{"id":4021,"date":"2025-09-16T09:22:16","date_gmt":"2025-09-16T12:22:16","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=4021"},"modified":"2025-09-17T11:28:27","modified_gmt":"2025-09-17T14:28:27","slug":"uma-paixao-chamada-corinthians","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/09\/16\/uma-paixao-chamada-corinthians\/","title":{"rendered":"Uma paix\u00e3o chamada Corinthians"},"content":{"rendered":"\n<p>1997. Dez anos de idade. Camisa listrada. Shorts preto. Gol do lateral camisa 6 Andr\u00e9 Lu\u00eds, com a bola batendo no calcanhar do goleiro Rog\u00e9rio Ceni. O jogo segue. Gol do S\u00e3o Paulo em uma cabe\u00e7ada indefens\u00e1vel para o nosso goleiro Ronaldo. Mas, no final da partida, explos\u00e3o da torcida corintiana nas arquibancadas do est\u00e1dio do Morumbi.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 <em>V\u00f3, \u00e9 para esse time que eu quero torcer!<br><\/em>\u2014 <em>Voc\u00ea tem certeza? Eu vou te apoiar, mas voc\u00ea vai sofrer muito durante sua vida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a primeira lembran\u00e7a que tenho do Sport Club Corinthians Paulista, meu time do cora\u00e7\u00e3o e que este m\u00eas completou 115 anos de hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundado em 1\u02da de setembro de 1910, por oper\u00e1rios no bairro do Bom Retiro, o time era exemplo de resist\u00eancia j\u00e1 na sua concep\u00e7\u00e3o: disputar campeonatos oficiais que, at\u00e9 ent\u00e3o, eram reservados para as elites.<\/p>\n\n\n\n<p>No seu quarto ano de exist\u00eancia j\u00e1 veio o primeiro t\u00edtulo, o Paulist\u00e3o de 1914. Teve repeteco em 1916.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada de 1920 ficou marcada por dois tricampeonatos (22; 23; 24 e 28; 29; 30) o que gerou o apelido de \u201co campe\u00e3o dos campe\u00f5es\u201d, que integra a letra do hino. Entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1940 teve mais um tri (37, 38 e 39) e o est\u00e1dio do Pacaembu come\u00e7a a se tornar nossa casa. Que alegria era ver o tim\u00e3o jogar naquele gramado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os anos 1950 ficaram marcados pela conquista do Campeonato Paulista do IV Centen\u00e1rio da cidade de S\u00e3o Paulo.&nbsp;Mas tamb\u00e9m foi ali que come\u00e7ou uma das fases mais sofridas do Corinthians: o jejum de quase 23 anos sem ganhar t\u00edtulos de grande repercuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser um per\u00edodo dif\u00edcil, surgiu um dos maiores \u00eddolos do time (endeusado at\u00e9 por Maradona), Roberto Rivellino, e nasceu uma das maiores torcidas organizadas do mundo, os Gavi\u00f5es da Fiel \u2014 um pilar social, s\u00edmbolo de cultura e resist\u00eancia. Mas como a vida do corintiano, apesar de sofrida, nunca \u00e9 mon\u00f3tona, chegou 1976, a Primeira<strong> Invas\u00e3o Corintiana<\/strong>. Dominamos as estradas entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro e o gigantesco Maracan\u00e3. Segundo o artigo <em>A <strong>Invas\u00e3o Corinthiana <\/strong>\u2013 Rio, 5 de dezembro de 1976<\/em>, de Pl\u00ednio Labriola Negreiros da PUC\/SP, foi \u201co maior deslocamento de torcedores que se conhece na hist\u00f3ria do Brasil: entre 60 e 70 mil\u201d. Sempre que converso com meu amigo Rinaldo, mais conhecido como \u201cTito\u201d (corintiano h\u00e1 quase 50 anos e viu essa \u00e9poca com a mesma idade que eu tinha quando me tornei corintiano) ele me conta esse fato hist\u00f3rico e me pergunta: \u201cRafa, em uma \u00e9poca sem celular, internet, redes sociais, Whatsapp etc., como que a torcida conseguiu juntar tanta gente?\u201d E ele mesmo responde sorrindo: \u201co bom e velho boca a boca\u201d. Simplesmente insano. Se voc\u00ea nunca viu os v\u00eddeos dessa \u00e9poca, vale a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>E, na sequ\u00eancia, veio o t\u00e3o famoso e libertador fim do jejum com a conquista do Paulist\u00e3o de 1977, com gol de Bas\u00edlio. Um marco na hist\u00f3ria brasileira (sem clubismo). Cada vez que vejo os v\u00eddeos da \u00e9poca me arrepio ainda mais. Milhares de pessoas nas arquibancadas e no campo, carregando bandeir\u00f5es ou abra\u00e7adas a elas, atravessando o campo de joelhos, em l\u00e1grimas. Algo inesquec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem realmente estudou hist\u00f3ria sabe o per\u00edodo sombrio que o Brasil atravessou entre 1964 e 1985. Nos anos 1980 o pa\u00eds clamava por liberdade e democracia. Os torcedores do Corinthians por todo seu hist\u00f3rico de luta pelas classes menos favorecidas n\u00e3o ficariam para tr\u00e1s. Em uma \u00e9poca de camisas brancas sem patroc\u00ednios vimos o sangue de Wladimir e \u00eddolos como Casagrande e Zenon, liderados por um m\u00e9dico chamado S\u00f3crates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, se posicionarem politicamente contra a ditadura e a favor das elei\u00e7\u00f5es diretas. Outro fato que n\u00e3o pertence somente a hist\u00f3ria do clube paulista, mas a do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os anos de 1990 foram de grandes conquistas. O primeiro brasileir\u00e3o, a gente nunca esquece. Outras vez vimos o Morumbi (nosso sal\u00e3o de festas) se tornar palco da explos\u00e3o corintiana, por meio dos p\u00e9s do Talism\u00e3 Tupanzinho. Ganhamos a Copa do Brasil de 1995 e mais dois brasileiros: 1998 e 1999. Esses eu j\u00e1 tive o prazer de assistir e guardo na mem\u00f3ria at\u00e9 hoje. A frieza de Dida (lembra dos dois p\u00eanaltis que ele pegou do Ra\u00ed?); os cruzamentos milim\u00e9tricos de Kl\u00e9ber; a maestria de Gamarra (ao lado de Chic\u00e3o, um dos maiores que j\u00e1 vi jogar) a cara de mal do Rinc\u00f3n; a seriedade de Ricardinho, a magia de Marcelinho, Vampeta e Ed\u00edlson; e o poder de decis\u00e3o de Luiz\u00e3o. Isso sem falar no nosso amuleto Dinei e de outros importantes jogadores. Teve tamb\u00e9m a briga hist\u00f3rica na final do Paulist\u00e3o de 1999 por causa das embaixadinhas no jogo contra o time do \u201cesp\u00edrito de porco\u201d. Inesquec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos ao ano 2000. Bug do mil\u00eanio? Que nada, o que marcou esse ano foi a segunda <strong>Invas\u00e3o Corintiana <\/strong>no Rio de Janeiro: nosso primeiro Mundial de Clubes da Fifa. Jamais esquecerei da cena: Luciano do Valle gritando, Edmundo caindo em desespero, Dida andando como se nada tivesse acontecido e o Maracan\u00e3 explodindo em festa. O ano seguinte me traz uma das maiores lembran\u00e7as do significado da frase \u201co Corinthians nunca desiste, o jogo s\u00f3 acaba depois que o juiz apita\u201d. A semifinal do Paulist\u00e3o de 2001 contra o Santos me fez gritar e chorar por horas, com o drible de Gil e o gol de Ricardinho, quando faltavam 30 segundos para acabar o jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a sequ\u00eancia daquela d\u00e9cada foi complicada&#8230; rebaixamento em 2007. Ali aprendemos um grito que nos acompanha at\u00e9 hoje: \u201ceu nunca vou te abandonar!&#8221; Aquele jogo com o Gr\u00eamio doeu muito. Mas confesso que, de certo modo, a queda nos fez bem. Em cinco ano sa\u00edmos de um rebaixamento para uma forma\u00e7\u00e3o que contava com Ronaldo Fen\u00f4meno e o time se tornou bicampe\u00e3o Mundial e da Libertadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ahhh, a Libertadores. Que ano, que t\u00edtulo. E tudo come\u00e7ou em 2011. Ano em que atendemos o pedido do nosso Dr. S\u00f3crates: \u201ceu quero morrer em um domingo de Corinthians e Palmeiras\u201d. Pouca gente lembra, mas o primeiro gol que nos libertou foi de Ralf, o nosso Xerife. Teve muita coisa, mas, para mim, os gols de Paulinho contra o Vasco, do Sheik contra o Santos e do Romarinho contra o Boca foram marcantes. E, no final do ano, ainda teve o segundo mundial. Jamais esquecerei da invas\u00e3o no aeroporto e a terceira <strong>Invas\u00e3o Corintiana<\/strong>, nesse caso internacional. Pintamos as ruas do Jap\u00e3o de preto e branco. O nome do nosso artilheiro resume tudo: Guerreiro. Paramos o Brasil e todos os canais de televis\u00e3o s\u00f3 falavam de Corinthians o dia todo. Os antis se mordiam de raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Conquistamos o Brasileir\u00e3o em 2015 e 2017. E tivemos o maior jejum de t\u00edtulos depois de 1977, entre 2019 e 2025, quando lavamos a alma em cima do nosso maior rival, mesmo com as trapalhadas de F\u00e9lix Torres. Memphis subindo na bola foi uma imagem que rodou o mundo. A arrancada contra o rebaixamento, guiada por Garro, Hugo e Yuri Alberto, em 2024, nos fez reviver o nosso amor, mesmo em meio a tantas den\u00fancias de m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, fazendo com que a diretoria do clube se tornasse caso de pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por estas e tantas outras coisas \u2014 que se eu fosse listar daria assunto para um ano de coluna \u2014 que reafirmo sempre o meu amor pelo Sport Club Corinthians Paulista, um time fundado por oper\u00e1rios, para a amplia\u00e7\u00e3o das vozes dos exclu\u00eddos do futebol elitista, que representa a resist\u00eancia do povo pobre e perif\u00e9rico, um espa\u00e7o de cultura e luta pol\u00edtica. Uma institui\u00e7\u00e3o popular, o <strong>TIME DO POVO<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"817\" height=\"222\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2969\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58.jpeg 817w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58-300x82.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.40.58-768x209.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 817px) 100vw, 817px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1997. Dez anos de idade. Camisa listrada. Shorts preto. Gol do lateral camisa 6 Andr\u00e9 Lu\u00eds, com a bola batendo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2968,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-4021","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coluna","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16.jpeg",851,315,false],"thumbnail":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-300x111.jpeg",300,111,true],"medium_large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-768x284.jpeg",768,284,true],"large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16.jpeg",800,296,false],"1536x1536":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16.jpeg",851,315,false],"2048x2048":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16.jpeg",851,315,false],"colormag-highlighted-post":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-392x272.jpeg",392,272,true],"colormag-featured-post-medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-390x205.jpeg",390,205,true],"colormag-featured-post-small":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-130x90.jpeg",130,90,true],"colormag-featured-image":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-800x315.jpeg",800,315,true],"colormag-default-news":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16-150x150.jpeg",150,150,true],"colormag-featured-image-large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-08-at-09.38.16.jpeg",851,315,false]},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/coluna\/\" rel=\"category tag\">Coluna<\/a>","tag_info":"Coluna","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4021"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4021\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4046,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4021\/revisions\/4046"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}