{"id":5019,"date":"2026-02-09T14:38:21","date_gmt":"2026-02-09T17:38:21","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5019"},"modified":"2026-02-09T14:38:21","modified_gmt":"2026-02-09T17:38:21","slug":"hallyu-a-coreia-deixou-de-ser-tao-distante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/02\/09\/hallyu-a-coreia-deixou-de-ser-tao-distante\/","title":{"rendered":"Hallyu: a Coreia deixou de ser t\u00e3o distante"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Cultura pop sul-coreana conquistou o Brasil com m\u00fasica, s\u00e9ries, moda e culin\u00e1ria<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Thayana De Almeida (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<p>Paredes brancas e apenas uma lil\u00e1s, duas camas de solteiro e um notebook em cima da minha colcha, provavelmente da mesma cor daquela parede onde as camas ficavam encostadas. Tenho quase certeza de que foi assim que conheci o K-pop, foi assim que ouvi pela primeira vez \u201cFantastic Baby\u201d ou vi o primeiro moletom de donuts \u2013 refer\u00eancias. Naquele tempo, em 2016, era um pouco mais dif\u00edcil encontrar conte\u00fado sobre K-pop e a cultura sul-coreana. Lembro que, naquela \u00e9poca, era dif\u00edcil entender os nomes dos <em>idols<\/em>, us\u00e1vamos <em>fansubs<\/em> para acompanhar os v\u00eddeos legendados, e os fanpages no Facebook eram uma das poucas fontes confi\u00e1veis de informa\u00e7\u00e3o. Era como fazer parte de um clube secreto \u2013 quem sabia, sabia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"596\" height=\"447\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142120.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5020\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142120.png 596w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142120-300x225.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Ilustra\u00e7\u00e3o feito por Fernanda Helena De Campos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"481\" height=\"440\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142231.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5021\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142231.png 481w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142231-300x274.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 481px) 100vw, 481px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Foto autoral \u2013 Thayana De Almeida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Atualmente, todos j\u00e1 fomos expostos a algo dessa cultura, desde m\u00fasicas at\u00e9 desenhos. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar do filme \u201cGuerreiras do K-pop\u201d, que virou febre recentemente, ainda mais com a m\u00fasica \u201cGolden\u201d que viralizou nas redes sociais. O famoso grupo de K-pop BTS (Bangtan Boys) \u00e9 respons\u00e1vel pelo \u201cpave the way\u201d, pois tamb\u00e9m foi fundamental para disseminar e pavimentar o K-pop e a cultura sul-coreana pelo mundo. At\u00e9 quem nunca ouviu o g\u00eanero sabe quem eles s\u00e3o ou j\u00e1 ouviu alguma coisa relacionada. Essa express\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 usada porque reconhece que o grupo quebrou barreiras ao bater recordes, fazer colabora\u00e7\u00f5es com artistas ocidentais, fazer discursos na ONU e esgotar turn\u00eas e vendas de \u00e1lbuns, tornando-se refer\u00eancia para outros artistas de K-pop (ou n\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"321\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142440.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5022\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142440.png 570w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142440-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fontes: G1, Jornal da USP, Correio 24h, Jornal O Casar\u00e3o \u2013 UFF<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 comum ver jovens usando camisetas com nomes de grupos coreanos, dan\u00e7ando em pra\u00e7as p\u00fablicas ou at\u00e9 falando palavras em coreano no dia a dia. O que antes parecia distante, hoje faz parte do vocabul\u00e1rio e da rotina de muitos adolescentes e adultos brasileiros. O fen\u00f4meno \u201cOnda Coreana\u201d \u00e9 a massiva exporta\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o global da cultura sul-coreana, especialmente a partir da d\u00e9cada de 1990, abrangendo K-pop, K-dramas (novelas), filmes, beleza e culin\u00e1ria. No entanto, o sucesso esperado s\u00f3 foi alcan\u00e7ado em 2019, ap\u00f3s o filme \u201cParasita\u201d ser lan\u00e7ado e ganhar o Oscar em 2020, alcan\u00e7ando um p\u00fablico muito maior. Em 2022, houve mais uma repercuss\u00e3o com o \u201cRound 6\u201d, foi sucesso absoluto, at\u00e9 o p\u00fablico que tinha certo preconceito com as dramaturgias coreanas cedeu e passou a assistir.<br><br>Acesse o trailer do filme Parasita: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=m4jfE-TxC24\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=m4jfE-TxC24<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Acesse o trailer da s\u00e9rie Round 6: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xqkmwzZMy7Q\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xqkmwzZMy7Q<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"661\" height=\"372\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142609.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5023\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142609.png 661w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142609-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 661px) 100vw, 661px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Parasita, primeiro filme sul-coreano a vencer o Oscar e a s\u00e9rie Squid Game que quebrou recordes de audi\u00eancia, a Coreia consolida sua for\u00e7a global no audiovisual | Imagens Web<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Silvia Vendelim, de 50 anos, administradora em uma empresa de transporte, sempre consumiu entretenimento asi\u00e1tico, mas passou a consumir muito mais nos \u00faltimos anos. Ela relata como se insere na cultura assistindo aos famosos K-dramas, que se tornaram uma janela para entender melhor a sociedade coreana. Para Silvia, esses dramas v\u00e3o muito al\u00e9m do entretenimento: pelos contextos das hist\u00f3rias \u00e9 poss\u00edvel perceber nuances das rela\u00e7\u00f5es familiares, das din\u00e2micas de trabalho e do senso de comunidade que permeia a cultura sul-coreana. Ela destaca que atrav\u00e9s dos doramas, aprendeu a valorizar a import\u00e2ncia do respeito \u00e0s hierarquias e dos la\u00e7os afetivos, que muitas vezes s\u00e3o retratados com delicadeza e profundidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa imers\u00e3o tamb\u00e9m despertou sua curiosidade sobre a culin\u00e1ria, fazendo com que ela buscasse experimentar pratos t\u00edpicos, assim como conhecer mais sobre os costumes, a moda e outras produ\u00e7\u00f5es culturais da Coreia. Para ela, os K-dramas funcionam como uma ponte que conecta culturas diferentes, permitindo uma experi\u00eancia de aprendizado que vai al\u00e9m da tela. Silvia ainda comenta que essa viv\u00eancia influenciou seu modo de agir e pensar no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a Silvia, muitos se apaixonaram pela culin\u00e1ria coreana. O bulgogi, o tteokbokki e at\u00e9 o famoso lamen instant\u00e2neo come\u00e7aram a fazer parte dos jantares tem\u00e1ticos entre amigos, sem contar o soju, bebida alco\u00f3lica muito comum no pa\u00eds. O sucesso da maquiagem coreana (K-beauty) e skin care tamb\u00e9m influenciou o mercado de cosm\u00e9ticos no Brasil, usando seus produtos e peles perfeitas (sem poros).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Na moda n\u00e3o foi muito diferente, virou refer\u00eancia entre os jovens, principalmente para as jovens crist\u00e3s. Muitas dessas jovens adotaram, muito pelo \u201cestilo\u201d mesclar conforto, eleg\u00e2ncia e pe\u00e7as mais atuais. Na Coreia, pe\u00e7as oversized, saias plissadas, casacos volumosos e t\u00eanis robustos comp\u00f5em um visual que \u00e9 ao mesmo tempo moderno e delicado. O chamado \u201cK-fashion\u201d traz uma combina\u00e7\u00e3o singular, que prioriza a identidade visual e a autenticidade. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com dados divulgados em 2022 pela <a href=\"https:\/\/capricho.abril.com.br\/entretenimento\/spotify-revela-crescimento-do-k-pop-e-artistas-mais-escutados-no-brasil\/\">Revista Capricho<\/a>, desde 2018 os streamings de K-Pop aumentaram 230% globalmente. S\u00e3o cerca de 8 bilh\u00f5es por m\u00eas em todo o mundo. J\u00e1 na rede social X (antigo Twitter), o Brasil figura entre os pa\u00edses com maior volume de men\u00e7\u00f5es \u00e0 cultura coreana, segundo dados divulgados por plataformas de an\u00e1lise de redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande n\u00famero de influenciadores sobre o tema tamb\u00e9m cresceu. \u00c9 o caso de Yakine Reis,ou Yaks,&nbsp; como \u00e9 conhecida nas redes sociais. Ela \u00e9 uma influencer de 29 anos que fala sobre body positive, e seu conte\u00fado \u00e9 voltado para as famosas GG\u2019s e suas viv\u00eancias como jornalista.<br><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"501\" height=\"514\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142751.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5024\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142751.png 501w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-142751-292x300.png 292w\" sizes=\"auto, (max-width: 501px) 100vw, 501px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Yakine Reis em um de seus passeios ap\u00f3s se mudar para a Coreia do Sul | Foto via instagram @aquelayaks<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Yaks se mudou para a Coreia do Sul depois de muito planejamento. Sempre ficou atenta aos riscos, mas se manteve aberta a uma nova aventura e, por isso, est\u00e1 vivenciando uma nova etapa em sua vida. A l\u00edngua, sendo bem diferente do portugu\u00eas, faz com que ela se sinta como um beb\u00ea, principalmente quando olha para as placas e sequer sabe o que est\u00e1 escrito. Os grandes centros, como Hannam-dong (distrito de Yongsan) e Seongsu-dong (bairro de Seongdong), s\u00e3o lugares onde encontra moda e cultura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"514\" height=\"442\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143404.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5025\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143404.png 514w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143404-300x258.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Criadora de conte\u00fado e jornalista com mais de 30 mil seguidores no tiktok conta como conheceu a cultura sul coreana | Foto via Instagram<br><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Yaks ainda fala sobre como o Hallyu, a \u201cOnda Coreana\u201d, pode crescer nos pr\u00f3ximos anos, mas ressalta que a Coreia deve aprender a andar com as pr\u00f3prias pernas e n\u00e3o ouvir apenas quem consome sua cultura fora da \u00c1sia. Ela acrescenta que, apesar do Ocidente estar consumindo cada vez mais, ainda mant\u00e9m uma vis\u00e3o deturpada e xenof\u00f3bica do pa\u00eds. \u201cA Coreia \u00e9 apenas um pa\u00eds como qualquer outro, mas que sabe usar a cultura para seu crescimento econ\u00f4mico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que conheceu o K-pop atrav\u00e9s de sua melhor amiga, que j\u00e1 gostava do g\u00eanero. Sua amiga tinha 11 anos e, aos poucos, cativou nossa Yakine ainda crian\u00e7a. O audiovisual e a linguagem de marketing logo prenderam a aten\u00e7\u00e3o total da influenciadora. Mas nem tudo s\u00e3o flores: alguns fandoms mais afastaram do que aproximaram. Mesmo assim, a garota n\u00e3o desistiu. O \u201cser f\u00e3\u201d \u2013 como ela diz \u2013 fez com que nutrisse um interesse pelo todo, incluindo um posicionamento social diante do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo de K-pop no Brasil n\u00e3o se limita \u00e0 m\u00fasica: ele representa um processo mais profundo de acultura\u00e7\u00e3o. Segundo o estudo <a href=\"https:\/\/repositorio.ufpe.br\/handle\/123456789\/40186\"><em>F\u00e3s brasileiros de K-Pop: Um estudo sobre acultura\u00e7\u00e3o de consumo<\/em><\/a><a href=\"https:\/\/repositorio.ufpe.br\/handle\/123456789\/40186\">, de Armando Perez Palha (2021)<\/a>, esse fen\u00f4meno ocorre quando os f\u00e3s adaptam suas pr\u00e1ticas culturais e de consumo a partir do contato com a cultura sul-coreana.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa, que entrevistou f\u00e3s de diversas regi\u00f5es do Brasil, identificou tr\u00eas dimens\u00f5es desse processo: Cultura K-pop, Imagem Corp\u00f3rea e Fluxos Culturais. Os f\u00e3s foram classificados como prossumidores \u2014 consumidores que tamb\u00e9m produzem e difundem conte\u00fado \u2014 e relataram mudan\u00e7as na autoestima e na percep\u00e7\u00e3o de si mesmos, influenciados pela est\u00e9tica e pelos valores transmitidos pelos \u00eddolos coreanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do entretenimento: envolve pr\u00e1ticas di\u00e1rias, como cuidados pessoais, estilo de vestir e at\u00e9 h\u00e1bitos alimentares. Os fluxos culturais, segundo Palha, permitem que costumes e tradi\u00e7\u00f5es da Coreia do Sul sejam incorporados de forma localizada, criando uma ponte entre culturas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m destaca o papel da cultura participativa, onde os f\u00e3s n\u00e3o s\u00e3o apenas espectadores, mas agentes ativos na produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. Essa din\u00e2mica \u00e9 potencializada pelas m\u00eddias digitais, que permitem intera\u00e7\u00e3o direta entre f\u00e3s e artistas, ampliando o alcance da chamada Hallyu 2.0, a nova fase da Onda Coreana impulsionada pela Web 2.0 e pelo consumo digital.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do brilho dos palcos e dos videoclipes, o K-pop tamb\u00e9m carrega debates importantes, como a press\u00e3o est\u00e9tica extrema, a jornada intensa de treinos e at\u00e9 casos de explora\u00e7\u00e3o dentro das ag\u00eancias. Raysa Gomes, que acompanha o universo do K-pop h\u00e1 mais de 10 anos, fala sobre essa problem\u00e1tica que faz parte desse meio. Ela comenta que, no in\u00edcio, tudo parecia glamour e divers\u00e3o, mas com o tempo e seu amadurecimento percebeu que existiam quest\u00f5es s\u00e9rias por tr\u00e1s das c\u00e2meras. Segundo Raysa, \u201cSer f\u00e3 tamb\u00e9m \u00e9, muitas vezes, aprender a equilibrar admira\u00e7\u00e3o com senso cr\u00edtico\u201d. Essa consci\u00eancia a fez repensar seu consumo: ela passou a se distanciar de algumas ag\u00eancias e at\u00e9 parou de ouvir determinados grupos cujas pr\u00e1ticas ela considerava prejudiciais aos artistas e ao p\u00fablico. Para ela, \u00e9 fundamental apoiar a arte e os artistas, mas sem ignorar os aspectos negativos e as injusti\u00e7as que podem estar acontecendo por tr\u00e1s do sucesso e da fama.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, o mundo do K-pop tamb\u00e9m \u00e9 marcado por casos de explora\u00e7\u00e3o e abusos dentro das ag\u00eancias. Muitos trainees, jovens que sonham em se tornar idols, enfrentam jornadas exaustivas de treinamentos que chegam a durar mais de 12 horas por dia, com pouco tempo para descanso ou vida pessoal. Al\u00e9m disso, h\u00e1 relatos de contratos r\u00edgidos e controladores, conhecidos como \u201ccontratos de escravid\u00e3o\u201d, que limitam a liberdade dos artistas e imp\u00f5em cl\u00e1usulas severas. Alguns idols j\u00e1 denunciaram press\u00f5es psicol\u00f3gicas, ass\u00e9dio e at\u00e9 manipula\u00e7\u00e3o financeira, mostrando que, por tr\u00e1s do brilho das apresenta\u00e7\u00f5es e dos clipes produzidos, existe uma ind\u00fastria intensa e, muitas vezes, desgastante.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos esc\u00e2ndalos mais impactantes nos \u00faltimos anos foi o caso do \u201cBurning Sun\u201d, que envolve acusa\u00e7\u00f5es de abuso, tr\u00e1fico e corrup\u00e7\u00e3o ligados a uma famosa casa noturna em Seul, com conex\u00f5es que chegaram a envolver artistas do K-pop. O caso exp\u00f4s problemas graves no meio art\u00edstico e empresarial, trazendo \u00e0 tona a urg\u00eancia de maior transpar\u00eancia e \u00e9tica na ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"532\" height=\"423\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143524.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5026\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143524.png 532w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143524-300x239.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 532px) 100vw, 532px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Thayana De Almeida<br><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Cultura sul-coreana no Brasil segue em expans\u00e3o, seja por meio da m\u00fasica, das s\u00e9ries, da moda ou da culin\u00e1ria. Entre f\u00e3s, curiosos, cr\u00edticos e <em>haters<\/em>, o que se percebe \u00e9 que o Hallyu j\u00e1 deixou de ser novidade e se tornou parte do cotidiano de muita gente, ocupando um espa\u00e7o antes inimagin\u00e1vel. Entre descobertas, cr\u00edticas e encantamentos, a cultura sul-coreana j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais distante. Est\u00e1 nos fones de ouvido, nas telas e nas conversas de quem a acompanha. Para muitos, \u00e9 apenas entretenimento; para outros, uma forma de conex\u00e3o com o mundo externo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"532\" height=\"298\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143704.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5027\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143704.png 532w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela-2026-02-09-143704-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 532px) 100vw, 532px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para os curiosos, algumas palavras que foram usadas no texto.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura pop sul-coreana conquistou o Brasil com m\u00fasica, s\u00e9ries, moda e culin\u00e1ria Por: Thayana De Almeida (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,16,37,14],"tags":[30,41,29,28],"class_list":["post-5019","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5019"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5045,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5019\/revisions\/5045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}