{"id":3389,"date":"2025-05-29T10:27:25","date_gmt":"2025-05-29T13:27:25","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=3389"},"modified":"2025-05-29T14:06:31","modified_gmt":"2025-05-29T17:06:31","slug":"o-mundo-do-glamour-e-excentricidade-das-drag-queens-performado-por-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/05\/29\/o-mundo-do-glamour-e-excentricidade-das-drag-queens-performado-por-mulheres\/","title":{"rendered":"O mundo do glamour e excentricidade das drag queens performado por mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Livian Rega\u00e7oni \u00a0(Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mulher cisg\u00eanero pode ser considerada uma drag queen? Em um meio tradicionalmente dominado por homens, que criam personas com nomes art\u00edsticos e se apresentam usando trajes associados ao feminino, n\u00e3o \u00e9 comum encontrar mulheres participando desse universo. No entanto, elas existem. Nossas entrevistadas representam uma minoria na cena drag de Sorocaba, mas provam que a arte drag pode ser vivida por todos, sem limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As artistas Misaki Mei, de 19 anos, e Kerolim Marcelino, de 33, s\u00e3o duas das poucas drag queens de Sorocaba. Al\u00e9m de dividirem o amor pela mesma arte, compartilham de uma amizade que transpassa o mundo dos shows e apresenta\u00e7\u00f5es. Sendo adotadas pela mesma \u201cm\u00e3e drag\u201d \u2014 termo usado para artistas com mais experi\u00eancia na cena, que apadrinham <em>performers <\/em>mais jovens. Assim, tornaram-se irm\u00e3s de cora\u00e7\u00e3o em meio a loucura da rotina e as dificuldades enfrentadas por artistas dissidentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"619\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.42.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3390\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.42.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.42-300x198.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.42-768x506.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u2018A Casa das Monstras\u2019, criada por Pandora, m\u00e3e drag de Misaki e Kerolim. (Foto: Arquivo pessoal).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A cultura drag pode parecer, para quem v\u00ea de fora, um conjunto de perucas glamourosas, maquiagens elaboradas, saltos altos e performances alegres e dan\u00e7antes. No entanto, para estas mulheres, ser drag faz parte de suas ess\u00eancias. Vai al\u00e9m naqueles minutos em cima de um palco ou passarela, \u00e9 um verdadeiro estilo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Minha &#8216;descoberta&#8217; aconteceu por acaso. Sou maquiadora art\u00edstica e uma das minhas clientes, que \u00e9 DJ, costumava tocar em Ballrooms \u2014 movimentos que celebram a cultura drag e a diversidade dentro da comunidade, misturando entretenimento com ativismo pol\u00edtico. Fui com ela a um desses eventos e, l\u00e1, conheci a Pandora, uma drag veterana da cena sorocabana. Em poucos minutos de conversa, ela me olhou e disse: &#8216;Voc\u00ea \u00e9 uma drag queen.&#8217; Fiquei sem entender, j\u00e1 que, para mim, apenas homens podiam fazer drag. Na minha vis\u00e3o, eu era apenas uma mulher que gostava de se produzir.&#8221; \u00c9 o que conta Misaki, que participa da cena drag h\u00e1 mais de dois anos. Ela afirma que, desde aquele dia, nunca mais se enxergou de outra forma al\u00e9m de como uma drag queen.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"529\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.53.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3391\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.53.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.53-300x169.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.11.53-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Misaki em: \u2018Projeto Persona\u2019, 2024. (Fotos: Arquivo pessoal).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, Misaki faz apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas nos eventos da comunidade drag. Segundo a mesma, suas performances t\u00eam toques mais teatrais. \u201cGosto de contar uma hist\u00f3ria, \u00e9 uma pegada mais art\u00edstica. N\u00e3o sou muito dan\u00e7arina nem tenho muita afinidade com lip sync. Costumo me montar de uma forma que a pessoa olhe e fique se perguntando: o que \u00e9 aquilo em cima do palco?\u201d. Tanto Misaki quanto Kerolim adotam um estilo drag alternativo, marcado por maquiagens g\u00f3ticas e figurinos que, muitas vezes, remetem a seres m\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Kerolim, muito semelhante \u00e0 sua irm\u00e3 drag, entrou nesse universo \u201cpor acaso\u201d. \u201cEu frequentava eventos drag, e v\u00e1rias pessoas vinham me perguntar se eu tamb\u00e9m era uma, algo que ficou cada vez mais frequente. No meio disso a Pandora me \u2018adotou\u2019, e eu fiquei conhecida como filha dela. Para todos, eu j\u00e1 era Karolim Moon, filha da Pandora Moon. Foi assim, simplesmente me avisaram que eu era uma drag queen\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"529\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.01.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3392\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.01.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.01-300x169.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.01-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Kerolim em: \u2018Mini Colors Ball\u2019, 2024. (Fotos: Arquivo pessoal).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O por acaso n\u00e3o foi t\u00e3o acaso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora descrevam o in\u00edcio da jornada como drag queens como algo n\u00e3o planejado, tanto Misaki quanto Kerolim j\u00e1 possu\u00edam um envolvimento com a cultura drag, mesmo sem perceberem.<\/p>\n\n\n\n<p>Kerolim est\u00e1 no mundo das artes desde muito nova e conta que canta j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios anos. Al\u00e9m disso, ela \u00e9 maquiadora e cabeleireira, o que a aproximou mais ainda do aspecto est\u00e9tico das performances e apresenta\u00e7\u00f5es. \u201cSou cabeleireira h\u00e1 22 anos, \u00e9 minha paix\u00e3o, ajudar a devolver a autoestima para as pessoas \u00e9 uma coisa m\u00e1gica para mim. Quando me monto como drag e participo das Ballrooms, isso ajuda a aumentar a minha tamb\u00e9m. Eu adoro me olhar no espelho e me ver montada, me sinto eu mesma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Kerolim tamb\u00e9m explica o porqu\u00ea de n\u00e3o usar um nome diferente para sua drag: \u201cEu sou a pessoa que est\u00e1 ali em cima do palco, n\u00e3o existe uma persona. Essa drag sempre esteve dentro de mim, eu que ainda n\u00e3o sabia\u201d. A artista conta que conseguiu trazer sua paix\u00e3o pelo canto para suas performances, \u201co que eu mais fa\u00e7o s\u00e3o apresenta\u00e7\u00f5es cantando. Uma que me marcou muito foi feita com a Misaki, eu cantei \u2018Maria de Vila Matilde\u2019 para ela performar\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as artistas trazem propostas diferentes em suas apresenta\u00e7\u00f5es, mas levam a irmandade tamb\u00e9m para dentro dos palcos quando est\u00e3o juntas. \u201cUma vez, participamos de um evento com o tema Pok\u00e9mon juntas. Eu fiz um Pok\u00e9mon fada e Misaki era o mestre. Trabalhamos juntas n\u00e3o s\u00f3 ali na hora, mas tamb\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o do figurino, cabelo, maquiagem e coreografia. Seria muito mais complicado se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos a ajuda de uma a outra\u201d, diz Kerolim.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"352\" height=\"592\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.10.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3393\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.10.jpeg 352w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.10-178x300.jpeg 178w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Kerolim e Misaki, irmandade que vai al\u00e9m das performances. (Foto: Arquivo pessoal). <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Misaki, n\u00e3o foi muito diferente, a jovem conta que sua \u201cveia art\u00edstica\u201d esteve presente desde seus primeiros anos de vida, manifestando-se nas roupas que criava para suas bonecas com embalagens e peda\u00e7os de papel, ou nas maquiagens que passava no rosto \u00e0s escondidas da m\u00e3e. \u201cEu era uma crian\u00e7a meio doida, gostava de guardar tudo quanto \u00e9 papel e embalagem para fazer roupas para minhas Barbies, nem as embalagens de chocolate escapavam, tamb\u00e9m juntava v\u00e1rios peda\u00e7os de papel crepom e fazia roupas para minha fam\u00edlia, maquiava minhas bonecas, cortava os cabelos e por a\u00ed vai\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As fa\u00e7anhas de Misaki n\u00e3o permaneceram apenas na inf\u00e2ncia. No in\u00edcio da adolesc\u00eancia come\u00e7ou a&nbsp; procurar cursos para se profissionalizar e trabalhar com sua primeira paix\u00e3o: a maquiagem. O que levou a jovem a atuar como maquiadora desde os 15 anos e, hoje, fazer todas suas produ\u00e7\u00f5es como drag queen, desde roupas at\u00e9 os c\u00edlios posti\u00e7os. \u201cMeu nome de drag \u00e9 um trocadilho com maquiagem, me chamo Misaki Mei, a comunidade come\u00e7ou a me chamar de Misaki Meiki. As maquiagens elaboradas, art\u00edsticas e alternativas sempre foram uma caracter\u00edstica minha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Misaki conta que j\u00e1 chegou a passar 12 horas em uma \u00fanica produ\u00e7\u00e3o. \u201cMuitas vezes pinto todo o meu corpo com tinta, crio adere\u00e7os para o cabelo e figurinos, isso leva bastante tempo\u201d. Seus looks para as performances s\u00e3o pensados por ela mesma. A artista diz que procura entender o sentimento que a m\u00fasica passa e desenvolve seu visual a partir disso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"627\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.18.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3394\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.18.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.18-300x200.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.18-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performance no \u2018Resistencia Drag\u2019, no SESC. (Foto: Arquivo pessoal). <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ambas as mulheres j\u00e1 estavam inseridas no meio art\u00edstico antes de se tornarem drag queens, e suas viv\u00eancias as ajudaram a se encontrar nesse espa\u00e7o de pertencimento, como elas mesmas afirmaram durante as entrevistas. Kerolim complementa: <em>&#8220;Eu nasci assim, \u00e9 parte de quem eu sou.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ser mulher no mundo drag<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Misaki e Kerolim constru\u00edram uma rela\u00e7\u00e3o de companheirismo e irmandade dentro da comunidade. Ambas destacam como a fam\u00edlia \u00e9 uma das partes mais importantes da cultura drag, ressaltando a forma como todos se ajudam e se apoiam mutuamente. No entanto, isso n\u00e3o exclui as dificuldades enfrentadas por ambas como mulheres em um meio dominado por homens, onde muitos que observam de fora n\u00e3o valorizam suas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que \u00e9 dif\u00edcil estarmos em qualquer lugar. Porque, querendo ou n\u00e3o, apesar de as drag queens serem mais vista e reconhecidas hoje, ainda h\u00e1 muito preconceito, principalmente porque sou uma mulher cis. \u00c9 um lugar de n\u00e3o pertencimento para mim. Eu sofro preconceito fora da cena e dentro dela, tem quem n\u00e3o me considere t\u00e3o drag quanto \u00e0s outras por ser mulher, olham para mim e dizem coisas como: \u201cAh, voc\u00ea n\u00e3o tem cara de drag, voc\u00ea tem cara de mulher\u201d. A mulher sofre v\u00e1rios tipos de micro viol\u00eancias todos os dias, e sendo drag n\u00e3o \u00e9 diferente\u201d. O relato de Misaki n\u00e3o vem de um lugar de m\u00e1goa, mas sim de empoderamento, j\u00e1 que ela diz que casos como esse n\u00e3o a afetam tanto quanto poderiam, gra\u00e7as ao apoio que encontrou em sua fam\u00edlia do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu vivia em um meio t\u00f3xico, onde ouvia muitos coment\u00e1rios sobre como eu n\u00e3o me encaixava naquele lugar, j\u00e1 que ser drag era uma coisa apenas para homens. Mas quando consegui me desvencilhar disso, minha fam\u00edlia estava l\u00e1 para me apoiar. A Pandora me ajudou demais, sempre afirmando que era sim meu lugar, e fazia parte de quem eu realmente era\u201d, Misaki conta que esses epis\u00f3dios a abalaram no in\u00edcio da sua jornada como drag, mas que, com o tempo e ajuda de seus companheiros conseguiu se manter firme.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnfrentamos dificuldades todos os dias, por\u00e9m \u00e9 a acolhida que nos faz continuar. Somos uma grande fam\u00edlia. Todos sempre me encorajaram, dizendo que eu pertencia e tinha potencial para continuar fazendo aquilo\u201d. \u00c9 o que conta Kerolim, a cabeleireira confessa que n\u00e3o leva uma vida f\u00e1cil, e que a vontade de desistir \u00e9 algo constante. \u201cEu sou m\u00e3e, aut\u00f4noma e pessoa n\u00e3o branca que mora na favela; nenhum dia \u00e9 f\u00e1cil. \u00c0s vezes, conversando com a Misaki, brincamos sobre desistir de tudo. Mas a paix\u00e3o pela arte sempre fala mais alto\u201d, completa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O amor pela arte falou e ainda fala mais alto do que os obst\u00e1culos encontrados pelo caminho de Misaki e Kerolim, al\u00e9m dos preconceitos. Ambas relatam que o retorno financeiro \u00e9 escasso e espor\u00e1dico, o que dificulta mais ainda o dia a dia. \u201cInfelizmente, n\u00e3o temos uma boa remunera\u00e7\u00e3o e reconhecimento, essa \u00e9 a realidade. Se bobear, precisamos at\u00e9 pagar para participar de alguns eventos, j\u00e1 que precisamos investir muito tempo e dinheiro nas produ\u00e7\u00f5es\u201d. Diz Kerolim. Ela faz todas suas maquiagens e figurinos, e muitas vezes contrata profissionais para ajud\u00e1-la, sendo todo o investimento bancado por ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"529\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.26.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3395\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.26.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.26-300x169.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.26-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Kerolim usa uma lua na testa em suas produ\u00e7\u00f5es, em alus\u00e3o ao seu nome drag \u2018Kerolim Moon\u2019. (Foto: Arquivo pessoal).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Misaki tamb\u00e9m investe boa parte de seus ganhos nas suas apresenta\u00e7\u00f5es, e tem uma rotina cheia para conseguir acomodar todos os gastos que precisa fazer com sua drag. \u201cQuando comecei, meu pai perguntou se eu tinha certeza de que era realmente o que queria, ele falou: \u201cQuer mesmo ser artista? N\u00e3o vai ser f\u00e1cil\u201d. Eu sabia que n\u00e3o seria, nunca imaginei que fosse, mas era e \u00e9 minha paix\u00e3o. Eu n\u00e3o fa\u00e7o drag por dinheiro, fa\u00e7o por amor. \u00c9 muito dif\u00edcil conseguirmos ganhar alguma coisa nesse meio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Kerolim deixa claro que, apesar das dificuldades di\u00e1rias que enfrenta, nunca conseguiria viver sem sua arte. \u201cA cultura e a arte, n\u00e3o s\u00f3 a drag, mas de forma geral, oferecem um espa\u00e7o para pessoas como n\u00f3s, pessoas diferentes que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o aceitas em outros lugares. Dentro da cultura drag os corpos e padr\u00f5es admirados s\u00e3o outros. S\u00e3o lugares que conseguimos simplesmente ser e pertencer, sem julgamentos. \u00c9 muito dif\u00edcil sobreviver de arte, mas o povo n\u00e3o vive sem ela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Misaki e Kerolim mostram que ser drag queen vai al\u00e9m de usar uma peruca e dublar a m\u00fasica pop do momento; \u00e9 uma forma de express\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica que empodera e ressignifica o que \u201cdeveria\u201d ser belo. \u00c9 uma maneira de fugir do \u00f3bvio e criar um mundo ao qual aqueles nunca se sentiram pertencentes possam, finalmente, ter seu lugar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"529\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.34.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3396\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.34.jpeg 940w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.34-300x169.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-23.12.34-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Misaki e Kerolim se encontraram na cultura drag. (Fotos: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Livian Rega\u00e7oni \u00a0(Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso) Uma mulher cisg\u00eanero pode ser considerada uma drag queen? Em um meio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-3389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3389"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3401,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3389\/revisions\/3401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}