{"id":4548,"date":"2025-10-31T09:32:50","date_gmt":"2025-10-31T12:32:50","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=4548"},"modified":"2025-10-31T09:32:50","modified_gmt":"2025-10-31T12:32:50","slug":"silenciado-pela-ditadura-vladimir-herzog-continua-a-falar-por-um-pais-inteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/10\/31\/silenciado-pela-ditadura-vladimir-herzog-continua-a-falar-por-um-pais-inteiro\/","title":{"rendered":"Silenciado pela ditadura, Vladimir Herzog continua a falar por um pa\u00eds inteiro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>50 anos depois, o Brasil ainda ecoa o grito que nasceu de seu sil\u00eancio, e o Instituto Vladimir Herzog nos lembra que esquecer tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de viol\u00eancia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Let\u00edcia Am\u00e9rico Camargo (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"886\" height=\"631\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-31-at-09.31.17.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4549\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-31-at-09.31.17.jpeg 886w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-31-at-09.31.17-300x214.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-31-at-09.31.17-768x547.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entre pap\u00e9is e palavras, Vladimir Herzog acreditava que a verdade era sua melhor arma | Foto: Instituto Vladimir Herzog<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O corpo de um homem foi encontrado em uma cela do Doi-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es \u2013 Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna) durante o regime militar. Diziam que ele havia se enforcado, mas seus p\u00e9s tocavam o ch\u00e3o. Era o dia 25 de outubro de 1975, e o pa\u00eds vivia sob o sil\u00eancio imposto pela ditadura. A v\u00edtima era Vladimir Herzog, jornalista, professor e pai de dois filhos, mas a not\u00edcia de sua morte atravessou as paredes do medo e acendeu uma chama que nem o regime conseguiu apagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Seis dias depois, no dia 31 de outubro, o que deveria ser uma cerim\u00f4nia religiosa se transformou em um grito coletivo. Cerca de oito mil pessoas caminharam at\u00e9 a Pra\u00e7a da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, em uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es contra as atrocidades cometidas pelo regime militar. Meio s\u00e9culo depois, familiares, amigos, jornalistas e cidad\u00e3os voltaram ao mesmo local n\u00e3o apenas para homenagear Herzog, mas para lembrar que a democracia se sustenta na coragem de quem ousa lutar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido na Cro\u00e1cia, sua fam\u00edlia, judia, mudou-se para a It\u00e1lia fugindo do nazismo e depois, perseguida pelo fascismo, emigrou para o Brasil. Vlado, seu nome de batismo, n\u00e3o era bem visto por ele, que logo adotou Vladimir, e ap\u00f3s ser naturalizado brasileiro iniciou sua carreira na filosofia, mas a comunica\u00e7\u00e3o era seu destino.<\/p>\n\n\n\n<p>Professor da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e diretor de jornalismo da TV Cultura de S\u00e3o Paulo, Herzog come\u00e7ou a ser vigiado pelos agentes da repress\u00e3o, pois era um democrata e pr\u00f3ximo de militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 25 de outubro de 1975, foi convocado para depor no Doi-Codi, o \u00f3rg\u00e3o repressivo do regime, em S\u00e3o Paulo, onde foi submetido a longas \u2013 e desumanas \u2013 sess\u00f5es de tortura e acabou n\u00e3o resistindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tinha apenas 38 anos quando foi dado como morto. Vlado se tornou parte das centenas de pessoas que lutaram pela democracia do pa\u00eds. A vers\u00e3o oficial de sua morte foi descrita como um suic\u00eddio por enforcamento, dentro das depend\u00eancias do local, e a foto divulgada pelos militares gerou revolta na sociedade que, mesmo durante o Ato Institucional N\u00famero 5 (AI-5), foi \u00e0s ruas em busca de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Um relato da Congrega\u00e7\u00e3o Israelita Paulistana (CIP) conta que Vladimir Herzog foi enterrado em um caix\u00e3o fechado, para que ningu\u00e9m pudesse ver seu corpo. Entretanto, durante o ritual de limpeza e prepara\u00e7\u00e3o, pr\u00e1tica comum na tradi\u00e7\u00e3o judaica, um dos funcion\u00e1rios percebeu marcas e hematomas no corpo. Ele ent\u00e3o entrou em contato com o rabino Henry Sobel para informar que, em caso de suic\u00eddio, o enterro deveria ocorrer em uma ala espec\u00edfica do cemit\u00e9rio. Ap\u00f3s ouvir o relato, Sobel concluiu que se tratava de um assassinato e determinou que Herzog fosse sepultado em uma ala nobre, com as honras devidas a uma v\u00edtima da viol\u00eancia do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o Instituto Vladimir Herzog continua a espalhar sua voz atrav\u00e9s do pr\u00eamio que leva seu nome, reconhecendo jornalistas que transformam indigna\u00e7\u00e3o em esperan\u00e7a. Estimulando a luta pela democracia, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 trazer para a m\u00eddia temas como direitos humanos, escravid\u00e3o, viol\u00eancia, povos nativos, comunidade LGBTQIAPN+ e tantos outros. Em sua 47\u00b0 edi\u00e7\u00e3o, a premia\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 homenageia o jornalista, mas d\u00e1 coragem para que mais pessoas lutem pelo pa\u00eds em momentos de repress\u00e3o e desesperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto como um articulador da imprensa paulista e uma figura de lideran\u00e7a, ele dedicou suas esperan\u00e7as ao fim da ditadura, e infelizmente n\u00e3o viveu o suficiente para ver a luz no fim do t\u00fanel. Desde crian\u00e7a, foi for\u00e7ado a fugir de regimes autorit\u00e1rios que eram contra a sua exist\u00eancia e, mesmo assim, cresceu na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o e defendeu seus valores at\u00e9 o \u00faltimo suspiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A ditadura tentou silenciar um jornalista, mas acabou dando voz a um pa\u00eds inteiro. Vladimir Herzog ainda vive em cada jornalista que escolhe a verdade, mesmo quando ela d\u00f3i, e nos lembra que o sil\u00eancio imposto \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de viol\u00eancia, e que resistir \u00e9 recusar a normaliza\u00e7\u00e3o do absurdo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esperamos que o mesmo sentimento que mobilizou Vladimir Herzog esteja presente na cobertura do cen\u00e1rio de viol\u00eancia que acompanhamos nesses \u00faltimos dias, principalmente, mas n\u00e3o somente, na cidade do Rio de Janeiro. Aos jornalistas, nossa admira\u00e7\u00e3o, aos familiares e amigos das v\u00edtimas, nosso profundo pesar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>50 anos depois, o Brasil ainda ecoa o grito que nasceu de seu sil\u00eancio, e o Instituto Vladimir Herzog nos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-4548","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4548"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4548\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4550,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4548\/revisions\/4550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}