{"id":4865,"date":"2025-12-02T09:44:22","date_gmt":"2025-12-02T12:44:22","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=4865"},"modified":"2025-12-02T09:44:22","modified_gmt":"2025-12-02T12:44:22","slug":"para-sempre-a-mesma-casa-nunca-mais-o-mesmo-lar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/12\/02\/para-sempre-a-mesma-casa-nunca-mais-o-mesmo-lar\/","title":{"rendered":"Para sempre a mesma casa, nunca mais o mesmo lar"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Maria Luiza Weiss (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"622\" height=\"348\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-231833.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4866\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-231833.png 622w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-231833-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 622px) 100vw, 622px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Maria Luiza Weiss<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Era uma manh\u00e3 fria de um recente outono, uma quarta-feira de mar\u00e7o que poderia, que deveria ter sido como todas as outras. Mas no ritmo do vento, um cora\u00e7\u00e3o se fez fraco, suas batidas perderam o f\u00f4lego e ele parou, arrancando engasgos. Ao mesmo tempo d\u2019aquele dia 24, a porta de um sobrado acolhedor, fren\u00e9tico e guardi\u00e3o de hist\u00f3rias e cora\u00e7\u00f5es recheados de amor, bem no meio da Vila Cubat\u00e3o, bateu forte, como se sofresse tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos dias depois, 22 de abril mais precisamente, \u00e0 meia-noite de quarta para quinta, a porta n\u00e3o bateu. Ela se fez silenciosa, seu grito era tanto que fora sufocado por todos os outros ao redor, n\u2019aquela mesma madrugada, a luz vermelha de uma sirene manchou todos os muros do bairro. \u201cA senhora pode ir at\u00e9 o hospital?\u201d, o motorista da ambul\u00e2ncia perguntou \u00e0 mulher debru\u00e7ada sobre a janela da casa ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, Maria Carolina Weiss acordou o seu marido tr\u00eamula, j\u00e1 sabendo a resposta e ligou para o seu irm\u00e3o. \u201cVoc\u00eas querem ver o corpo?\u201d, perguntou uma enfermeira em meio a imensid\u00e3o branca que parecia devorar tudo o que eles j\u00e1 conheceram como amor \u201c\u00c9 melhor n\u00e3o ver mesmo, acredite, ela n\u00e3o \u00e9 a mesma que voc\u00eas conheceram\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O sobrado marrom tamb\u00e9m n\u00e3o era. Nunca mais seria. Eduardo Jos\u00e9 Santos e Maria Cl\u00e1udia de Melo Campos Santos morreram no auge da pandemia do Coronav\u00edrus no in\u00edcio de 2021, v\u00edtimas de Covid. O casal se conheceu em 2002 e casaram-se no ano seguinte; quando morreram, seus dois filhos tinham 16 e 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u2019aquela mesma madrugada, os enfermeiros respons\u00e1veis pelo quarto de Maria Cl\u00e1udia, contaram ao seu cunhado e irm\u00e3o que ela implorava \u00e0 eles que a salvassem, pois ela precisava voltar para casa. Seu marido j\u00e1 havia morrido pelo v\u00edrus, e seus filhos esperavam por ela. Todos se sentiram compadecidos, queriam v\u00ea-la sair do hospital. No fim o corpo se foi, mas j\u00e1 sem alma, sua alian\u00e7a se perdeu no caminho e nunca mais fora vista.<\/p>\n\n\n\n<p>O lar que foi palco de in\u00fameros churrascos, de horas intermin\u00e1veis de m\u00fasica ga\u00facha e sertaneja, com a narra\u00e7\u00e3o de um jogo de futebol de fundo, pilhas e pilhas de pap\u00e9is espalhados por toda a sala, in\u00fameros fios que se enroscavam uns nos outros, caixas com rel\u00edquias de Natal; retratos de seus filhos, sobrinhos, irm\u00e3os e pais, as almofadas, as roupas \u2013 tudo. Tudo deixou de existir; como se da noite para o dia, seus objetos tivessem evaporado da Terra, como acontecera com os pr\u00f3prios donos. Nada mais brilhava e tudo que parecia sobrar era o sil\u00eancio ensurdecedor dos c\u00f4modos sem vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPodemos trazer as roupas e os objetos, e da\u00ed os m\u00f3veis a gente deixa l\u00e1\u201d, o garoto mais velho falou para o padrinho, seus olhos vermelhos e a voz embargada fazia o homem mais velho amassar seus punhos no sof\u00e1 antigo da casa da sogra enquanto segredava o solu\u00e7o no mais profundo de sua garganta. \u201cJo\u00e3o, os m\u00f3veis n\u00e3o podem ficar na casa, vai ter que devolver ela, vamos ter que doar ou jogar fora o que n\u00e3o der para ficar aqui na v\u00f3\u201d. \u201cAh \u00e9? Temos que devolver, eu esqueci\u201d, o menino parecia homem, estava resoluto, conformado. Horas antes, abra\u00e7ado \u00e0 av\u00f3 que dava adeus a sua primog\u00eanita \u2013 em pranto entre quatro paredes, sem coragem de ir ao cemit\u00e9rio \u2013, ele exclamava que sabia, sabia que a Maria Cl\u00e1udia n\u00e3o iria deixar o Eduard\u00e3o dela sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um estudo realizado pelo The Lancet \u2013 Regional Health, entre 2020 e 2021, cerca de 284 mil jovens entre zero e 17 anos se tornaram \u00f3rf\u00e3os ou perderam um cuidador por conta de Covid-19. Desses, 70,5% dos \u00f3rf\u00e3os perderam o pai; 29,4%, a m\u00e3e; e 160 crian\u00e7as e adolescentes perderam ambos os pais no Brasil. Jo\u00e3o Vitor e Pedro Augusto de Melo Campos Santos s\u00e3o dois deles.<\/p>\n\n\n\n<p>O lar que antes parecia uma zona alegre e bagun\u00e7ada, organizada de uma forma que s\u00f3 seus moradores sabiam decifrar e conheciam cada canto, hoje est\u00e1 vazio. As paredes da frente, outrora de um marrom escuro e elegante, se tornaram amarelas-mostarda, enquanto suas janelas e portas foram tingidas de um azul-royal que pode ser visto j\u00e1 da esquina. O lado de dentro tamb\u00e9m foi reformado, a sala que antigamente era lotada de estantes e arm\u00e1rios, agora \u00e9 somente um fundo de cimento queimado, lindo e impec\u00e1vel, \u00e0 espera de novos moradores, mas sem o riso dos antigos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"348\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-232807.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4867\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-232807.png 620w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-232807-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Maria Luiza Weiss<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"623\" height=\"348\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-232923.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4868\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-232923.png 623w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-232923-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Maria Luiza Weiss<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais o sof\u00e1 debaixo da grande janela de madeira em que o menino mais novo passava toda a tarde e a noite vigiando os vizinhos. Ah, ele era super conhecido, t\u00e3o conhecido quanto conhecia todos os segredos, amores e tretas da rua. Tudo que resta \u00e9 o piso de porcelanato branco e gelado, t\u00e3o gelado quanto as l\u00e1grimas que ainda escorrem por rostos e peitos desolados. Vagando pela casa, \u00e9 poss\u00edvel sentir calafrios, qui\u00e7\u00e1 seja medo ou saudade \u2013 nunca nenhum da fam\u00edlia foi visit\u00e1-los no campo-santo; \u00e9 de uma dor t\u00e3o insuport\u00e1vel que todos se v\u00eaem apenas por meio de ora\u00e7\u00f5es e fotos.<\/p>\n\n\n\n<p>A cozinha tem portas de vidro agora e o sol de lascar da tarde de domingo invade o c\u00f4modo dourando os azulejos n\u00edveos. O fantasma de uma mesa pequena em frente a primeira porta paira ali, mas n\u00e3o s\u00f3 ele, h\u00e1 uma gargalhada, forte, vivaz, que celebra a vida tamb\u00e9m. Era a antiga dona da casa. Oh, como ela amava sentar-se ali, seu filho mais velho est\u00e1 ao seu lado, h\u00e1 lingui\u00e7a do pai e p\u00e3o da m\u00e3e no prato, j\u00e1 o filho mais novo est\u00e1 na cadeira da frente; ele come arroz, feij\u00e3o e batata-frita \u2013 mais finge do que realmente come. Est\u00e1 chamando o pai que est\u00e1 do lado de fora, h\u00e1 fuma\u00e7a em toda a sua cara e a mesma come\u00e7a a invadir a casa do lado. Ele est\u00e1 dan\u00e7ando, os p\u00e9s trotando no ritmo gauches enquanto assa o churrasco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os risos e sorrisos dos mais velhos se dissipam para todo o sempre, o que fica s\u00e3o os dos dois garotos, mas estes est\u00e3o bem longe daqui, bem longe da casa que foi seu lar por anos, que viu seus pais casarem, que viu cada um dos dois nascerem, crescerem, ca\u00edrem e se levantarem \u2013 e que teve de dar adeus tamb\u00e9m, que teve sua porta esmurrada em um soco de raiva e choque pelo desfecho da vida, seus vidros estilha\u00e7ados como se fossem os pr\u00f3prios pulm\u00f5es parando de funcionar, porque os cora\u00e7\u00f5es que batiam ali, eles mesmo j\u00e1 haviam partido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"347\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-233118.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4869\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-233118.png 620w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-233118-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Maria Luiza Weiss<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Algumas pessoas n\u00e3o perderam s\u00f3 o pai, a m\u00e3e ou mesmo os dois na pandemia. Elas perderam suas identidades, perderam seus lares, seus porto-seguros, <em>perderam tudo<\/em> o que conheciam e consideraram como o seu mundo durante <em>toda <\/em>a sua vida at\u00e9 aquele momento por causa do Coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedagoga Ana Julia Pontes, de 26 anos, tinha somente 20 quando deu adeus \u00e0 sua m\u00e3e e trata at\u00e9 hoje a culpa que carrega por ter sido a primeira a pegar o v\u00edrus na escola em que trabalhava. Para ela, o mais doloroso foi como em fevereiro daquele ano, sua m\u00e3e a chamou na sala e lhe deu um caderno com todas as senhas e informa\u00e7\u00f5es que ela poderia precisar de bancos, entre outros documentos importantes. \u201cSe eu morrer, voc\u00ea tem que cuidar de tudo\u201d, ela dizia, e Ana Julia, chorando, falava que era claro que ela n\u00e3o iria morrer, e deveria parar de falar besteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dias antes de ser entubada devido a sua \u201cansiedade\u201d e sofrer duas paradas cardiorrespirat\u00f3rias, fenecendo ent\u00e3o, dona Maria Jos\u00e9 brincou com a filha, \u201cQuando eu sair daqui, preciso pintar o cabelo\u201d. Ana conta que ela era assim: de bem com a vida. Vivia de salto alto e era chamada de \u2018toc-toc\u2019 pelo som que retumbava de seus sapatos ao andar; s\u00f3 vestia roupas coloridas e estampadas, sempre disposta a ajudar. Pintava seu cabelo constantemente d\u2019um ruivo-raposa.<\/p>\n\n\n\n<p> \u201cN\u00f3s nunca entramos na sala\u201d, afirma a pedagoga enxugando a bochecha, sua voz est\u00e1 abafada pelas l\u00e1grimas quentes, mas ela se mant\u00e9m firme. N\u00e3o quer parar de falar, segundo ela, as duas faziam tudo juntas, ela s\u00f3 quer poder falar de sua m\u00e3e \u2013 pois \u00e9 como se ela ainda estivesse presente.<\/p>\n\n\n\n<p>O antigo lar da fam\u00edlia era dividido em duas casas, a de Maria Jos\u00e9, onde vivia com os dois filhos e o marido, e a da av\u00f3 de Ana. Ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, o pai entrou em uma depress\u00e3o, e os filhos tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiam mais ficar t\u00e3o frequentemente em casa, assim, naturalmente, todos come\u00e7aram a morar com a vov\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o antigo lar \u00e9 visitado e at\u00e9 mesmo usado, no entanto, na sala de estar, mencionada por Ana Julia, ningu\u00e9m entra. A m\u00e3e, que era artista e artes\u00e3, fazia colares e seu marido, que sempre a incentivou, construiu bem no canto do c\u00f4modo uma mesa com um busto de manequim para ela usar na hora das suas fabrica\u00e7\u00f5es. \u201cAquele era o canto dela. Ainda est\u00e1 l\u00e1, colocado no busto, o colar que ela estava fazendo antes de falecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 agora, quatro anos depois, a fam\u00edlia Pontes reuniu for\u00e7a para come\u00e7ar a olhar os pertences de Maria Jos\u00e9 e separar alguns para doa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o colar\u2026 Permanece vivendo l\u00e1, sem corpo; tal como a fam\u00edlia mora na casa da av\u00f3, logo ali ao lado, sem esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>A assistente social, Paola Falceta, movida pela dor e revolta da morte da m\u00e3e tamb\u00e9m em 2021 pela doen\u00e7a provocada pelo coronav\u00edrus no Brasil, fundou a Associa\u00e7\u00e3o de V\u00edtimas e Familiares de V\u00edtimas de Covid-19 (Avico), com o objetivo de buscar justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o. Falceta defende especialmente os jovens que muitas vezes j\u00e1 vinham de fam\u00edlias de baixa-renda, ou que ap\u00f3s a morte dos pais, n\u00e3o tiveram o suporte financeiro e emocional necess\u00e1rio. Em uma entrevista para a Ag\u00eancia Brasil em outubro deste ano, a vice-presidente da Avico ressaltou, ainda, que crian\u00e7a n\u00e3o pode falar publicamente, n\u00e3o d\u00e1 entrevista e n\u00e3o reivindica por si pr\u00f3pria, sofrendo uma invisibilidade chocante.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, est\u00e1 em tr\u00e2mite no Senado um projeto de lei que cria um fundo e um programa de amparo para os \u00f3rf\u00e3os da pandemia. A Avico espera agora por uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em Bras\u00edlia, que solicita indeniza\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias das v\u00edtimas. Aberta em 2021, a a\u00e7\u00e3o pede que cada fam\u00edlia seja indenizada em, pelo menos, R$ 100 mil, e que as fam\u00edlias de sobreviventes com sequelas graves ou persistentes recebam R$ 50 mil. Paola acredita na vit\u00f3ria, embora ainda n\u00e3o saiba quando ela vir\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"616\" height=\"349\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-233250.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4870\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-233250.png 616w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-01-233250-300x170.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Maria Luiza Weiss<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, fica a lembran\u00e7a do que foram esp\u00edritos cheios de hist\u00f3rias, de paix\u00e3o, de entusiasmo, de gratid\u00e3o, de ang\u00fastias, dores, tristezas, raivas, amores e os la\u00e7os que eles fizeram, os muros que constru\u00edram e as plantas que regaram. Quartos, salas e escrit\u00f3rios foram desmontados, mas n\u00e3o s\u00f3 eles. Algumas moradas inteiras tiveram seus m\u00f3veis, sonhos, alegrias, tristezas e vidas retiradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Andando por aquela casa, n\u00e3o o lar, o sobrado apenas \u2013 o esqueleto dele \u2013, n\u00e3o havia pranto n\u2019aqueles c\u00f4modos, s\u00f3 o vazio, a saudade e uma agonia, uma melancolia que s\u00f3 faz apertar com o tempo e n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio, ela \u00e9 cr\u00f4nica; n\u00e3o tem o que todas as fam\u00edlias que se despediram de caix\u00f5es fechados fa\u00e7am, \u00e9 uma enfermidade-furiosa, uma mazela que n\u00e3o ir\u00e1 passar, n\u00e3o h\u00e1 cura. A vida deles se foi igual aqueles objetos todos que foram valorizados e admirados durante toda a vida de cada um de seus propriet\u00e1rios, e s\u00f3 o que resta \u00e9 a lembran\u00e7a de como as paredes riam, o teto chorava e o ch\u00e3o dan\u00e7ava sob eles; muitas vezes sem haver sequer coragem para sussurrar o nome Maria Cl\u00e1udia e Eduardo Jos\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Luiza Weiss (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso) Era uma manh\u00e3 fria de um recente outono, uma quarta-feira de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-4865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4865"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4865\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4875,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4865\/revisions\/4875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}