{"id":157,"date":"2018-10-29T02:38:00","date_gmt":"2018-10-29T02:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2018\/10\/29\/das-pistas-para-as-ruas\/"},"modified":"2018-10-29T02:38:00","modified_gmt":"2018-10-29T02:38:00","slug":"das-pistas-para-as-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2018\/10\/29\/das-pistas-para-as-ruas\/","title":{"rendered":"Das pistas para as ruas"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-usNLx4r6owA\/W9M3GlIA3MI\/AAAAAAAAH3Q\/Pt4dlUL0ErAiQu_jGLGLJwK4RLwYOsITwCLcBGAs\/s1600\/capa-materia.png\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"642\" data-original-width=\"595\" height=\"320\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-usNLx4r6owA\/W9M3GlIA3MI\/AAAAAAAAH3Q\/Pt4dlUL0ErAiQu_jGLGLJwK4RLwYOsITwCLcBGAs\/s320\/capa-materia.png\" width=\"296\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Carros alinhados em uma grande avenida com pouco movimento, os roncos dos escapamentos quebram o sil\u00eancio da noite tranquila, ecoando sobre a estrada. Far\u00f3is iluminam o asfalto, enquanto os pilotos se concentram para conseguir o melhor rendimento poss\u00edvel. Ap\u00f3s o sinal de largada, os roncos se transformam nos pneus gritando e tentando tracionar o carro no asfalto, jogando toda a pot\u00eancia dos motores preparados para o ch\u00e3o. A sensa\u00e7\u00e3o de liberdade a 200 km\/h em busca de apenas um objetivo: chegar primeiro, deixando todos os outros carros e pilotos comendo poeira. <o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Essa era uma das rotinas vividas pelo estudante de Engenharia Fernando Sousa, 21 anos. Vindo de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, Fernando conta que seus interesses por carros come\u00e7aram com os filmes da saga Velozes e Furiosos e que, ap\u00f3s completar 18 anos e ter sua CNH em m\u00e3os, seu contato com esse mundo s\u00f3 aumentou: \u201cQuando comprei meu primeiro carro, fui conhecendo o pessoal na faculdade e tamb\u00e9m nas ruas. \u00c0s vezes fazia uma \u2018brincadeira\u2019 com algu\u00e9m e acabava trocando contatos. Assim fui conhecendo as pessoas e me enturmando\u201d. Brincadeiras, segundo Fernando, era a forma que os participantes usavam para se referir aos rachas.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As corridas de rua, ou rachas, acontecem com frequ\u00eancia em todo o Brasil. Muitos encontros de carros noturnos t\u00eam esta finalidade, juntar os apaixonados por velocidade e motores ocasionando disputas de ego para descobrir quem \u00e9 o melhor piloto ou tem melhor o ve\u00edculo. Al\u00e9m desses encontros, acontecem tamb\u00e9m as disputas casuais em que pessoas que gostam dessa pr\u00e1tica acabam se encontrando na rua e praticam o racha, em meio a ve\u00edculos e a luz do dia. <o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fernando diz que a pr\u00e1tica desse ato leva a uma sensa\u00e7\u00e3o muito boa, de liberdade. No momento das corridas, as consequ\u00eancias e problemas que podem ocorrer s\u00e3o deixados de lado e, em seu lugar, resta um desejo de n\u00e3o perder para os demais.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, hoje, Fernando mudou seus h\u00e1bitos: \u201cInfelizmente, antes de eu me tocar de o quanto isso poderia ser s\u00e9rio, acabei sofrendo um acidente e destru\u00ed meu carro. Na hora do acidente foi isto que pensei: \u2018Acabei com meu carro\u2019. Por\u00e9m existem outros fatores em que parei para pensar ap\u00f3s o acidente, enquanto esperava retirarem o carro: eu poderia ter atropelado algu\u00e9m, poderia ter batido no carro de outras pessoas, machucado ou at\u00e9 matado. Nessa hora, acredito que para muitos, passe como um filme na cabe\u00e7a e o \u2018e se\u2019 acaba pesando, fazendo-nos refletir sobre aquelas atitudes que temos sem pensar e que, em apenas segundos, podem mudar nossas vidas para sempre ou at\u00e9 mesmo tir\u00e1-las de n\u00f3s.\u201d<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o acidente, Fernando n\u00e3o perdeu sua paix\u00e3o por carros, somente trocou por algo mais respons\u00e1vel e seguro em eventos fechados. \u201cConheci os eventos atrav\u00e9s de amigos que gostam de carro. Muitos que praticavam racha nas ruas acabaram mudando o \u2018foco\u2019 de seus carros e come\u00e7aram a andar nas pistas. Os eventos t\u00eam total infraestrutura com seguran\u00e7a, ambul\u00e2ncia e ambientes controlados. Nas ruas podemos nos machucar e machucar pessoas a todo momento.\u201d<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">EVENTOS NO BRASIL E NO EXTERIOR<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Esses eventos ocorrem por todo o territ\u00f3rio nacional e s\u00e3o chamados de Track Days (eventos em aut\u00f3dromos, onde o principal foco \u00e9 ter seu tempo de volta cada vez mais baixo e sua disputa \u00e9 consigo mesmo) ou de Arrancada (disputa entre dois carros em linha reta, geralmente de 201 ou 402 metros). Os custos para participar desses eventos, com total infraestrutura e seguran\u00e7a, podem variar entre R$ 200,00 e R$ 2.000,00 dependendo do tipo. Nesses eventos, o participante entra com seu carro de uso normal, passa por uma inspe\u00e7\u00e3o dos itens de seguran\u00e7a para ser considerado apto a andar. Em sua maioria, os eventos contam com briefing (orienta\u00e7\u00f5es gerais) e instrutores qualificados para dar dicas de como funciona o evento e de como se comportar com seu carro durante sua participa\u00e7\u00e3o \u2014 orienta\u00e7\u00f5es sobre a pista, sobre como deixar carros mais r\u00e1pidos e ultrapassar sem riscos, tipos de bandeira e informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que o participante precisa saber.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Um dos organizadores desses eventos no Brasil e mundo a fora, Guilherme Santiago, conta que antigamente a Arrancada era muito insipiente, pouco conhecida, e que hoje a realidade para ambos eventos \u00e9 totalmente diferente. A empresa de Santiago realiza eventos todos os meses, de modo que uma das frases muito utilizadas, \u201ceu acelero na rua por falta de op\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o \u00e9 mais v\u00e1lida. \u201cVoc\u00ea pode pegar seu carro de rua normal, seja ele esportivo ou n\u00e3o, levar para o aut\u00f3dromo, acelerar em local seguro sem preocupa\u00e7\u00f5es de atropelar pessoas, com \u00e1reas de escape generosas, sem arvores ou postes\u201d, diz Santiago.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cA princ\u00edpio, n\u00e3o podemos ser falsos moralistas e hip\u00f3critas: quem nunca deu uma acelerada na rua com o carro, especialmente quando se \u00e9 mais jovem, um pouco mais inconsequente e rec\u00e9m habilitado?\u201d, questiona ele. \u201cNa minha \u00e9poca, por exemplo, n\u00e3o existia a op\u00e7\u00e3o de voc\u00ea acelerar o carro no aut\u00f3dromo. Nem se imaginava que iriam ocorrer os Track Days, como j\u00e1 ocorrem h\u00e1 20 ou 30 anos em pa\u00edses europeus e nos Estados Unidos. No Brasil mal se falava em eventos de pista a n\u00e3o ser os profissionais\u201d, diz.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fora do Brasil, os interessados t\u00eam mais op\u00e7\u00f5es. A exemplo da Alemanha, onde a pista de N\u00fcrburgring tem abertura praticamente di\u00e1ria, o participante que deseja andar nos seus 20,832km de extens\u00e3o deve apenas comprar o RingCard (como um cart\u00e3o de cr\u00e9dito) e pagar pelo n\u00famero de voltas que deseja percorrer, entrando na pista com seu ve\u00edculo. Existem at\u00e9 locadoras especializadas no local, onde voc\u00ea pode alugar um ve\u00edculo preparado para se divertir. \u00c9 uma forma de o governo incentivar a pr\u00e1tica segura do esporte.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Segundo Santigado, nossa realidade \u00e9 bem diferente: \u201cNo Brasil, a maior dificuldade de um organizador s\u00e3o os tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos aliados aos altos pre\u00e7os de alugu\u00e9is dos aut\u00f3dromos. Este \u00e9 nosso maior problema para se fazer um evento hoje: o valor cobrado para aluguel. Os Track Days t\u00eam crescido bastante no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, inclusive nos Estados Unidos o pr\u00f3prio governo incentiva esse tipo de evento, fornecendo para os organizadores ambul\u00e2ncias, carros de bombeiro e pol\u00edcia. Ent\u00e3o voc\u00ea acaba tirando esse custo do evento, barateando a inscri\u00e7\u00e3o. No Brasil, ainda n\u00e3o estamos nesse n\u00edvel. Mas estamos crescendo cada vez mais e isso \u00e9 muito bem-vindo; torcemos para que continue assim pois essa \u00e9 uma modalidade muito bacana, aguardamos que o crescimento continue e que mais pessoas tenham acesso e possam participar\u201d.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><o:p><\/o:p><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\">OPORTUNIDADES DE MERCADO<o:p><\/o:p><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de eventos tamb\u00e9m acaba gerando mais receita para quem trabalha na \u00e1rea de prepara\u00e7\u00e3o automotiva. Segundo o preparador e comerciante de acess\u00f3rios Ronaldo Lemos, da AFR Performance, o mercado acabou sofrendo mudan\u00e7as ao longo das transforma\u00e7\u00f5es dos eventos e a demanda de prepara\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos de rua.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cAntigamente, nossas prepara\u00e7\u00f5es eram limitadas e contavam com poucos recursos nacionais. Para se ter um carro r\u00e1pido e competitivo, o dono tinha que investir muito dinheiro e, mesmo assim, o resultado n\u00e3o era confi\u00e1vel pois elev\u00e1vamos as pot\u00eancias dos carros em 200% e as quebras se tornavam frequentes. Muitos desistiam de preparar seus carros por conta das dificuldades de andar com os ve\u00edculos nas ruas. Hoje, al\u00e9m de locais seguros e regulamentados para a pr\u00e1tica, o mercado nacional e de importa\u00e7\u00e3o cresceu muito e n\u00f3s temos \u00f3timos produtos dispon\u00edveis, facilitando nosso trabalho e aumentando a durabilidade dos componentes e do pr\u00f3prio carro\u201d, diz.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, ele acrescenta que os fabricantes de ve\u00edculos tamb\u00e9m t\u00eam investido muito em tecnologia, e com a entrada do downsizing (termo utilizado pelos fabricantes para motores de menor cilindrada, por\u00e9m sobrealimentados ou, como popularmente chamados, turbinados) \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m elevar o n\u00edvel das prepara\u00e7\u00f5es. \u201cH\u00e1 dez anos, para se tirar 300 cavalos de um motor, era necess\u00e1rio um investimento de pelo menos R$ 20.000, em meio a muitas dificuldades, com pelo menos dez dias de trabalho. Hoje, com R$ 5.000 \u00e9 poss\u00edvel extrair esses mesmos 300 cavalos, com muita mais seguran\u00e7a e durabilidade, em apenas tr\u00eas horas de servi\u00e7o\u201d, conclui Ronaldo.<o:p><\/o:p><\/div>\n<p><span style=\"font-family: inherit; font-size: x-small;\"><i><b>Texto: <\/b>Thiago Afonso &#8211;&nbsp;<span style=\"background-color: white; color: #444444;\"><span style=\"color: #1d2129; text-align: justify; white-space: pre-wrap;\">Ag\u00eancia Experimental de Jornalismo (Ag\u00eanciaJOR\/Uniso)<\/span><\/span><\/i><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carros alinhados em uma grande avenida com pouco movimento, os roncos dos escapamentos quebram o sil\u00eancio da noite tranquila, ecoando<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}