{"id":3715,"date":"2025-06-17T11:33:08","date_gmt":"2025-06-17T14:33:08","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=3715"},"modified":"2025-06-17T11:33:08","modified_gmt":"2025-06-17T14:33:08","slug":"um-idoso-a-mais-ou-a-menos-nao-faz-falta-nenhuma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/06\/17\/um-idoso-a-mais-ou-a-menos-nao-faz-falta-nenhuma\/","title":{"rendered":"\u201cUM IDOSO A MAIS OU A MENOS N\u00c3O FAZ FALTA NENHUMA&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Esses dias estive parando para olhar as efem\u00e9rides do m\u00eas de junho e vi que, no dia 15, era o <strong>Dia Mundial de Conscientiza\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra a Pessoa Idosa<\/strong>.<br><br>Idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma palavra muito falada pela m\u00eddia nos \u00faltimos dias, devido aos descontos n\u00e3o consentidos que ocorreram no pagamento de milhares de aposentados e pensionistas do INSS.<\/p>\n\n\n\n<p>De quem \u00e9 a culpa? Hoje n\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o para essa discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Exceto em uma reportagem do <em>Fant\u00e1stico<\/em> que denunciou as <strong>pr\u00e1ticas abusivas<\/strong> das empresas de telemarketing contra os idosos, o que mais vi na m\u00eddia, redes sociais, at\u00e9 nos botecos e entre os pol\u00edticos, eram discuss\u00f5es para dizer qual gest\u00e3o federal era a culpada.<\/p>\n\n\n\n<p>E a reportagem do programa dominical me fez lembrar do tempo em que fui estagi\u00e1rio em dois bancos privados de Sorocaba, onde trabalhei diretamente com empr\u00e9stimos consignados para aposentados e pensionistas. Nessa \u00e9poca, percebi o quanto este tipo de institui\u00e7\u00e3o financeira poderia ser um <strong>criadouro de sociopatas<\/strong>. Costumo dizer que, se voc\u00ea consegue \u201cempurrar\u201d um t\u00edtulo de capitaliza\u00e7\u00e3o para sua av\u00f3 de 90 anos, analfabeta e que ganha um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, e ainda assim consegue dormir tranquilamente ao colocar a sua cabe\u00e7a no travesseiro \u00e0 noite, a carreira banc\u00e1ria \u00e9 o seu lugar!<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me de algum tempo depois de ter sa\u00eddo do banco, ler o livro <em>Trabalhando com Monstros: como identificar psicopatas no seu trabalho e como se proteger deles<\/em>, do Dr. John Clarke. Nele, o psic\u00f3logo fala sobre os \u201cpsicopatas corporativos\u201d e, confesso, que visualizei muito do universo banc\u00e1rio nas p\u00e1ginas deste livro. N\u00e3o sei hoje em dia, mas, naquele tempo, esse tipo de institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria tinha como <strong>ferramenta de convers\u00e3o e sedu\u00e7\u00e3o<\/strong> os altos sal\u00e1rios e grandes benef\u00edcios. Conheci pessoas que pagavam a presta\u00e7\u00e3o do carro e\/ou do apartamento usado apenas os valores dos vales alimenta\u00e7\u00e3o\/refei\u00e7\u00e3o, para voc\u00ea ter uma no\u00e7\u00e3o da coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Viol\u00eancia contra a Pessoa Idosa, vi muito&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das reuni\u00f5es antes da abertura da ag\u00eancia eram \u00e0 base se gritos, murros na mesa e cobran\u00e7as para que fossem batidas as metas descomunais de empr\u00e9stimos. Como? \u201cEmpurrando\u201d, <strong>for\u00e7ando empr\u00e9stimos<\/strong> nos \u201cv\u00e9inho\u201d. Vi colegas de trabalho, no quinto dia \u00fatil do m\u00eas, irem trabalhar com decotes ou minissaias para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos idosos. Isso me fez lembrar de outra banaliza\u00e7\u00e3o dos corpos femininos: teve uma \u00e9poca em que o Bradesco colocava algumas jovens brancas, de cabelos loiros, com minissaias vermelhas curt\u00edssimas para ficarem \u201catraindo\u201d clientes na porta do banco, na rua S\u00e3o Bento, no centro de Sorocaba. Lastim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi diversas vezes que a (o) idosa (o) estava sendo \u201cfor\u00e7ada (o)\u201d pelos filhos ou netos para fazerem o empr\u00e9stimo, mas a <strong>gan\u00e2ncia e a sede para bater a meta e ganhar a comiss\u00e3o cegavam<\/strong> alguns colegas de profiss\u00e3o. Houve situa\u00e7\u00f5es em que \u00e9ramos obrigados a ligar para os aposentados dizendo que eles precisavam ir \u00e0 ag\u00eancia naquela semana sem falta, para fazer uma \u201cprova de vida\u201d, com risco de perderem o pagamento, quando, na verdade, era para oferecer empr\u00e9stimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu era o \u201cestagi\u00e1rio que nunca batia a meta\u201d. Me arrependo de n\u00e3o ter sa\u00eddo desse mundo corporativo antes, mas, desse \u201ct\u00edtulo\u201d, n\u00e3o me arrependo n\u00e3o. Nunca forcei ningu\u00e9m a fazer um empr\u00e9stimo. Fui cobrado diversas vezes por, ao inv\u00e9s de oferecer uma renova\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo corrente \u2014 em que, por exemplo, um aposentado que tinha apenas 18 parcelas para quitar um empr\u00e9stimo assinava um novo contrato de 60 parcelas, em que se somava o saldo devedor e a d\u00edvida ia se \u201cperpetuando\u201d \u2014, oferecer um novo empr\u00e9stimo \u00e0 parte, sem aumentar o n\u00famero de parcelas do anterior, o que <strong>diminu\u00eda o lucro<\/strong> da institui\u00e7\u00e3o, obviamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o dia, eu ligava para uma lista de 60 idosos oferecendo empr\u00e9stimos \u2014 tinha at\u00e9 \u201ccursinho\u201d de persuas\u00e3o para mostrar que n\u00e3o era um empr\u00e9stimo, e sim a possibilidade da realiza\u00e7\u00e3o de sonhos! Olha que lindo! S\u00f3 que n\u00e3o. Ao final do expediente, eu relatava para meu supervisor que nenhum deles aceitou o \u201cpresent\u00e3o\u201d que eu queria entregar, mas a orienta\u00e7\u00e3o que eu recebia era para <strong>ligar novamente<\/strong> para TODOS eles no dia seguinte e \u201cfor\u00e7ar ao m\u00e1ximo a venda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro banco, n\u00e3o fui efetivado (por qual motivo ser\u00e1?). Enquanto eu me autoflagelava por, ainda que por um segundo, ter pensado em \u201cenfiar\u201d um seguro no meio de um empr\u00e9stimo, colegas que n\u00e3o tinham esse tipo de pudor eram ovacionados. Mas n\u00e3o foram somente dias ruins. Acho que eu ajudei muitos aposentados e pensionistas ao <strong>desmascarar algumas pr\u00e1ticas<\/strong> de agentes financeiros menores, as chamadas \u201cportinhas de empr\u00e9stimo\u201d que se amontoavam na rua XV de Novembro, tamb\u00e9m no centro da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos idosos tinham seus pedidos de empr\u00e9stimos negados por falta de margem quando eu enviava para o INSS, e eles me diziam: \u201c<strong>Mas mo\u00e7o, eu n\u00e3o fiz mais nenhum empr\u00e9stimo<\/strong>. Como n\u00e3o tenho margem? T\u00e1 errado isso a\u00ed\u201d. Aquilo me cortava o cora\u00e7\u00e3o. Como as coisas n\u00e3o batiam, comecei a me questionar todos os dias \u2014 olha o meu lado jornalista investigativo aflorando e eu nem sabia \u2014 sobre o que poderia ser. Um dia, pedi para um aposentado me trazer o contrato do empr\u00e9stimo que ele havia feito em uma das portinhas. Fui no INSS e, por meio de uma conversa informal com o vigilante, descobri a exist\u00eancia de um <strong>extrato detalhado de empr\u00e9stimos<\/strong>, um documento que somente o idoso poderia pegar, e de maneira presencial exclusivamente. Fui muito criticado na \u00e9poca, pois eu \u201cestava ali para vender e n\u00e3o para ficar ajudando v\u00e9inho sem margem\u201d \u2014 sim, para muitos banc\u00e1rios, os idosos n\u00e3o eram vistos como seres humanos, mas sim como \u201cm\u00e1quinas geradores de lucros\u201d \u2014, mesmo assim, n\u00e3o desisti.<\/p>\n\n\n\n<p>O que descobri? Que havia uma cl\u00e1usula nos contratos, autorizando a renova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do empr\u00e9stimo. Perguntei para o idoso se ele havia assinado o pedido de um novo empr\u00e9stimo, e a resposta foi negativa. Questionei: \u201cNo dia tal, n\u00e3o caiu um dinheiro na sua conta?\u201d E, geralmente, o retorno era: \u201cSim, <em>fio<\/em>, caiu. Mas eu achei que era um abono e usei o dinheiro. N\u00e3o sabia que era empr\u00e9stimo, n\u00e3o\u201d. Outra descoberta que fiz foi a da exist\u00eancia de um \u201c<strong>cart\u00e3o de cr\u00e9dito para aposentados e pensionistas fornecido pelo INSS<\/strong>\u201d. Obviamente, nenhuma das pessoas por mim atendidas sabia dele. Qual era o pulo do gato, para n\u00e3o chamar de golpe: ao ser solicitado, esse cart\u00e3o \u201creservava\u201d 10% da margem do idoso, ou seja, mesmo que ele nunca usasse o cart\u00e3o, enquanto n\u00e3o o cancelasse, a margem m\u00e1xima de 30% era sempre reduzida para 20%. E para que isso? Para <strong>\u201camarrar\u201d o aposentado naquela institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria<\/strong>, para que ele n\u00e3o pudesse fazer empr\u00e9stimo em outros lugares. Quando ele fosse na institui\u00e7\u00e3o que solicitou indevidamente o cart\u00e3o, lhes era dito: \u201cAqui o senhor consegue. Consegui abrir um pouco da sua margem. Vou te liberar uma graninha, viu como eu sou legal?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E todos esses pensamentos sobre a tem\u00e1tica dos idosos me fez reviver um texto que escrevi sobre eles, no come\u00e7o da pandemia de Covid-19, no ano de 2020. Fa\u00e7o quest\u00e3o de traz\u00ea-lo na \u00edntegra:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de parecer algo que jamais pensamos em ouvir, a frase que intitula este texto foi ouvida por mim nas minhas caminhadas di\u00e1rias, ao ser divulgado o n\u00famero de anci\u00e3os que faleceram na It\u00e1lia e a dimens\u00e3o de mortes que podem ocorrer no Brasil. A pandemia de Covid-19, al\u00e9m de todos os problemas que a cercam, nos traz uma reflex\u00e3o sobre o comportamento humano. Ela escancara \u00e2magos que carregam os mais enoj\u00e1veis pensamentos e sentimentos de alguns dos seres que habitam esta Terra, os quais n\u00e3o sei se posso chamar de humanos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao proclamar coment\u00e1rios como: \u201cj\u00e1 viveu o que tinha que viver\u201d, \u201cque morra tudo, \u00e9 um velho a menos pra encher o saco\u201d, esquecem o peso da falta que essas pessoas far\u00e3o no mundo. Se hoje estamos aqui, se temos confortos, \u00e9 porque, no passado, esses indiv\u00edduos lutaram arduamente para alcan\u00e7ar conquistas, muitas vezes sem nenhuma ferramenta as quais hoje nos sobram. Muitos netos n\u00e3o poder\u00e3o colocar seus filhos no colo de seus bisav\u00f4s. Quanta cultura, quanta hist\u00f3ria, quanta riqueza imaterial est\u00e1 sendo queimada junto com os corpos de nonos e nonas. Quantas receitas de massas e molhos \u201csecretos\u201d est\u00e3o se perdendo, causando inenarr\u00e1veis preju\u00edzos, n\u00e3o somente para a It\u00e1lia, mas tamb\u00e9m para o mundo. Os cremat\u00f3rios n\u00e3o est\u00e3o produzindo s\u00f3 cinzas carnais, mas tamb\u00e9m cinzas mentais na mem\u00f3ria dos que ficam. Muitos esquecem que pa\u00edses com grandes quantidades de mortes precisar\u00e3o de pessoas de outras origens para sua reconstru\u00e7\u00e3o e repovoamento, o que, por um lado, \u00e9 bom, devido a inser\u00e7\u00e3o de novas culturas; por outro, nem tanto, j\u00e1 que a cultura de origem nunca mais ser\u00e1 a mesma, por mais antropof\u00e1gico que seja o novo integrante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esfera nacional, n\u00e3o devem ter sido pensados os danos antes de se cometer tais ofensas. O que seriam dos filhos de trabalhadores se n\u00e3o existissem mais os av\u00f4s para cuid\u00e1-los durante o dia de labuta? Quantas crian\u00e7as deixar\u00e3o de ser curadas atrav\u00e9s das rezas e rem\u00e9dios caseiros das av\u00f3s benzedeiras? J\u00e1 se imaginou um dia n\u00e3o existir mais pessoas para contar fatos que ocorreram h\u00e1 50, 60 ou 70 anos atr\u00e1s? Onde, por mais inovadoras que sejam, e mesmo sendo alimentadas por um grande c\u00e2none de informa\u00e7\u00f5es, as ferramentas de busca n\u00e3o chegam e a \u00fanica prova \u00e9 a mem\u00f3ria viva. Como seria para um amante de futebol n\u00e3o ter ningu\u00e9m para contar como foi a copa do mundo do ano de 1970 ou o fim do jejum corintiano em 1977? Para um estudante de comunica\u00e7\u00e3o, quem foi Chacrinha? Para um f\u00e3 da cultura nacional, quem foi a figura de Carmen Miranda? Ou, para um historiador, como foram os tempos da ditadura militar? Como responderemos aos nossos filhos no futuro, quando questionados sobre qual \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de um abra\u00e7o de v\u00f3?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antes de falar tais coisas, \u00e9 necess\u00e1rio ter a verdadeira empatia. Digo verdadeira pois existem muitas empatias ilus\u00f3rias, em que o ser humano pensa que est\u00e1 praticando e engana muitos outros atrav\u00e9s de postagens em redes sociais, por exemplo, as quais trazem falsos resultados ben\u00e9ficos. A empatia que me refiro \u00e9 a de se pensar que, por mais dif\u00edcil que esteja a vida das pessoas, muitas ainda podem caminhar nas ruas, enquanto outras est\u00e3o presas dentro de casa devido \u00e0s suas pernas terem sido amputadas pelo perigo de ser um integrante do grupo de risco. A mesma empatia que deve ser levada em considera\u00e7\u00e3o antes de se criticar um idoso que esteja nas ruas, mesmo ap\u00f3s diversos alertas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Empatia esta que deve nos levar \u00e0 reflex\u00e3o do porqu\u00ea daquele indiv\u00edduo estar quebrando a regra. Ser\u00e1 mesmo somente teimosia? Ou pode ser um pedido inconsciente de socorro? Estar\u00e1 mesmo somente desobedecendo os conselhos dos \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade ou querendo que nossos olhos percebam sua figura, juntamente com um pedido de clem\u00eancia por ajuda, oriundo de um m\u00ednimo de consci\u00eancia que ainda lhe resta em sua mente cansada pelos anos? Ajuda esta, muitas vezes, para se livrar do sofrimento causado pela desorienta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que a velhice traz, ou pelo abandono familiar que o aflige.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta pandemia serve para nos mostrar tamb\u00e9m que a falta de sentimentos, de carinho e de amor para com o pr\u00f3ximo, o ego\u00edsmo, o despreparo daquele que nos lidera, a mesquinhez, a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, o descaso com os impotentes sociais e a banaliza\u00e7\u00e3o da vida humana s\u00e3o tamb\u00e9m v\u00edrus que afetam e podem exterminar toda a popula\u00e7\u00e3o deste planeta<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>****<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo banco em que trabalhei \u2014 fui seduzido inicialmente pela proposta de abandonar o emprego de seguran\u00e7a de hospital, trabalhando 12 horas por dia, para trabalhar 6 horas e <strong>ganhar o dobro<\/strong> \u2014, a fun\u00e7\u00e3o oferecida n\u00e3o era para trabalhar com consignado diretamente. Promessa que n\u00e3o foi cumprida, ap\u00f3s alguns meses em que eu j\u00e1 estava l\u00e1. Antes de terminar o contrato, pedi demiss\u00e3o, n\u00e3o aguentava mais. Me foi oferecida a efetiva\u00e7\u00e3o, agradeci, mas n\u00e3o aceitei. No \u00faltimo dia, o gerente-geral me fez uma derradeira proposta: \u201cVoc\u00ea sabe que est\u00e1 perdendo de fazer o seu p\u00e9 de meia aqui, n\u00e9? E que pessoas brigam l\u00e1 fora por essa vaga.\u201d Dei uma resposta a ele que, se pareceu mal-educada, n\u00e3o foi minha inten\u00e7\u00e3o: \u201cAgrade\u00e7o, mas <strong>n\u00e3o adianta nada eu ter muito aqui (apontando para o meu bolso) e pouco aqui (apontando para minha cabe\u00e7a).\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso foi <strong>libertador<\/strong>! Lavei minha alma.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para fechar a coluna de hoje, mostrando que n\u00e3o existem somente viol\u00eancias contra a pessoa idosa, mas tamb\u00e9m muito afeto, carinho e quebra de paradigmas por chegarem aos 60, deixo um coment\u00e1rio e uma indica\u00e7\u00e3o de leitura:<\/p>\n\n\n\n<p>1 \u2013 Ao comentar sobre o tema da coluna desta semana com uma professora, ela comentou sobre uma postagem de uma amiga dela, onde, ao inv\u00e9s de escrever que estaria completando 57 anos, ela comentou: \u201c<strong>estou completando 3 para 60<\/strong>\u201d, ou seja, chegar aos 60 n\u00e3o era para ela um \u201ctabu\u201d, uma preocupa\u00e7\u00e3o, e sim uma comemora\u00e7\u00e3o! Acho que tamb\u00e9m vou aderir a essa moda, no meu anivers\u00e1rio, o m\u00eas que vem, vou dizer que estou completando 22 para 60. Muito bom isso!<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u2013 Indico a leitura do magn\u00edfico livro <em>Envelhe<strong>Ser<\/strong><\/em>, da minha amiga\/irm\u00e3 e jornalista Beatriz Jarins, que fala das hist\u00f3rias e rotinas de pessoas idosas, com muito respeito, amor, carinho e afeto. Atrav\u00e9s do trabalho de Beatriz, voc\u00ea pode ter acesso a frases e cita\u00e7\u00f5es fort\u00edssimas, como:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPor que temos que lutar pelos velhos?<strong>&nbsp;Porque s\u00e3o a fonte<\/strong><br><strong>de onde jorra a ess\u00eancia da cultura, ponto onde o passado<\/strong><br><strong>se conserva, do presente se prepara<\/strong><\/em>\u201d, (BOSI, 1994, p. 18, apud. CHAU\u00cd, 1979).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c<strong>O velho n\u00e3o tem armas. N\u00f3s \u00e9 que temos de lutar por ele\u201d<\/strong><\/em>, defende Ecl\u00e9aBosi, fala relembrada por Marilena de Souza Chau\u00ed (1979), na apresenta\u00e7\u00e3odo livro: Mem\u00f3ria e Sociedade, da pr\u00f3pria Ecl\u00e9a.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a o livro por meio do site: <a href=\"https:\/\/beatrizjarins.com\/envelheser\">https:\/\/beatrizjarins.com\/envelheser<\/a>, ou do <em>Instagram<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/livroenvelheser\/\">@livroenvelheser<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Respeite os nosso idosos. Respeite nossos Gri\u00f4s. Respeite nossos ancestrais. Respeite quem veio antes de n\u00f3s. Respeite quem capinou o caminho que hoje voc\u00ea cruza confortavelmente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"817\" height=\"222\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2969\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58.jpeg 817w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58-300x82.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58-768x209.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 817px) 100vw, 817px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esses dias estive parando para olhar as efem\u00e9rides do m\u00eas de junho e vi que, no dia 15, era o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2885,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-3715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coluna","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07.jpeg",851,315,false],"thumbnail":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-300x111.jpeg",300,111,true],"medium_large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-768x284.jpeg",768,284,true],"large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07.jpeg",800,296,false],"1536x1536":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07.jpeg",851,315,false],"2048x2048":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07.jpeg",851,315,false],"colormag-highlighted-post":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-392x272.jpeg",392,272,true],"colormag-featured-post-medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-390x205.jpeg",390,205,true],"colormag-featured-post-small":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-130x90.jpeg",130,90,true],"colormag-featured-image":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-800x315.jpeg",800,315,true],"colormag-default-news":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07-150x150.jpeg",150,150,true],"colormag-featured-image-large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-10.03.07.jpeg",851,315,false]},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/coluna\/\" rel=\"category tag\">Coluna<\/a>","tag_info":"Coluna","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3715"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3717,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3715\/revisions\/3717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}