{"id":4917,"date":"2025-12-09T09:52:34","date_gmt":"2025-12-09T12:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=4917"},"modified":"2025-12-09T09:52:34","modified_gmt":"2025-12-09T12:52:34","slug":"a-ascensao-das-bets-como-lidar-com-consequencias-inevitaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/12\/09\/a-ascensao-das-bets-como-lidar-com-consequencias-inevitaveis\/","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o das bets: como lidar com consequ\u00eancias inevit\u00e1veis?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Especialistas trazem um dado assustador: mais de 3 bilh\u00f5es do bolsa fam\u00edlia v\u00e3o parar em casas de aposta<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Giovanni Guimar\u00e3es Brigato (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um escape do t\u00e9dio, do servi\u00e7o. D\u00e1 aquela adrenalina, um frio na barriga gostoso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira vez que Juliano Lopes, revisor de f\u00e1brica de 22 anos, apostou foi em 2019, na conta do pr\u00f3prio irm\u00e3o, j\u00e1 que ainda era menor de idade. No come\u00e7o, jogava apenas alguns centavos, o que tornava as partidas mais interessantes de acompanhar e dar palpites \u2014 ainda mais para algu\u00e9m que sempre gostou de esportes, como t\u00eanis e futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos melhores momentos, segundo Lopes, foi quando ele j\u00e1 apostava h\u00e1 mais de um ano e ganhou seus primeiros mil reais jogando apenas cem, em dez jogos de t\u00eanis. O revisor conseguiu obter um lucro muito bom, e isso fez com que, a partir dali, apostasse valores mais altos do que estava acostumado. \u201cChegou um momento em que ganhar mil reais, para mim, era como n\u00e3o ganhar nada\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAnsiedade e nervosismo\u201d s\u00e3o os sentimentos que Lopes descreve a partir do momento em que aposta um valor considerado alto por ele mesmo. Mas qual seria esse valor? Hoje em dia, acima de 500 reais. Como uma pessoa que come\u00e7ou apostando centavos, atualmente n\u00e3o se importa em colocar tanto dinheiro em jogo? A resposta, segundo a psicologia, \u00e9 que, como toda droga, para continuar sentindo prazer, a dose deve ser aumentada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser perguntado como se sente quando ganha um dinheiro consider\u00e1vel, Lopes diz que \u00e9 um al\u00edvio por n\u00e3o ter perdido e poder continuar apostando, afinal, \u00e9 um passatempo. Ele recebe um sal\u00e1rio de cerca de R$ 1.800,00 e coloca quase tudo no jogo. \u201cA maioria dos meus amigos come\u00e7ou a apostar por minha causa, porque viu o quanto de dinheiro eu ganhava. Alguns se deram bem, outros pararam. Eles me apoiam porque acreditam que um dia eu vou recuperar o que j\u00e1 perdi\u201d, afirma o revisor.<\/p>\n\n\n\n<p>Lopes diz que o sentimento de perder um valor consider\u00e1vel varia de acordo com as contas que tem para pagar. Por exemplo, quando perdeu R$ 60.000 em apenas seis horas, s\u00f3 foi sentir uma esp\u00e9cie de ang\u00fastia dois dias depois \u2014 mas n\u00e3o pelo dinheiro perdido, e sim pela vontade de continuar apostando.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, com as contas chegando todos os meses, j\u00e1 passou dificuldades e at\u00e9 pegou dinheiro emprestado com agiotas. \u201cO pior momento foi quando eu fiquei devendo para um agiota que era tranquilo, j\u00e1 havia pegado dinheiro outras vezes com ele antes. Mas, quando recebi meu sal\u00e1rio, em vez de pag\u00e1-lo, apostei tudo e perdi. A\u00ed tive que pedir ajuda para amigos, falar a verdade para a fam\u00edlia, reconhecer que estava errado. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia\u201d, descreve.<\/p>\n\n\n\n<p>Lopes avalia a publicidade de casas de apostas como \u201ccorrosiva\u201d e \u201cdesnecess\u00e1ria\u201d. Afinal, os apostadores j\u00e1 sabem onde ir para jogar. Ele diz que ela s\u00f3 serve para gerar mais dinheiro e novos jogadores, que podem se tornar viciados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"375\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222237.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4918\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222237.png 600w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222237-300x188.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As bets est\u00e3o substituindo os antigos cassinos. Dados recentes indicam que o setor expandiu em torno de 734% desde 2021, revelando o interesse crescente dos brasileiros por apostas online | Reprodu\u00e7\u00e3o: Pexels<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando o lazer vira depend\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O v\u00edcio em apostas se encaixa mais na quest\u00e3o comportamental. \u00c9 t\u00e3o prejudicial quanto a depend\u00eancia qu\u00edmica. Existem pessoas que j\u00e1 s\u00e3o inclinadas ao v\u00edcio, perderam tudo, venderam seus pertences, pertences de parentes, tiraram a pr\u00f3pria vida, pegaram dinheiro emprestado com agiotas para continuar apostando, sempre com aquele pensamento de \u201cagora vai, agora vou conseguir\u201d. O algoritmo dos jogos \u00e9 feito para manter a pessoa nessa esperan\u00e7a de ganhar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO algoritmo \u00e9 pensado para prender o jogador, refor\u00e7ando a ideia de que a vit\u00f3ria pode estar na pr\u00f3xima tentativa\u201d, afirma Pedro Marcos Bacaro, 23 anos, estudante de Psicologia.<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil mais vulner\u00e1vel ao v\u00edcio em apostas costuma ser de jovens e pessoas de baixa renda. No caso dos jovens, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 biol\u00f3gica: o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal \u2014 regi\u00e3o do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pela racionaliza\u00e7\u00e3o, pelo controle dos impulsos e pela avalia\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias \u2014 ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente formado. \u00c9 ele que nos faz pensar duas vezes diante de uma obriga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o queremos cumprir ou, ao contr\u00e1rio, quando sabemos que dever\u00edamos parar com um h\u00e1bito prejudicial, mas insistimos em continuar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando somos jovens adultos, tendemos a nos preocupar demasiadamente com a opini\u00e3o do nosso ciclo. Muitas vezes, os outros est\u00e3o jogando e, por um sentimento de pertencimento \u2014 algo que o jovem procura muito \u2014 a pessoa acaba sendo influenciada\u201d, explica Bacaro.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a pessoa de renda baixa inicia com a esperan\u00e7a de ganhar mais dinheiro e mudar de vida, partindo do pressuposto de que n\u00e3o tem muito a perder.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>O c\u00e9rebro em conflito<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Por que tantas pessoas sabem que devem parar, mas n\u00e3o conseguem? A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 no funcionamento do c\u00e9rebro. A regi\u00e3o respons\u00e1vel por avaliar consequ\u00eancias \u00e9 o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal \u2014 ele reconhece que algo precisa ser feito. J\u00e1 o estriado, localizado em uma \u00e1rea mais interna, \u00e9 quem automatiza os comportamentos. Ou seja, enquanto uma parte do c\u00e9rebro \u201csabe\u201d que \u00e9 hora de parar, outra continua a impulsionar a a\u00e7\u00e3o, criando o conflito t\u00edpico da compuls\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"714\" height=\"423\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222406.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4919\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222406.png 714w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222406-300x178.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cDo ponto de vista neurol\u00f3gico, h\u00e1bitos e v\u00edcios s\u00e3o a mesma coisa: um comportamento automatizado. Nosso c\u00e9rebro \u00e9 programado para repetir padr\u00f5es que tragam algum tipo de recompensa\u201d, comenta o estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>Neurologicamente falando, h\u00e1bitos e v\u00edcios s\u00e3o a mesma coisa: um comportamento automatizado, algo que nosso c\u00e9rebro faz o tempo todo. Nosso c\u00e9rebro \u00e9 muito caro energeticamente \u2014 imagine se voc\u00ea tivesse que pensar para fazer tudo? Escovar os dentes, dirigir, comer, s\u00e3o coisas que fazemos praticamente no autom\u00e1tico, sem precisar refletir muito.<\/p>\n\n\n\n<p>O nosso c\u00e9rebro est\u00e1 o tempo todo calculando o quanto de esfor\u00e7o teremos que fazer e o qu\u00e3o recompensador isso vai ser. Ele interpreta est\u00edmulos, mas n\u00e3o entende que algo \u00e9 bom ou ruim do ponto de vista moral. Ele busca dopamina, serotonina e oxitocina, horm\u00f4nios ligados ao relaxamento, \u00e0 felicidade e \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que \u00e9 mais f\u00e1cil: cozinhar ou pedir comida pelo aplicativo? O que \u00e9 mais envolvente: ver um filme ou passar horas no Instagram? Nosso c\u00e9rebro sempre vai escolher o que traz recompensa imediata\u201d, destaca Bacaro.<\/p>\n\n\n\n<p>O refor\u00e7o intermitente \u00e9 um princ\u00edpio da psicologia comportamental, criado por B.F. Skinner, que descreve um esquema de recompensa em que o refor\u00e7o ocorre apenas algumas vezes ap\u00f3s um comportamento, e n\u00e3o em todas as suas ocorr\u00eancias, como no refor\u00e7o cont\u00ednuo. Esse padr\u00e3o de recompensa imprevis\u00edvel \u00e9 extremamente poderoso, aumentando a persist\u00eancia e a frequ\u00eancia de um comportamento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>Caminhos de tratamento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>As abordagens s\u00e3o TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) e An\u00e1lise do Comportamento, atrav\u00e9s do manejo de conting\u00eancias. H\u00e1 uma remiss\u00e3o de sintomas, como acontece com uma pessoa com depress\u00e3o: com tratamento, a tend\u00eancia \u00e9 que sejam menos recorrentes. \u00c9 dif\u00edcil definir quando a pessoa est\u00e1 curada, afinal, ela pode ter reca\u00eddas. Mas sim, existe chance de parar, assim como em todos os tipos de v\u00edcio. O indiv\u00edduo vai tendo mudan\u00e7as na forma de se comportar, pensar, no ambiente e no conv\u00edvio social. E, em caso de reca\u00edda, existe toda uma preven\u00e7\u00e3o elaborada na cl\u00ednica para esses casos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tratamento n\u00e3o \u00e9 sobre uma cura milagrosa, mas sobre um processo de mudan\u00e7a gradual. Mesmo com reca\u00eddas, h\u00e1 estrat\u00e9gias para lidar com elas\u201d, afirma o estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel da fam\u00edlia \u00e9 fundamental. O SUS n\u00e3o est\u00e1 preparado e acaba aceitando, muitas vezes, tratamentos que n\u00e3o t\u00eam efic\u00e1cia comprovada, o que \u00e9 um problema grave no Brasil \u2014 como pr\u00e1ticas pseudocient\u00edficas, por exemplo, a aromaterapia.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento das casas de aposta intensificou muito a busca por tratamento. Percebe-se que \u00e9 algo bem predat\u00f3rio, atrav\u00e9s de propagandas na internet e influenciadores digitais, com os quais as pessoas criam afinidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>Por que \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil viciar?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Tanto para iniciar um h\u00e1bito quanto para parar com ele, \u00e9 preciso tornar isso mais f\u00e1cil ou mais dif\u00edcil. Por exemplo: se eu quero beber mais \u00e1gua, andar com uma garrafinha n\u00e3o mudar\u00e1 a rotina da noite para o dia, mas a probabilidade de tomar mais \u00e1gua vai aumentar, e, aos poucos, o comportamento se automatiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou, se eu quero parar de comer doce, devo diminuir a probabilidade. Se h\u00e1 uma tigela de doces na sua casa, voc\u00ea deve tir\u00e1-la. Mesmo podendo comprar em qualquer lugar, o esfor\u00e7o ser\u00e1 maior, o que aumenta a probabilidade de parar com o h\u00e1bito.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s fazemos esse manejo de conting\u00eancias, alterando o ambiente do indiv\u00edduo, dificultando ao m\u00e1ximo aquilo que precisa ser evitado e facilitando aquilo que precisa ser estimulado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso \u00e9 t\u00e3o simples viciar em apostas online: basta fazer um Pix e come\u00e7ar. \u00c9 muito mais f\u00e1cil do que se expor para conseguir drogas, por exemplo\u201d, compara Bacaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem tr\u00eas coisas que influenciam nosso comportamento: filog\u00eanese (nossa gen\u00e9tica), ontog\u00eanese (nossa hist\u00f3ria de vida) e cultura (nosso meio social, fam\u00edlia, amigos). Com base nisso e no nosso cotidiano, essas tr\u00eas for\u00e7as se misturam e se desdobram em in\u00fameros casos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil j\u00e1 foi refer\u00eancia mundial em campanhas antitabagismo, e especialistas acreditam que medidas semelhantes podem inspirar a regula\u00e7\u00e3o do mercado de apostas esportivas. A restri\u00e7\u00e3o de propagandas e a exig\u00eancia de alertas sobre riscos seriam os primeiros passos para conter o avan\u00e7o do v\u00edcio em jogos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDentro das plataformas deveriam existir evid\u00eancias claras sobre os riscos das apostas\u201d, defende Felipe Massaharu, 21 anos, L\u00edder de Atendimento no Instituto do Bem Estar Sorocaba e Estagi\u00e1rio Eurekka.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da esperan\u00e7a em mudan\u00e7as, Felipe v\u00ea o cen\u00e1rio com pessimismo. \u201cGostaria de pensar que o que estamos vivendo \u00e9 tempor\u00e1rio, mas quando olhamos para o mercado e para o mundo, vemos o oposto. Gosto muito de futebol, acompanho os campeonatos, e apenas dois times n\u00e3o t\u00eam patroc\u00ednio de casas de apostas. \u00c9 um imp\u00e9rio t\u00e3o grande que n\u00e3o sei se mudar\u00e1 t\u00e3o r\u00e1pido. Mesmo que seja tempor\u00e1rio, aparentemente vai demorar muito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O atendimento psicol\u00f3gico, segundo ele, \u00e9 um caminho essencial. \u201cQuando a pessoa passa no psic\u00f3logo, encontra um ambiente acolhedor e sigiloso, algo que talvez n\u00e3o tenha em um postinho ou at\u00e9 mesmo em uma consulta com psiquiatra. A partir do psic\u00f3logo, em alguns casos, h\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o medicamentosa, passando ent\u00e3o pelo psiquiatra.\u201d Os medicamentos mais usados nesses casos, explica, s\u00e3o antidepressivos (para ansiedade) e estabilizadores de humor (para controlar impulsos).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do tratamento cl\u00ednico, grupos de apoio como o <strong>Jogadores An\u00f4nimos (J.A.)<\/strong> tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais. \u201cA pessoa deve buscar todo tipo de ajuda poss\u00edvel\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe lembra ainda que existem crit\u00e9rios espec\u00edficos para o diagn\u00f3stico de ludopatia, entre eles o valor das apostas realizadas. Ele destaca um dado alarmante: \u201cCerca de 3 bilh\u00f5es do Bolsa Fam\u00edlia foram destinados para casas de apostas. Isso mostra o quanto esse mercado est\u00e1 explorando pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u00c9 um jogo feito para explorar os pobres. Chamar isso de divers\u00e3o, para mim, \u00e9 um problema.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com depend\u00eancia qu\u00edmica \u00e9 inevit\u00e1vel. \u201c\u00c9 sim compar\u00e1vel, mas de forma indireta. N\u00e3o h\u00e1 consumo de subst\u00e2ncia qu\u00edmica, mas no c\u00e9rebro existe uma rea\u00e7\u00e3o extremamente viciante: a libera\u00e7\u00e3o da dopamina. Envolve risco e expectativa de ganho. Se eu acreditar que apostar cem vai me dar uma recompensa maior do que apostar dez, eu vou apostar cem, porque fui convencido disso. Uma vez eu ganhei, mesmo que tenha sido h\u00e1 muito tempo, e isso alimenta a busca pela recupera\u00e7\u00e3o desse ganho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O ambiente social tamb\u00e9m pode agravar o problema. \u201cAcredito que o comportamento dos amigos de Lopes \u00e9 nocivo. Eles s\u00e3o o ponto fora da curva, a exce\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 s\u00f3 mais um entre v\u00e1rios. A partir do momento em que reconhece que est\u00e1 em vulnerabilidade e os amigos incentivam a continuar\u2026 eles poderiam ter perdido tudo tamb\u00e9m. No fundo, sabemos que os amigos s\u00f3 querem ajudar de alguma forma. Mas a linha entre ajudar e atrapalhar \u00e9 muito t\u00eanue.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222601.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4920\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222601.png 600w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Captura-de-tela-2025-12-08-222601-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Levantamento do Datafolha revela que 15% dos brasileiros dizem apostar ou j\u00e1 ter feito apostas esportivas on-line, nas chamadas bets | Reprodu\u00e7\u00e3o: Jovem Pan<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para ele, o apoio da rede mais pr\u00f3xima \u00e9 decisivo. \u201cA fam\u00edlia e os amigos devem apoiar o apostador, mas ao mesmo tempo condenar a aposta. Precisam ser acolhedores, mas firmes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Link do grupo de apoio: <a href=\"https:\/\/jogadoresanonimos.com.br\/\">https:\/\/jogadoresanonimos.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas trazem um dado assustador: mais de 3 bilh\u00f5es do bolsa fam\u00edlia v\u00e3o parar em casas de aposta Giovanni Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-4917","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4917"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4921,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4917\/revisions\/4921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}