{"id":204,"date":"2018-06-30T14:23:00","date_gmt":"2018-06-30T14:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2018\/06\/30\/travesti-feminina-ate-que-ponto-para-a-midia\/"},"modified":"2018-06-30T14:23:00","modified_gmt":"2018-06-30T14:23:00","slug":"travesti-feminina-ate-que-ponto-para-a-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2018\/06\/30\/travesti-feminina-ate-que-ponto-para-a-midia\/","title":{"rendered":"Travesti: feminina. At\u00e9 que ponto para a m\u00eddia?"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-DVPLyGbB0r0\/Wzo1re9QvdI\/AAAAAAAAHd0\/FJxvhdYbJKwsb7Ah-iR9agj1AzL55DytQCLcBGAs\/s1600\/An%25C3%25A1lise%2BCr%25C3%25ADtica%2Bde%2BM%25C3%25ADdias.jpeg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"720\" data-original-width=\"1280\" height=\"180\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-DVPLyGbB0r0\/Wzo1re9QvdI\/AAAAAAAAHd0\/FJxvhdYbJKwsb7Ah-iR9agj1AzL55DytQCLcBGAs\/s320\/An%25C3%25A1lise%2BCr%25C3%25ADtica%2Bde%2BM%25C3%25ADdias.jpeg\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Travesti. O que \u00e9 ser travesti? Antes de tudo, \u00e9 ser humano. Quando ouve esta palavra, consegue imaginar algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 ligada a um contexto de marginalidade, prostitui\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e exclus\u00e3o social? Se o que vem \u00e0 sua mente \u00e9 apenas \u201cum homem vestido de mulher\u201d, volte \u00e0 express\u00e3o ser humano. Se esse n\u00e3o \u00e9 o seu pensamento, prossiga! A identidade de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 algo amplamente entendido e aceito na sociedade, principalmente a identidade das travestis, que comumente s\u00e3o tratadas como \u2018o\u2019 travesti, ou tem a sua identidade \u2018travesti\u2019 utilizada como sin\u00f4nimo de \u2018prostituta\u2019. A imprensa, ao noticiar casos de viol\u00eancia ou morte de travestis, \u2013 segundo autores, esta \u00e9 uma das \u00fanicas ocasi\u00f5es em que s\u00e3o not\u00edcia \u2013 reproduz esses estere\u00f3tipos em seu discurso. A forma correta de mencion\u00e1-las \u00e9 utilizando o artigo \u2018a\u2019 travesti, pois elas s\u00e3o uma identidade feminina. Os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e jornalistas vem se adequando aos poucos, em breve checagem, o respeito com a identidade de g\u00eanero come\u00e7ou a ser adotado pela maioria dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o a partir de 2013. Mesmo com a adequa\u00e7\u00e3o, a travesti \u00e9 feminina para a m\u00eddia at\u00e9 que ponto?<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Durante a an\u00e1lise de uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias sobre viol\u00eancia e morte de travestis publicadas pelo portal do jornal O Estado de S. Paulo, em anos distintos, uma not\u00edcia espec\u00edfica chamou a minha aten\u00e7\u00e3o. Intitulada \u201cPol\u00edcia ca\u00e7a matador de garotas de programa e travestis em S\u00e3o Paulo\u201d, e publicada em 3 de fevereiro de 2016, assinada pelo rep\u00f3rter Alexandre Hisayasu, a mat\u00e9ria cita a morte de quatro mulheres e dois homens ocorridas em menos de dois meses em lugares pr\u00f3ximos e localizados em regi\u00e3o considerada perigosa; segundo a mat\u00e9ria, cinco das v\u00edtimas eram usu\u00e1rias de drogas e envolvidas com prostitui\u00e7\u00e3o. O texto relata em cada par\u00e1grafo, a morte de uma v\u00edtima. A primeira v\u00edtima descrita \u00e9 um homem e os par\u00e1grafos seguintes s\u00e3o sobre a morte de quatro mulheres, quase no final do texto a morte da travesti \u00e9 descrita.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A linguagem utilizada para se referir \u00e0 travesti foi correta, mas apenas na constru\u00e7\u00e3o gramatical. A quest\u00e3o \u00e9: quatro mulheres foram citadas no texto, apenas um homem foi mencionado como v\u00edtima, mas a mat\u00e9ria informou terem sido dois homens. Em qual estat\u00edstica a morte da travesti entrou? A morte dela foi considerada como sendo a morte de um homem. O que nos faz pensar em at\u00e9 que ponto a aceita\u00e7\u00e3o da travesti \u00e9 realizada.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De acordo com pesquisa da organiza\u00e7\u00e3o Transgender Europe (TGEU, O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata transexuais e travestis. Entre janeiro de 2008 e junho de 2016, ocorreram cerca de 600 mortes, o que faz com que o pa\u00eds lidere o ranking que contabiliza mortes dessa popula\u00e7\u00e3o. Segundo artigos acad\u00eamicos, a morte delas \u00e9 subnotificada pela imprensa que n\u00e3o consegue criar caminhos para o reconhecimento do outro. Pelo contr\u00e1rio, acaba reafirmando todo o estigma criado sobre a travestilidade. A editoria policial seria o \u00fanico espa\u00e7o em que elas aparecem nos jornais, em not\u00edcias em que s\u00e3o v\u00edtimas ou acusadas de um crime.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O jornalista possui o comprometimento \u00e9tico, estabelecido pelo C\u00f3digo de \u00c9tica dos Jornalistas Brasileiros, que diz que \u00e9 dever do profissional \u201cdefender os princ\u00edpios expressos na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem\u201d, assim como n\u00e3o \u201cconcordar com a pr\u00e1tica de persegui\u00e7\u00e3o ou discrimina\u00e7\u00e3o por motivos sociais, pol\u00edticos, religiosos, raciais, de sexo e de orienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d. Isso \u00e9 sempre levado em considera\u00e7\u00e3o?<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com a an\u00e1lise da mat\u00e9ria acima, pode-se inferir que mesmo se adequando \u00e0s normas da escrita para a identifica\u00e7\u00e3o da travesti, o rep\u00f3rter n\u00e3o a reconhece como pertencente do g\u00eanero feminino, pois a coloca no n\u00famero de mortes masculinas. Mas o not\u00e1vel, \u00e9 que ele a reconhece como usu\u00e1ria de droga e prostituta, ao dizer que \u201ccinco das v\u00edtimas eram usu\u00e1rias de drogas e envolvidas com a prostitui\u00e7\u00e3o\u201d. A an\u00e1lise do texto n\u00e3o deixa d\u00favidas quanto a isso, uma vez que a profiss\u00e3o do homem assassinado n\u00e3o foi informada e tamb\u00e9m, pelas outras v\u00edtimas serem mulheres, considerando que a prostitui\u00e7\u00e3o feminina nas ruas \u00e9 maior do que a masculina.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 a justificativa de que o jornalista n\u00e3o \u00e9 obrigado a ter conhecimento sobre tudo, uma vez que orienta\u00e7\u00f5es para a abordagem da imprensa em pautas LGBT existem desde 2010. A iniciativa da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gays, L\u00e9sbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) \u00e9 reduzir o uso inadequado de conceitos e termos na abordagem LGBT pelos profissionais de comunica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do \u2018Manual de Comunica\u00e7\u00e3o LGBT\u2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s de recriar estere\u00f3tipos, a narrativa jornal\u00edstica pode contribuir para modificar o cen\u00e1rio de desigualdade e ceder espa\u00e7o para vozes que s\u00e3o marginalizadas. Para isso, \u00e9 preciso que o profissional se abdique de qualquer preconceito, para que entenda a luta de quem batalha todos os dias para ter um espa\u00e7o na sociedade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Este exemplo apresentado aqui, mostra o quanto n\u00e3o \u00e9 suficiente a troca do \u2018o\u2019 pelo \u2018a\u2019, \u00e9 preciso um entendimento maior das identidades de g\u00eanero. Orienta\u00e7\u00f5es para a imprensa existem, basta busc\u00e1-las. Ainda \u00e9 preciso recolher as pedras do preconceito para que a passagem do respeito e igualdade seja de livre acesso, com a subvers\u00e3o do olhar social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 travesti. O jornalismo tem grande influ\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o de identidades, e deve se atentar para as suas pr\u00e1ticas. Uma simples troca de artigos faz muita diferen\u00e7a na vida de uma travesti, mas \u00e9 preciso ultrapassar a escrita. \u00c9 preciso que a aceita\u00e7\u00e3o seja completa. Na escrita e na mente. Travesti tamb\u00e9m \u00e9 gente.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Texto: Aline Nunes\/Ag\u00eanciaJor<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Travesti. O que \u00e9 ser travesti? Antes de tudo, \u00e9 ser humano. 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