{"id":51,"date":"2019-11-07T22:44:00","date_gmt":"2019-11-07T22:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2019\/11\/07\/devo-contar-ao-meu-filho-que-ele-foi-adotado\/"},"modified":"2019-11-07T22:44:00","modified_gmt":"2019-11-07T22:44:00","slug":"devo-contar-ao-meu-filho-que-ele-foi-adotado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2019\/11\/07\/devo-contar-ao-meu-filho-que-ele-foi-adotado\/","title":{"rendered":"Devo contar ao meu filho que ele foi adotado?"},"content":{"rendered":"<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-4c5OoP5NxAo\/XcSeLcpvOLI\/AAAAAAAAIos\/Jtb4JrLtiUop346N4dIcUaMCFlv5x-fswCLcBGAsYHQ\/s1600\/2.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"848\" data-original-width=\"848\" height=\"640\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-4c5OoP5NxAo\/XcSeLcpvOLI\/AAAAAAAAIos\/Jtb4JrLtiUop346N4dIcUaMCFlv5x-fswCLcBGAsYHQ\/s640\/2.jpg\" width=\"640\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Diferentemente de muitas outras pessoas que descobrem que foram adotadas e se lembram desse momento para a vida inteira, eu n\u00e3o tive uma ocasi\u00e3o em particular que possa ser associada \u00e0 descoberta. N\u00e3o houve aquele momento em que a minha m\u00e3e me chamou para conversar e disse: \u201cSt\u00e9fanie, voc\u00ea foi adotada\u201d; pelo contr\u00e1rio: em casa, esse sempre foi um assunto tratado com muita naturalidade. Eu me recordo de muitas vezes em que ouvi a minha m\u00e3e falando que eu era sua \u201cfilha do cora\u00e7\u00e3o\u201d. Sempre achei muito lindo ouvi-la dizendo isso; eram palavras que me traziam paz, felicidade e orgulho.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u00c9 claro que nem sempre as coisas s\u00e3o assim. Para muita gente, a ado\u00e7\u00e3o ainda pode ser um assunto bastante complicado. Segundo o psic\u00f3logo Pedro Luiz Ferreira, \u00e9 natural que os pais sejam levados a adiar a conversa por receio da rea\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, mas o mais indicado \u00e9 que o assunto n\u00e3o seja tratado como um segredo. \u201cA descoberta da ado\u00e7\u00e3o em uma idade avan\u00e7ada pode gerar um sentimento de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos retentores desse conhecimento, que foi privado da pessoa adotada. \u00c9 comum que a suspeita de haver uma hist\u00f3ria de ado\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia influencie nos comportamentos da crian\u00e7a e nas din\u00e2micas familiares, por mais inconsciente que isso seja. A crian\u00e7a pode apresentar sintomas de inseguran\u00e7a, um desenvolvimento deficit\u00e1rio da sua autonomia, ou ainda uma aten\u00e7\u00e3o acentuada \u00e0s conversas entre os pais, por exemplo. \u00c9 por isso que o indicado \u00e9 n\u00e3o tratar a ado\u00e7\u00e3o como um segredo, como \u00e9 muito comum, mas tratar do assunto o quanto antes, como parte da hist\u00f3ria da crian\u00e7a.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Como faz\u00ea-lo, ent\u00e3o? O psic\u00f3logo sugere fotos e filmes como gatilhos para introduzir o t\u00f3pico numa conversa com naturalidade. \u201cFotos s\u00e3o uma ferramenta interessante para produzir esse resgate da hist\u00f3ria. Ver \u00e1lbuns juntos \u00e9 uma \u00f3tima forma de construir em conjunto as mem\u00f3rias da crian\u00e7a\u201d, ele diz. Al\u00e9m disso, filmes ou livros relacionados ao tema ado\u00e7\u00e3o podem ajudar a dar in\u00edcio ao di\u00e1logo.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Conflitos e como abord\u00e1-los<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Em minha casa, a ado\u00e7\u00e3o em si nunca foi um tabu. Recordo-me, por exemplo, de uma experi\u00eancia emocionante que tive durante a minha inf\u00e2ncia, quando meus pais me levaram para conhecer um abrigo de crian\u00e7as. Nesse dia, uma menina de uns cinco ou seis anos me tomou pelas m\u00e3os e me pediu para lev\u00e1-la para casa, prometendo que iria se comportar. Eu nem idade tinha ainda para adotar, mas j\u00e1 me senti impotente por n\u00e3o poder lev\u00e1-la comigo <\/span><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u2014<\/span><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"> e, ao mesmo tempo, agradecida pela fam\u00edlia que me adotou numa situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Esse \u00e9 um exemplo de situa\u00e7\u00f5es que podem gerar conflito, das quais n\u00e3o podemos estar totalmente livres. Nesses casos, as crian\u00e7as podem se beneficiar se o tratamento psicol\u00f3gico for uma op\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. \u201cUma crian\u00e7a adotada e ciente da sua ado\u00e7\u00e3o poder\u00e1 apresentar conflitos relacionados a essa condi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de possuir diversos questionamentos associados ao seu prop\u00f3sito de vida ou em rela\u00e7\u00e3o ao seu prop\u00f3sito na vida dos pais\u201d, diz o psic\u00f3logo. Por outro lado, ele refor\u00e7a que todas as crian\u00e7as <\/span><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">\u2014 n\u00e3o somente aquelas que passaram por um processo de ado\u00e7\u00e3o \u2014 podem se beneficiar de um tratamento psicol\u00f3gico.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Outra quest\u00e3o que pode tirar o sono de muitos pais \u00e9 a vontade da crian\u00e7a de conhecer a sua fam\u00edlia biol\u00f3gica. Para o psic\u00f3logo, essa sim \u00e9 uma quest\u00e3o que deve ser abordada com cautela: \u201cO desejo de conhecer a fam\u00edlia biol\u00f3gica \u00e9 um t\u00f3pico complexo. Portanto, em primeiro lugar, \u00e9 preciso entender qual \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o que sustenta esse desejo. Por um lado, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o dos pais proteger a crian\u00e7a das outras pessoas e de si mesma; nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio avaliar os fatores de risco que podem estar envolvidos na rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia biol\u00f3gica e, al\u00e9m disso, avaliar a capacidade da crian\u00e7a de lidar com situa\u00e7\u00f5es emocionalmente estressantes ou desestabilizadoras.\u201d O assunto pode ser complicado, tamb\u00e9m, para os pais, que podem entender a vontade da crian\u00e7a como o reconhecimento de uma falha em seus pap\u00e9is de cuidadores, quando, na verdade, esse desejo em si deve ser compreendido como algo natural.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">Para futuros papais e mam\u00e3es que pensam em adotar, Ferreira adverte <\/span><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;\">que a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que compreende uma s\u00e9rie de etapas, que procuram n\u00e3o s\u00f3 avaliar os adotantes mas tamb\u00e9m orient\u00e1-los. Um ponto-chave \u00e9 ter abertura para discutir a quest\u00e3o com o(a) parceiro(a), se for o caso. \u201cAntes de assumir o encargo psicol\u00f3gico desse processo, \u00e9 importante que os parceiros consigam conversar sobre as suas expectativas, as suas limita\u00e7\u00f5es e, principalmente, sobre os seus desejos para o futuro. Nesse sentido, essa conversa deve vir com a abertura para escutar os medos, as inseguran\u00e7as e as obje\u00e7\u00f5es que o outro pode ter em rela\u00e7\u00e3o a uma decis\u00e3o t\u00e3o importante\u201d, ele recomenda.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<p><span style=\"background-color: white; color: #444444; font-weight: 700;\">Ag\u00eancia Focs \/ Jornalismo Uniso<\/span><br \/><span style=\"color: #444444;\"><span style=\"background-color: white;\">Texto e imagem: St\u00e9fanie Ercolin<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferentemente de muitas outras pessoas que descobrem que foram adotadas e se lembram desse momento para a vida inteira, eu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-51","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}