{"id":3672,"date":"2025-06-16T09:16:46","date_gmt":"2025-06-16T12:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=3672"},"modified":"2025-06-16T09:16:46","modified_gmt":"2025-06-16T12:16:46","slug":"cidade-vertical-sorocaba-adapta-urbanismo-ao-aumento-populacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/06\/16\/cidade-vertical-sorocaba-adapta-urbanismo-ao-aumento-populacional\/","title":{"rendered":"Cidade vertical: Sorocaba adapta urbanismo ao aumento populacional"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Gabriela Vasconcelos, Giuliana Ribeiro e Kau\u00e3 Rocha (Jornalismo de Dados &#8211; Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"785\" height=\"524\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.11.45.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3673\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.11.45.jpeg 785w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.11.45-300x200.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.11.45-768x513.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 785px) 100vw, 785px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cidade de Sorocaba (SP). Foto: Kau\u00e3 Rocha <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A verticaliza\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 o processo pelo qual as cidades crescem para cima, com a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios altos, em vez da expans\u00e3o horizontal, como ocorre com casas e constru\u00e7\u00f5es baixas. Esse movimento acontece principalmente em regi\u00f5es onde a popula\u00e7\u00e3o aumenta rapidamente e o espa\u00e7o dispon\u00edvel para novas moradias \u00e9 limitado.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, esse movimento acompanha o avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o e exige das cidades uma adapta\u00e7\u00e3o no planejamento, com foco em mobilidade, infraestrutura e sustentabilidade. Sorocaba (SP) \u00e9 um exemplo desse fen\u00f4meno em curso: uma cidade m\u00e9dia do interior paulista que, diante do crescimento populacional e da valoriza\u00e7\u00e3o do solo, passou a adotar a verticaliza\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia de organiza\u00e7\u00e3o urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Censo Demogr\u00e1fico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 87,4% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2014 cerca de 177,5 milh\u00f5es de pessoas \u2014 residia em \u00e1reas urbanas, um aumento significativo em rela\u00e7\u00e3o aos 84,4% registrados em 2010. Em n\u00fameros absolutos, foram 16,6 milh\u00f5es de brasileiros a mais morando nas cidades na \u00faltima d\u00e9cada, enquanto a popula\u00e7\u00e3o rural diminuiu em 4,3 milh\u00f5es. A popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds chegou a 203 milh\u00f5es de habitantes em 2022 e, segundo estimativas divulgadas em 2024, j\u00e1 ultrapassa 212 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"563\" height=\"996\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.11.53.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3674\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.11.53.jpeg 563w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.11.53-170x300.jpeg 170w\" sizes=\"auto, (max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evolu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o urbana e rural no Brasil entre 2010 e 2022. Dados do Censo 2022 mostram que 87,4% dos brasileiros vivem em \u00e1reas urbanas, tend\u00eancia que pressiona o planejamento das cidades. Gr\u00e1fico: Gabriela Vasconcelos <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Sorocaba reflete essa din\u00e2mica nacional com intensidade. A cidade ultrapassou os 723 mil habitantes em 2022, representando um aumento de cerca de 20% desde 2010 \u2014 um salto de aproximadamente 120 mil moradores que buscam na cidade oportunidades de trabalho, estudo e qualidade de vida. Essa press\u00e3o demogr\u00e1fica tornou claro um desafio: como acomodar tanta gente em uma cidade que cresce, mas enfrenta limites no solo dispon\u00edvel?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta veio do alto. Dados do Censo Demogr\u00e1fico de 2022 mostram que o n\u00famero de domic\u00edlios em edif\u00edcios em Sorocaba cresceu mais de 50% entre 2010 e 2022. Isso representa dezenas de milhares de novos apartamentos entregues ou em constru\u00e7\u00e3o \u2014 um movimento urban\u00edstico que n\u00e3o apenas transforma o perfil da moradia, mas tamb\u00e9m exige novos rumos no planejamento urbano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova forma de ocupar a cidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos bairros da zona sul e do centro, como o Campolim, Jardim Faculdade, Santa Ros\u00e1lia e arredores do Mangal, a verticaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 altera o cotidiano. Ruas antes marcadas por casas t\u00e9rreas e pequenos com\u00e9rcios agora abrigam edif\u00edcios com mais de dez andares, condom\u00ednios-clube e servi\u00e7os voltados a p\u00fablicos variados. S\u00f3 no Campolim, foram mais de 30 novos alvar\u00e1s de constru\u00e7\u00e3o para pr\u00e9dios residenciais entre 2020 e 2024, segundo registros da Secretaria de Urbanismo e Licenciamento (Seurb).<\/p>\n\n\n\n<p>Dados oficiais da prefeitura refor\u00e7am essa transforma\u00e7\u00e3o. Entre 2020 e 2024, foram lan\u00e7ados 229 empreendimentos residenciais na cidade, sendo 172 verticais (pr\u00e9dios) e 57 horizontais (casas). Essa predomin\u00e2ncia dos empreendimentos verticais \u2014 que representam cerca de 75% do total \u2014 evidencia a transforma\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio imobili\u00e1rio local e refor\u00e7a a tend\u00eancia da verticaliza\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia para acomodar o crescimento populacional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"763\" height=\"575\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.12.02.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3675\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.12.02.jpeg 763w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.12.02-300x226.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 763px) 100vw, 763px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico: Gabriela Vasconcelos <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a de escala no modo de morar reflete tamb\u00e9m uma nova l\u00f3gica familiar. A PNAD Cont\u00ednua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua), pesquisa amostral produzida pelo IBGE de forma trimestral, aponta que em 2022 cerca de 44% dos domic\u00edlios sorocabanos eram ocupados por uma ou duas pessoas apenas. Esse dado ajuda a explicar a popularidade de apartamentos compactos e a crescente busca por praticidade, seguran\u00e7a e acesso a servi\u00e7os \u2014 itens que os edif\u00edcios costumam oferecer em maior escala.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Amanda Santos, enfermeira que vive sozinha em um apartamento h\u00e1 tr\u00eas anos, em Sorocaba, a escolha foi motivada justamente por esses fatores. \u201cAchei mais seguro e pr\u00e1tico. A planta do apartamento atende minhas necessidades, e o monitoramento interno do pr\u00e9dio me traz tranquilidade para entrar e sair\u201d, conta. No entanto, ela destaca os desafios da vida em condom\u00ednio: \u201cVoc\u00ea mora em um lugar seu, mas que voc\u00ea n\u00e3o manda sozinho. Barulho e regras coletivas exigem adapta\u00e7\u00e3o, principalmente para quem vinha da liberdade de morar em casa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mercado aquecido, solo valorizado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A demanda por im\u00f3veis verticais aqueceu o mercado. Esse movimento elevou o valor dos im\u00f3veis. Dados do \u00cdndice FipeZAP (Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas) mostram que, entre 2020 e 2024, o pre\u00e7o m\u00e9dio do metro quadrado de apartamentos em Sorocaba subiu cerca de 18%. Em bairros com maior valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, como o Jardim Paulistano e outros da zona sul \u2014 onde est\u00e3o concentrados diversos lan\u00e7amentos verticais \u2014, o aumento foi ainda maior, ultrapassando os 24%. Com isso, a compra de apartamentos novos se tornou mais vantajosa para incorporadoras do que o investimento em casas horizontais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o engenheiro civil Rafael Berto Costa, a verticaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma resposta urban\u00edstica l\u00f3gica \u00e0 demanda crescente e \u00e0 escassez de solo. \u201cS\u00e3o constru\u00e7\u00f5es que ocupam menos espa\u00e7o horizontal e, hoje, surgem em locais estrat\u00e9gicos, pr\u00f3ximos a supermercados, hospitais e centros comerciais\u201d, afirma. Ele tamb\u00e9m destaca avan\u00e7os em sustentabilidade e conforto: \u201cO uso de energia solar tem crescido, e muitas obras j\u00e1 contam com capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva para \u00e1reas comuns. Al\u00e9m disso, os sistemas de veda\u00e7\u00e3o ac\u00fastica melhoraram para reduzir ru\u00eddos e desconfortos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro civil Renato Soliani, que tamb\u00e9m \u00e9 professor e atua na \u00e1rea de transa\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, refor\u00e7a que a verticaliza\u00e7\u00e3o veio para ficar \u2014 e que \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-la de forma sustent\u00e1vel. \u201c\u00c9 essencial garantir seguran\u00e7a, conforto e sustentabilidade. Isso envolve desde o uso de energia solar e re\u00faso de \u00e1gua da chuva at\u00e9 um bom isolamento ac\u00fastico e \u00e1reas comuns que promovam bem-estar\u201d, explica. Segundo ele, o desafio das cidades \u00e9 crescer com planejamento: \u201cA verticaliza\u00e7\u00e3o otimiza o uso do solo, mas pode causar sobrecarga na infraestrutura e aumentar o efeito de ilha de calor se n\u00e3o for bem pensada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios que sobem junto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento vertical traz vantagens urbanas, como o adensamento controlado e o uso mais eficiente do solo, mas tamb\u00e9m imp\u00f5e desafios imediatos \u00e0 infraestrutura da cidade. O aumento da densidade populacional em bairros verticalizados demanda mais energia, mais \u00e1gua, mais transporte, mais servi\u00e7os, e isso nem sempre acompanha o ritmo da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ricardo do Esp\u00edrito Santo, engenheiro civil e diretor de Comunica\u00e7\u00e3o Social e Eventos da Associa\u00e7\u00e3o de Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (AEAS), \u201cmais pr\u00e9dios pressionam o tr\u00e2nsito, energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, servi\u00e7os p\u00fablicos e, principalmente, as redes de abastecimento de \u00e1gua e esgoto, que precisam ser ampliadas e recalculadas\u201d. Ele ainda refor\u00e7a que \u201csem\u00e1foros inteligentes, corredores de \u00f4nibus, refor\u00e7o das redes e amplia\u00e7\u00e3o de escolas e unidades de sa\u00fade s\u00e3o urgentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os impactos ambientais, Ricardo destaca que \u201ca verticaliza\u00e7\u00e3o pode, sim, reduzir o avan\u00e7o urbano sobre \u00e1reas verdes ao concentrar moradias em zonas j\u00e1 urbanizadas, como ocorre em Singapura [pa\u00eds asi\u00e1tico]. Mas, sem planejamento, traz efeitos negativos: ilhas de calor, alagamentos, mais tr\u00e1fego e menos ventila\u00e7\u00e3o natural\u201d. Para mitigar esses impactos, ele defende solu\u00e7\u00f5es como \u201ctelhados verdes, pisos drenantes e reaproveitamento de \u00e1gua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo tamb\u00e9m aponta que mudan\u00e7as no Plano Diretor e no zoneamento v\u00eam incentivando pr\u00e9dios altos, especialmente pr\u00f3ximos a eixos vi\u00e1rios. \u201cCom terrenos caros nas \u00e1reas centrais, o adensamento vertical se torna mais vi\u00e1vel. Tamb\u00e9m h\u00e1 maior procura por seguran\u00e7a, mobilidade e servi\u00e7os pr\u00f3ximos\u201d, afirma. O fen\u00f4meno \u00e9 potencializado pela chegada de moradores da Grande S\u00e3o Paulo em busca de melhor qualidade de vida e custo de moradia mais acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que o crescimento seja inclusivo, ele ressalta que os novos pr\u00e9dios precisam atender mais classes sociais, com moradias populares nas \u00e1reas centrais, incentivos fiscais, parcerias p\u00fablico-privadas e exig\u00eancia de unidades acess\u00edveis. Ricardo tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia do Estudo de Impacto de Vizinhan\u00e7a (EIV) para garantir contrapartidas sociais que minimizem os efeitos da verticaliza\u00e7\u00e3o na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O an\u00fancio feito pelo prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, em outubro de 2024, sobre a constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio mais alto do mundo no centro da cidade \u2014 com cerca de 1 km de altura e mais de 170 andares \u2014 tem gerado debates entre profissionais da \u00e1rea urbana e moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta busca revitalizar a regi\u00e3o central, mas levanta questionamentos quanto \u00e0 viabilidade e ao planejamento por tr\u00e1s da iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a arquiteta e pesquisadora sorocabana L\u00edgia Beatriz Carreri Mau\u00e1, a verticaliza\u00e7\u00e3o pode ser uma estrat\u00e9gia urbana eficiente, desde que esteja inserida em um contexto de planejamento estruturado. \u201cA verticaliza\u00e7\u00e3o pode ser uma ferramenta muito ben\u00e9fica, principalmente para cidades em expans\u00e3o, porque ela presume uma amplia\u00e7\u00e3o do coeficiente de aproveitamento do solo. Ent\u00e3o, ao multiplicar a quantidade de pavimentos, a gente consegue ter um melhor aproveitamento da metragem. Mas isso precisa ser pensado alinhado a um planejamento urbano adequado\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do olhar t\u00e9cnico, Beatriz destaca tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o de quem vive na cidade. \u201cEu sou uma sorocabana nata. Acabo sendo apaixonada pela minha cidade, mas a gente n\u00e3o consegue fechar os olhos para certas quest\u00f5es. Para mim, esse crescimento est\u00e1 sem controle, sem os planejamentos necess\u00e1rios, seja em mobilidade, tr\u00e2nsito ou Plano Diretor. Como que um prefeito reeleito quer acelerar uma revis\u00e3o do Plano Diretor para construir o pr\u00e9dio mais alto do mundo no centro de Sorocaba? Isso n\u00e3o tem embasamento nenhum, \u00e9 um del\u00edrio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora ainda aponta problemas estruturais na regi\u00e3o central que, segundo ela, deveriam ser prioridade. \u201cA gente tem outros problemas no centro, por exemplo, o esvaziamento depois das seis da tarde. O edif\u00edcio mais alto do mundo n\u00e3o vai resolver. Talvez s\u00f3 v\u00e1 piorar\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto, que envolve um investimento estimado em R$ 2 bilh\u00f5es da iniciativa privada, est\u00e1 em fase de estudos e depende de mudan\u00e7as no Plano Diretor, atualmente em revis\u00e3o pela Prefeitura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"714\" height=\"476\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.12.13.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3676\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.12.13.jpeg 714w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-15-at-21.12.13-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vereadora Iara Bernardi, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A vereadora de Sorocaba, Iara Bernardi (PT), tamb\u00e9m tem uma leitura cr\u00edtica sobre esse processo de adensamento. Para ela, o problema central \u00e9 a aus\u00eancia de planejamento p\u00fablico. \u201cN\u00e3o penso que Sorocaba esteja planejada para isso, porque n\u00e3o se pensa em um sistema vi\u00e1rio mais amplo, avenidas duplicadas. O sistema de esgotamento sanit\u00e1rio n\u00e3o comporta, e explode o esgoto nas casas do Jardim S\u00e3o Carlos\u201d, afirma, referindo-se a um bairro vizinho ao Campolim, uma das \u00e1reas mais verticalizadas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Iara tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a falta de espa\u00e7os p\u00fablicos de conviv\u00eancia nas \u00e1reas com maior densidade populacional. \u201c\u00c9 um pr\u00e9dio olhando para outro. As vias de acesso n\u00e3o comportam\u201d, critica. Segundo ela, propostas como a cria\u00e7\u00e3o do Parque do Quil\u00f3 \u2014 na parte alta do Campolim \u2014 s\u00e3o necess\u00e1rias para garantir \u00e1reas verdes e abertas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, evitando que cada condom\u00ednio feche seu pr\u00f3prio espa\u00e7o e impe\u00e7a a forma\u00e7\u00e3o de um parque de uso coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a vereadora, a cidade se desenvolve de forma desequilibrada, com forte influ\u00eancia do setor privado. \u201cVejo que quem faz o planejamento de fato dessa cidade s\u00e3o os empreiteiros imobili\u00e1rios, e n\u00e3o a prefeitura\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O futuro que j\u00e1 come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sorocaba chega a 2025 em meio a uma transforma\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel. A cidade que crescia em bairros horizontalizados agora se adapta ao adensamento vertical, apostando na reorganiza\u00e7\u00e3o urbana como resposta ao crescimento da popula\u00e7\u00e3o. Em meio a esse movimento, surgem perguntas essenciais: \u00e9 poss\u00edvel crescer sem perder qualidade de vida? \u00c9 vi\u00e1vel adensar e, ao mesmo tempo, preservar espa\u00e7os verdes, mobilidade e inclus\u00e3o social?<\/p>\n\n\n\n<p>A arquiteta Gabriella El\u00e9ro defende que esse crescimento s\u00f3 ser\u00e1 sustent\u00e1vel se houver sensibilidade urbana no processo de verticaliza\u00e7\u00e3o. \u201cConsidero uma quest\u00e3o de respeito pensar em como iremos afetar quem j\u00e1 habita aquele meio. Com um novo edif\u00edcio em um bairro j\u00e1 consolidado, trazemos um movimento muito maior para vias residenciais que muitas vezes n\u00e3o foram preparadas para isso\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela refor\u00e7a que o papel da arquitetura vai al\u00e9m do projeto interno dos edif\u00edcios: envolve o cuidado com o entorno e o est\u00edmulo ao uso coletivo do espa\u00e7o urbano. \u201c\u00c9 essencial fazer a implanta\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio imaginando o uso cotidiano de quem ir\u00e1 habitar e os impactos no futuro, considerando e respeitando toda a integra\u00e7\u00e3o com o bairro\u201d, explica. Gabriella tamb\u00e9m defende o uso da chamada \u201cfachada ativa\u201d como ferramenta de inclus\u00e3o urbana: \u201cEla promove intera\u00e7\u00e3o entre pedestres e os servi\u00e7os no t\u00e9rreo dos pr\u00e9dios, tornando as ruas mais vivas, seguras e interessantes para todos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, o crescimento populacional e a migra\u00e7\u00e3o t\u00eam pressionado Sorocaba a buscar solu\u00e7\u00f5es habitacionais r\u00e1pidas e vi\u00e1veis \u2014 e os edif\u00edcios surgem como resposta pr\u00e1tica. \u201cA verticaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma eficiente de atender \u00e0 demanda por moradias, principalmente em regi\u00f5es onde a infraestrutura j\u00e1 est\u00e1 consolidada e a disponibilidade de terrenos \u00e9 limitada\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro urbano da cidade n\u00e3o depende apenas de novos pr\u00e9dios. Depende de como esses pr\u00e9dios se conectam \u00e0 cidade real \u2014 com transporte acess\u00edvel, saneamento garantido, \u00e1reas p\u00fablicas bem distribu\u00eddas e moradia digna para todos os perfis sociais. Mais do que torres altas, Sorocaba constr\u00f3i agora uma nova identidade urbana. E o \u00eaxito dessa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o estar\u00e1 apenas nos metros quadrados entregues, mas na capacidade de fazer da verticaliza\u00e7\u00e3o uma ferramenta de equil\u00edbrio \u2014 entre crescimento e planejamento, entre lucro e acesso, entre moradia e vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Saiba mais<\/strong> sobre ilhas de calor, acessando: <a href=\"https:\/\/sistema.uniso.br\/site-uniso\/unisociencia\/jornal\/tabloide-ed-29.pdf\">https:\/\/sistema.uniso.br\/site-uniso\/unisociencia\/jornal\/tabloide-ed-29.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gabriela Vasconcelos, Giuliana Ribeiro e Kau\u00e3 Rocha (Jornalismo de Dados &#8211; Jornalismo Uniso) A verticaliza\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 o processo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-3672","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3672"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3672\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3677,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3672\/revisions\/3677"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}