{"id":5358,"date":"2026-03-20T09:39:53","date_gmt":"2026-03-20T12:39:53","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5358"},"modified":"2026-03-20T09:39:53","modified_gmt":"2026-03-20T12:39:53","slug":"cultura-em-movimento-o-hip-hop-e-a-expressao-artistica-na-regiao-de-sorocaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/03\/20\/cultura-em-movimento-o-hip-hop-e-a-expressao-artistica-na-regiao-de-sorocaba\/","title":{"rendered":"Cultura em movimento: o hip hop e a express\u00e3o art\u00edstica na regi\u00e3o de Sorocaba"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Feira do Som ser\u00e1 realizada no dia 22 de mar\u00e7o, na Pra\u00e7a Frei Bara\u00fana, reunindo artistas e manifesta\u00e7\u00f5es da cultura hip hop<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Vit\u00f3ria Rodrigues (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"709\" height=\"471\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5359\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8.jpeg 709w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-300x199.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Foto: Weverton Rodrigues | Feira do Som<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>A Pra\u00e7a Frei Bara\u00fana, em Sorocaba, recebe no dia 22 de mar\u00e7o, pr\u00f3ximo domingo, a 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Feira do Som. O evento re\u00fane artistas da cultura hip hop e promove batalhas de rima, apresenta\u00e7\u00f5es musicais e outras formas de express\u00e3o art\u00edstica. A iniciativa busca fortalecer a cena cultural da regi\u00e3o e oferecer espa\u00e7o para artistas independentes e para o p\u00fablico que acompanha o movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A Feira do Som, iniciada em dezembro de 2024, \u00e9 um projeto independente criado por Renan Sander Pereira, idealizador da produtora \u201cO Som Nunca Acaba\u201d e da \u201cBatalha do Som\u201d, ao lado de Weverton Rodrigues, conhecido como Dido, cofundador e apresentador oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento re\u00fane artistas independentes, produtores e o p\u00fablico em torno da m\u00fasica e de manifesta\u00e7\u00f5es da cultura urbana. Al\u00e9m das apresenta\u00e7\u00f5es musicais, o espa\u00e7o tamb\u00e9m promove desfiles de moda, dan\u00e7as urbanas, graffiti, op\u00e7\u00f5es gastron\u00f4micas, e atividades voltadas \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do hip-hop e da produ\u00e7\u00e3o cultural local.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Dido, \u201ceventos como a Feira do Som s\u00e3o importantes porque servem como ponto de encontro de diferentes artistas e \u00e0s vezes quase opostos em quest\u00e3o de voca\u00e7\u00e3o de arte, desde quem rima a quem pinta, de quem canta a quem dan\u00e7a. Podendo assim expandir sua arte para outros lugares.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Feira do Som surgiu como um desdobramento da Batalha do Som, criada em 2023, a iniciativa ajudou a fortalecer a cultura das batalhas de rima em Sorocaba. Na \u00e9poca em que o projeto come\u00e7ou, eventos na regi\u00e3o at\u00e9 inclu\u00edam batalhas em suas programa\u00e7\u00f5es, mas elas apareciam apenas como participa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o como atra\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta da feira, no entanto, sempre foi criar um espa\u00e7o pr\u00f3prio para a cultura urbana. \u201cA vis\u00e3o era de que n\u00e3o importava o local, a feira teria que acontecer\u201d, afirma. Para Dido, iniciativas como essa tamb\u00e9m encontram receptividade do p\u00fablico sorocabano. O organizador cita como exemplo a Feira do Beco do Inferno, voltada para a arte urbana, e destaca que a cidade costuma demonstrar interesse por eventos culturais. Apesar disso, ele aponta que a cultura ainda enfrenta desafios institucionais. \u201cMesmo que as pessoas consumam e aceitem a arte, ainda existe uma aprova\u00e7\u00e3o seletiva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As batalhas de rap s\u00e3o mais do que entretenimento, elas representam a continuidade de uma cultura que nasceu nas periferias como forma de express\u00e3o e resist\u00eancia. Para o Matheus Hugo, mais conhecido por \u201cPez\u00e3o MC\u201d, as batalhas tamb\u00e9m funcionam como um espa\u00e7o de express\u00e3o pessoal. \u201cEu acredito que as batalhas de rima me d\u00e3o total liberdade para falar ou fazer tudo o que eu sinto ou penso naquele momento, enquanto estou rimando em cima de um beat ou at\u00e9 mesmo a capela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Pez\u00e3o conta que seu primeiro contato com a Feira do Som foi no dia 19 de maio de 2024, quando participou de uma das batalhas de rima do evento. Antes disso, por\u00e9m, o interesse pelo hip hop j\u00e1 vinha de anos. \u201cEm 2014 eu vi batalha de rima na internet com meus amigos e a gente rimava brincando na rua. Em 2017 eu encostei para assistir, mas s\u00f3 no finalzinho de 2022 que eu comecei a rimar. De l\u00e1 para c\u00e1 n\u00e3o parei mais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que competi\u00e7\u00e3o, as batalhas de rima tamb\u00e9m carregam hist\u00f3rias pessoais e significados profundos para quem participa. Pez\u00e3o comenta sobre o significado da batalha para ele, \u201cse eu tivesse que definir as batalhas de rima em uma palavra seria \u2018esperan\u00e7a\u2019, porque acredito que com isso, podemos trabalhar para ter um mundo melhor, com mais igualdade e respeito a todos\u201d. J\u00e1 Dido relembra uma batalha que o marcou, \u201cminha m\u00e3e faleceu em 2025 e ela s\u00f3 viu uma batalha na vida. Foi uma batalha em que eu estava e ganhei para ela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do significado pessoal para os artistas, as batalhas s\u00e3o portas de entrada para muitos jovens na cultura hip hop. Para Pez\u00e3o MC, o contato com as batalhas ajudou a definir seu pr\u00f3prio caminho. \u201cAntes das batalhas de rima eu mal sabia o que eu gostaria de fazer da minha vida e hoje sinto que nasci pra isso.\u201d Segundo o organizador Dido, a for\u00e7a das batalhas tamb\u00e9m est\u00e1 na acessibilidade. Como acontece em bairros e pra\u00e7as p\u00fablicas, qualquer pessoa pode participar ou acompanhar, o que aproxima os jovens do movimento. Ele destaca ainda que hoje existem MCs e batalhas que se tornaram refer\u00eancias e acumulam milhares de seguidores, influenciando comportamentos, estilos e at\u00e9 escolhas de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventos como a Feira do Som tamb\u00e9m contribuem para dar visibilidade a artistas iniciantes. De acordo com Dido, o espa\u00e7o incentiva os MCs a se prepararem e desenvolverem suas habilidades. \u201cNa Feira do Som os MCs s\u00e3o provocados a treinar, ter perspectiva e ter um bom desempenho como MC. Assim ganham espa\u00e7o, visibilidade e contato com o p\u00fablico.\u201d Para ele, a experi\u00eancia tamb\u00e9m ajuda os participantes a entenderem melhor seu papel como artistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00fablico tamb\u00e9m tem papel fundamental nesse cen\u00e1rio. Nas batalhas, muitas vezes s\u00e3o os pr\u00f3prios espectadores que decidem quem vence cada duelo. Para Pez\u00e3o, a energia da plateia influencia diretamente na performance dos artistas. \u201cAssistir a uma batalha pela internet e presencialmente \u00e9 bem diferente. Quando a plateia est\u00e1 mandando o m\u00e1ximo, a vibe muda completamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Origem do hip hop e sua chegada ao Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s das batalhas de rima e da energia do p\u00fablico est\u00e1 uma cultura que atravessa gera\u00e7\u00f5es. Quando falamos da cultura hip-hop, n\u00e3o estamos tratando de um debate recente, mas de um movimento hist\u00f3rico. No Brasil, ela se consolidou na d\u00e9cada de 1980, influenciada pelo que j\u00e1 acontecia nos Estados Unidos, mais especificamente no Bronx, em Nova York, onde surgiu como parte da cultura urbana das periferias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio marcado por viol\u00eancia, criminalidade e pobreza nas comunidades afro-americanas e latino-americanas, a m\u00fasica, a poesia e a dan\u00e7a se tornaram formas de express\u00e3o e protesto da realidade vivida. Uma das can\u00e7\u00f5es que ajudou a levar o hip-hop para o resto do mundo foi \u201c<em>Rapper&#8217;s Delight<\/em>\u201d, lan\u00e7ada em setembro de 1979 pelo grupo The Sugarhill Gang.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, jovens das periferias passaram a se reunir em locais como a Galeria 24 de Maio e a esta\u00e7\u00e3o S\u00e3o Bento do metr\u00f4, em S\u00e3o Paulo, para ouvir os sons vindos do Bronx e experimentar novos passos de dan\u00e7a. Mesmo visto por muitos como um estilo violento e marginalizado, o rap se espalhou rapidamente pelas periferias, fortalecendo a autoestima de jovens que buscavam se reconhecer dentro de uma sociedade marcada por preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e1lbum brasileiro dedicado exclusivamente ao rap foi a colet\u00e2nea <em>Hip-Hop Cultura de Rua<\/em>, lan\u00e7ada em 1988. O disco apresentou ao p\u00fablico artistas como Tha\u00edde e DJ Hum, MC Jack e C\u00f3digo 13, que se tornaram refer\u00eancias importantes. No ano seguinte, foi lan\u00e7ada a colet\u00e2nea <em>Consci\u00eancia Black, Vol. I<\/em>, respons\u00e1vel por projetar um dos grupos mais influentes da hist\u00f3ria do rap nacional, os Racionais MC\u2019s. Formado por Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay, o grupo ficou conhecido por abordar em suas m\u00fasicas temas como a desigualdade social nas periferias e as injusti\u00e7as enfrentadas pela popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Sorocaba, eventos como a Feira do Som ajudam a manter viva essa cultura, abrindo espa\u00e7o para que novos artistas se expressem e para que o p\u00fablico acompanhe de perto a for\u00e7a do hip hop.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Data: <\/strong>22\/03 (domingo)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hor\u00e1rio: <\/strong>A partir das 13h<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Local: <\/strong>Pra\u00e7a Frei Bara\u00fana<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Endere\u00e7o: <\/strong>Rua Ces\u00e1rio Mota, 145 &#8211; Centro, Sorocaba \u2013 SP<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entrada:<\/strong> Gratuita<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Feira do Som ser\u00e1 realizada no dia 22 de mar\u00e7o, na Pra\u00e7a Frei Bara\u00fana, reunindo artistas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[4,15,16,9,37,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-evento","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/evento\/\" rel=\"category tag\">Evento<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5358"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5358\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5360,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5358\/revisions\/5360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}