{"id":197,"date":"2018-07-17T12:38:00","date_gmt":"2018-07-17T12:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2018\/07\/17\/a-violencia-na-midia-o-que-move-esse-cenario\/"},"modified":"2018-07-17T12:38:00","modified_gmt":"2018-07-17T12:38:00","slug":"a-violencia-na-midia-o-que-move-esse-cenario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2018\/07\/17\/a-violencia-na-midia-o-que-move-esse-cenario\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia na m\u00eddia: o que move esse cen\u00e1rio?"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-0M7wF2d1Bjo\/W03h7RIXsrI\/AAAAAAAAHgg\/twhL4AQhmzcEtTo8OdouVtgosf9vMqD-QCLcBGAs\/s1600\/An%25C3%25A1lise%2BCr%25C3%25ADtica%2Bde%2BM%25C3%25ADdias.jpeg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"180\" data-original-width=\"320\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-0M7wF2d1Bjo\/W03h7RIXsrI\/AAAAAAAAHgg\/twhL4AQhmzcEtTo8OdouVtgosf9vMqD-QCLcBGAs\/s1600\/An%25C3%25A1lise%2BCr%25C3%25ADtica%2Bde%2BM%25C3%25ADdias.jpeg\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c9 grande o n\u00famero de casos de viol\u00eancia que vemos na m\u00eddia todos os dias. Seja uma v\u00edtima de bala perdida, uma mulher assassinada pelo ex-companheiro, uma fam\u00edlia feita ref\u00e9m durante um assalto. Tornou-se rotina e em partes, h\u00e1bito, assistirmos aos notici\u00e1rios cientes que em algum trecho dele, estar\u00e1 presente esse tipo de conte\u00fado. Em um tempo onde a viol\u00eancia tem se intensificado e se tornado cada vez mais acess\u00edvel \u00e0s reda\u00e7\u00f5es, \u00e9 inevit\u00e1vel que essas publica\u00e7\u00f5es tornem-se evid\u00eancia e preencham maior espa\u00e7o nas edi\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Lembro-me que logo que ingressei na \u00e1rea do jornalismo, ainda como estagi\u00e1ria, meu chefe de reda\u00e7\u00e3o me disse que \u201cqualquer not\u00edcia envolvendo crian\u00e7a e \u2018velho\u2019 valia a pena, dava audi\u00eancia\u201d. Para algu\u00e9m que ainda n\u00e3o tinha qualquer crit\u00e9rio de noticiabilidade estabelecido, fazer daquelas palavras as minhas me pareceu uma boa ideia. Embora essa vis\u00e3o pare\u00e7a pessoal e espec\u00edfica, \u00e9 ela que alimenta a grande maioria dos ve\u00edculos. Uma crian\u00e7a, um idoso, assim como outros tipos singulares de personagens, desencadeia no p\u00fablico empatia e uma sensibilidade ainda mais not\u00f3ria. Foi essa simples frase dita por um profissional, sem nenhuma pretens\u00e3o, que me fez enxergar que o jornalismo n\u00e3o se resume apenas em noticiar acontecimentos, h\u00e1 muitos outros aspectos com os quais se preocupar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Diante dessa reflex\u00e3o, escolhi falar sobre um dos casos de viol\u00eancia mais cru\u00e9is e singulares j\u00e1 noticiados, o do menino Jo\u00e3o H\u00e9lio. O garoto de apenas seis anos morreu durante um assalto, ap\u00f3s n\u00e3o conseguir desprender-se do cinto de seguran\u00e7a, do carro da fam\u00edlia. Mesmo cientes da situa\u00e7\u00e3o, os suspeitos arrastaram a crian\u00e7a do lado de fora do ve\u00edculo, por pelo menos sete quil\u00f4metros, at\u00e9 que parassem e fugissem a p\u00e9. A v\u00edtima estava com a m\u00e3e, a irm\u00e3 e uma amiga da fam\u00edlia, que conseguiram escapar. Por um equipamento de seguran\u00e7a, Jo\u00e3o n\u00e3o teve o mesmo destino. O assassinato ocorreu no Rio de Janeiro, em 7 de fevereiro de 2007.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o era vulner\u00e1vel, v\u00edtima da viol\u00eancia e principalmente, crian\u00e7a. As reda\u00e7\u00f5es estavam cheias de pautas sobre o caso, qualquer detalhe era um \u201ctrunfo\u201d, em meio \u00e0s informa\u00e7\u00f5es ainda superficiais, dadas pela Pol\u00edcia Civil. Me recordo de, aos onze anos de idade, abrir uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista Veja falando sobre o crime. Em um dos relatos, uma das testemunhas do caso contou ao ve\u00edculo que viu o momento em o cr\u00e2nio do menino chocou-se contra a guia de uma das ruas e o sangue de Jo\u00e3o foi derramado. Palavras perturbadoras e invasivas para muitos, mas aprovada pela edi\u00e7\u00e3o, em busca de uma cobertura mais aprofundada e detalhista. Qual seria o limite entre a exposi\u00e7\u00e3o da verdade e o sensacionalismo?&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em busca de expressar a dor dos pais do menino, o jornalista Zeca Camargo, ent\u00e3o apresentador do programa Fant\u00e1stico, da Rede Globo, usa o termo \u201cainda muito abalados\u201d, antes que uma entrevista com os mesmos seja transmitida para milhares de lares brasileiros, quatro dias ap\u00f3s o crime. A condutora da mat\u00e9ria \u00e9 a apresentadora F\u00e1tima Bernardes. Logo na primeira cena, ela abra\u00e7a a m\u00e3e de Jo\u00e3o, que est\u00e1 desolada. As primeiras palavras da genitora? \u201cMuito obrigada por voc\u00eas terem vindo.\u201d&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eamula, com os olhos visivelmente inchados, segurando e olhando incessantemente uma foto do filho, a m\u00e3e responde com dificuldade \u00e0s perguntas da rep\u00f3rter. As l\u00e1grimas da entrevistada n\u00e3o escorrem, porque j\u00e1 lhe faltam. O pai chora lembrando de um desenho feito pela crian\u00e7a, pouco tempo antes de ser assassinada. Quanto maior a demonstra\u00e7\u00e3o de abatimento, maior \u00e9 o zoom dado pelo cinegrafista no rosto do casal.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A superexposi\u00e7\u00e3o diante da fam\u00edlia de Jo\u00e3o H\u00e9lio, assim como tantas outras, mostra que diferente do que foi dito, n\u00e3o \u00e9 a \u201ccrian\u00e7a e o velho\u201d que vendem, mas sim, a dor. Informar n\u00e3o \u00e9 mais o suficiente dentro das reda\u00e7\u00f5es. Em busca de p\u00fablico, a sensibilidade do receptor precisa ser aflorada a cada publica\u00e7\u00e3o.&nbsp; \u00c9 na viol\u00eancia que encontra-se um dos resultados mais significantes quanto \u00e0 como\u00e7\u00e3o do receptor, mesmo que exteriorizada na tristeza e na revolta. Por mais dolorido que seja dizer isso, a casa da audi\u00eancia tornou-se o choro de uma m\u00e3e, a morte de um filho, o sangue derramado&#8230; E \u00e9 neste mesmo lar que a m\u00eddia almeja morar, por mais caro que seja o custo de loca\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><i>Texto: J\u00falia Lippi<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 grande o n\u00famero de casos de viol\u00eancia que vemos na m\u00eddia todos os dias. Seja uma v\u00edtima de bala<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}