{"id":2697,"date":"2025-02-11T10:47:12","date_gmt":"2025-02-11T13:47:12","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=2697"},"modified":"2025-03-11T23:41:08","modified_gmt":"2025-03-12T02:41:08","slug":"fonte-de-valores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/02\/11\/fonte-de-valores\/","title":{"rendered":"FONTE de valores"},"content":{"rendered":"\n<p>Fonte da vida, fonte da juventude, fonte para ligar algum aparelho eletr\u00f4nico, c\u00f3digo fonte (t\u00e3o famoso nas elei\u00e7\u00f5es), beber da fonte, fonte jornal\u00edstica. Enfim, a palavra fonte pode ter v\u00e1rios significados dependendo do contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;E qual \u00e9 a import\u00e2ncia de uma fonte para um jornalista?<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe qual motivo de eu estar falando sobre isso? Provavelmente, n\u00e3o, mas eu conto. Na semana passada, eu li uma mensagem, em um grupo de jornalistas no <em>WhatsApp<\/em>, que me deixou reflexivo: \u201c<strong><em>Eu? N\u00e3o vou at\u00e9 fonte mais n\u00e3o, fa\u00e7o tudo por v\u00eddeo ou por zap<\/em><\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem, acompanhando a \u201cvolta \u00e0s aulas\u201d na universidade, renovei minhas esperan\u00e7as vendo os calouros de comunica\u00e7\u00e3o e os meus futuros colegas de profiss\u00e3o. Mas, por outro lado, a fala da minha colega ainda pairava em minha mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que esses novos estudantes ser\u00e3o zelosos e saber\u00e3o valorizar verdadeiramente a import\u00e2ncia de uma fonte?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas o que \u00e9 fonte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na conceitua\u00e7\u00e3o de Schmtiz (2011), <strong>fontes de not\u00edcias s\u00e3o<\/strong> \u201c<em>pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, grupos sociais ou refer\u00eancias; [&#8230;] de quem os jornalistas obt\u00eam informa\u00e7\u00f5es de modo expl\u00edcito ou confidencial para transmitir ao p\u00fablico, por meio de uma m\u00eddia<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor afirma tamb\u00e9m, que a origem da palavra fonte est\u00e1 associada \u00e0 mitologia romana, Fonte, deus das nascentes, filho do deus <em>Jano<\/em> e de <em>Juturna<\/em>, ninfeta das \u00e1guas e mananciais. A etimologia \u00e9 <strong>do latim, \u201c<em>fonte: nascente de \u00e1gua<\/em>\u201d<\/strong>. A palavra est\u00e1 relacionada a v\u00e1rios significados e figuras de linguagem. Refere-se \u201c<em>aquilo que origina ou produz<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o pensamento de Schmtiz (2011), a express\u00e3o \u201c<em>ir a fonte<\/em>\u201d, remete exatamente a a\u00e7\u00e3o de se buscar \u00e1gua na nascente, em seu lugar de origem. Ele sugere<em> \u201cdirigir-se a <strong>quem pode fornecer informa\u00e7\u00e3o exata sobre algo ou explicar a origem do fato<\/strong><\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma boa estrat\u00e9gia para escolha das fontes \u00e9 essencial no cotidiano do profissional de jornalismo, tendo em vista que, segundo Schmtiz (2011) \u201c<em>o mundo moderno obriga o jornalista a produzir not\u00edcias que n\u00e3o presencia nem entende<\/em>\u201d. Mas o autor, salienta que \u00e9 preciso diferenciar \u201c<strong><em>fonte de informa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>\u201d e \u201c<strong><em>fonte de not\u00edcia<\/em><\/strong>\u201d, no sentido de que qualquer informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel a algu\u00e9m. J\u00e1 a fonte de not\u00edcia necessita de um meio de transmiss\u00e3o, de um mediador, que fa\u00e7a circular o seu conhecimento ou saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o autor, \u201c<em>o saber do jornalismo tamb\u00e9m \u00e9 constru\u00eddo pela fonte, embora n\u00e3o se preste a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00eddia. As not\u00edcias resultam de processos complexos da intera\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 limites na sua produ\u00e7\u00e3o, por isso, cada vez mais as fontes fornecem conte\u00fados prontos para uso<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Schmtiz (2011) fala que as fontes passaram a interferir de forma decisiva no processo jornal\u00edstico, sendo tamb\u00e9m produtores ostensivos de conte\u00fados com qualidade de not\u00edcias. Ele comenta que \u201c<em>o jornalismo recorre ao conhecimento das fontes, para aprofundar a apura\u00e7\u00e3o e humanizar a not\u00edcia<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A fala no grupo de <em>WhatsApp<\/em> foi em tom de deboche, respondendo a outra colega de profiss\u00e3o que comentava que teria que viajar v\u00e1rios quil\u00f4metros para entrevistar uma fonte. E por incr\u00edvel que pare\u00e7a, a colega que n\u00e3o quer se deslocar \u00e9 nova no mercado jornal\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendo que muitas vezes o deslocamento seja dif\u00edcil, cansativo ou at\u00e9 improv\u00e1vel, at\u00e9 porque muitos ve\u00edculos jornal\u00edsticos n\u00e3o oferecem recursos financeiros para isso, por outro lado, o uso de tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o facilita muito o trabalho. Mas isso n\u00e3o pode contribuir para uma poss\u00edvel desvaloriza\u00e7\u00e3o desse ator t\u00e3o importante para a produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez alguns jovens me chamem de velho, mas eu ainda sou a favor do <strong>olho no olho<\/strong>, mais ou menos como a professora Cremilda Medina que defende o \u201cAto presencial\u201d como insubstitu\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A adrenalina na cria\u00e7\u00e3o mental e a ansiedade no aguardo da resposta de uma pergunta contundente (como aquelas que meu \u00eddolo <strong>Roberto Cabrini<\/strong> costuma fazer) que nos faz ter a certeza da veracidade do que est\u00e1 sendo falado, <strong>n\u00e3o tem pre\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como bom filho de Ox\u00f3ssi, sou extremamente observador. Fico atento a todos os gestos corporais de meus entrevistados, desde a primeira troca de olhares na chegada, at\u00e9 a hora de levantarmos para irmos embora. Coisas que por v\u00eddeo chamada ou por \u00e1udios e mensagens escritas no <em>WhatsApp<\/em> muitas vezes n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para escrever a reportagem <strong>Samba autoral resiste em Sorocaba<\/strong> (<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2020\/01\/14\/samba-autoral-resiste-em-sorocaba\/\">https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2020\/01\/14\/samba-autoral-resiste-em-sorocaba\/<\/a>), eu viajei para v\u00e1rias cidades, vivi o dia a dia das minhas fontes: carreguei instrumentos, participei da vaquinha para compra de comidas, dormi no ch\u00e3o com elas, at\u00e9 mesa de bar dividimos. Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel que trouxe detalhes que enriqueceram e <strong>humanizaram<\/strong> ainda mais o texto.<\/p>\n\n\n\n<p>E falando em humaniza\u00e7\u00e3o, a entrevista pessoal traz \u00e0 tona emo\u00e7\u00f5es cruciais para o jornalista. Onde as l\u00e1grimas, os desabafos, os sorrisos, os socos na mesa de revolta por injusti\u00e7a produzem uma narrativa ainda mais pr\u00f3xima da realidade, presenteando o leitor\/ouvinte. E se tanto o profissional jornalista quanto a fonte sa\u00edrem alterados em rela\u00e7\u00e3o a como chegaram, \u00e9 sinal que o t\u00e3o propagado por <strong>Cremilda Medina<\/strong>, <strong>Di\u00e1logo Poss\u00edvel<\/strong> foi concretizado.<\/p>\n\n\n\n<p>E eu posso dizer com toda convic\u00e7\u00e3o: na grande maioria das vezes, sa\u00ed de uma entrevista transformado como profissional e como ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o deixo algumas perguntas para os meus colegas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Como estamos tratando nossas fontes<\/strong>? Seja ela, Prim\u00e1ria; Secund\u00e1ria; Oficial; Empresarial; Institucional; Popular; Not\u00e1vel; Testemunhal; Especializada ou de Refer\u00eancia, conforme classifica Schmtiz (2011).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ser\u00e1 que temos tratado da mesma forma o engenheiro agron\u00f4mico p\u00f3s doutorado da USP e aquele \u201csenhorzinho\u201d matuto e inteligent\u00edssimo da \u00e1rea rural?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ser\u00e1 que n\u00e3o ouvimos e valorizamos mais, a soci\u00f3loga branca, de classe alta com p\u00f3s em Harvad, que nunca pisou em uma periferia, em compara\u00e7\u00e3o com aquela m\u00e3e solo, preta, que pega \u00f4nibus todo dia e conhece verdadeiramente as agruras da quebrada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E, para meus colegas calouros, parodio uma m\u00fasica da <strong>Alcione<\/strong> para fazer um pedido:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201c<em>Antes de me despedir, deixo ao jornalista mais novo, o meu pedido final: n\u00e3o deixe o valor da fonte morrer, n\u00e3o deixe sua import\u00e2ncia acabar, o jor \u00e9 feito de fontes, de hist\u00f3rias pra gente contar<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>SCHMITZ, Aldo Antonio. <strong>Fontes de not\u00edcias: a\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gicas das fontes no<\/strong>&nbsp;<strong>jornalismo<\/strong>. Florian\u00f3polis: Combook, 2011.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MEDINA, Cremilda. <strong>Entrevista \u2013 di\u00e1logo poss\u00edvel<\/strong>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>MEDINA, Cremilda. <strong>Ato presencial<\/strong> \u2013 mist\u00e9rio e transforma\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Casa da Serra, 2016.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"851\" height=\"315\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2212\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2.png 851w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2-300x111.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/RAFAEL_ASS-2-768x284.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 851px) 100vw, 851px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte da vida, fonte da juventude, fonte para ligar algum aparelho eletr\u00f4nico, c\u00f3digo fonte (t\u00e3o famoso nas elei\u00e7\u00f5es), beber 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