{"id":2280,"date":"2024-10-22T09:42:44","date_gmt":"2024-10-22T12:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=2280"},"modified":"2024-10-29T10:43:59","modified_gmt":"2024-10-29T13:43:59","slug":"focando-em-conselhos-de-uma-preta-velha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2024\/10\/22\/focando-em-conselhos-de-uma-preta-velha\/","title":{"rendered":"Focando em&#8230; Conceilhos de uma Preta Velha"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>&#8216;Conceilhos&#8217; = conceitos + conselhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u2013<\/em><\/strong> Ben\u00e7a, v\u00f3!<br><br><strong><em>\u2013 <\/em><\/strong><em>Oxal\u00e1 o aben\u00e7oe, fio<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Como a senhora est\u00e1, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u2013 <\/em><\/strong><em>Eu t\u00f4 bem, n\u00e9, fio?! Num t\u00f4 mais nessa Terra, n\u00e9? <\/em>(sorrindo).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>\u00c9, v\u00f3, no plano espiritual as coisas devem estar bem melhores mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Mas vam\u00f4 l\u00e1, fio\u2026 o que a v\u00f3 pode ajudar sunc\u00ea hoje?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Ah, v\u00f3, hoje n\u00e3o vim pedir nada, n\u00e3o. Vim mais para te ver, te ouvir, bater um papo mesmo sobre a vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Ah, mas sunc\u00ea ta pedindo, sim. T\u00e1 pedindo cons\u00eaio. E disso a v\u00f3 entende bem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Com certeza, v\u00f3, a sua linhagem tem muito sabedoria para nos ensinar. Ent\u00e3o, eu vou perguntando minhas d\u00favidas, puxando o assunto e a gente vai conversando, pode ser, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Pode, fio. Sunc\u00ea vai fazer comigo o que fio fais por a\u00ed, cosotro\u2026 entrevista, n\u00e9?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Sim, v\u00f3, a senhora acertou. Eu sou jornalista, fa\u00e7o entrevistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>E preto, o que \u00e9 mi\u00f3 ainda n\u00e9, fio?<\/em> (sorrindo).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Eu estava pensando aqui, v\u00f3: no seu tempo n\u00e3o tinha internet, telefone, nada\u2026 e, mesmo assim, voc\u00ea e seus cumpadres se comunicavam, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>\u00c9, fio, n\u00e3o tinha nada dessas coisas modernas que sunc\u00eais tem hoje. Ah, mais eu e meu povo dava seu jeito de se juntar para conversar como seria as nossas lutas pra sair daquela situa\u00e7\u00e3o que n\u00f3is vivia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Que legal, v\u00f3. Resist\u00eancia sempre, n\u00e9? E o que voc\u00eas mais conversavam?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Ah, fio, a gente falava muitas coisas. Como, por exemplo, jeitos de mostrar pro povo que n\u00e3o pode ficar perpetuando essas imagens ruins do povo preto. Um povo que foi arrancado de sua terra, escravizado e violentado.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser negro ou negra, n\u00e9, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 <em>N\u00e3o, fio. Ser negro \u00e9 resistir \u00e0 dor, ao sofrimento f\u00edsico e moral. E tamb\u00e9m a uma sensa\u00e7\u00e3o que \u00e9 muito ruim e a gente sente, tem hora: a de n\u00e3o existir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Que triste, v\u00f3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Muita gente n\u00e3o gosta de n\u00f3is preto. \u00c9 uma (in)toler\u00e2ncia que camufla o racismo que ainda existe.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Mesmo fazendo muitos anos que a v\u00f3 partiu, fio, ainda acontece muita coisa que entristece a v\u00f3. A mulh\u00e9 preta \u00e9 sempre mostrada como a empregada ou a cuidadora de beb\u00ea.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Se os escravos tivessem tido a oportunidade de escrever ou algu\u00e9m que nem voc\u00ea, fio, que tem os estudo pra ouvi e ponh\u00e1 no papel, a hist\u00f3ria seria contada de um jeito bem diferente, o verdadeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Nossa! Quantos ensinamentos legais, v\u00f3. Continue, por favor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Que nem, sobre os quilombos, fio. L\u00e1 n\u00e3o era um lugar s\u00f3 de fuga. L\u00e1 tinha pessoas que, na \u00c1frica, eram reis, rainhas e princesas. Os livro da escola tem preconceito com o quilombo. Mas o quilombo do Zumbi, por exemplo, era que nem um estado, iguar os que tem hoje.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>O povo rico fala mal, mas ia e, ainda vai, compra as coisa de n\u00f3is.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Os brancos falam que quilombo \u00e9 tudo favela. Mas quilombo \u00e9 historia, \u00e9 mem\u00f3ria, \u00e9 ser.<br><\/em><strong>\u2013 <\/strong>Como assim \u201cser\u201d? Pode explicar melhor, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>N\u00f3is tudo SOMOS quilombo, fio. O quilombo n\u00e3o faiz parte dessas terras? A gente n\u00e3o faiz parte dessa terra? Ent\u00e3o, somos todos quilombo. O quilombo t\u00e1 dentro da gente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Ao contr\u00e1rio do que o povo racista fala, o quilombo tinha at\u00e9 lema: agrupamento, organiza\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e amor.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Que lindo isso, v\u00f3, at\u00e9 caiu uma l\u00e1grima aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>\u00c9, fio, pode chora, n\u00e3o tem problema, n\u00e3o. Nossa hist\u00f3ria \u00e9 bunita, emociona mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>E os quilombos da \u00c1frica, v\u00f3, eram parecidos com os daqui?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>O do Zumbi parecia muito, fio. L\u00e1 na \u00c1frica, tinha negros fortes que lutavam com os homis brancos, mas eles tinham arma de fogo, a\u00ed a gente n\u00e3o conseguia uma disputa justa, n\u00e9? Tanto na \u00c1frica quanto aqui, fio, o povo tinha a esperan\u00e7a de um pa\u00eds melhor, mais justo, onde houvesse liberdade, uni\u00e3o e igualdade. Aqui e l\u00e1, os quilombos eram tamb\u00e9m um lugar pros negro viver o banzo.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Que palavra sunc\u00eais de hoje usa pra banzo, fio?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Ah, v\u00f3, pode ser lamento, nostalgia, tristeza, dor da alma ou saudade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Dor da alma \u00e9 interessante, fio, mas banzo \u00e9 mais bunito de fal\u00e1, eu acho (sorrindo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>A senhora falou em banzo, v\u00f3, eu lembrei de um samba da Escola Nen\u00ea de Vila Matilde, que se chama \u2018Casa Grande e Senzala\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>E como ele \u00e9, fio? Cante um pouco pra v\u00f3 ouvir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 banzo que nego tem<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 banzo que nego tem<\/p>\n\n\n\n<p>Na casa grande, tudo \u00e9 alegria<\/p>\n\n\n\n<p>Na casa grande, tudo \u00e9 festan\u00e7a&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na senzala, nego chora<\/p>\n\n\n\n<p>Chora que nem crian\u00e7a [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Esse \u00e9 lindo mesmo, fio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>E o que mais te incomoda sobre negritude que voc\u00ea queira falar, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Esse povo estudado precisa entender que n\u00e3o somos objeto de estudo de cientista. Que n\u00e3o d\u00e1 pra estudar o negro s\u00f3 por um peda\u00e7o da hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>O povo branco, depois de nos arranc\u00e1 tudo, agora vem dizer que somos ricos de cultura, for\u00e7a, beleza. Eles precisa para de falar que os negros contribuiu para a hist\u00f3ria do pa\u00eds. A gente ainda contribui. Tem que olhar pra n\u00f3is como quem ainda participa dessa forma\u00e7\u00e3o todo dia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>E tem alguma passagem que te machucou mais, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Um homi branco me falou uma vez que ele era mais preto do que eu porque ele tinha estudado o candombl\u00e9 e eu n\u00e3o. Olha o que tenho que escuit\u00e1, fio! N\u00e3o \u00e9 porque o branco estuda nossa cultura que ele pode se dizer negro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>E isso acontece at\u00e9 hoje viu, v\u00f3. E todos os dias\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>\u00c9 triste, n\u00e9, fio? Eu sei bem disso. Mesmo n\u00e3o estando nessas terras mais, eu escuito tudo! (sorrindo).<\/em><strong> <\/strong><em>E eu morro de d\u00f3 dos er\u00ea, tamb\u00e9m, fio. As crian\u00e7a negra sofrem com os estudos por causa do isolamento que os branco faiz com elas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Isso \u00e9 verdade, v\u00f3. Esses dias mesmo, eu entrevistei uma professora negra aqui da cidade, v\u00f3, a Mila de Paula. Ela me disse que a inf\u00e2ncia \u00e9 uma fase muito importante. Que ela ama trabalhar com as crian\u00e7as, pois elas n\u00e3o t\u00eam racismo. Somos n\u00f3s que colocamos isso nelas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>\u00c9 isso mesmo fio. Muito da esperta essa dona a\u00ed.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>\u00d4, v\u00f3, esses dias eu ouvi uma pessoa falando sobre a culpa da escraviza\u00e7\u00e3o dos negros ser dos pr\u00f3prios negros, que escravizavam seus irm\u00e3os e vendiam eles para o colonizador. O que voc\u00ea tem a dizer sobre isso, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Nossa, fio, no ano que c\u00eais t\u00e3o, ainda tem gente que fala uma coisa dessas? Credo. O que a v\u00f3 tem pra falar \u00e9 que isso \u00e9 uma bobage. Teve negros que tinha negros como escravos? Teve, sim. Mas comparar com a escravid\u00e3o feita pelo homi branco \u00e9 um absurdo. Nela n\u00e3o tinha essa coisa de propriedade sobre o outro. Muitas vezes era porque um povo perdia uma batalha a\u00ed ia trabalhar pro outro. Ou era filhos de m\u00e3e escrava n\u00e3o resgatados. Ou era por castigo, por quebra alguma norma do grupo. Ou era em troca de prote\u00e7\u00e3o pra n\u00e3o ser atacado por outro povo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Seria ent\u00e3o uma \u201cescravid\u00e3o volunt\u00e1ria\u201d, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Isso, fio. Isso mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>E muitos tamb\u00e9m pra poder sobreviver, pois se ficassem ali nas terras que perdeu uma batalha, iriam morrer de fome.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Outra coisa que as pessoas faiz, mas n\u00e3o d\u00e1 pra fazer, fio, \u00e9 compara\u00e7\u00e3o das hist\u00f3ria. Nosso sofrimento, enquanto povo preto, n\u00e3o pode ser comparado com o de um branco pobre ou um judeu, por exemplo, porque mesmo nessas condi\u00e7\u00f5es eles ainda s\u00e3o brancos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Eu \u00e0s vezes passo por essas bandas e vejo o povo fazendo preconceito por causa de ter mais dinheiro que o preto. Vejo branco chamando as mo\u00e7a de crioula como se fosse por carinho. Ou chega nos casu\u00e1, pedem pra preta chamar a dona da casa, sendo que ela \u00e9 a dona. \u00d2ia p\u00e1 isso, fio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Isso quando num come\u00e7am a frase com: ele \u00e9 preto, mas&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Quando o preto erra falam: \u00e9 que ele \u00e9 preto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Quando acerta: voc\u00ea viu s\u00f3? N\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 preto que n\u00e3o consegue.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>A gente cansa, fio, a gente n\u00e3o consegue estar 24 horas por dia preparado para revidar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Mesmo depois de tantos anos, <\/em><strong><em>a senzala ainda est\u00e1 presente<\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Nossa v\u00f3, que forte essa sua fala. E como voc\u00ea consegue ter esse sorriso no rosto, esse amor fraterno t\u00e3o forte, mesmo depois de ver todas essas coisas, v\u00f3?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Al\u00e9m de ter resist\u00eancia no sangue, fio, eu sou filha de Oxum, n\u00e9? (sorrindo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Uma amiga minha, a Cei\u00e7\u00e3o, fez at\u00e9 um poeminha pra mim uma vez. Deixa eu ver se lembro uns peda\u00e7o, fio:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A noite n\u00e3o adormece&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nos z\u00f3ios das mulher preta<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>H\u00e1 mais z\u00f3ios que sono (porque tem que t\u00e1 sempre atenta)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Onde l\u00e1grimas ficam dependuradas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Que coisa maravilhosa! V\u00f3, o papo t\u00e1 bom, mas eu preciso ir. Creio que vai ter uma fila de amigos meus que v\u00e3o querer vir beber dessa fonte que a senhora \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Que nada fio. A v\u00f3 \u00e9 s\u00f3 mais uma mulher preta lutando para ajudar as pessoas nesse mund\u00e3o de m\u00ea Deus. E a v\u00f3 n\u00e3o tem preconceito, n\u00e3o, viu, fio. Pode falar pros seus amigos que a v\u00f3 n\u00e3o atende s\u00f3 preto n\u00e3o, viu? Qualquer pessoa pode vir que eu to aqui para ajudar no que f\u00f4 puss\u00edve.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Muito obrigado, v\u00f3. Mas antes de sair, queria te pedir um favor. Qual recado voc\u00ea deixa para a juventude e tamb\u00e9m para os movimentos negros do nosso pa\u00eds?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>V\u00f3is sunc\u00ea sabe que a v\u00f3 n\u00e3o s\u00f3 alisa, n\u00e9? Quando \u00e9 pra puxa a orelha, a v\u00f3 puxa. Posso fala, fio?<\/em><em><br><\/em><strong>\u2013 <\/strong>Claro, v\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>As luta fiarada, num \u00e9 s\u00f3 racial, \u00e9 hist\u00f3rica tamb\u00e9m. Sunc\u00eais n\u00e3o pode s\u00f3 trabai\u00e1 com as agressividade, tem tamb\u00e9m que cria uns di\u00e1logo de constru\u00e7\u00e3o e que al\u00e9m de ser compactuante seja impactante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Anotado, v\u00f3! Muito obrigado, v\u00f3. Que Z\u00e2mbi te receba com imensa luz. Sua ben\u00e7\u00e3o, v\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2013 <\/strong><em>Que seu pai Ox\u00f3xi te aben\u00e7oa, fio. Obrigado tamb\u00e9m por vir visita a v\u00f3. Que Oxal\u00e1 lhe acompanhe na caminhada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>SERVI\u00c7O:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Caso voc\u00ea tenha curiosidade, essa Preta Velha atende pelo nome de<strong> Beatriz Nascimento <\/strong>(tamb\u00e9m conhecida como Maria Beatriz Nascimento. Isso \u00e9 sempre bom lembrar, j\u00e1 que, conforme sua amiga L\u00e9lia de Almeida Gonzalez, \u201cnegro tem que ter nome e sobrenome, sen\u00e3o, os brancos arranjam um apelido&#8230;ao gosto deles\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O endere\u00e7o do terreiro para se consultar com esta Preta Velha <\/strong>s\u00e3o por meio dos livros<strong>: Uma Hist\u00f3ria feita por M\u00e3os Negras <\/strong>e <strong>Eu sou atl\u00e2ntica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta coluna foi produzida a partir dos conceitos de obras sobre Beatriz Nascimento, transformando-os em uma conversa entre a autora (representada pela personagem Preta Velha) e o colunista.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>E a\u00ed, ficou um pouco mais enegrecido?<\/strong><br><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXdlH01BGJ9_yyIM3ZLOdoDXyP5oVjUCOnV3ZFGSaBWSOdJpMBkR9ph_fh92VdXo2DZNNk4nj9N8DWALyEi9DOXOzzjgAjC_z5qk7Jgdray39byILsJYMwTt8I9MKYjJAaK6ic7SZKDBT4j6PGkx5ACSG8k0RlqqaOBSjfdanFg9jIr8dAunFws?key=AXhCTzpcnyP-0EPA7EiHXA\" alt=\"C:\\Users\\rafael.filho\\AppData\\Local\\Microsoft\\Windows\\INetCache\\Content.Word\\WhatsApp Image 2024-10-10 at 09.44.32.jpeg\" style=\"width:689px;height:auto\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Conceilhos&#8217; = conceitos + conselhos \u2013 Ben\u00e7a, v\u00f3! \u2013 Oxal\u00e1 o aben\u00e7oe, fio. \u2013 Como a senhora est\u00e1, v\u00f3? \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[6,57],"tags":[29,28],"class_list":["post-2280","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coluna","category-focando-em","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false],"thumbnail":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-300x111.png",300,111,true],"medium_large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-768x284.png",768,284,true],"large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",800,296,false],"1536x1536":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false],"2048x2048":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false],"colormag-highlighted-post":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-392x272.png",392,272,true],"colormag-featured-post-medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-390x205.png",390,205,true],"colormag-featured-post-small":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-130x90.png",130,90,true],"colormag-featured-image":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-800x315.png",800,315,true],"colormag-default-news":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-150x150.png",150,150,true],"colormag-featured-image-large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false]},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/coluna\/\" rel=\"category tag\">Coluna<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/focando-em\/\" rel=\"category tag\">Focando em<\/a>","tag_info":"Focando em","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2280"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2317,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2280\/revisions\/2317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}