{"id":3043,"date":"2025-04-28T09:30:27","date_gmt":"2025-04-28T12:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=3043"},"modified":"2025-04-28T09:30:27","modified_gmt":"2025-04-28T12:30:27","slug":"brincadeira-que-virou-coisa-seria-conheca-a-historia-do-tradicional-futebol-varzeano-de-sorocaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/04\/28\/brincadeira-que-virou-coisa-seria-conheca-a-historia-do-tradicional-futebol-varzeano-de-sorocaba\/","title":{"rendered":"\u2018Brincadeira\u2019 que virou coisa s\u00e9ria: conhe\u00e7a a hist\u00f3ria do tradicional futebol varzeano de Sorocaba"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Os campeonatos da v\u00e1rzea da cidade s\u00e3o movidos por torcidas fan\u00e1ticas e apaixonadas pelo esporte. A revista Ra\u00edzes acompanhou um dia de jogo do Am\u00e9rica, um dos principais times que disputa a primeira divis\u00e3o, a Ta\u00e7a Cidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"704\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.21.35.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3044\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.21.35.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.21.35-300x225.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.21.35-768x575.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Torcedores do Am\u00e9rica acompanhando jogo do time na Ta\u00e7a Cidade, em Sorocaba (Foto: B\u00e1rbara Bruno)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mais de cem anos se passaram e o que era considerado somente uma brincadeira entre \u2018vizinhos\u2019, virou coisa s\u00e9ria. Torcida em peso com m\u00fasica e bandeiras, muita rivalidade entre os bairros e um futebol que est\u00e1 longe de ter o glamour e a profissionalidade de grandes times brasileiros, mas \u00e9 respeitado e dono de uma tradi\u00e7\u00e3o gigante em Sorocaba.<\/p>\n\n\n\n<p>O futebol varzeano come\u00e7ou a ser praticado na cidade em meados de 1920. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia sequer um toque de profissionalismo, o que existia era uma disputa de futebol entre bairros com &#8211; bastante &#8211; rivalidade. Hoje em dia, o varzeano movimenta a cidade e leva in\u00fameros torcedores aos campos espalhados por toda Sorocaba.<\/p>\n\n\n\n<p>Nerci Marcello, um jornalista sorocabano que j\u00e1 chegou a formar um time para disputar a v\u00e1rzea, \u00e9 quem conta sobre a virada de chave para que o futebol varzeano se tornasse o que \u00e9 hoje: uma disputa saud\u00e1vel com rivalidade dentro de campo e muita torcida nas arquibancadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com ele, vai ser poss\u00edvel mergulhar no mundo deste esporte e entender tudo o que est\u00e1 por tr\u00e1s desta tradi\u00e7\u00e3o entre os sorocabanos que chega a levar mais de 10 mil pessoas para acompanhar um jogo em um est\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes de 1982, tinha os times que jogavam, da cidade mesmo, mas era tudo campo aberto, n\u00e3o igual agora. Naquele tempo, era bairro contra bairro, todos fortes, cerca de 36 times disputavam os jogos\u201d, disse Nerci \u00e0 revista Ra\u00edzes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"631\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.22.30.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3045\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.22.30.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.22.30-300x201.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.22.30-768x516.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nerci Marcello, jornalista  e ass\u00edduo no futebol de v\u00e1rzea sorocabano (Foto: Camila Alves<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cA\u00ed o Fl\u00e1vio Chaves foi eleito prefeito e trouxe com ele o&nbsp; Benedito C\u00edcero Tortelli, conhecido como Paulista. Depois de se aposentar no mundo do basquete, o Paulista retornou a Sorocaba e virou secret\u00e1rio de esportes na gest\u00e3o do Fl\u00e1vio. Nisso, ele fez uma jogada de mestre. Ele criou um campeonato, porque tinha um monte de time, era imposs\u00edvel disputar, tinha muito jogo, uma bagun\u00e7a, na hora de dividir sobrava time. E nisso ele pegou os 36 times e fez um torneio de in\u00edcio, fazendo com que, h\u00e1 mais de 40 anos atr\u00e1s, o varzeano de Sorocaba evolu\u00edsse e se transformasse um pouco no que conhecemos hoje\u201d, contou Nerci.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim que \u2018nasceram\u2019 as divis\u00f5es do futebol de v\u00e1rzea de Sorocaba. Segundo dados da Secretaria de Esporte e Qualidade de Vida (Sequav), em 2024, a cidade conta com cinco torneios e suas divis\u00f5es no varzeano.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o eles: a Ta\u00e7a Cidade de Sorocaba (1\u00aa Divis\u00e3o), a Ta\u00e7a Pal\u00e1cio dos Tropeiros (2\u00aa Divis\u00e3o), Ta\u00e7a Baltazar Fernandes (3\u00aa Divis\u00e3o), Ta\u00e7a Manchester Paulista (4\u00aa Divis\u00e3o) e o Supercampeonato de Veteranos (Ta\u00e7a Ouro, Ta\u00e7a Prata e Ta\u00e7a Bronze).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cQuando ele criou a Ta\u00e7a Baltazar Fernandes, que era a terceira divis\u00e3o e depois viria a quarta que ainda n\u00e3o existia, come\u00e7aram\u00a0 a surgir times, times e mais times. Foi a\u00ed que eu montei o Paulista, que foi o time B do Paulistano, tradicional aqui. E todas essas disputas valem. Tem bandeira, \u00e1rbitro, campo fechado. Trio de arbitragem sempre. Antes era no campo aberto, juiz apanhava, a torcida ficava em volta. N\u00e3o dava para ter bandeirinha porque a torcida ficava muito pr\u00f3xima. Se o jogador errava, o torcedor dava um tapa. Agora n\u00e3o, tem at\u00e9 Guarda Civil Municipal (GCM) nos jogos para dar um apoio. Os saudosistas falam que naquela \u00e9poca era bom, porque n\u00e3o pagava. Mas eu gosto da seguran\u00e7a de hoje\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vale muito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O futebol varzeano sorocabano, assim como a maioria das coisas hoje em dia, \u00e9 movido a dinheiro. Como contou Nerci, para um jogador ser inscrito, \u00e9 pago por volta de mil a tr\u00eas mil reais, antes do in\u00edcio do campeonato. Por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o todos os times que t\u00eam essa condi\u00e7\u00e3o e, por isso, se mant\u00e9m entre os melhores que v\u00e3o disputar o t\u00edtulo, aqueles de financeiro mais elevado.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia que times com mais caixa est\u00e3o no melhor dos patamares do varzeano. Nos \u00faltimos tempos, estrelas rec\u00e9m-aposentadas do futebol brasileiro est\u00e3o ganhando espa\u00e7o nas equipes sorocabanas e muitas das vezes s\u00e3o o diferencial para que a equipe ganhe um t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"935\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.23.49.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3046\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.23.49.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.23.49-300x298.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.23.49-150x150.jpeg 150w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.23.49-768x764.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Goleiro Jailson, ex-Palmeiras e aposentado, jogando na v\u00e1rzea de Sorocaba (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Instagram)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como foi o caso do Jailson, ex-goleiro do Palmeiras, que foi contratado pelo Enquadros &#8211;&nbsp; um dos mais tradicionais &#8211; e foi um dos maiores respons\u00e1veis pela conquista da Ta\u00e7a Ouro do Supercampeonato de Veteranos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Enquadros trouxe o Jailson no gol, sabe se l\u00e1 quanto ganhando por jogo, e ele fez a diferen\u00e7a e deu o t\u00edtulo ao time no ano passado. O jogo estava 1 a 0 para o Enquadros e ele defendeu um p\u00eanalti do Paulistano. Rola coment\u00e1rios que esses jogadores ganham 1300 por jogo, ent\u00e3o para eles \u00e9 lucro, independente se o time vai perder ou ganhar, eles v\u00e3o ganhar o dinheiro combinado antes. Ele pode morar onde quiser, vem para o jogo, disputa e ganha seu dinheiro\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ex-goleiro que chama a aten\u00e7\u00e3o nos gramados de Sorocaba. Outros grandes nomes como o zagueiro Maur\u00edcio Ramos e o volante Corr\u00eaa, ambos ex-jogadores do Palmeiras, Viola, Capit\u00e3o, Anderson Lima, Thiago Gentil, os tamb\u00e9m ex-goleiros S\u00e9rgio e Gl\u00e9guer tamb\u00e9m j\u00e1 passaram pelos times varzeanos da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u2018terceiro tempo\u2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E quando o time n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de pagar sal\u00e1rios aos jogadores ou, no m\u00e1ximo, pode pagar uma pequena quantia? \u00c9 aqui que entra o terceiro tempo. Popular na v\u00e1rzea, a express\u00e3o carrega o real significado de ser a \u201cparte tr\u00eas\u201d de uma partida de futebol, que tem o primeiro e o segundo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se engana quem pensa que o terceiro tempo \u00e9 dentro dos gramados. Muito pelo contr\u00e1rio. Ele \u00e9 muito usado como o \u201cp\u00f3s\u201d, quando os times de menor poder financeiro reunem os jogadores e fazem, ap\u00f3s o apito final dos duelos, uma reuni\u00e3o com bebida e comida &#8211; na maiora das vezes, churrasco -, \u00e0 vontade para os jogadores e suas fam\u00edlias. E ent\u00e3o, isso vira uma esp\u00e9cie de \u201cpagamento\u201d pela partida disputada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE tem esses profissionais que recebem depois um pouco para jogar por partida e tem que ter o terceiro tempo. Acaba o jogo, \u00e9 churrasco, \u00e9 o jantar, \u00e9 a cerveja. Terceiro tempo tem que ter. Se n\u00e3o tiver, acabou o jogo, vai todo mundo embora, e chamam de \u2018time de esquina\u2019, ningu\u00e9m nem quer jogar nesse time. Os times com financeiro menor, \u00e9 mais o terceiro tempo. Tem time que n\u00e3o paga jogador, mas d\u00e1 o terceiro tempo. Porque eles levam fam\u00edlia tamb\u00e9m. Ou leva a esposa com a crian\u00e7a e quando chega l\u00e1 tem tudo\u201d, explicou Nerci.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"704\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.24.45.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3047\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.24.45.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.24.45-300x225.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.24.45-768x575.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jogadores do Am\u00e9rica entram em campo e se preparam para disputar a Ta\u00e7a Cidade (Foto: B\u00e1rbara Bruno<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O jornalista contou, em meio aos risos, que j\u00e1 \u201csofreu\u201d com o terceiro tempo enquanto ainda fazia parte do Paulistano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sofri com isso da\u00ed, porque quando acabava o jogo do meu time, todo mundo ia para um armaz\u00e9m, um neg\u00f3cio grande. Quando eu vi, estava tudo marcado l\u00e1, chocolate, lat\u00e3o, n\u00e3o sei mais o que. Eu falava que n\u00e3o era para dar, mas me diziam que eles pediam. A\u00ed ficava a conta para n\u00f3s pagarmos tudo. Se n\u00e3o pagasse, depois o cara n\u00e3o vinha jogar, tem que agradar. O dirigente varzeano merece uma medalha de honra ao m\u00e9rito, porque \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje com 70 anos, Nerci v\u00ea o futebol varzeano como um hobbie e n\u00e3o mais como a obriga\u00e7\u00e3o de quando era um dos respons\u00e1veis pelo Paulistano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu cansei desse neg\u00f3cio de estar dentro de um time. \u00c9 muito bom, mas d\u00e1 trabalho. Hoje eu s\u00f3 sou torcedor do Paulista e assisto os jogos. Se precisar dar uma ajuda em alguma coisa, eu dou, mas \u00e9 pouco. Eu tinha o estatuto, me procuraram e eu passei para frente. \u00c9 bem complexo, mas organizado e profissionalizado. Os times tem que ter estatuto registrado no cart\u00f3rio. Eu vivi muito a v\u00e1rzea de perto, hoje acompanho e tor\u00e7o de longe, sem me envolver realmente\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rotina de um dirigente varzeano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 explicado por Nerci, trabalhar na v\u00e1rzea tem diversos pontos positivos, mas nem por isso \u00e9 f\u00e1cil. A revista Ra\u00edzes conversou com Paul\u00e3o, diretor do Am\u00e9rica FC, o maior campe\u00e3o da Ta\u00e7a Cidade, com 12 t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Am\u00e9rica foi fundado em 15 de fevereiro de 1948. Paul\u00e3o faz parte do clube desde 98, \u201ch\u00e1 um certo tempo\u201d, como ele mesmo diz. O time foi inspirado no Am\u00e9rica do Rio de Janeiro, criado na rua Campos Salles, assim como o clube do interior paulista. Segundo o dirigente, um carioca veio, se juntou com alguns sorocabanos e assim nasceu o Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre a miss\u00e3o de dirigir um time, Paul\u00e3o n\u00e3o hesitou em resumir como um \u201clazer com responsabilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ainda deixou claro que, apesar de n\u00e3o ser um time profissional no mundo do futebol, h\u00e1 muita gente envolvida para que o trabalho saia o mais impec\u00e1vel poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu vejo como um lazer. \u00c9 um lazer com responsabilidade. Hoje num clube desse tamanho, com essas gl\u00f3rias que tem, a gente n\u00e3o toca sozinho. Hoje tem 20 pessoas que fazem parte da diretoria, fora os agregados, os amigos que v\u00eam, que ajudam. \u00c9 o que eu falo, tem gente que no final de semana gosta de pescar, o outro gosta de andar de moto, o outro gosta de correr. N\u00f3s, que somos apaixonados pelo varzeano, gostamos de estar na beira de campo, fazendo toda a correria para o clube. Uma correria organizada, porque hoje, a v\u00e1rzea do jeito que ela \u00e9, se voc\u00ea n\u00e3o se organizar, voc\u00ea fica para tr\u00e1s. Ent\u00e3o \u00e9 investimento e organiza\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a v\u00e1rzea de hoje, mas tinha a v\u00e1rzea rom\u00e2ntica de outras d\u00e9cadas, que n\u00e3o tinha esse neg\u00f3cio de pagar jogador, isso a\u00ed ficou para tr\u00e1s, na mem\u00f3ria de quem participou. Mas agora \u00e9 uma fase diferente, vai cada vez mais avan\u00e7ando\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"838\" height=\"628\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.25.42.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3048\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.25.42.jpeg 838w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.25.42-300x225.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.25.42-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 838px) 100vw, 838px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Paul\u00e3o, dirigente do Am\u00e9rica, time tradicional de futebol varzeano em Sorocaba (Foto: B\u00e1rbara Bruno)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A prova absoluta de que o futebol varzeano n\u00e3o passa de um lazer \u00e9 que Paul\u00e3o se dedica ao Am\u00e9rica somente aos fins de semana. Durante a semana, \u00e9 necess\u00e1rio se preocupar com as ocupa\u00e7\u00f5es do dia a dia, como o trabalho e a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso aqui \u00e9 um lazer, meu trabalho mesmo \u00e9 de motoboy num escrit\u00f3rio de contabilidade. J\u00e1 fazem 15 anos que eu trabalho aqui, isso aqui \u00e9 um lazer mesmo. Temos a responsabilidade do dia-a-dia, da fam\u00edlia, do sustento da fam\u00edlia. \u00c9 um lazer, mas um lazer muito s\u00e9rio, que nos cobramos muito. E a responsabilidade de um clube, o maior vitorioso, um time que nunca foi rebaixado. Mas \u00e9 gostoso, sabe? O pessoal est\u00e1 bem contente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"893\" height=\"667\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.26.26.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3049\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.26.26.jpeg 893w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.26.26-300x224.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.26.26-768x574.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 893px) 100vw, 893px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Torcedores do Am\u00e9rica reunidos para assistir jogo da Ta\u00e7a Cidade (Foto: B\u00e1rbara Bruno)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Um dia no varzeano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sorocaba, 29 de setembro de 2024. Um domingo de jogo: a s\u00e9tima rodada da primeira e classificat\u00f3ria fase da Ta\u00e7a Cidade entre Paulistano e Am\u00e9rica, l\u00edder e vice-l\u00edder do Grupo B do torneio.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um dia ensolarado, fazia 27\u00baC. Uma hora antes da partida &#8211; que estava marcada para iniciar \u00e0s 10h30 &#8211; j\u00e1 era poss\u00edvel ver torcedores vestindo suas camisas vermelhas no Campo do Monte Negro, em Votorantim, para acompanhar o Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo depois, a torcida do Paulistano com seu tradicional uniforme azul escuro come\u00e7ou a chegar. Mas, de fato, a pred\u00f4minancia no campo Monte Negro, no Jardim S\u00e3o Carlos, era vermelha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"704\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.27.17.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3050\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.27.17.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.27.17-300x225.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.27.17-768x575.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Campo onde jogou o Am\u00e9rica, em Sorocaba; torcida \u00e0 espera do apito inicial (Foto: B\u00e1rbara Bruno)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sem luxo, o local possui apenas uma arquibancada. O lugar que mais concentrou a torcida foi embaixo de \u00e1rvores, para fugir do calor. L\u00e1, as pessoas buscavam se sentar nas mesas, comprar algo para comer e beber e assistir ao duelo. Os mais ass\u00edduos e nervosos, assistiam em p\u00e9 mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00falio C\u00e9sar, um dos torcedores do Am\u00e9rica h\u00e1 pelo menos 15 anos, comentou da sensa\u00e7\u00e3o de poder acompanhar o time do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um prazer estar junto com a rapaziada, com os torcedores novos que chegaram a\u00ed. \u00c9 emocionante. Quando entramos nesse clube aqui, n\u00e3o tem como deixar de vir todo domingo pra assistir o jogo. \u00c9 o que a gente faz, aqui \u00e9 uma fam\u00edlia, como se fosse parte da fam\u00edlia da gente. Ent\u00e3o, a gente vem todo domingo prestigiar o Am\u00e9rica a jogar\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"704\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.04.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3051\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.04.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.04-300x225.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.04-768x575.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">J\u00falio C\u00e9sar e seus amigos, todos torcedores do Am\u00e9rica (Foto: B\u00e1rbara Bruno)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O jogo, que estava previsto para \u00e0s 10h30, teve cravado 17 minutos de atraso. O Am\u00e9rica entrou em campo, fez as \u00faltimas prepara\u00e7\u00f5es e aguardou o momento que o Paulistano entrou em campo para, enfim, a bola rolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se dentro dos gramados a ansiedade era para marcar o gol, fora deles, na torcida, os \u00e2nimos estavam exaltados. Mesmo n\u00e3o sendo futebol profissional, os torcedores levam o neg\u00f3cio a s\u00e9rio e nem a equipe de arbitragem \u00e9 perdoada. O bandeirinha ent\u00e3o, que ficava praticamente colado com a torcida, sofria com xingamentos a cada impedimento marcado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"704\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.51.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3052\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.51.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.51-300x225.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-28-at-09.28.51-768x575.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bandeirinha marca impedimento no jogo entre Am\u00e9rica e Paulistano (Foto: B\u00e1rbara Bruno)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O gol que demorava a aparecer, enfim, veio. O Am\u00e9rica abriu o placar com gol de p\u00eanalti de Marcelinho e a torcida veio a loucura em comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o resultado final n\u00e3o foi favor\u00e1vel para o time vermelho que viu o Paulistano empatar e virar o jogo com gols de Felipe Lima e Dieguinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem mesmo a derrota foi capaz de abalar o diretor Paul\u00e3o, que est\u00e1 bem confiante com a fase que o time vive.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo ano passado chegamos na decis\u00e3o, fomos vice-campe\u00f5es, perdemos a final para o Vila Helena. Mas esse ano o pessoal t\u00e1 mais animado, a torcida comparecendo, est\u00e1 bacana. O Am\u00e9rica est\u00e1 voltando a ser protagonista de novo e est\u00e1 em ascens\u00e3o. Com certeza, logo, logo vamos ser campe\u00e3o de novo. Se n\u00e3o for esse ano, queremos que seja esse ano, mas se n\u00e3o for, no pr\u00f3ximo ano vamos brigar sempre l\u00e1 em cima\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os campeonatos da v\u00e1rzea da cidade s\u00e3o movidos por torcidas fan\u00e1ticas e apaixonadas pelo esporte. 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