{"id":3859,"date":"2025-08-22T09:32:08","date_gmt":"2025-08-22T12:32:08","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=3859"},"modified":"2025-08-22T11:06:01","modified_gmt":"2025-08-22T14:06:01","slug":"dia-do-folclore-brasileiro-relembra-tradicao-e-resistencia-da-cultura-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/08\/22\/dia-do-folclore-brasileiro-relembra-tradicao-e-resistencia-da-cultura-popular\/","title":{"rendered":"Dia do Folclore Brasileiro relembra tradi\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia da cultura popular"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Entre lendas ancestrais e m\u00eddias atuais, o folclore se comunica, se transforma e se mant\u00e9m vivo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Let\u00edcia Am\u00e9rico Camargo (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"886\" height=\"567\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.32.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3863\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.32.jpeg 886w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.32-300x192.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.32-768x491.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Saci \u00e9 o novo Guardi\u00e3o do Ar em \u201cA Lenda: A Origem dos Guardi\u00f5es\u201d \u2013 Arte: Vitor Hima<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Celebrado internacionalmente, no dia 22 de agosto, o Dia do Folclore ganhou notoriedade em 1846, quando o escritor ingl\u00eas William John Thoms, fez a jun\u00e7\u00e3o de \u201cfolk\u201d (povo\/popular) com \u201clore\u201d (cultura\/saber), para definir os fen\u00f4menos culturais t\u00edpicos das culturas populares tradicionais de cada na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a data foi oficializada em 1965, por meio de um decreto assinado pelo at\u00e9 ent\u00e3o presidente militar Humberto de Alencar Castello Branco, criado, portanto, com o objetivo de garantir a preserva\u00e7\u00e3o do acervo que forma o folclore brasileiro e incentivar os estudos na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o folclore brasileiro \u00e9 um importante objeto de estudo nas ci\u00eancias humanas, e sua import\u00e2ncia \u00e9 refor\u00e7ada frequentemente nas escolas, sobretudo naquelas que trabalham com ensino infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Pacano, tem 33 anos, e trabalha como roteirista e escritor. Amante da cultura popular brasileira, ele ressalta que, diferente do que se imagina, o conceito n\u00e3o \u00e9 coisa de crian\u00e7a, e n\u00e3o deve ser restrito ao universo escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, folclore s\u00e3o todas as tradi\u00e7\u00f5es culturais que s\u00e3o passadas adiante, como a festa junina, tamb\u00e9m conhecida por festa de S\u00e3o Jo\u00e3o, assim como o Bumba Meu Boi, um festival famoso do Norte do pa\u00eds; s\u00e3o formas de manifesta\u00e7\u00f5es do folclore brasileiro. H\u00e1 tamb\u00e9m as supersti\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deixar o chinelo virado para cima, ou, se deixarmos a vassoura atr\u00e1s da porta, n\u00e3o recebemos visitas, tudo isso, faz parte da cultura folcl\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Pacano, as escolas s\u00e3o um marco de valoriza\u00e7\u00e3o cultural. \u201cCostumamos associar folclore a hist\u00f3rias infantis justamente porque a escola \u00e9 a \u00fanica entidade que ainda valoriza essa tradi\u00e7\u00e3o cultural. E \u00e9 gra\u00e7as a elas, que ainda mantemos vivo esse imagin\u00e1rio popular\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor ainda ressalta, que as tradi\u00e7\u00f5es ajudam a preservar a mem\u00f3ria coletiva e transmitir valores entre gera\u00e7\u00f5es. \u201cO folclore \u00e9 resultado da pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Brasil, marcada por genoc\u00eddio ind\u00edgena, escravid\u00e3o africana e pela influ\u00eancia dos jesu\u00edtas. Ele carrega essa diversidade e contradi\u00e7\u00e3o, refletindo como nossa cultura foi formada, transformada e resistiu ao longo do tempo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"846\" height=\"682\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.43.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3862\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.43.jpeg 846w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.43-300x242.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.43-768x619.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 846px) 100vw, 846px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Andr\u00e9 Pacano, autor e roteirista \u2013 Foto: Andr\u00e9 Pacano<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro aspecto relevante, \u00e9 a Folkcomunica\u00e7\u00e3o, uma teoria brasileira criada por Luiz Beltr\u00e3o, que investiga a comunica\u00e7\u00e3o popular e o papel do folclore na circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerada \u00fanica no pa\u00eds, a teoria mostra como comunidades marginalizadas encontram formas pr\u00f3prias de expressar ideias, conhecimentos e anseios. Influenciado por estudos de Lazarsfeld, Beltr\u00e3o defendia que a comunica\u00e7\u00e3o padr\u00e3o de massa n\u00e3o chega \u00e0s comunidades mais afastadas, e que essas comunidades t\u00eam suas pr\u00f3prias maneiras de se comunicar.<\/p>\n\n\n\n<p>Th\u00edfani Postali, de 43 anos, \u00e9 Doutora em Multimeios pela Unicamp, professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura da Uniso e Diretora Cient\u00edfica da Rede Folkcom. Ela explica que assim como as outras teorias da comunica\u00e7\u00e3o, a Folkcomunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 conhecida fora do meio acad\u00eamico por serem de maior interesse dos estudiosos e pesquisadores. Por\u00e9m, ela ressalta que desde 1998, existe uma rede, chamada Rede Folkcom, que possui mais de 100 pesquisadores dedicados a estudar o tema em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, e at\u00e9 mesmo fora dele. Academicamente ela tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o conhecida porque ela sofre certo preconceito dentro da pr\u00f3pria academia. \u201cA folkcomunica\u00e7\u00e3o se debru\u00e7a sobre formas de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o as dominantes, mas que pulsam nas periferias e comunidades populares. Lu\u00eds Beltr\u00e3o j\u00e1 apontava a import\u00e2ncia de olhar al\u00e9m das teorias europeias e estadunidenses, valorizando pr\u00e1ticas como o jornal comunit\u00e1rio, a r\u00e1dio local ou a m\u00fasica que traduz a realidade daquele povo. S\u00e3o comunica\u00e7\u00f5es feitas a partir das necessidades espec\u00edficas da comunidade e que revelam o que muitas vezes a grande m\u00eddia n\u00e3o alcan\u00e7a\u201d, ressalta Th\u00edfani.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"840\" height=\"756\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.56.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3861\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.56.jpeg 840w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.56-300x270.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.28.56-768x691.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Th\u00edfani Potali, professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura da Uniso e Diretora Cient\u00edfica da Rede Folkcom \u2013 Foto: Rafael Filho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Andriolli Costa \u00e9 um pesquisador sul-mato-grossense, de 35 anos, que atua como professor da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social da UERJ e professor colaborador do PPG em Museologia da UFBA. Ele \u00e9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela UFBA, mestre em Jornalismo pela UFSC e fez p\u00f3s-doutorado em Cr\u00edtica Cultural na UNEB. Atualmente ele \u00e9 presidente da Rede Folkcom e coordenador do Lunar, o Laborat\u00f3rio de Podcasts Narrativos da Uerj.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais vozes a falar sobre a cultura Folk, Andriolli acredita que o folclore pode atuar como resist\u00eancia cultural frente \u00e0s press\u00f5es do consumo e da padroniza\u00e7\u00e3o cultural. \u201cA grande pot\u00eancia da Folkcomunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 em entender o folclore como resist\u00eancia das classes populares. Diante da exclus\u00e3o dos meios hegem\u00f4nicos de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o cultural, essas comunidades encontram no folclore estrat\u00e9gias para comunicar, compartilhar narrativas e manter saberes vivos. Seja nas formas tradicionais, seja em adapta\u00e7\u00f5es atuais, como benzedeiras no TikTok ou receitas t\u00edpicas no Instagram. Ela nos mostra que essas pr\u00e1ticas s\u00e3o, antes de tudo, modos de resist\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"835\" height=\"684\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.29.06.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3860\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.29.06.jpeg 835w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.29.06-300x246.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-22-at-09.29.06-768x629.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 835px) 100vw, 835px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Andriolli Costa, presidente da Rede Folkcom \u2013 Foto: Andriolli Costa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Diante da import\u00e2ncia de manter viva a cultura popular brasileira, Andr\u00e9 Pacano d\u00e1 andamento em seu mais novo projeto liter\u00e1rio, que promete trazer o folclore para o centro de uma saga \u00e9pica contempor\u00e2nea.<em> \u201cA Lenda: A Origem dos Guardi\u00f5es\u201d<\/em> \u00e9 o primeiro volume de uma saga \u00e9pica inspirada no folclore brasileiro. Nela, Saci, Curupira e Iara se unem como guardi\u00f5es da natureza, cada um representando os elementos ar, terra e \u00e1gua, em uma luta contra for\u00e7as que amea\u00e7am o equil\u00edbrio do planeta. A narrativa mistura a\u00e7\u00e3o, magia e aventura, enquanto met\u00e1foras sobre as crises ambientais, como queimadas e aquecimento global, se entrela\u00e7am com lendas ancestrais e cen\u00e1rios que percorrem biomas e regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra foi contemplada pelo PROAC, programa de incentivo \u00e0 cultura do Estado de S\u00e3o Paulo, e ter\u00e1 seu lan\u00e7amento previsto para outubro. O evento promete celebrar n\u00e3o apenas a literatura fant\u00e1stica, mas tamb\u00e9m a valoriza\u00e7\u00e3o do folclore e da cultura brasileira. Al\u00e9m de S\u00e3o Paulo, o autor planeja encontros em cidades como S\u00e3o Miguel, Itapetininga e Sorocaba, ampliando o alcance dessa saga que une mitologia, hist\u00f3ria, geografia e reflex\u00f5es atuais sobre a preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre lendas ancestrais e m\u00eddias atuais, o folclore se comunica, se transforma e se mant\u00e9m vivo Por: Let\u00edcia Am\u00e9rico Camargo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-3859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3859"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3859\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3870,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3859\/revisions\/3870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}