo Ribeiro, existiram dois fatores fundamentais para isso. Um deles, foi a destrui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios corti\u00e7os na cidade do Rio de Janeiro em 1893, dentre eles, o maior de todos, conhecido como \u201cCabe\u00e7a de Porco\u201d. Essas comunidades eram formadas tanto por imigrantes e brancos pobres, como por negros que haviam acabado de sair da escravid\u00e3o. Essas destrui\u00e7\u00f5es vieram ap\u00f3s ordem do ent\u00e3o prefeito \u2013 influenciado por vanguardas europeias e pela concep\u00e7\u00e3o da Belle \u00c9poque \u2013 que tinha a inten\u00e7\u00e3o de embelezar a cidade, transformando-a em uma \u201cParis dos Tr\u00f3picos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Outro fator determinante, foi a Guerra de Canudos (1896-1897). Ap\u00f3s o seu final, a Marinha brasileira cedeu terrenos para que os soldados que retornaram da guerra, pudessem estabelecer suas moradias. \u201cO termo favela corresponde a uma regi\u00e3o do sert\u00e3o baiano, onde havia uma mandioca conhecida como brava ou fava\u201d, explica Ribeiro. Essas pessoas foram for\u00e7adas a viver na regi\u00e3o perif\u00e9rica da cidade, em morros como por exemplo o morro do Livramento, que depois passou a se chamar morro da Provid\u00eancia, considerado a favela mais antiga do Brasil. \u201cApesar da grande difus\u00e3o cultural gerada pela popula\u00e7\u00e3o do morro do Livramento, que era formada por libertos, pobres, marinheiros, estivadores, imigrantes etc., \u00e9 preciso deixar claro que esses grupos sociais foram obrigados a viver \u00e0s margens da sociedade. A inten\u00e7\u00e3o da \u00e9poca \u00e9 a mesma at\u00e9 hoje: a de nega\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia destas pessoas, de torn\u00e1-las invis\u00edveis\u201d defende Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para a professora, essa exclus\u00e3o social tem o intuito de afastar essas pessoas do alcance do poder p\u00fablico, o que faz com que suas demandas de saneamento b\u00e1sico, de moradias de qualidade, de educa\u00e7\u00e3o e etc., n\u00e3o sejam atendidas, silenciando os seus sofrimentos. \u201cAs favelas s\u00e3o locais que n\u00e3o recebem aten\u00e7\u00e3o das autoridades, ent\u00e3o o que acontecer com eles l\u00e1, n\u00e3o tem problema, haja vista as diferentes formas de repress\u00e3o policial, massacres, chacinas retratadas todos os dias na m\u00eddia. Isso s\u00f3 vai mudar quando as autoridades mudarem suas concep\u00e7\u00f5es sobre essas popula\u00e7\u00f5es\u201d comenta Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Definindo as favelas como uma heran\u00e7a do passado escravista, Ribeiro comenta que muitos autores as comparam com um navio negreiro, no sentido de invisibilidade e anula\u00e7\u00e3o do ser humano, nos seus direitos mais b\u00e1sicos e dignos. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso lembrar que a maioria dos moradores das favelas, s\u00e3o pessoas trabalhadoras, honestas, que buscam sobreviver em meio a esse pa\u00eds com tantas desigualdades sociais\u201d, complementa Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aboli\u00e7\u00e3o em Sorocaba<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Autora do livro \u201cEntre a f\u00e1brica e a senzala: um estudo sobre o cotidiano dos africanos livres na Real F\u00e1brica de Ferro S\u00e3o Jo\u00e3o do Ipanema &#8211; Sorocaba &#8211; SP (1840-1870)\u201d, Ribeiro conta que a luta contra a escravid\u00e3o em Sorocaba se deu pela uni\u00e3o de diversos fatores, como o sentimento de revolta dos escravizados, o protagonismo negro, as fugas das fazendas, principalmente da Fazenda Ipanema e dos quilombos \u00e0 sua volta. Foram de grande import\u00e2ncia, tamb\u00e9m, a atua\u00e7\u00e3o de intelectuais, profissionais liberais, negociantes e at\u00e9 mesmo fazendeiros, que se tornaram abolicionistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre eles, \u00e9 poss\u00edvel destacar nomes ilustres como Lu\u00eds Matheus Maylaski, Ubaldino do Amaral, George Oetterer, Nogueira Padilha e pessoas ligadas \u00e0 loja ma\u00e7\u00f4nica Perseveran\u00e7a III. \u201cPor volta de 1885, com o surgimento da Estrada de Ferro Sorocaba, os abolicionistas come\u00e7aram a divulgar a ideia de que ter como m\u00e3o de obra trabalhadores assalariados, seria mais vantajoso para a cidade do que a m\u00e3o de obra escravizada\u201d, afirma Ribeiro. Ela complementa dizendo que os abolicionistas come\u00e7aram a divulgar na imprensa sorocabana e da regi\u00e3o \u2013 principalmente com a ajuda do jornal Di\u00e1rio de Sorocaba, do Clube Palestra, do Clube Emancipador \u2013 manifestos e pequenos atos em busca dessa emancipa\u00e7\u00e3o. Alcan\u00e7ando \u00eaxito em dezembro de 1887, quando a maioria dos senhores da cidade j\u00e1 haviam libertado todos os seus escravizados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTudo isso est\u00e1 registrado no livro de atas do Clube Emancipador, que se encontra sob guarda do Gabinete de Leitura Sorocabano. E Sorocaba n\u00e3o foi exclusividade, muitas cidades da regi\u00e3o tamb\u00e9m tiveram a mesma atitude, o que refor\u00e7a a ideia de que o fim da escravid\u00e3o n\u00e3o partiu da princesa Isabel, mas sim, dos protagonismos negros e do movimento abolicionista\u201d, comenta Ribeiro. Ela afirma, tamb\u00e9m, que para se chegar a grande demanda industrial que a fez conhecida como Manchester Paulista, Sorocaba deve muito aos trabalhos iniciais que ocorreram na F\u00e1brica de Ferro Ipanema e posteriormente a F\u00e1brica de Chap\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a historiadora, Sorocaba ainda tem poucos exemplos de territ\u00f3rios negros, para guardar e sempre estar enaltecendo essas mem\u00f3rias. \u201cTemos locais importantes como os clubes Quilombinho e Vinte e Oito de Setembro e a Capela de Jo\u00e3o de Camargo. Mas s\u00e3o localidades que, muitas vezes, a sociedade sorocabana s\u00f3 se lembra em datas como treze de maio e vinte de novembro. Enquanto que espa\u00e7os de outras nacionalidades s\u00e3o valorizados o ano todo, recebem incentivo e est\u00e3o sempre participando de discuss\u00f5es na m\u00eddia\u201d, aponta Ribeiro. Ela complementa que, apesar da grande contribui\u00e7\u00e3o de imigrantes espanh\u00f3is, italianos, japoneses e etc., Sorocaba tamb\u00e9m foi uma cidade constru\u00edda por negros, com sua cultura, religiosidade, influ\u00eancias, e isso, precisa ser mais divulgado e valorizado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem foi Zumbi dos Palmares?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ribeiro, conta que Zumbi nasceu em 1655 no estado de Alagoas. Aos sete anos de idade, foi capturado e como a maioria dos escravizados brasileiros, foi obrigado a receber o batismo e o nomearam como Francisco. Desde muito jovem, dedicou-se \u00e0s resist\u00eancias dos cativos frente \u00e0s opress\u00f5es dos colonizadores. Em Pernambuco, aproximou-se de uma lideran\u00e7a bastante conhecida: Ganga Zumba, a fim de planejar a liberdade dos escravizados das fazendas e dos quilombos. Posteriormente, dirigiu-se \u00e0 Serra da Barriga, na capitania de Pernambuco e iniciou a organiza\u00e7\u00e3o dos Quilombos de Palmares (que atualmente \u00e9 parte do munic\u00edpio Uni\u00e3o dos Palmares- AL).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVale lembrar que Palmares foi um conjunto variado de quilombos, diferentemente do que a maioria das pessoas acreditam\u201d, detalha Ribeiro. Em 1680, Zumbi tornou-se l\u00edder dos quilombos e comandou as invas\u00f5es contra os portugueses. No entanto, ap\u00f3s muitos conflitos, foi capturado e degolado aos 40 anos de idade, no dia 20 de novembro de 1695. \u201cA exibi\u00e7\u00e3o da sua morte e do seu corpo representou aos colonizadores uma grande conquista, a qual deveria servir de exemplo aos demais africanos e escravizados\u201d, destaca Ribeiro. No entanto, os planos dos portugueses e bandeirantes n\u00e3o tiveram tanto \u00eaxito e Zumbi foi considerado um s\u00edmbolo de resist\u00eancia pela popula\u00e7\u00e3o africana e afrobrasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cZumbi foi um s\u00edmbolo de governan\u00e7a, organiza\u00e7\u00e3o, lideran\u00e7a, valentia e resist\u00eancia em meio ao projeto colonizador\u201d, afirma Ribeiro. Segundo ela, os quilombos buscavam reproduzir os costumes vivenciados em suas regi\u00f5es de origem na \u00c1frica, abandonadas em meio \u00e0 di\u00e1spora transatl\u00e2ntica. Sendo assim, estabeleciam-se em grandes grupos, detinham o uso coletivo da terra, praticavam os seus cultos, etc. Questionada sobre o porqu\u00ea de uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o reconhecer a import\u00e2ncia de Zumbi, tendo at\u00e9 sua imagem sendo desrespeitada pelo pr\u00f3prio presidente da funda\u00e7\u00e3o que carrega seu nome, Ribeiro explica que toda sociedade estabelece os seus s\u00edmbolos, mitos e tradi\u00e7\u00f5es. Desta forma, os personagens tamb\u00e9m s\u00e3o constru\u00eddos ao longo do tempo, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 representar os anseios de um povo, em determinada \u00e9poca e local.&nbsp; \u201cConsidero as opini\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 relev\u00e2ncia de Zumbi, como pr\u00e1ticas preconceituosas, haja vista que, diversos personagens, primordialmente, brancos com suas lutas eternizadas pela Hist\u00f3ria n\u00e3o sofreram grandes questionamentos pela sociedade\u201d, complementa Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cO fim de Zumbi veio com apoio do governo federal, ao ser morto pelas m\u00e3os de Domingos Jorge Velho\u201d. O coment\u00e1rio de Silva pode ser utilizado para se fazer uma analogia aos dias atuais e a Necropol\u00edtica j\u00e1 citada no in\u00edcio deste texto. Para Silva o povo negro tem que se apegar a Zumbi, como um s\u00edmbolo de que a \u00fanica forma de superar as dificuldades, \u00e9 resistindo a tudo e a todos. \u201cOs governantes da \u00e9poca, tinham muito medo da for\u00e7a que o Quilombo dos Palmares tinha, do seu poder de resist\u00eancia. O receio deles era de que o quilombo pudesse fazer uma revolu\u00e7\u00e3o, igual a que ocorria no Haiti na mesma \u00e9poca\u201d, explica Silva. Segundo ele, mesmo Zumbi tendo sido um her\u00f3i para o povo de matriz africana, conseguindo por exemplo, resistir a 67 tentativas de invas\u00f5es para destrui\u00e7\u00e3o do Quilombo dos Palmares, ele ainda n\u00e3o \u00e9 reconhecido por grande parte da sociedade, porque ela tende a exaltar os algozes e n\u00e3o aqueles que lutaram pela resist\u00eancia de um povo. \u201cSe voc\u00ea procurar no interior de S\u00e3o Paulo, os grandes her\u00f3is s\u00e3o os algozes do povo preto, dos \u00edndios. Em Santana do Parna\u00edba por exemplo, voc\u00ea encontra rever\u00eancias aos tropeiros. Em Sorocaba, \u00e0 Baltazar Fernandes\u201d, detalha Silva&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-1024x606.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1117\" width=\"852\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-1024x606.png 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-300x177.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-768x454.png 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png 1427w\" sizes=\"auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px\" \/><figcaption><strong>Zumbi<\/strong> e <strong>Dandara<\/strong>, ilustra\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Tribuna Uni\u00e3o. <strong>Fonte<\/strong>: The Intercept.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p> <strong>\u201cDandara n\u00e3o foi apenas a esposa de Zumbi\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme explica\u00e7\u00e3o de Ribeiro, a origem de Dandara \u00e9 amplamente discutida pela historiografia, e muitos acreditam que ela era da comunidade <em>jeje mahin<\/em> na \u00c1frica Meridional. Ela foi respons\u00e1vel por liderar as atividades cotidianas de Palmares, especialmente a ca\u00e7a e a agricultura. Tamb\u00e9m atuou na prote\u00e7\u00e3o do quilombo, liderando o uso das armas entre homens e mulheres. \u201cInfelizmente, muitos a conhecem de uma maneira reducionista como apenas \u2018a esposa de Zumbi\u2019. Acredito que \u00e9 preciso valorizar tamb\u00e9m as experi\u00eancias aut\u00f4nomas das mulheres, atrav\u00e9s do reconhecimento de suas trajet\u00f3rias individuais e, n\u00e3o somente, aos fatos vivenciados em meio \u00e0s atua\u00e7\u00f5es masculinas\u201d destaca Ribeiro. Segundo ela ainda, antes de ser esposa de Zumbi, Dandara foi um indiv\u00edduo com personalidade pr\u00f3pria, anseios, dificuldades e conquistas. \u201cDandara preferiu a morte a tornar a viver como escravizada e, assim que foi capturada, se jogou de uma pedreira ao abismo\u201d, conclui Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDandara tamb\u00e9m teve um papel fundamental, porque n\u00e3o tem como voc\u00ea resistir com uma esposa que apenas cuida do lar. Ela foi uma guerreira que lutou junto literalmente\u201d, declara Silva. Ele salienta ainda que antes de Dandara, a resist\u00eancia negra teve uma outra mulher que foi uma figura de grande import\u00e2ncia: a princesa africana escravizada Aqualtune, que subiu mais de nove quil\u00f4metros gr\u00e1vida em uma mata fechada para chegar ao quilombo. Segundo Silva, as tentativas de tirar do negro o protagonismo s\u00e3o antigas, e ainda permanecem. \u201cO cl\u00e1ssico da literatura e da dramaturgia, Macuna\u00edma, \u00e9 um grande exemplo. O protagonismo era todo do Grande Otelo, mas foi transferido para o Paulo Jos\u00e9 que era branco. Isso causou grande tristeza no Grande Otelo\u201d, detalha Silva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O dia 20 de novembro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 data comemorativa, a professora explica que o reconhecimento e a reivindica\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de Zumbi, estiveram ligados \u00e0s lutas do Movimento Negro Unificado (MNU), cujos ativistas na cidade de Salvador em 1978, acordaram o dia 20 de novembro como a data essencial para se recordar as lutas da popula\u00e7\u00e3o afrobrasileira. Por sua vez, o dia da Consci\u00eancia Negra foi fruto da lei 10.639, sancionada pelo presidente Lula em 2003, a qual estabelece o ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afrobrasileira como componente curricular obrigat\u00f3rio na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Entretanto, sua oficializa\u00e7\u00e3o ocorreu em 2011, no governo de Dilma Rousseff, atrav\u00e9s da Lei n\u00ba 12.519.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA concretiza\u00e7\u00e3o da data \u00e9 de extrema import\u00e2ncia, haja vista que ainda existem in\u00fameros paradigmas preconceituosos em nossa sociedade, pautados pela desinforma\u00e7\u00e3o e o racismo\u201d define Ribeiro. Ela salienta tamb\u00e9m que, ainda hoje, muitos livros did\u00e1ticos e produ\u00e7\u00f5es culturais abordam os africanos e afrobrasileiros como indiv\u00edduos sofredores e ausentes de articula\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia e anseios. \u201cRelembrar a mem\u00f3ria de Zumbi, \u00e9 valorizar a luta de homens e mulheres que resistiram de in\u00fameras formas, mediante os meios que possu\u00edam, como protagonistas e sujeitos de suas hist\u00f3rias\u201d, defende Ribeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>RAFAEL FILHO<\/p>\n\n\n\n<p>(AG\u00caNCIA FOCS \/ JORNALISMO UNISO)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00eas da consci\u00eancia negra na cidade de Sorocaba come\u00e7ou com mais um dia de l\u00e1grimas para uma fam\u00edlia e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1113","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",1427,844,false],"thumbnail":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-300x177.png",300,177,true],"medium_large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-768x454.png",768,454,true],"large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9-1024x606.png",800,473,true],"1536x1536":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",1427,844,false],"2048x2048":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",1427,844,false],"colormag-highlighted-post":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",392,232,false],"colormag-featured-post-medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",347,205,false],"colormag-featured-post-small":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",130,77,false],"colormag-featured-image":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",752,445,false],"colormag-default-news":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",150,89,false],"colormag-featured-image-large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/image-9.png",1014,600,false]},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"3","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1113"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1113\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1120,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1113\/revisions\/1120"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}