{"id":2890,"date":"2025-03-26T14:47:51","date_gmt":"2025-03-26T17:47:51","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=2890"},"modified":"2025-03-26T14:47:51","modified_gmt":"2025-03-26T17:47:51","slug":"a-trajetoria-de-uma-cozinheira-e-professora-de-gastronomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/03\/26\/a-trajetoria-de-uma-cozinheira-e-professora-de-gastronomia\/","title":{"rendered":"A trajet\u00f3ria de uma cozinheira e professora de gastronomia"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Fernanda Helena de Campos e Nathiely Silva (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso) <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"624\" height=\"413\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.54.12.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2891\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.54.12.jpeg 624w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.54.12-300x199.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Laborat\u00f3rio de Cozinha (Cozinha Pedag\u00f3gica) da Universidade de Sorocaba (Uniso) &#8211; Foto: Nathiely Silva<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A gastronomia \u00e9 uma \u00e1rea muito exigente e competitiva. As cozinhas s\u00e3o ambientes de muita press\u00e3o, que demandam disciplina, criatividade e resili\u00eancia. Para as mulheres, esse ambiente \u00e9 ainda mais \u00e1rduo, sendo marcado por desafios como a falta de reconhecimento, o machismo e a barreira para alcan\u00e7ar uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O machismo na cozinha profissional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por muito tempo, a cozinha sempre foi associada como um espa\u00e7o feminino por conta da imagem da mulher nas cozinhas de casa. No entanto, quando se trata do mercado gastron\u00f4mico profissional, isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 bem assim. Os homens predominam nos cargos de lideran\u00e7a. Para as mulheres alcan\u00e7arem posi\u00e7\u00f5es mais elevadas nas cozinhas profissionais, \u00e9 preciso muito mais esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"626\" height=\"416\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.55.34.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2892\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.55.34.jpeg 626w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.55.34-300x199.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Fernanda Helena de Campos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Piadas, coment\u00e1rios sexistas e at\u00e9 ass\u00e9dio s\u00e3o problemas comuns dentro das cozinhas. O pensamento de que as mulheres s\u00e3o menos capazes de lidar com a press\u00e3o e com o ritmo intenso faz com que elas sejam exclu\u00eddas dos cargos de chefia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender melhor esse cen\u00e1rio, conversamos com a professora de gastronomia Giovanna Poletti.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"464\" height=\"616\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.56.25.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2893\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.56.25.jpeg 464w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-26-at-11.56.25-226x300.jpeg 226w\" sizes=\"auto, (max-width: 464px) 100vw, 464px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professora de gastronomia Giovanna Poletti &#8211; Foto: Nathiely Silva<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cMe chamo Giovanna Poletti, sou formada em gastronomia desde 2018 e hoje eu trabalho como professora na Escola T\u00e9cnica de Mairinque e na Fatec de S\u00e3o Roque.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Focas:<\/strong> O que te motivou a seguir a carreira na \u00e1rea da gastronomia e a dar aulas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Giovanna Poletti:<\/strong> Na \u00e1rea, foi a minha av\u00f3, ela tinha uma cozinha industrial onde ela fazia salgados para fora, e a doc\u00eancia foi acontecendo no decorrer da forma\u00e7\u00e3o. Eu comecei com um curso de hotelaria, e dentro da hotelaria eu gostei muito da gastronomia. Acabei ficando em DP no meu TCC e fui fazer o t\u00e9cnico em nutri\u00e7\u00e3o. Depois fiz uma p\u00f3s em gest\u00e3o e uma p\u00f3s em doc\u00eancia e comecei a dar aulas, e uma coisa foi puxando a outra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Focas:<\/strong> Quais foram os maiores desafios que voc\u00ea j\u00e1 enfrentou no in\u00edcio da sua carreira?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Giovanna Poletti:<\/strong> Eu acho que foi a entrevista de emprego em um restaurante em S\u00e3o Paulo. Uns anos atr\u00e1s, as pessoas n\u00e3o eram t\u00e3o abertas a mulheres dentro da cozinha, ent\u00e3o eu ia fazer a entrevista, eu era pequenininha, magrinha, e o entrevistador falava, \u2018mas voc\u00ea n\u00e3o consegue nem carregar uma panela\u2019, ou ent\u00e3o, \u2018voc\u00ea nem saiu das fraldas ainda.\u2019 Ent\u00e3o, foram dois desafios. O primeiro foi na entrevista de emprego porque as pessoas acham que a gente \u00e9 magrinha, a gente \u00e9 mulher e n\u00e3o vamos conseguir carregar uma panela. E o segundo, eu acho que foi com os pr\u00f3prios chefes de cozinha homens, eles n\u00e3o aceitam que uma mulher esteja ali na cozinha, ent\u00e3o eu trabalhei muito tempo no hotel. Dentro do hotel, tinha um chefe de cozinha que falava para mim: \u2018voc\u00ea quer falar o qu\u00ea pra mim, nem saiu das fraldas?\u2019 E eu era a superior dele. \u00c9 muito triste quando a gente se forma, principalmente, quando a gente acaba de sair da faculdade, queremos colocar tudo em pr\u00e1tica, tudo aquilo que voc\u00ea aprendeu da melhor maneira poss\u00edvel, e voc\u00ea entra no mercado de trabalho e n\u00e3o \u00e9 como voc\u00ea est\u00e1 acostumado na faculdade, \u00e9 totalmente diferente. Ent\u00e3o, tem os desafios, e voc\u00ea tenta consertar por conta da forma\u00e7\u00e3o, e as pessoas que n\u00e3o t\u00eam forma\u00e7\u00e3o e que t\u00eam muita experi\u00eancia acabam te recriminando. Eu n\u00e3o sei como est\u00e1 hoje em dia, mas h\u00e1 um tempo atr\u00e1s, h\u00e1 uns 10, 15 anos, era assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Os homens, principalmente aqueles que j\u00e1 t\u00eam um cargo dentro de um restaurante, t\u00eam medo de perder o cargo, ent\u00e3o eles n\u00e3o ensinam. Eu trabalhei em um restaurante que o chefe de cozinha fazia o melhor prato da regi\u00e3o, e eu trabalhei como estagi\u00e1ria, n\u00e3o queria nada al\u00e9m de aprender, e ele virara as costas para mim e falava: \u2018eu n\u00e3o vou te ensinar se voc\u00ea quiser aprender com o outro cozinheiro\u2019. Mas era com ele que eu tinha que aprender, porque era ele quem servia o risoto \u00e0 noite e o outro cozinheiro servia prato executivo. Ent\u00e3o, de prato executivo eu entendia; era o dono do restaurante que me deixava sozinha no restaurante e falava: \u2018agora voc\u00ea vai\u2019, e o da noite que trabalhava com risoto, com os pratos mais elaborados, ele n\u00e3o me ensinava, ent\u00e3o o pr\u00f3prio dono do restaurante me deixava seguir sozinha. A\u00ed o funcion\u00e1rio, chefe de cozinha da noite, j\u00e1 n\u00e3o me passava nada, falava que no meu tempo eu aprenderia e que n\u00e3o era naquele momento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Focas:<\/strong> Voc\u00ea acredita que as mulheres t\u00eam mais dificuldades para se destacar na \u00e1rea?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Giovanna Poletti:<\/strong> Hoje, eu acho que n\u00e3o mais, hoje j\u00e1 est\u00e1 bem mudado, bem mudado mesmo. Eu acho que, por conta tamb\u00e9m de ter MasterChef, ter uma jurada mulher ali acabou fortalecendo um pouco mais a profiss\u00e3o de chefe de cozinha, ou cozinheira, ou qualquer coisa desse tipo, mulher.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Focas:<\/strong> Voc\u00ea teve alguma mentora, inspira\u00e7\u00e3o ou alguma refer\u00eancia feminina na sua jornada de estudo ou trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Giovanna Poletti:<\/strong> Acho que, primeiro, a minha av\u00f3. D\u00e1 at\u00e9 um aperto no peito, uma vontade de chorar, porque ela se foi no ano passado. O \u00faltimo preparo dela foi uma feijoada na minha casa, que ela cozinhou junto com a minha filha, ent\u00e3o, eu acho que a primeira inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 minha av\u00f3. A\u00ed depois vem algumas chefes brasileiras, at\u00e9 a Paola [Carosella], n\u00e9, com toda a sua influ\u00eancia dentro de uma m\u00eddia, uma m\u00eddia de TV, acho que acaba te inspirando tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Focas:<\/strong> Voc\u00ea gostaria de falar mais alguma coisa?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Giovanna Poletti:<\/strong> Eu acho que, hoje, a profiss\u00e3o est\u00e1 muito mais valorizada, e a cada dia que passa, as mulheres est\u00e3o mais fortes. Ent\u00e3o, se a Giovanna de hoje fosse fazer a entrevista que eu fiz h\u00e1 10 anos atr\u00e1s, o tratamento seria completamente diferente. Da mesma maneira que ele falaria para mim: \u2018olha, voc\u00ea n\u00e3o consegue nem carregar uma panela\u2019, eu ia responder: \u2018mas voc\u00ea nem me deu a oportunidade, como voc\u00ea sabe que eu n\u00e3o consigo carregar nenhuma panela?\u2019. Ent\u00e3o, acho que hoje eu seria mais forte e mais dura com rela\u00e7\u00e3o a isso. Mesmo perdendo a oportunidade, eu iria falar, porque a gente n\u00e3o pode julgar pela apar\u00eancia, porque \u00e9 pequenininha, porque \u00e9 magrinha, porque n\u00e3o sei o qu\u00ea. Na \u00e9poca, eu era bem magrinha, eu sempre fui alta, mas bem magrinha, ent\u00e3o eu n\u00e3o ia deixar falar comigo do jeito que eles falaram naquele momento, ia ser diferente, \u00e9 a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o. Da mesma maneira que ele falaria comigo, eu falaria com ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Fernanda Helena de Campos e Nathiely Silva (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso) A gastronomia \u00e9 uma \u00e1rea muito exigente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-2890","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2890"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2894,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2890\/revisions\/2894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}