{"id":2311,"date":"2024-10-29T10:17:13","date_gmt":"2024-10-29T13:17:13","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=2311"},"modified":"2024-10-29T10:17:14","modified_gmt":"2024-10-29T13:17:14","slug":"focando-em-apuracoes-fora-das-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2024\/10\/29\/focando-em-apuracoes-fora-das-eleicoes\/","title":{"rendered":"Focando em\u2026 Apura\u00e7\u00f5es fora das elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>Em tempos de elei\u00e7\u00f5es, alguns termos se tornam comuns nas conversas de fam\u00edlias, discuss\u00f5es no trabalho e at\u00e9 nos bate-papos de botequins. <strong>Apura\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 uma delas. Quando a disputa eleitoral est\u00e1 nessa fase, a adrenalina e a ansiedade est\u00e3o acima de qualquer coisa. Mas e fora deste cen\u00e1rio, qual a import\u00e2ncia de se apurar?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O dicion\u00e1rio traz defini\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde \u201c<em>livrar algo, algu\u00e9m ou si mesmo de suas impurezas<\/em>\u201d, at\u00e9 \u201c<em>tornar melhor, mais aperfei\u00e7oado<\/em>\u201d. Mas como bom jornalista, a que mais gosto \u00e9: \u201c<strong><em>averiguar, conhecer ao certo: apurei a verdade do fato<\/em><\/strong>\u201d. Apura-se para sempre trazer a verdade. E por falar em verdade, ela anda recebendo diversos significados nas falas das pessoas nos \u00faltimos tempos. Imposs\u00edvel n\u00e3o lembrarmos da frase b\u00edblica utilizada exaustivamente por alguns pol\u00edticos: \u201c<em>e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertar\u00e1<\/em>\u201d (Jo\u00e3o 8:32) ou a que ficou famosa na edi\u00e7\u00e3o de 2021 do<em> Big Brother Brasil<\/em>: \u201c<em>essa \u00e9 a sua verdade<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas somente jornalistas precisam apurar e buscar a verdade dos fatos?<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o autor Eduardo Belo (<strong>Livro-reportagem<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2006, p. 86-88) apurar, \u201c<em>\u00e9 antes de tudo buscar informa\u00e7\u00e3o verdadeira e, de prefer\u00eancia, contextualizada<\/em>\u201d. Para ele, a humildade \u201c<em>ajuda o jornalista a n\u00e3o incorrer no erro de achar que sabe tudo e, com isso, ser atropelado por fatos e preconceitos<\/em>&#8220;. Refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da apura\u00e7\u00e3o correta, Belo traz o exemplo de um dos maiores erros do jornalismo nacional: o <strong>caso Escola Base<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esse caso, o autor diz que:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foi a apura\u00e7\u00e3o equivocada, apressada, incompleta que proporcionou ao jornalismo brasileiro seu mais rumoroso, desgastante e vergonhoso erro. Em 1994 a imprensa publicou a informa\u00e7\u00e3o de que os donos e professores da Escola base, um Educand\u00e1rio infantil de S\u00e3o Paulo, abusavam sexualmente de crian\u00e7as. O que era suspeita dos pais de um dos alunos foi tratado como verdade e levado ao p\u00fablico sem maiores questionamentos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Humildade e apura\u00e7\u00e3o foi algo que faltou e muito numa situa\u00e7\u00e3o que presenciei uns tempos atr\u00e1s. Em um grupo de <em>WhatsApp<\/em> de um condom\u00ednio, uma moradora levantou uma discuss\u00e3o: \u201c<em>n\u00e3o podemos aceitar essa nova empresa de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, eu pesquisei no Jusbrasil e a dona possui 40 processos nas costas<\/em>\u201d. Grande parte dos outros cond\u00f4minos ficou alvoro\u00e7ada, criando acaloradas discuss\u00f5es sobre como era \u201c<em>inadmiss\u00edvel uma empres\u00e1ria ter tudo isso de processos e ainda oferecer seus servi\u00e7os<\/em>\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A figura do s\u00edndico foi logo crucificada e a da moradora idolatrada. Em um tribunal de aplicativo de mensagens, ele foi julgado sem ser ouvido, condenado como irrespons\u00e1vel e recebeu como senten\u00e7a um abaixo assinado entregue para a empresa administradora do empreendimento, solicitando sua destitui\u00e7\u00e3o por ter cometido \u201c<em>um crime grave, com suspeita de ser comparsa e encobertar a situa\u00e7\u00e3o negativa da prestadora de servi\u00e7os<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tive como n\u00e3o me lembrar daquela cena no ano passado, onde o ent\u00e3o ministro da justi\u00e7a Fl\u00e1vio Dino respondeu a um pol\u00edtico que o acusava de ter 277 no Jusbrasil. \u201c<em>O senhor acaba de entrar para o meu livro de anedotas. Eu vou contar isso para os meus alunos<\/em> [de direito] <em>como piada. No Jusbrasil n\u00e3o aparece o nome de quem responde a processos<\/em>\u201d, ele rebateu. Ou seja, ter o nome no Jusbrasil n\u00e3o significa que a pessoa est\u00e1 respondendo a processos. Pensei em pontuar a colega vizinha, mas como percebi que era algo que estava partindo para o lado pessoal entre ela e o s\u00edndico, e aqueles que tentavam interpelar eram recebidos como traidores, deixei rolar. Cada um sabe o que faz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O imbr\u00f3glio acabou chegando a uma reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria de condom\u00ednio. Nela, a acusadora j\u00e1 chegou exibindo o \u201ctrof\u00e9u\u201d com o t\u00edtulo \u201c40 processos\u201d. O s\u00edndico acusado disse: \u201c<em>prove ent\u00e3o que a pessoa foi condenada em 40 processos<\/em>\u201d. A acusadora em tom esbravejante s\u00f3 sabia dizer: \u201c<em>eu tenho os prints. Eu <\/em><strong><em>pesquisei<\/em><\/strong><em>. Tenho provas!<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe qual foi o fim dessa hist\u00f3ria?<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dias depois a acusadora teve que publicar no grupo uma retrata\u00e7\u00e3o, desculpando-se pelas acusa\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s receber uma notifica\u00e7\u00e3o judicial. E, sabe o pior? O erro n\u00e3o foi a leitura equivocada da p\u00e1gina do Jusbrasil, mas sim o fato de n\u00e3o ter se atentado a um pequeno, mas important\u00edssimo, detalhe: a possibilidade de <strong>exist\u00eancia de hom\u00f4nimos<\/strong>. A pessoa que ela pesquisou n\u00e3o era a dona da empresa prestadora de servi\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez tenha faltado para nossa amiga acusadora, ler uma fala da professora e jornalista Mara Rovida (<strong>Etnografia e reportagem jornal\u00edstica: aproxima\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para uma metodologia de pesquisa emp\u00edrica<\/strong>. v. 18, p. 77\u201388, 20152015, p. 78): \u201ca apura\u00e7\u00e3o ou coleta de informa\u00e7\u00f5es implica em ir a campo, em <strong>observar<\/strong> a realidade e <strong>conversar<\/strong> com as pessoas que fazem parte das hist\u00f3rias narradas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, respondendo \u00e0 pergunta que fiz l\u00e1 no come\u00e7o do texto: n\u00e3o, saber apurar e buscar a verdade dos fatos n\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade somente de jornalistas. Ela cabe a todo e qualquer cidad\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto defensor de um jornalismo s\u00e9rio, de pessoas que n\u00e3o saem acusando a torto e a direito e da pesquisa cientifica, reafirmo:<\/p>\n\n\n\n<p>Espalhar informa\u00e7\u00f5es erradas, sem provas ou baseadas em julgamentos pr\u00f3prios \u00e9 crime!<\/p>\n\n\n\n<p>Dar um Google n\u00e3o significa que voc\u00ea esteja apurando ou, literalmente, fazendo uma pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"851\" height=\"315\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2212\" style=\"width:690px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2.png 851w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2-300x111.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2-768x284.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 851px) 100vw, 851px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de elei\u00e7\u00f5es, alguns termos se tornam comuns nas conversas de fam\u00edlias, discuss\u00f5es no trabalho e at\u00e9 nos bate-papos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[6,57],"tags":[29,28],"class_list":["post-2311","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coluna","category-focando-em","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false],"thumbnail":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-300x111.png",300,111,true],"medium_large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-768x284.png",768,284,true],"large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",800,296,false],"1536x1536":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false],"2048x2048":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false],"colormag-highlighted-post":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-392x272.png",392,272,true],"colormag-featured-post-medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-390x205.png",390,205,true],"colormag-featured-post-small":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-130x90.png",130,90,true],"colormag-featured-image":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-800x315.png",800,315,true],"colormag-default-news":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1-150x150.png",150,150,true],"colormag-featured-image-large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/FOCANDO-EM.-1.png",851,315,false]},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/coluna\/\" rel=\"category tag\">Coluna<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/focando-em\/\" rel=\"category tag\">Focando em<\/a>","tag_info":"Focando em","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2311"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2313,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2311\/revisions\/2313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}