{"id":3503,"date":"2025-06-05T09:31:17","date_gmt":"2025-06-05T12:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=3503"},"modified":"2025-06-05T09:31:17","modified_gmt":"2025-06-05T12:31:17","slug":"profissionais-da-ciencia-comentam-dificuldades-ao-conciliar-desafios-da-profissao-com-a-maternidade-deixei-de-ver-minha-filha-dar-os-primeiros-passos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/06\/05\/profissionais-da-ciencia-comentam-dificuldades-ao-conciliar-desafios-da-profissao-com-a-maternidade-deixei-de-ver-minha-filha-dar-os-primeiros-passos\/","title":{"rendered":"Profissionais da ci\u00eancia comentam dificuldades ao conciliar desafios da profiss\u00e3o com a maternidade: \u2018Deixei de ver minha filha dar os primeiros passos\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Adriana Martins e Sandra Masalskiene s\u00e3o profissionais de diferentes \u00e1reas da ci\u00eancia e, mesmo assim, convergem em um ponto pouco explorado: o peso da profiss\u00e3o durante o cap\u00edtulo da maternidade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Diogo Del Cistia Fabr\u00edzio Setti, Jo\u00e3o Pedro de Andrade Gon\u00e7alves, Jo\u00e3o Pedro Torres e La\u00eds Rodrigues dos Santos (Focas na Ci\u00eancia e Ag\u00eancia Focas- Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"748\" height=\"417\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.15.44.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3504\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.15.44.jpeg 748w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.15.44-300x167.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Adriana (\u00e0 esquerda) e Sandra (\u00e0 direita) s\u00e3o cientistas e m\u00e3es | Foto: Arquivo pessoal<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cNa vida, n\u00e3o existe nada a temer, mas a entender\u201d. A frase, considerada uma das mais lembradas e comentadas no mundo da ci\u00eancia, foi dita pela emblem\u00e1tica cientista polonesa Marie Curie, respons\u00e1vel pela descoberta de elementos qu\u00edmicos da tabela peri\u00f3dica.<\/p>\n\n\n\n<p>O que foi dito por Curie, com seu contexto original \u00e0 parte, pode dar margem a diversas interpreta\u00e7\u00f5es. Entre seus v\u00e1rios significados ou v\u00e1rios desafios a serem enfrentados, procuramos entender melhor a maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Adriana Martins, de 56 anos, come\u00e7ou a trilhar sua trajet\u00f3ria cient\u00edfica a partir de seu ingresso na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), no campus Piracicaba (SP). Desde o in\u00edcio, ela j\u00e1 possu\u00eda inten\u00e7\u00f5es de seguir na carreira como pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenho mestrado e doutorado na \u00e1rea de fitotecnia, ou seja, no cultivo de plantas perenes. A ci\u00eancia sempre me fascinou, ent\u00e3o, eu sempre me preparei desde a gradua\u00e7\u00e3o, porque eu sabia que era isso que queria fazer. Eu queria ser cientista. Sempre adorei estudar e descobrir novidades\u201d, lembra. A porta de entrada para o mundo da pesquisa foi na Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de S\u00e3o Paulo. Neste ano, ela completar\u00e1 duas d\u00e9cadas trabalhando no mesmo lugar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"744\" height=\"418\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.17.13.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3505\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.17.13.jpeg 744w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.17.13-300x169.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 744px) 100vw, 744px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Adriana palestrando para pessoas do ramo cient\u00edfico | Foto: Arquivo pessoal<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cBasicamente, eu trabalho com a parte de adapta\u00e7\u00e3o de variedades das plantas perenes. Quais s\u00e3o elas? O caf\u00e9, a seringueira, a banana, o maracuj\u00e1 e afins, voltada para a adapta\u00e7\u00e3o regional em diversas localidades do estado\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de estar na carreira que tanto sonhou desde o in\u00edcio de sua gradua\u00e7\u00e3o, a engenheira pontua que passou por diferentes obst\u00e1culos durante a constru\u00e7\u00e3o do \u201ceu profissional\u201d. A maior delas come\u00e7ou a partir da chegada de sua filha \u00fanica, J\u00falia Martins, hoje formada em Jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00e1rea da pesquisa \u00e9 algo que demanda muito de n\u00f3s. Viajamos muito, nos ausentamos com frequ\u00eancia. Eu perdi muita coisa. Eu deixei de ver minha filha dar os primeiros passos por conta das viagens. Aquela hist\u00f3ria de filmar, de ter os primeiros momentos da vida da crian\u00e7a, n\u00e3o existiu comigo\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo estando ausente em momentos importantes, a cientista de Mar\u00edlia (SP) n\u00e3o se arrepende da carreira que escolheu. Hoje, ela e a filha est\u00e3o separadas por 350 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, j\u00e1 que J\u00falia seguiu a vida em Sorocaba (SP). Por\u00e9m, est\u00e3o juntas sempre que podem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sa\u00ed para uma viagem e quando voltei, a J\u00falia estava andando. N\u00f3s perdemos tempo e algumas situa\u00e7\u00f5es, mas, por outro lado, aprendemos a dar valor para o tempo que temos junto dos filhos. Tudo que eu tive que abrir m\u00e3o valeu a pena. N\u00e3o faria nada diferente, j\u00e1 que eu consegui atingir tudo aquilo que eu queria\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA vida de cientista nunca termina. Todos os dias estou entendendo algo novo. Tudo aconteceu da forma que tinha que acontecer e minha filha tamb\u00e9m est\u00e1 trilhando a vida dela da forma que ela quis. Nunca interferi em nada. Isso faz parte\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Adriana explica que, hoje, \u00e9 classificada como uma pesquisadora n\u00edvel seis na escala da secretaria, ou seja, a patente mais alta. As fun\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram mais variadas, por\u00e9m, a redu\u00e7\u00e3o veio em consequ\u00eancia de um corte de funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tamb\u00e9m trabalho muito com a produ\u00e7\u00e3o de mudas e enxertia, mas, precisamos dar uma afunilada. A p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o foi uma das partes mais importantes. Por causa dela, temos contato direto com as universidades de todo o pa\u00eds, seja ela p\u00fablica ou privada. Trabalhamos diretamente com alunos, seja de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a \u00f3tica de Adriana, a ci\u00eancia est\u00e1 sofrendo um processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o profissional. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) estima que, no Brasil, 43,6% dos profissionais da ci\u00eancia s\u00e3o mulheres, no entanto, a cientista acredita que o n\u00famero geral de pesquisadores tem diminu\u00eddo cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe um tempo para c\u00e1, a ci\u00eancia \u00e9 sim uma \u00e1rea que chama bastante a aten\u00e7\u00e3o das mulheres. N\u00f3s temos uma certa tranquilidade para trabalhar. A \u00e1rea de pesquisa tem sido cada vez mais reduzida aqui no Brasil, ao decorrer dos governos. Muita gente tem sa\u00eddo daqui porque n\u00e3o acha um local com boas condi\u00e7\u00f5es para trabalhar\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"749\" height=\"420\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.18.43.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3506\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.18.43.jpeg 749w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.18.43-300x168.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 749px) 100vw, 749px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Adriana (\u00e0 direita) atua como pesquisadora desde 2005 | Foto: Arquivo pessoal\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O ato de entender tamb\u00e9m trouxe reflex\u00f5es e mudan\u00e7as para a cientista Sandra Masalskiene, de 53 anos. Com experi\u00eancia no ramo da engenharia ambiental, ela atua como professora no campus Sorocaba da Universidade Estadual J\u00falio de Mesquita Filho (Unesp) desde 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 ag\u00eancia, ela pontua que, apesar de ter passado dificuldades cotidianas no ramo profissional que escolheu seguir, acredita ter sido privilegiada por estar na mesma \u00e1rea de trabalho que seu marido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor ele ter escolhido o mesmo que eu e vivido muitas das coisas que vivi, eu tenho uma rede de apoio. Sinto que, por muitas vezes, ele p\u00f4de entender o meu lado e sentir as mesmas coisas que eu sinto\u201d, compartilha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"709\" height=\"475\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.20.10.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3507\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.20.10.jpeg 709w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-04-at-23.20.10-300x201.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sandra atua como professora na Unesp Sorocaba | Foto: Arquivo pessoal\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sandra, que al\u00e9m de professora \u00e9 chefe do Departamento de Engenharia Ambiental, teve dois filhos com seu marido: Lucca, de 18 anos, e Davi, de 14. Para ela, a concilia\u00e7\u00e3o da maternidade com o ramo profissional foi um tanto dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa primeira vez que tive filhos, a licen\u00e7a-maternidade era apenas de quatro meses. No come\u00e7o, eu tive que fazer apenas o b\u00e1sico da minha profiss\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sandra afirma que, no come\u00e7o, o cansa\u00e7o era uma sensa\u00e7\u00e3o recorrente. Na pausa entre as aulas, a produ\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o era t\u00e3o boa quanto antes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLogo depois que eles nasceram, eu tentava ler alguma coisa ou escrever algum artigo na pausa do almo\u00e7o, em algum hor\u00e1rio de descanso ou fora do trabalho. Mas o cansa\u00e7o batia rapidinho. A maternidade n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil em nenhum contexto\u201d, recapitula.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para tr\u00e1s, a engenheira considera as \u201cbarras pesadas\u201d como um per\u00edodo essencial para refletir e entender melhor a como seguir a vida. Agora, com um dos filhos j\u00e1 na maioridade e outro na adolesc\u00eancia, ela segue a carreira normalmente e est\u00e1 se preparando para assumir a vice-reitoria do campus no m\u00eas de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu gosto de olhar pelo lado positivo. A maternidade me ajudou muito em ser professora, em ser did\u00e1tica. Por conta disso, eu consigo entender melhor n\u00e3o s\u00f3 os meus filhos, mas tamb\u00e9m os meus alunos. Se fosse hoje, eu procuraria fazer as coisas de uma maneira mais equilibrada\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriana Martins e Sandra Masalskiene s\u00e3o profissionais de diferentes \u00e1reas da ci\u00eancia e, mesmo assim, convergem em um ponto pouco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-3503","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3503"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3508,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3503\/revisions\/3508"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}