{"id":4954,"date":"2025-12-12T09:02:52","date_gmt":"2025-12-12T12:02:52","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=4954"},"modified":"2025-12-12T09:02:52","modified_gmt":"2025-12-12T12:02:52","slug":"os-desafios-e-chances-do-jornalismo-serio-no-formato-916","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2025\/12\/12\/os-desafios-e-chances-do-jornalismo-serio-no-formato-916\/","title":{"rendered":"Os desafios e chances do jornalismo s\u00e9rio no formato 9:16"},"content":{"rendered":"\n<p> <em>O jornalismo enfrenta o desafio de se adaptar ao formato vertical, em que tr\u00eas segundos definem se o conte\u00fado vai sobreviver \u00e0 velocidade das redes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Clara Abrami (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 parou para pensar em como as not\u00edcias se adaptam ao formato vertical? Sim, estamos falando do feed do TikTok, dos Reels no Instagram e dos Shorts no YouTube.<\/p>\n\n\n\n<p>De primeira, pode parecer que jornalismo s\u00e9rio e v\u00eddeos de um minuto com m\u00fasica e cortes r\u00e1pidos jamais existiriam no mesmo mundo. Mas a realidade mudou, na verdade, foi for\u00e7ada a mudar. Para o jornalismo, estar ativamente presente em plataformas digitais deixou de ser uma simples escolha e passou a ser quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia e de responsabilidade j\u00e1 que hoje o p\u00fablico est\u00e1 no <strong>\u201cscroll infinito\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas plataformas digitais, os<strong> primeiros tr\u00eas segundos<\/strong> de um v\u00eddeo s\u00e3o decisivos. Nesse curto intervalo, o espectador decide se vai <strong>continuar assistindo<\/strong> ou <strong>deslizar para o pr\u00f3ximo conte\u00fado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O algoritmo privilegia v\u00eddeos que ret\u00eam a aten\u00e7\u00e3o logo de in\u00edcio, impulsionando o alcance e a visibilidade. Por isso, a forma em que contamos as not\u00edcias teve que se reinventar, <strong>sem perder a precis\u00e3o nem a credibilidade<\/strong>. Em um ambiente extremamente carregado de est\u00edmulos e ru\u00eddos, manter a aten\u00e7\u00e3o do<em> user<\/em> nos primeiros segundos \u00e9 um desafio gigantesco.<\/p>\n\n\n\n<p>O jornalismo tradicional opera na ordem de contexto. O jornalista tem espa\u00e7o e tempo para construir um racioc\u00ednio, apresentar fontes e explorar e aprofundar as peculiaridades. J\u00e1 as plataformas verticais funcionam sob a l\u00f3gica da reten\u00e7\u00e3o, ou seja, manter o espectador assistindo pelo maior tempo poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa disputa pela aten\u00e7\u00e3o \u00e9 confirmada por quem vive imerso na tecnologia, como Juan Rech, desenvolvedor de 19 anos. O jovem de Caxias do Sul (RS) confirma que a toler\u00e2ncia \u00e9 baixa. <strong>&#8220;Quando vejo uma not\u00edcia dependendo do interesse busco mais informa\u00e7\u00f5es, mas caso n\u00e3o me prenda, independente do assunto que seja, n\u00e3o termino o v\u00eddeo de 60 segundos&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, o gancho inicial \u00e9 o fator decisivo: <strong>&#8220;O que mais prende minha aten\u00e7\u00e3o para uma not\u00edcia \u00e9 a forma como \u00e9 abordada o in\u00edcio dela, se for algo muito catastr\u00f3fico ou inovador&#8221;<\/strong>. A adapta\u00e7\u00e3o da linguagem tamb\u00e9m se mostra essencial para gerar confian\u00e7a: <strong>&#8220;Geralmente, busco esse tipo de not\u00edcia em criadores de conte\u00fado nos quais confio. Gosto da forma como eles abordam os temas, muitas vezes com uma linguagem mais informal e trazendo sua pr\u00f3pria opini\u00e3o junto.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Artur Vergennes, chefe da unidade da TVTEM em Itapetininga, explicou que os links e notas apresentadas nos telejornais, produzidos de forma r\u00e1pida e conectados a mat\u00e9rias mais aprofundadas, funcionam n\u00e3o apenas como uma forma de informar, mas tamb\u00e9m como um recurso para estimular o p\u00fablico a buscar a reportagem completa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa TV, otimizamos o tempo, usando a manchete e o lead para captar a audi\u00eancia e faz\u00ea-la clicar na not\u00edcia.\u201d afirma Artur.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>Assim, surge a <strong>quest\u00e3o central<\/strong>: como explicar uma decis\u00e3o <strong>complexa<\/strong> de pol\u00edtica econ\u00f4mica ou o impacto de uma nova lei <strong>antes que o usu\u00e1rio deslize para o pr\u00f3ximo v\u00eddeo<\/strong> de entretenimento?<\/h4>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a t\u00e9cnica jornal\u00edstica precisa se adaptar sem perder sua base. O jornalismo s\u00e9rio se diferencia do <strong>infotenimento<\/strong> ou da simples <strong>opini\u00e3o<\/strong> porque mant\u00e9m seus pilares<strong> \u00e9ticos e metodol\u00f3gicos<\/strong>, ainda que em um formato mais r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00eddeo curto n\u00e3o deve ser encarado como um \u201cresumo\u201d da mat\u00e9ria completa, mas como uma <strong>segmenta\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica<\/strong>. O papel do jornalista \u00e9 escolher uma informa\u00e7\u00e3o essencial, verific\u00e1-la com <strong>rigor<\/strong> e apresent\u00e1-la de forma <strong>direta e compreens\u00edvel <\/strong>ao p\u00fablico que se destina. O contexto mais aprofundado pode ser oferecido na legenda, em um link complementar ou em uma segunda parte do conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso da m\u00eddia tradicional, usamos esses formatos mais r\u00e1pidos como um chamariz para a mat\u00e9ria principal, encaminhando o telespectador para o G1, por exemplo\u201d, acrescenta Vergennes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apura\u00e7\u00e3o e Fake News<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"299\" height=\"375\" src=\"blob:https:\/\/focas.uniso.br\/23ce7e5b-225d-4c8c-88a2-f19d0defe9f8\"><strong><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto essencial \u00e9 o papel da apura\u00e7\u00e3o como freio do imediatismo e consumo desenfreado. Nas redes sociais, boatos e fake news se espalham em <strong>alt\u00edssima velocidade<\/strong>, enquanto o jornalismo trabalha com <strong>etapas fundamentais<\/strong>: checar a origem, confirmar a veracidade das fontes, ouvir todos os lados envolvidos, pedir notas, buscar imagens etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem, por sua vez, tamb\u00e9m precisa ser repensada. O maior desafio \u00e9 usar os recursos das plataformas (como textos na tela, cortes r\u00e1pidos, ganchos visuais, memes e linguagem jovial) <strong>sem perder a credibilidade<\/strong>. O jornalista pode se apropriar de tend\u00eancias visuais ou sonoras, mas o conte\u00fado central <strong>PRECISA<\/strong> permanecer <strong>fiel aos fatos<\/strong>. A credibilidade \u00e9 o ativo principal; o formato \u00e9 apenas o ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>Ganhos e perdas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O principal ganho \u00e9 a possibilidade de \u201cfurar a bolha\u201d e levar informa\u00e7\u00e3o de qualidade para p\u00fablicos que dificilmente consumiriam jornalismo por meios tradicionais. \u00c9 ocupar o mesmo territ\u00f3rio onde a desinforma\u00e7\u00e3o circula para combat\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>O risco, por outro lado, est\u00e1 em simplificar (at\u00e9 demais) o conte\u00fado: ao buscar ser r\u00e1pido e impactante, corre-se o perigo de transformar temas complexos em explica\u00e7\u00f5es superficiais, empobrecendo a compreens\u00e3o do fato.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, o jornalismo s\u00e9rio nas plataformas verticais \u00e9 um exerc\u00edcio constante de equil\u00edbrio. Trata-se de traduzir realidades complexas para a linguagem que circula na <em>net<\/em>, sem abrir m\u00e3o da precis\u00e3o, da responsabilidade e da \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata de fazer dancinhas ou sensacionalizar para dar a not\u00edcia e capturar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, mas de compreender que o jornalismo digital \u00e9 o novo espa\u00e7o p\u00fablico da informa\u00e7\u00e3o: onde, se os profissionais s\u00e9rios n\u00e3o estiverem presentes, quem ocupar\u00e1 esse espa\u00e7o ser\u00e1 a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>Gloss\u00e1rio:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Infotenimento<\/strong>: termo usado para descrever conte\u00fados que misturam not\u00edcia e divers\u00e3o, onde o foco \u00e9 o engajamento e n\u00e3o a veracidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segmenta\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica<\/strong>: t\u00e9cnica que consiste em recortar uma mensagem em partes menores e mais espec\u00edficas, adequadas a p\u00fablicos ou formatos diferentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalismo enfrenta o desafio de se adaptar ao formato vertical, em que tr\u00eas segundos definem se o conte\u00fado vai<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,9,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-4954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4954"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4954\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4955,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4954\/revisions\/4955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}