{"id":4827,"date":"2025-11-27T09:29:01","date_gmt":"2025-11-27T12:29:01","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=4827"},"modified":"2025-11-27T09:29:01","modified_gmt":"2025-11-27T12:29:01","slug":"dia-nacional-das-baianas-de-acaraje-mais-que-um-oficio-uma-raiz-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/11\/27\/dia-nacional-das-baianas-de-acaraje-mais-que-um-oficio-uma-raiz-africana\/","title":{"rendered":"Dia nacional das Baianas de Acaraj\u00e9: mais que um of\u00edcio, uma raiz africana"},"content":{"rendered":"\n<p>A data homenageia a profiss\u00e3o que \u00e9 s\u00edmbolo de sabor, cultura, f\u00e9 e resist\u00eancia no Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Por Rafaela Ferreira Monteiro (Ag\u00eancia Focas &#8211; Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"975\" height=\"733\" data-id=\"4829\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.17.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4829\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.17.jpeg 975w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.17-300x226.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.17-768x577.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 975px) 100vw, 975px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Raimunda montando o acaraj\u00e9 | Foto: Rafaela Ferreira Monteiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"975\" height=\"850\" data-id=\"4828\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.28.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4828\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.28.jpeg 975w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.28-300x262.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-26-at-22.51.28-768x670.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 975px) 100vw, 975px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Luzia entregando o acaraj\u00e9 para um cliente | Foto: Rafaela Ferreira Monteiro<br><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>O Dia Nacional da Baiana de Acaraj\u00e9 \u00e9 comemorado em 25 de novembro. A profiss\u00e3o, regulamentada pelo decreto municipal de Salvador 12.175\/1998, \u00e9 reconhecida por seu valor hist\u00f3rico, gastron\u00f4mico, cultural e religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome do \u201cAcaraj\u00e9\u201d \u00e9 oriundo da l\u00edngua africana Iorub\u00e1, sendo a uni\u00e3o de \u201cakar\u00e1\u201d (bola de fogo) e \u201cj\u00e9\u201d (comer). O bolinho, t\u00edpico da culin\u00e1ria afro-brasileira, consiste em uma massa feita de feij\u00e3o-fradinho, cebola e sal, e frita em azeite de dend\u00ea. \u00c9 classicamente servido com camar\u00e3o, vatap\u00e1, caruru e salada de tomate verde. Foi por meio da venda desse alimento que muitas mulheres, desde o per\u00edodo da escravid\u00e3o no Brasil, conseguiram recursos para bancar a pr\u00f3pria liberdade e o bem-estar de suas fam\u00edlias. A figura t\u00edpica da Baiana de Acaraj\u00e9 se tornou s\u00edmbolo de heran\u00e7a cultural por meio do sabor e da f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>O acaraj\u00e9 \u00e9 originalmente um alimento votivo no contexto das religi\u00f5es afro-brasileiras, ou seja, \u00e9 preparado para ser consumido como preceito religioso, oferecido \u00e0s divindades e tamb\u00e9m \u00e0s pessoas. Reconhecido como parte do Ax\u00e9 do Orix\u00e1 (for\u00e7a vital), ele \u00e9 indispens\u00e1vel para a conserva\u00e7\u00e3o da vida e para renovar e estabelecer o ax\u00e9 no Candombl\u00e9. O bolinho \u00e9 mais notavelmente vinculado ao culto da orix\u00e1 Ians\u00e3, a orix\u00e1 do fogo, trovoadas e tempestades, mas tamb\u00e9m \u00e9 oferecido a outras divindades como Xang\u00f4, Ogum, Oxumar\u00e9, Ob\u00e1 e Ibeji. Al\u00e9m disso, a venda do acaraj\u00e9 pelas &#8220;filhas de santo&#8221; era uma estrat\u00e9gia de manuten\u00e7\u00e3o dos terreiros, usada para custear suas obriga\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a origem do of\u00edcio seja de &#8220;filhas de santo&#8221;, atualmente, o termo &#8220;baiana de acaraj\u00e9&#8221; engloba uma categoria profissional e cultural mais ampla.<\/p>\n\n\n\n<p>Luzia Jesus Cruz \u00e9 uma baiana de acaraj\u00e9 natural de Jequi\u00e9, Bahia. Ela conta que sua av\u00f3, Balbina, era neta de escravizada, e foi quem a ensinou a fazer acaraj\u00e9 aos 10 anos de idade. \u201cEu tomei gosto pelo of\u00edcio, e hoje estou prestes a fazer 45 anos e fa\u00e7o acaraj\u00e9 aqui em Sorocaba h\u00e1 9 anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Luzia trabalha com seu marido Jos\u00e9 Wilson, que cuida da log\u00edstica por tr\u00e1s das vendas. Juntos, eles compram os insumos para a produ\u00e7\u00e3o artesanal do acaraj\u00e9 e organizam seus pontos de venda em feiras e eventos.<\/p>\n\n\n\n<p>Raimunda Santos de Jesus \u00e9 natural de Salvador, Bahia, e tamb\u00e9m trabalha como baiana de acaraj\u00e9 em Sorocaba. O alimento sempre fez parte da hist\u00f3ria de sua vida. \u201cEu come\u00e7o a fazer acaraj\u00e9 com idade de 10 anos, aprendi observando. Minha tia era umbandista e fazia, mas n\u00e3o queria me ensinar. Eu perguntava o que era e ela me dizia \u2018n\u00e3o interessa\u2019, mas eu via que era acaraj\u00e9. Foi com 17 anos que eu voltei a fazer acaraj\u00e9 de novo, para vender\u201d, compartilha.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivendo desse of\u00edcio desde os 17, hoje, aos 65, Raimunda afirma que nunca vai parar de fazer acaraj\u00e9: \u201c\u00e9 pra vida toda. Vou me aposentar da venda um dia, mas o acaraj\u00e9 eu n\u00e3o vou parar. Porque \u00e9 de raiz, eu sou de raiz africana, n\u00e3o tem como deixar de fazer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No estado da Bahia, ocorrem celebra\u00e7\u00f5es anuais da data no Centro Hist\u00f3rico de Salvador, com realiza\u00e7\u00e3o de desfile e missa ou culto religioso dedicado \u00e0s baianas. Raimunda explica que, apesar de n\u00e3o poder comemorar o dia das Baianas de Acaraj\u00e9 com a grandiosidade das festas de Salvador em Sorocaba, \u00e9 uma alegria a \u00e9poca dessa celebra\u00e7\u00e3o coincidir com a do dia da Consci\u00eancia Negra (20 de novembro), permitindo, assim, que ela possa vender e festejar com uma inten\u00e7\u00e3o que considera semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que as baianas trouxeram consigo \u00e9 esclarecida por uma vis\u00e3o trazida por Luzia: \u201co acaraj\u00e9 \u00e9 uma comida que surgiu no Golfo de Benim e ainda foi trazida para o Brasil, ent\u00e3o, as mulheres escravizadas que tinham autoriza\u00e7\u00e3o para mercar foram as primeiras empreendedoras negras do mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O prato \u00e9 o sustento, n\u00e3o s\u00f3 alimentar, mas da fam\u00edlia, da f\u00e9 e da tradi\u00e7\u00e3o para as profissionais. \u201cPra mim, o acaraj\u00e9 \u00e9 minha vida inteira, porque \u00e9 aqui que eu arrumo meu p\u00e3o de cada dia. Eu sou m\u00e3e solo e aqui que me sustento.\u201d, conta Raimunda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO acaraj\u00e9 \u00e9 meu marido, \u00e9 meu pai, \u00e9 o que me d\u00e1 tudo que eu tenho. Com ele eu n\u00e3o consigo mais passar despercebida! As pessoas me veem \u00e0s vezes na rua e dizem \u2018ai, voc\u00ea \u00e9 famosa!\u2019. Eu digo: \u2018N\u00e3o, famoso \u00e9 o acaraj\u00e9\u2019.\u201d, conclui Luzia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Saiba mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para acompanhar o trabalho de Luzia, acesse o perfil no Instagram @acarajedaluzi. J\u00e1 Raimunda pode ser encontrada em seu ponto de venda que fica na Rua Ant\u00f4nio Silva Saladino, no Vit\u00f3ria R\u00e9gia, em Sorocaba, ao lado do mercado Rede Bom Lugar, e pelo WhatsApp 15 99848-5634.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A data homenageia a profiss\u00e3o que \u00e9 s\u00edmbolo de sabor, cultura, f\u00e9 e resist\u00eancia no Brasil Por Rafaela Ferreira Monteiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-4827","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4827"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4830,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4827\/revisions\/4830"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}