{"id":31,"date":"2019-12-13T13:45:00","date_gmt":"2019-12-13T13:45:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2020-06-08T21:25:28","modified_gmt":"2020-06-08T21:25:28","slug":"irmandades-da-estrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2019\/12\/13\/irmandades-da-estrada\/","title":{"rendered":"Irmandades da estrada"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg\" style=\"clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"885\" data-original-width=\"960\" height=\"588\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2-300x276.jpg\" width=\"640\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Ao ouvir o inconfund\u00edvel ronco dos motores, muita gente ainda pode pensar nos motociclistas como um bando de rebeldes, sem causa ou fam\u00edlia. O estere\u00f3tipo tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas, mas segundo Luiz Cl\u00e1udio de Oliveira Junior que prefere ser chamado de Kadaj e \u00e9 um dos membros ativos do motoclube Penumbra M.C., em Sorocaba, ele n\u00e3o se sustenta. \u201cMal sabem eles que somos pessoas que se re\u00fanem por uma mesma causa e que se tornam uma fam\u00edlia. A causa \u00e9 andar de moto e a fam\u00edlia \u00e9 cada irm\u00e3o que voc\u00ea consegue na estrada\u201d, ele defende, numa noite de quarta-feira, reunido aos demais membros do clube para celebrar o seu anivers\u00e1rio de 31 anos.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">A fam\u00edlia \u201cde verdade\u201d de Kadaj n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1; ele afirma que seus parentes se afastaram, ap\u00f3s desentendimentos, e perderam o contato, mas isso n\u00e3o significa que ele n\u00e3o saiba como \u00e9 fazer parte de uma fam\u00edlia grande e unida. Hoje, o Penumbra M.C., um dos mais novos clubes reconhecidos na cidade, tem 14 membros, mas a rela\u00e7\u00e3o de irmandade se estende atoda a comunidade motociclista de Sorocaba.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u201cO Luiz, antes de ser o Kadaj do Penumbra, era uma pessoa isolada, com poucos amigos e basicamente uma alco\u00f3latra sem rumo. Antigamente, eu s\u00f3 bebia e trabalhava. Hoje, eu tenho aonde ir, o que fazer e um clube para representar\u201d, ele conta, referindo-se \u00e0 pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Segundo o presidente do clube, Gabriel Vitor Cl\u00e1udio da Silva, 25 anos, mais conhecido como Greg, o Penumbra nasceu de um grupo de nove amigos da escola, que, naquela \u00e9poca, queria o que costuma ser comum na idade: independ\u00eancia, liberdade, divers\u00e3o. Por que n\u00e3o unir tudo isso ao tirar a carteira de habilita\u00e7\u00e3o? Greg conta que era apaixonado por carros antigos, mas, para aqueles amigos, as motocicletas eram mais acess\u00edveis. Era apenas uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que surgisse a ideiade formar o Penumbra M.C., instigados pela s\u00e9rie \u201cSons of Anarchy\u201d, do mesmo modo que filmes como \u201cThe Wild One\u201d (O Selvagem) e \u201cEasy Rider\u201d (Sem Destino) foram as inspira\u00e7\u00f5es para as gera\u00e7\u00f5es mais antigas.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u201cA s\u00e9rie n\u00e3o foi o motivo, mas me fez olhar com outros olhos para o motoclubismo. Da\u00ed foram dois anos andando pelos clubes, conhecendo o movimento e as pessoas, e descobrindo onde a gente estava entrando, at\u00e9 ter a iniciativa de montar um motoclube. Existe um abismo que separa a fic\u00e7\u00e3o da realidade\u201d, conta Greg.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Hoje, no Brasil, s\u00e3o 3.841 motoclubes cadastrados pela Revista Motoclubes, 484 s\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Irmandade<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">O sentimento familiar \u00e9 uma das principais causas que levam motoclubes antigos a serem, de certa forma, hostis com grupos mais novos, pois muitos membros acreditam que \u00e9 melhor fortalecer os clubes que j\u00e1 existem, em vez de levantar novas bandeiras. Entretanto, os membros contam queo Penumbra teve uma boa aceita\u00e7\u00e3o por parte dos motoclubes antigos de Sorocaba, o que \u00e9 vis\u00edvel pelos motociclistas de outros clubes marcando presen\u00e7a na festa de anivers\u00e1rio de Kadaj.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"><span style=\"mso-spacerun: yes;\">&nbsp;<\/span>\u201cApesar de sermos um clube recente e formado por membros de faixa et\u00e1ria baixa, n\u00f3s j\u00e1 adquirimos um respeito razo\u00e1vel por parte dos outros motoclubes. Nunca tivemos problemas, mesmo entre os mais antigos. Alcan\u00e7amos isso demonstrando o nosso respeito em rela\u00e7\u00e3o a eles, sabendo nos portar na estrada e a respeitar a irmandade\u201d, diz Kadaj.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Nessa fam\u00edlia, todos s\u00e3o importantes, como Greg afirma: \u201cO Penumbra tem tr\u00eas pilares: a estrada, a uni\u00e3o e a caridade. Somos uma m\u00e1quina e cada maluco aqui \u00e9 uma engrenagem para manter isso funcionando.\u201d Outro membro, Marcos Paulo Alves da Silva, 30, de apelido Marcola, diz que s\u00e3o como um grupo \u201cut\u00f3pico\u201d, pois h\u00e1 liberdade para todo tipo de identifica\u00e7\u00e3o sexual, pol\u00edtica ou religiosa, porque o respeito \u00e9 um requisito b\u00e1sico.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u201cCada clube \u00e9 uma casa. Eles s\u00e3o iguais, em alguns aspectos, mas sempre com suas particularidades. Eles seguem essa tend\u00eancia ou necessidade humana de formar grupos. O motoclube tem a mesma energia de uma torcida, uma fam\u00edlia ou uma religi\u00e3o\u201d, completa Greg.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Solidariedade<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Grande parte dos clubes de motos se envolve com a\u00e7\u00f5es sociais. \u201cA vis\u00e3o de um motoclube somente para andar de moto morreu nos anos 80. Hoje os objetivos s\u00e3o viver, comparecer e ser uma pessoa melhor, mais humana\u201d, explica Kadaj.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Como presidente, Greg procura sempre envolver o clube em causas solid\u00e1rias. Nesses quase quatro anos de hist\u00f3ria <\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%; mso-fareast-font-family: &quot;MS Gothic&quot;;\">\u2014 desde<\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"> quando passaram a se identificar como Penumbra M.C. <\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%; mso-fareast-font-family: &quot;MS Gothic&quot;;\">\u2014,<\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">j\u00e1 fizeram diversas a\u00e7\u00f5es, como no \u00faltimo Dia das Crian\u00e7as. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u201cFomos ao Carand\u00e1, que, al\u00e9m de ser um bairro carente, \u00e9 onde eu moro. Ou seja, nem \u00e9 mais caridade, porque caridade \u00e9 muito vertical, de cima para baixo; \u00e9 solidariedade, ajudando um irm\u00e3o de clube e a nossa quebrada, o nosso bairro. A gente tenta se ajudar e ajudar o pr\u00f3ximo. Porque s\u00e3o poucos os integrantes que t\u00eam uma condi\u00e7\u00e3o financeira boa, a maioria est\u00e1 na \u2018correria\u2019\u201d, diz Greg.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Sobre os impactos das assist\u00eancias e a repercuss\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, afirma que n\u00e3o est\u00e3o na m\u00eddia por duas raz\u00f5es. A primeira se refere \u00e0 propor\u00e7\u00e3o: fazem muita diferen\u00e7a, mas apenas para algumas pessoas; a segunda \u00e9 a falta de interesse em autopromo\u00e7\u00e3o.\u201cSentimento meu, n\u00e3o do clube: a nossa a\u00e7\u00e3o social \u00e9 um curativo numa hemorragia, ou seja, \u00e9 muito dif\u00edcil n\u00f3s resolvermos a situa\u00e7\u00e3o. O que a gente tenta \u00e9 dar uma semana tranquila para algu\u00e9m, ou mesmo mudar o dia de uma pessoa. \u00c9 dif\u00edcil, porque n\u00e3o conseguimos fazer essas a\u00e7\u00f5es continuamente, tudo o que a gente re\u00fane de alimento ou brinquedo, ou o que for, n\u00f3s doamos. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais complexa do que isso e n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de san\u00e1-la, mas a gente sempre se preocupa com isso. Sempre foi uma quest\u00e3o importante para o Penumbra M.C.\u201d, conclui.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Hist\u00f3ria, representatividade e regras de comportamento<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">H\u00e1 v\u00e1rias discuss\u00f5es sobre como come\u00e7ou o movimento do motociclismo. Entretanto, todos da \u00e1rea concordam que os militares estadunidenses, principalmente nos per\u00edodos p\u00f3s-guerra, foram os que causaram a febre dos clubes de moto. As motocicletas tamb\u00e9m eram utilizadas no deslocamento dos soldados e, muitos deles, ao regressar ao seu pa\u00eds de origem, n\u00e3o conseguiram se adaptar novamente \u00e0 sociedade devido ao estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico (PTSD), necessitando de v\u00e1lvulas de escape. Assim, a irmandade conquistada pelos desafios passados nos campos de batalhas e a hierarquia do regime militar foram absorvidas pelo motociclismo.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">No movimento, h\u00e1 certas regras e padr\u00f5es de conduta, que abrangem tanto sinaliza\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00f5es em viagens quanto os comportamentos exigidos dos membros <\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%; mso-fareast-font-family: &quot;MS Gothic&quot;;\">\u2014<\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"> como, por exemplo, o respeito ao per\u00edodo de luto, tempo em que o motociclista que saiu ou foi expulso de um motoclube deve esperar antes de poder ingressar em outro. Enquanto algumas caracter\u00edsticas s\u00e3o universais, muitas outras dependem da din\u00e2mica do pr\u00f3prio grupo.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u201cH\u00e1 outros tipos de organiza\u00e7\u00f5es que andam de moto, como os \u2018motoamigos\u2019 (MA) e os \u2018motogrupos\u2019 (MG), que em geral exigem um comprometimento mais ameno do que os motoclubes (MC). Normalmente, os MCs t\u00eam uma sede para manter e um estatuto para seguir. Logo de cara, a gente quis se lan\u00e7ar no motoclubismo porque era com o que mais nos identific\u00e1vamos\u201d, justifica o presidente.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">J\u00e1 Luiz Fernando Rinaldi Riato, 25, explica que cada motoclube possui suas regras em estatutos pr\u00e9-definidos, como um sistema de leis e puni\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m da ordem, cada um define seu estilo; alguns limitam os participantes por modelos determinados de motocicletas ou por cilindradas da m\u00e1quina. Outros permitem que os membros utilizem s\u00edmbolos de outros clubes em seus coletes. Os clubes tradicionais, como o Penumbra M.C., geralmente estabelecem um g\u00eanero <\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%; mso-fareast-font-family: &quot;MS Gothic&quot;;\">\u2014<\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"> somente homens ou somente mulheres <\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%; mso-fareast-font-family: &quot;MS Gothic&quot;;\">\u2014,<\/span><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"> outros s\u00e3o mistos. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Dentro da tradi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m h\u00e1 os coletes, geralmente confeccionados em couro preto, marcados pelas identifica\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio grupo, os chamados <i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">patches<\/i>, ou gradua\u00e7\u00f5es, uma heran\u00e7a do meio militar. Essas divisas cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es essenciais como o nome do grupo, o nome do motociclista, a cidade, o estado e a fun\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">A jun\u00e7\u00e3o desses elementos, mais o logo do motoclube, formam o \u201ccolete fechado\u201d, almejado por todos os membros. Para consegui-lo, \u00e9 preciso passar por alguns est\u00e1gios, que come\u00e7am pela conquista do respeito dos demais. H\u00e1 um per\u00edodo probat\u00f3rio, a partir do qual o membro vai completando, ou \u201cfechando\u201d o colete \u00e0 medida que conquista gradua\u00e7\u00f5es conforme merecimento.\u201cPor \u00faltimo, h\u00e1 o logo do motoclube, normalmente, alcan\u00e7ado com dois anos de clube e depois de muita dedica\u00e7\u00e3o. Tradicionalmente, algu\u00e9m s\u00f3 se torna membro do clube quando fecha o colete\u201d, explica Greg.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 voc\u00ea andar de moto e viajar. Se fosse isso, seria f\u00e1cil\u201d, afirma Kadaj. \u201cMas \u00e9 dif\u00edcil mostrar quem voc\u00ea \u00e9; o per\u00edodo probat\u00f3rio \u00e9 para voc\u00ea mostrar quem \u00e9, como age e como reage. E o colete fechado \u00e9 o est\u00e1gio final, para mostrar quem voc\u00ea \u00e9 de verdade para todos os seus irm\u00e3os de estrada, n\u00e3o s\u00f3 os do clube. Voc\u00ea n\u00e3o precisa ficar se escondendo por m\u00e1scaras na sociedade; voc\u00ea \u00e9 uma pessoa na estrada e tem que continuar sendo com a moto parada tamb\u00e9m.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Em concord\u00e2ncia, Riato explica que \u00e9 necess\u00e1rio se identificar com a ideologia: \u201cS\u00f3 acontecer\u00e1 o convite para entrar de fato se bater a sua ideologia com a do motoclube e vice-versa. Sen\u00e3o, voc\u00ea vai rodar com outros clubes, com ideologias e regras diferentes.\u201d O que justifica, segundo ele, o fato de o Penumbra continuar apenas com homens jovens, de 25 a 30 anos: \u201cOs clubes grandes t\u00eam uma faixa de idade mais alta e, \u00e0s vezes, os jovens que tentam entrar nesses clubes n\u00e3o se encaixam, por viverem \u00e9pocas diferentes da vida. Assim como teve caras mais velhos que tentaram entrar no nosso e n\u00e3o ficaram muito tempo.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Ap\u00f3s o ingresso, existe uma divis\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es, que estabelece a ordem hier\u00e1rquica. Mas n\u00e3o \u00e9 o cargo que determina quem tem voz no Penumbra M.C. \u201cNunca precisei falar que eu sou o presidente, nunca precisei me impor, porque eu acho que fazer isso \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o do meu fracasso como l\u00edder. Eu tento estimul\u00e1-los a sair, a agir, a receber outros irm\u00e3os, a retribuir a presen\u00e7a em outros clubes que estiveram no Penumbra, a participar de a\u00e7\u00f5es sociais, ou simplesmente a apoiar um membro. A forma que eu encontrei para incentivar as pessoas a fazer as coisas foi o exemplo. Se eu quero a sede limpa, por exemplo, eu pego a vassoura e come\u00e7o a varrer. Tento contagiar pelo exemplo, perguntando \u2018E a\u00ed, voc\u00eas v\u00eam comigo?\u2019.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0px;\"><span style=\"background-color: white; color: #444444; font-weight: 700;\">Ag\u00eancia Focs \/ Jornalismo Uniso<\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 18.4px;\"><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 24px; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;arial&quot; , sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 24px;\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"background-color: white;\">Texto:<span style=\"font-family: inherit; font-size: x-small;\">&nbsp;<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #444444; font-family: inherit;\">Bernardo Saber, Celinne Nishimura e Eliton Lucas<\/span><br \/><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"background-color: white;\">Imagens: Arquivo Pessoal<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao ouvir o inconfund\u00edvel ronco dos motores, muita gente ainda pode pensar nos motociclistas como um bando de rebeldes, sem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":866,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-31","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",960,884,false],"thumbnail":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2-300x276.jpg",300,276,true],"medium_large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2-768x707.jpg",768,707,true],"large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",800,737,false],"1536x1536":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",960,884,false],"2048x2048":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",960,884,false],"colormag-highlighted-post":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",295,272,false],"colormag-featured-post-medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",223,205,false],"colormag-featured-post-small":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",98,90,false],"colormag-featured-image":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",483,445,false],"colormag-default-news":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",150,138,false],"colormag-featured-image-large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/2.jpg",652,600,false]},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":887,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions\/887"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}