{"id":5448,"date":"2026-03-31T10:10:08","date_gmt":"2026-03-31T13:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5448"},"modified":"2026-04-01T09:27:57","modified_gmt":"2026-04-01T12:27:57","slug":"mulheres-ocupam-espacos-mas-ainda-enfrentam-barreiras-em-areas-tradicionalmente-masculinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/03\/31\/mulheres-ocupam-espacos-mas-ainda-enfrentam-barreiras-em-areas-tradicionalmente-masculinas\/","title":{"rendered":"Mulheres ocupam espa\u00e7os, mas ainda enfrentam barreiras em \u00e1reas tradicionalmente masculinas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>[S\u00e9rie M\u00eas das Mulheres] Mesmo com avan\u00e7o na forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, desigualdade de g\u00eanero ainda marca o mercado de trabalho em setores como a engenharia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Maria Clara Russini (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MULHERES-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5449\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MULHERES-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MULHERES-169x300.jpeg 169w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MULHERES-768x1365.jpeg 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MULHERES-864x1536.jpeg 864w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MULHERES.jpeg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Cr\u00e9ditos: foto de divulga\u00e7\u00e3o<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de mulheres em cursos e profiss\u00f5es historicamente dominados por homens tem crescido no Brasil, mas a inser\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia no mercado de trabalho ainda s\u00e3o atravessadas por desafios como preconceito, desconfian\u00e7a e a necessidade constante de provar compet\u00eancia. Em \u00e1reas como a engenharia, esse cen\u00e1rio revela tanto avan\u00e7os quanto desigualdades persistentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostram que as mulheres j\u00e1 representam mais da metade dos estudantes no ensino superior. No entanto, quando se trata de cursos das \u00e1reas de STEM (Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica), a presen\u00e7a feminina ainda \u00e9 menor, especialmente na engenharia, onde a participa\u00e7\u00e3o gira em torno de 30% a 35%, dependendo da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No mercado de trabalho, a desigualdade se intensifica. Segundo levantamento da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, mulheres em \u00e1reas t\u00e9cnicas frequentemente enfrentam sal\u00e1rios menores, menos oportunidades de lideran\u00e7a e ambientes predominantemente masculinos, o que pode impactar diretamente sua trajet\u00f3ria profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante de Engenharia Civil, Gabriela de Souza, relata que a escolha pelo curso veio do interesse em resolver problemas e entender o funcionamento das coisas. \u201cA engenharia me chamou aten\u00e7\u00e3o justamente por isso, porque \u00e9 uma \u00e1rea bem pr\u00e1tica e desafiadora ao mesmo tempo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ter vivenciado ass\u00e9dio direto, Gabriela destaca que a desconfian\u00e7a ainda \u00e9 uma realidade comum. \u201cJ\u00e1 passei por v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es em que duvidaram da minha capacidade s\u00f3 por eu ser mulher, o que ainda \u00e9 bem comum nesse meio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho tamb\u00e9m exige um esfor\u00e7o adicional. \u201cNo geral, o ambiente \u00e9 respeitoso, mas muitas vezes voc\u00ea precisa provar mais que \u00e9 capaz. Existe aquela desconfian\u00e7a no come\u00e7o, mas \u00e9 muito bom quando voc\u00ea mostra que sabe o que est\u00e1 fazendo e conquista seu espa\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no in\u00edcio da trajet\u00f3ria acad\u00eamica, o cen\u00e1rio tamb\u00e9m se mostra desafiador. Giovanna Vieira Figueiredo, estudante do 1\u00ba semestre de Engenharia Mec\u00e2nica, conta que a escolha pelo curso surgiu da curiosidade e do contato familiar com a \u00e1rea. \u201cMinha maior motiva\u00e7\u00e3o foi minha paix\u00e3o por querer entender as coisas. Sempre tive interesse em saber como tudo ao meu redor foi constru\u00eddo, e cresci vendo isso de perto, j\u00e1 que meu pai \u00e9 mec\u00e2nico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sem ter vivenciado situa\u00e7\u00f5es diretas de ass\u00e9dio, Giovanna revela que o medo faz parte da experi\u00eancia. \u201c\u00c0s vezes sinto receio por ser uma \u00e1rea dominada por homens e por ser a \u00fanica mulher do curso. Isso acaba gerando inseguran\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de outras mulheres no ambiente acad\u00eamico tamb\u00e9m impacta sua viv\u00eancia. \u201cEu sinto falta de outras mulheres no curso. \u00c9 muito diferente ser a \u00fanica e n\u00e3o ter outras para conversar.\u201d Ainda assim, ela destaca o respeito dos colegas, \u201cos meninos do meu curso me respeitam e \u00e9 um ambiente bem saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro profissional tamb\u00e9m aparece. \u201cAinda n\u00e3o ingressei no mercado de trabalho, mas tenho medo de sofrer preconceito ou n\u00e3o ser reconhecida apenas por ser mulher.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00f5es de descr\u00e9dito, mesmo fora do ambiente universit\u00e1rio, refor\u00e7am esse cen\u00e1rio. \u201cMuitas pessoas me veem como incapaz de cursar engenharia, por ser um curso dif\u00edcil e com muitos homens. J\u00e1 ouvi coment\u00e1rios desse tipo e vejo que ainda duvidam das mulheres nessa \u00e1rea.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esse contexto reflete uma estrutura hist\u00f3rica que ainda associa determinadas profiss\u00f5es ao g\u00eanero masculino. Para especialistas, a mudan\u00e7a passa n\u00e3o apenas pelo acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela transforma\u00e7\u00e3o cultural dentro das empresas e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante das dificuldades, a motiva\u00e7\u00e3o para seguir na \u00e1rea permanece forte entre muitas estudantes. Gabriela resume esse sentimento ao falar sobre sua trajet\u00f3ria, \u201co que me motiva \u00e9 saber que eu estou construindo meus sonhos. Quero crescer na profiss\u00e3o e ser reconhecida por ser boa no que fa\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Casos de preconceito, ainda que velados, tamb\u00e9m marcam essa caminhada. A estudante relembra uma situa\u00e7\u00e3o em que se sentiu inferiorizada durante um trabalho, \u201ca forma como ele [funcion\u00e1rio de uma obra] reagiu foi diferente comigo, ele disse que era melhor eu s\u00f3 terminar a faculdade e procurar outra coisa\u201d. Para ela, no entanto, a experi\u00eancia acabou se transformando em impulso. \u201cFoi um momento em que eu me senti inferiorizada, mas ao mesmo tempo serviu como motiva\u00e7\u00e3o pra continuar e provar, principalmente pra mim mesma, que eu sou capaz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciativas de incentivo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o feminina em \u00e1reas t\u00e9cnicas t\u00eam surgido nos \u00faltimos anos, tanto no setor p\u00fablico quanto privado, buscando reduzir desigualdades e ampliar oportunidades. Ainda assim, especialistas apontam que o avan\u00e7o depende de mudan\u00e7as estruturais mais profundas, que envolvam desde a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica at\u00e9 pol\u00edticas de inclus\u00e3o no ambiente corporativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, hist\u00f3rias como as de Gabriela e Giovanna mostram que, apesar dos obst\u00e1culos, mulheres seguem ocupando e transformando espa\u00e7os n\u00e3o apenas como exce\u00e7\u00e3o, mas como parte de uma mudan\u00e7a que, ainda que gradual, j\u00e1 est\u00e1 em curso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[S\u00e9rie M\u00eas das Mulheres] Mesmo com avan\u00e7o na forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, desigualdade de g\u00eanero ainda marca o mercado de trabalho em<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,16,9,7,37,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5448","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-reportagens-especiais","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/reportagens-especiais\/\" rel=\"category tag\">Reportagens Especiais<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5448"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5448\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5450,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5448\/revisions\/5450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}