{"id":5215,"date":"2026-03-04T10:31:02","date_gmt":"2026-03-04T13:31:02","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5215"},"modified":"2026-03-04T10:31:02","modified_gmt":"2026-03-04T13:31:02","slug":"corrida-o-esporte-individual-que-mais-cria-companhia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/03\/04\/corrida-o-esporte-individual-que-mais-cria-companhia\/","title":{"rendered":"Corrida: o esporte individual que mais cria companhia"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Larissa Bartels (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"328\" height=\"339\" src=\"blob:https:\/\/focas.uniso.br\/86a94563-aeac-4e00-9708-4eb7d5b0c7f9\"><br><sub>Pedro Arieta (regata laranja) cruza a chegada da Maratona de Boston com o corredor que auxiliou, 2025 | Arquivo pessoal<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Existem pessoas que acordam cedo no domingo para ir \u00e0 igreja. Outros para fazer feira. E h\u00e1 aqueles que escolhem acordar \u00e0s seis da manh\u00e3 para, voluntariamente, correr quil\u00f4metros sob o sol que nem nasceu direito ainda. Quando voc\u00ea v\u00ea pela primeira vez dezenas de pessoas se aglomerando na linha de largada, ajeitando t\u00eanis, conferindo rel\u00f3gios, alguns visivelmente nervosos, acredito que a primeira pergunta que vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9: por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria n\u00e3o vai ganhar dinheiro com isso. Em alguns casos, n\u00e3o h\u00e1 trof\u00e9u algum esperando, apenas \u00e1gua e banana. Ah, sim, e a medalha \u2014 n\u00e3o podemos esquecer da medalha. S\u00f3 resta a promessa de simplesmente cruzar uma linha pintada no asfalto e, quem sabe, tirar alguns segundos do tempo pessoal. Particularmente, voc\u00ea n\u00e3o me encontraria correndo em tal hor\u00e1rio, a n\u00e3o ser que eu estivesse fugindo de um assalto, talvez.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eles est\u00e3o ali: centenas, juntos para correr sozinhos. E seu n\u00famero s\u00f3 cresce.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando o mundo parou, os p\u00e9s continuaram<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A corrida se tornou o esporte mais praticado em 2024. O dado, divulgado pelo Strava \u2014 aplicativo fitness mais famoso entre atletas e influenciadores da \u00e1rea, tendo sua funcionalidade como uma rede social para atletas \u2014 surpreende e ao mesmo tempo faz todo sentido. Afinal, em uma era de apar\u00eancias saud\u00e1veis, pilates, crossfit, funcional e uma infinidade de modalidades disputam nossa aten\u00e7\u00e3o (e nosso dinheiro). Mas foi a corrida, a mais antiga e simples de todas, que se tornou grande campe\u00e3 e continua conquistando cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o come\u00e7a, paradoxalmente, no isolamento. Uma pesquisa da Olympikus em parceria com a Box1824 revelou que 75% dos corredores amadores brasileiros come\u00e7aram a praticar entre 2021 e 2022. Em plena pandemia. Quando academias fecharam e o mundo encolheu at\u00e9 caber dentro de casa, a corrida ofereceu uma v\u00e1lvula de escape literal: a possibilidade de movimento, de respirar fora de quatro paredes, de sentir que o corpo ainda existia al\u00e9m dos c\u00f4modos que voc\u00ea ocupava em seu lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Lopes, 26 anos, analista de marketing, conhece bem essa trajet\u00f3ria. Ele come\u00e7ou a correr aos 15, incentivado pela m\u00e3e que sempre foi corredora. Parou por um tempo, como acontece na vida, e voltou aos 24 e desta vez n\u00e3o parou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acredito que muitas pessoas come\u00e7aram a correr por conta do lifestyle saud\u00e1vel ter crescido&#8221;, explica Pedro, ele tem o entusiasmo caracter\u00edstico de quem adora o que faz. &#8220;E outro fator que incentivou esse aumento foram as redes sociais, com influenciadores compartilhando suas rotinas. A corrida \u00e9 um esporte muito acess\u00edvel para o in\u00edcio, \u00e9 algo que levam muito em considera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e1rcia Rodrigues, 56 anos, m\u00e9dica e funcion\u00e1ria p\u00fablica, corre h\u00e1 mais de dez anos e conhece bem tanto os benef\u00edcios quanto os cuidados necess\u00e1rios. O esporte sempre fez parte da sua vida, e ela acabou entrando na corrida por ser boa nisso. J\u00e1 completou diversas meias maratonas, mas atualmente est\u00e1 se recuperando de uma les\u00e3o na perna, respeitando seu tempo e os limites do pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como m\u00e9dica, M\u00e1rcia explica o que acontece quando corremos: durante a atividade f\u00edsica, o corpo libera endorfina, neurotransmissor respons\u00e1vel pela sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar e que funciona como um analg\u00e9sico natural. \u201cA corrida melhora a sa\u00fade cardiovascular, fortalece a musculatura, aumenta a densidade \u00f3ssea e ajuda no controle de peso\u201d, explica. \u201cMas \u00e9 fundamental respeitar os limites do corpo. Les\u00f5es acontecem quando ignoramos os sinais de sobrecarga.\u201d A experi\u00eancia de M\u00e1rcia serve de lembrete: a corrida \u00e9 ben\u00e9fica, mas exige responsabilidade, acompanhamento adequado e, principalmente, paci\u00eancia no processo de evolu\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A acessibilidade que Pedro menciona n\u00e3o \u00e9 algo que incomum a ser comentado. Corrida exige pouco equipamento inicial: um t\u00eanis, roupas confort\u00e1veis e disposi\u00e7\u00e3o. Pode ser praticada ao ar livre, sem mensalidade, sem hor\u00e1rio marcado ou talvez entre aquela esteira que voc\u00ea nunca realmente pensou em usar na academia. \u00c9 f\u00e1cil come\u00e7ar sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou pelo menos era essa a promessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, corredores fazem piadas nas redes sobre como isso \u00e9 mentira. Primeiro vem o t\u00eanis b\u00e1sico de R$ 200. Depois voc\u00ea quer o rel\u00f3gio GPS de R$ 1.500 porque precisa saber seu pace em tempo real. Entram as roupas t\u00e9cnicas que &#8220;n\u00e3o ret\u00eam suor&#8221;. O \u00f3culos especial. A pochete para hidrata\u00e7\u00e3o. O bon\u00e9 com prote\u00e7\u00e3o UV. Aquele gel energ\u00e9tico importado. O que come\u00e7ou simples se transforma, lentamente, em paix\u00e3o equipada e cara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"486\" height=\"325\" src=\"blob:https:\/\/focas.uniso.br\/b4eaeee0-1605-4222-bc61-fe10aeb10671\"><br><sub>Pedro durante corrida em Florian\u00f3polis, 2024 | Arquivo pessoal<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>O efeito da corrida<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cSe eu pudesse convencer algu\u00e9m a correr, diria para n\u00e3o come\u00e7ar&#8221;, Pedro comenta com um grande sorriso &#8220;Sen\u00e3o com certeza a pessoa vai se viciar nos benef\u00edcios que ela vai trazer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma piada recorrente entre corredores, mas carrega uma verdade inc\u00f4moda: a corrida vicia. N\u00e3o no sentido qu\u00edmico, embora a libera\u00e7\u00e3o de endorfina ajude. Vicia no sentido de que transforma a maneira como voc\u00ea enxerga seu pr\u00f3prio corpo, sua disciplina, seu dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro compartilha os benef\u00edcios com propriedade de quem os experimenta: \u201cAuxilia na melhoria de sa\u00fade por estar constantemente realizando atividade aer\u00f3bica e anaer\u00f3bica. Al\u00e9m disso, a corrida ajuda na disciplina de hor\u00e1rios, alimenta\u00e7\u00e3o e sono. E na parte est\u00e9tica, ajuda totalmente a diminuir aquela gordura que aparece no f\u00edsico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele faz quest\u00e3o de mencionar que a corrida o ajudou a evoluir em outros esportes, como futebol, comentou sobre elogios de sua velocidade e agilidade em jogos com os amigos, tudo melhorando desde que voltou a correr. Mas \u00e9 pelo menos curioso como um esporte que parece t\u00e3o espec\u00edfico \u2014 apenas correr, afinal \u2014 acaba sendo base para tantas outras coisas. Talvez porque ensine a li\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sica e mais dif\u00edcil de todas: const\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maior li\u00e7\u00e3o que a corrida me ensinou foi que \u00e9 preciso ter const\u00e2ncia e disciplina para evoluir\u201d, diz Pedro. \u00c9 o tipo de frase que poderia estar bordada em almofada motivacional, mas que na boca de quem corre 21, 40 quil\u00f4metros por semana ganha peso pela experi\u00eancia vivida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><strong>A solid\u00e3o que une<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No Brasil, grupos de corrida e run clubs cresceram mais de 100% segundo o Strava. Em Sorocaba, esses coletivos se multiplicam: crews que dividem corredores por n\u00edveis \u2014 iniciantes, intermedi\u00e1rios e avan\u00e7ados \u2014 e criam redes de apoio que v\u00e3o muito al\u00e9m do treino semanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Yara Guariglia, 40 anos, pedagoga e professora, come\u00e7ou a correr em 2017 por um motivo que muita gente no meio compartilha: a ansiedade. &#8220;Eu j\u00e1 treinava corrida desde 2017 e triathlon desde 2020. Comecei a correr pra me ajudar com ansiedade&#8221;, conta. Em 2023, por\u00e9m, uma decis\u00e3o a diferenciou da maioria dos corredores comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado do amigo Renato Rezende, em diversas situa\u00e7\u00f5es dentro dos esportes que praticava, Yara percebeu algo que a incomodava. &#8220;Ambos sent\u00edamos a corrida, de modo geral, um ambiente muito elitista, pouco inclusivo e acess\u00edvel, n\u00e3o sendo t\u00e3o convidativo para as pessoas\u2019\u2019, explica. &#8221; A gente j\u00e1 brincava que \u00e9ramos a parte underground da corrida e triathlon&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Inspirados por mat\u00e9rias sobre o movimento das crews, que j\u00e1 tinha grande for\u00e7a fora do pa\u00eds, a dupla come\u00e7ou com um plano simples, mas com as melhores inten\u00e7\u00f5es. A agenda da vida adulta nunca batia entre amigos e conhecidos, mas o convite para iniciarem algumas corridas entre colegas \u2014 que chamariam outros colegas \u2014 deu in\u00edcio ao projeto. A inten\u00e7\u00e3o era tornar a corrida mais agrad\u00e1vel e diversa, mostrando que o esporte poderia fazer jus \u00e0 sua fama de acess\u00edvel. E assim nascia a UDG \u2014 Underground.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a UDG corre com 500 pessoas em uma simples quarta \u00e0 noite. \u201cA crew cresceu em uma propor\u00e7\u00e3o que eu jamais imaginaria\u201d, admite Yara. \u201cSinceramente, deixou a minha vida muito mais corrida. Mas isso mudou a minha vida tamb\u00e9m em um \u00f3timo sentido, de poder proporcionar para muito mais pessoas um acesso \u00e0 corrida que antes era mais dificultoso por conta de v\u00e1rias barreiras, inclusive sociais. Ganhei muitos novos amigos, estou rodeada de pessoas que me agradecem diariamente pela transforma\u00e7\u00e3o em suas vidas e isso tem sido enriquecedor pra mim. Comunidade \u00e9 algo que se constr\u00f3i e eu sinto que constru\u00edmos uma verdadeira comunidade com a UDG.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"516\" height=\"343\" src=\"blob:https:\/\/focas.uniso.br\/2d3456bf-13f2-4521-8fd6-18621962cb3a\"><br><sub>Yara durante prova de corrida, 2025 | Arquivo pessoal<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do universo esportivo j\u00e1 \u00e9 interessante observar, mas o fen\u00f4meno fica ainda mais intrigante quando voc\u00ea olha de fora. A corrida \u00e9, por natureza, um esporte individual. Muitos comentam sobre como a corrida \u00e9 um esporte simplesmente mental. Al\u00e9m do fortalecimento f\u00edsico, a mente precisa estar forte para que voc\u00ea esteja pronto para passar os quil\u00f4metros necess\u00e1rios, voc\u00ea contra voc\u00ea mesmo. Voc\u00ea contra o rel\u00f3gio. Voc\u00ea contra aquela voz na cabe\u00e7a que diz &#8220;para, voc\u00ea j\u00e1 fez o suficiente&#8221;. Mas justamente por ser t\u00e3o solit\u00e1ria, ela criou uma das comunidades mais unidas do universo esportivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 algo comum entre a comunidade, voc\u00ea estar correndo e ouvir um desconhecido gritar \u201cvamos l\u00e1! bora l\u00e1!\u201d quando te ultrapassa. Ou sentir o apoio de algu\u00e9m que voc\u00ea nunca viu na vida quando seus p\u00e9s parecem pesar toneladas e voc\u00ea duvida que conseguir\u00e1 completar aqueles \u00faltimos quil\u00f4metros. Existe um companheirismo silencioso entre quem corre, uma empatia constru\u00edda no sofrimento compartilhado. Quase como uma promessa que nunca foi dita em voz alta: \u201ceu n\u00e3o desisti, voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o vai\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Yara e Renato, que a partir de um sentimento m\u00fatuo de falta de pertencimento acabaram criando uma comunidade acolhedora de corrida, voc\u00ea encontra exemplos perfeitos de solidariedade entre corredores sem grupos. Pedro Arieta tinha uma meta de 2h40min em sua maratona de Boston. Ele cruzou a linha de chegada em 2h41min. O minuto de diferen\u00e7a? Foi o tempo que ele parou para ajudar outro corredor norte-americano que estava caindo e n\u00e3o conseguia continuar. Ergueu o desconhecido, deu apoio, fez com que atravessasse a linha de chegada. A notoriedade mundial que a atitude gerou rendeu at\u00e9 patroc\u00ednio da Rexona, que viu nele &#8220;a personifica\u00e7\u00e3o de que o movimento vai al\u00e9m da performance, inspirando pessoas com prop\u00f3sito e empatia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro resumiu tudo em suas redes: \u201cCorrer n\u00e3o \u00e9 individual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bonito. \u00c9 inspirador. A corrida tem sido n\u00e3o s\u00f3 o motivo de muitas pessoas estarem tentando uma vida mais saud\u00e1vel como comprova a ci\u00eancia: um estudo recente comparou um grupo que tomou antidepressivos com um grupo que fez corrida supervisionada (2\u20133 sess\u00f5es por semana, 45 minutos, por 16 semanas). No final, cerca de 44% dos participantes de ambos os grupos relatavam melhora nos sintomas de depress\u00e3o e ansiedade. O Col\u00e9gio Europeu de Psicofarmacologia, em Barcelona, apresentou dados mostrando que a corrida tem o mesmo efeito que antidepressivos.<\/p>\n\n\n\n<p>E por corredores com o perfil da Yara, e de Pedro, o esporte continua crescendo. Sua comunidade solid\u00e1ria \u00e9 o que atrai as pessoas e muitos est\u00e3o buscando conforto, seja pelo al\u00edvio da ansiedade ou pelo condicionamento f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Yara faz quest\u00e3o de desmistificar a romantiza\u00e7\u00e3o excessiva do esporte. &#8220;Eu acho que ningu\u00e9m deveria ser convencido a come\u00e7ar a correr. \u00c9 uma vontade que precisa partir de cada um, principalmente agora que o esporte est\u00e1 mais popular que nunca. Para correr precisa ter responsabilidade com a pr\u00f3pria sa\u00fade, conhecer e respeitar os limites do corpo e precisa ter a vontade pr\u00f3pria de fazer isso, para que a corrida n\u00e3o se torne um peso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e1rcia refor\u00e7a essa vis\u00e3o do ponto de vista m\u00e9dico. \u201cVejo muitos pacientes que come\u00e7am a correr sem avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, sem respeitar a progress\u00e3o adequada, e acabam com les\u00f5es que poderiam ser evitadas\u201d, alerta. Ela explica que o corpo precisa de tempo para se adaptar ao impacto da corrida \u2014 tend\u00f5es, ligamentos, articula\u00e7\u00f5es e m\u00fasculos precisam de fortalecimento gradual. \u201cA empolga\u00e7\u00e3o inicial \u00e9 \u00f3tima, mas precisa vir acompanhada de bom senso. Come\u00e7ar devagar, alternar corrida com caminhada, respeitar dias de descanso e fazer fortalecimento muscular s\u00e3o fundamentais para que a corrida seja sustent\u00e1vel a longo prazo.\u201d A pr\u00f3pria les\u00e3o de M\u00e1rcia veio como lembrete dessa necessidade de equil\u00edbrio entre paix\u00e3o e prud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma vis\u00e3o honesta, longe dos discursos motivacionais gen\u00e9ricos. &#8220;Correr n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, demora um tempo para encaixar no ritmo, ningu\u00e9m come\u00e7a correndo direto por alguns quil\u00f4metros, \u00e9 um processo muito gradual e particular, mas que a pessoa precisa querer e respeitar cada etapa&#8221;, explica Yara. &#8220;Eu gosto de falar e mostrar o quanto a corrida faz bem pra mim, e acho que nada melhor que o exemplo para motivar e incentivar as pessoas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A linha de chegada que n\u00e3o existe<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o existe linha de chegada neste esporte. N\u00e3o de verdade. Sempre h\u00e1 um pr\u00f3ximo objetivo, uma pr\u00f3xima prova, um pace a melhorar, um quil\u00f4metro a mais a somar. \u00c9 um esporte que te ensina que a meta n\u00e3o \u00e9 o ponto final \u2014 \u00e9 o pr\u00f3prio movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro nos apresenta isso sem perceber quando fala da maior li\u00e7\u00e3o que o esporte lhe ensinou: const\u00e2ncia e disciplina. N\u00e3o \u00e9 sobre o dia que voc\u00ea bateu seu recorde. \u00c9 sobre todos os dias em que voc\u00ea n\u00e3o queria levantar da cama, mas levantou mesmo assim. O desconforto de fazer o que \u00e9 certo sempre vai ser compartilhado entre atletas.<\/p>\n\n\n\n<p>A const\u00e2ncia e disciplina \u00e9 algo que muitos correm atr\u00e1s por uma vida inteira e nunca alcan\u00e7am. E talvez seja exatamente isso que explique por que a corrida est\u00e1 em seu auge agora, em uma era de gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e que doen\u00e7as mentais s\u00e3o consideradas as doen\u00e7as do s\u00e9culo porque o esporte exige o oposto: paci\u00eancia, persist\u00eancia, a aceita\u00e7\u00e3o de que alguns resultados n\u00e3o podem ser acelerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea tem que colocar um p\u00e9 na frente do outro. Repetidamente. Por quil\u00f4metros. Por meses. Por anos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 atalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Particularmente, tenho passado por muitos eventos de corrida. Durante o ano, at\u00e9 participei de uma das corridas entre grupos. \u00c9 exaustivo, \u00e9 cansativo, mas a sensa\u00e7\u00e3o de finaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais satisfat\u00f3ria j\u00e1 criada. Para meu perfil, que vem de algu\u00e9m competitivo, eu n\u00e3o suportaria estar ali e parar enquanto todos continuavam \u2014 e isso me fez finalizar os 3km mesmo que eu n\u00e3o gostasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Participar para entender \u00e9 fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar na linha de chegada torcendo por algu\u00e9m que eu sequer conhecia me ensinou algo: o simples fato de estar ali, completando qualquer quil\u00f4metro que seja, j\u00e1 \u00e9 inspirador por si s\u00f3. A maratona de Nova York costuma reunir cerca de 2 milh\u00f5es de espectadores nas ruas, segundo o pr\u00f3prio organizador do evento, e muitos corredores relatam que esse apoio \u00e9 justamente o g\u00e1s de que precisam quando pensam em diminuir o ritmo ou parar.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3es com seus filhos, pais com crian\u00e7as, amigas e amigos, irm\u00e3os ou at\u00e9 mesmo pessoas que nunca se viram antes, todos cruzando a linha de chegada. Alguns pelo desafio de se superar, outros para provar algo a si mesmos, muitos simplesmente pelo prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>E admito: talvez n\u00e3o exista nada mais inspirador do que algu\u00e9m se encontrar em uma comunidade que, voluntariamente, escolhe correr.<\/p>\n\n\n\n<p>Os eventos continuam crescendo em Sorocaba. As crews continuam recrutando novos membros. Os t\u00eanis continuam se desgastando no asfalto. E a cada domingo de manh\u00e3, enquanto a maior parte da cidade ainda dorme, centenas de pessoas se encontram na linha de largada. N\u00e3o pelo dinheiro. N\u00e3o pelo trof\u00e9u. Nem mesmo pela medalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas pela promessa silenciosa de cruzar aquela faixa erguida. De provar, mais uma vez, que conseguem.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntas, para correr sozinhas. Unidas pela mais solit\u00e1ria \u2014 e talvez mais humana \u2014 das paix\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Larissa Bartels (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso) Pedro Arieta (regata laranja) cruza a chegada da Maratona de Boston com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[3,15,16,9,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5215","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-esporte","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/esporte\/\" rel=\"category tag\">Esporte<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5215"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5215\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5216,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5215\/revisions\/5216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5215"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5215"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}