{"id":35,"date":"2019-12-13T13:27:00","date_gmt":"2019-12-13T13:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2019\/12\/13\/orgao-complementar-da-uniso-resgata-o-negro-como-protagonista-de-sua-propria-historia-ha-40-anos\/"},"modified":"2019-12-13T13:27:00","modified_gmt":"2019-12-13T13:27:00","slug":"orgao-complementar-da-uniso-resgata-o-negro-como-protagonista-de-sua-propria-historia-ha-40-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2019\/12\/13\/orgao-complementar-da-uniso-resgata-o-negro-como-protagonista-de-sua-propria-historia-ha-40-anos\/","title":{"rendered":"\u00d3rg\u00e3o complementar da Uniso resgata o negro como protagonista de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, h\u00e1 40 anos"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u201cS\u00f3 nos diziam que a gente nasceu para sambar, e a gente tinha que provar que n\u00e3o. \u00c9 por isso que existe a necessidade de se organizar, de interferir no mundo; n\u00e3o podemos deixar para depois, e n\u00e3o podemos deixar que outros digam o que somos capazes de fazer. Ent\u00e3o n\u00f3s temos de agir. Se eu n\u00e3o agir, como negra, quem ir\u00e1 faz\u00ea-lo por mim?\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">A defesa, emblem\u00e1tica, \u00e9 da professora Ana Maria Mendes, que estuda a cultura africana h\u00e1 mais de 30 anos, e faz refer\u00eancia \u00e0 import\u00e2ncia que o N\u00facleo de Cultura Afrobrasileira (Nucab), da Universidade de Sorocaba (Uniso), vem tendo ao longo de quatro d\u00e9cadas para a comunidade de Sorocaba e regi\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">A origem das culturas africanas come\u00e7a muito antes da chegada \u00e0 Am\u00e9rica em um navio negreiro, como destaca a professora. Segundo Mendes, as ra\u00edzes culturais africanas n\u00e3o eram devidamente reconhecidas: \u201cQuando a Nucab come\u00e7ou, h\u00e1 quarenta anos, n\u00e3o se falava tanto sobre a hist\u00f3ria do negro, como se o negro n\u00e3o tivesse hist\u00f3ria.\u201d Houve muitas tribos, com costumes muito diferentes, que foram trazidas ao Brasil e, com isso, a cultura africana teve de se reinventar. \u201cEm cada senzala foi criada uma linguagem a partir de um pouco de cada tribo, formando uma nova cultura, para que eles conseguissem sobreviver e, por isso, muita coisa se perdeu.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">As mulheres tiveram <\/span><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u2014 e ainda t\u00eam \u2014<\/span><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"> um papel essencial para a continuidade dessa cultura h\u00edbrida. \u201cNa maior parte das sociedades africanas, a mulher tinha a responsabilidade sobre a manuten\u00e7\u00e3o dos costumes; era ela quem conversava com a crian\u00e7a, contando a hist\u00f3ria de vida da comunidade. Ent\u00e3o, \u00e9 muito presente essa vis\u00e3o que o brasileiro tem da negra velha e forte, que enfrentava todas as dificuldades e fazia o povo crescer, mesmo ap\u00f3s quase 500 anos de contato do negro com a sociedade brasileira.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u00c9 esse mesmo senso de representatividade que Nilza da Silva, 43, que tamb\u00e9m \u00e9 professora, tenta transmitir a seus filhos e alunos. \u201cPor meio do meu estilo, da minha maneira de pensar, de me vestir, de agir e de interagir, mostro o quanto \u00e9 importante valorizar sua cultura. \u00c9 por meio disso tudo que eu passo a eles o valor das nossas ra\u00edzes como cidad\u00e3os negros\u201d, diz Silva. Ela leciona no Ensino Fundamental em uma escola no povoado de Lagoa da Lage, pertencente a Itua\u00e7u, na Bahia. Al\u00e9m de mostrar para seus alunos os elementos da cultura afrobrasileira presentes no seu dia a dia, ela leva para sala de aula exemplos de supera\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia: \u201cMostro a eles negros que venceram e que est\u00e3o buscando os seus ideais, mesmo com tantos o obst\u00e1culos. Mostro artigos que representam negros que se superaram no esporte, na literatura, no teatro, na televis\u00e3o, no cinema&#8230;\u201d Ainda assim, ela confessa que \u00e9 dif\u00edcil encontrar uma narrativa em que o branco n\u00e3o seja o protagonista. Para Silva, isso n\u00e3o \u00e9 novidade, j\u00e1 que ela n\u00e3o se sentia representada pelas novelas e s\u00e9ries vistas na TV. \u201cNunca vi sequer um negro na televis\u00e3o, a n\u00e3o ser em novelas que falavam de escravid\u00e3o, ou em produ\u00e7\u00f5es em que a crian\u00e7a pobre era negra, filha da empregada.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Tauane Oliveira, 18, jovem negra em busca de conhecimento sobre suas ra\u00edzes, compartilha do mesmo sentimento. Ela diz que n\u00e3o se sentia representada, ao longo de sua inf\u00e2ncia, pelos livros e filmes, e considera que atualmente ainda n\u00e3o houve uma grande mudan\u00e7a na forma de se representar a popula\u00e7\u00e3o negra. \u201cAcho que nenhuma crian\u00e7a negra se sentia representada, come\u00e7ando pelas caracter\u00edsticas f\u00edsicas dos personagens, sempre brancos, tanto em livros quanto filmes e desenhos. A realidade dos personagens tamb\u00e9m era muito diferente da que eu vivia: a estrutura familiar era sempre composta por pai e m\u00e3e, a famosa fam\u00edlia tradicional, e os problemas com os quais as personagens tinham de lidar tamb\u00e9m eram bem diferentes.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u00c9 claro que h\u00e1 sinais de mudan\u00e7a; o <i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">blockbuster<\/i>Pantera Negra (<i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Black Panther<\/i>), da Marvel, \u00e9 um exemplo \u00f3bvio, por apresentar um elenco majoritariamente negro em pap\u00e9is fortes como o da <\/span><span style=\"font-family: inherit; line-height: 107%;\">princesa Shuri, do reino de Wakanda, respons\u00e1vel pelo desenvolvimento tecnol\u00f3gico do pa\u00eds africano fict\u00edcio. Mas \u00e9 preciso trazer essa mudan\u00e7a, tamb\u00e9m, para a realidade brasileira; todas as mulheres desta reportagem concordam que ainda h\u00e1 muito o que mudar. Com a popula\u00e7\u00e3o negra superior a 50% dos brasileiros, Oliveira comenta que, apesar de um n\u00famero t\u00e3o expressivo, a realidade nas telinhas tupiniquins ainda \u00e9 bem diferente: \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque temos o Pantera Negra que as coisas v\u00e3o bem. A representatividade aumentou, mas ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente.\u201d <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 106%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: inherit;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 106%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: inherit; line-height: 106%;\">O Nucab foi criado justamente para resistir a essas dificuldades de representatividade e posicionamento da comunidade negra nas escolas, nos programas de TV, nos comerciais e no mercado de trabalho. \u201cPara n\u00f3s, o grupo vem sendo muito importante, porque n\u00f3s temos um nome, uma bandeira. Na \u00e9poca, h\u00e1 40 anos, n\u00f3s conseguimos juntar quase 40 jovens negros escolarizados numa cidade do interior e isso n\u00e3o era t\u00e3o f\u00e1cil naqueles dias. Descobrimos coisas incr\u00edveis que a nossa educa\u00e7\u00e3o deixou de lado.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 106%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: inherit;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 106%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;\"><span style=\"font-family: inherit; line-height: 106%;\">O grupo est\u00e1 aberto a todos que se interessam pela cultura afrobrasileira. Os encontros acontecem aos primeiros s\u00e1bados de cada m\u00eas, no 5\u00ba andar da Biblioteca Alu\u00edsio de Almeida, na Cidade Universit\u00e1ria Professor Aldo Vannucchi (Rod. Raposo Tavares, km 92,5, Sorocaba). Para mais informa\u00e7\u00f5es, basta entrar em contato pelo telefone (15) 2101-7164 ou pelo e-mail nucab@uniso.br.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0px;\"><span style=\"background-color: white; color: #444444; font-weight: 700;\">Ag\u00eancia Focs \/ Jornalismo Uniso<\/span><\/div>\n<div style=\"margin: 0px;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 18.4px;\"><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 24px; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;arial&quot; , sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 24px;\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"background-color: white;\">Te<span style=\"font-family: inherit;\">xto:<span style=\"font-family: inherit; font-size: xx-small;\">&nbsp;Joice Rayane Barros, Maria Eduarda Lago e Vinicius Lara<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cS\u00f3 nos diziam que a gente nasceu para sambar, e a gente tinha que provar que n\u00e3o. \u00c9 por isso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-35","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}