{"id":5475,"date":"2026-04-08T09:28:44","date_gmt":"2026-04-08T12:28:44","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5475"},"modified":"2026-04-08T09:28:44","modified_gmt":"2026-04-08T12:28:44","slug":"slam-a-forca-da-poesia-falada-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/04\/08\/slam-a-forca-da-poesia-falada-nas-ruas\/","title":{"rendered":"Slam: a for\u00e7a da poesia falada nas ruas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em Sorocaba, o crescimento das batalhas de slam mostra como a poesia falada se tornou ferramenta de express\u00e3o social nas periferias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Stefany Lima (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"311\" height=\"358\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5477\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-1.jpeg 311w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-1-261x300.jpeg 261w\" sizes=\"auto, (max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Batalha de poesia do Slam Trincheira | Reprodu\u00e7\u00e3o: Slam Trincheira \/ Eduarda Port<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, o Slam n\u00e3o \u00e9 uma batalha de rima comum, daquelas que frequentemente viralizam na internet com <em>punchlines <\/em>(rimas de impacto) surpreendentes que s\u00e3o aguardadas ansiosamente para receberem gritos de admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Slam \u00e9 uma batalha de poesia que surgiu na d\u00e9cada de 80, criada por Marc Smith em Chicago, mas chegou ao Brasil somente em 2008, com a atriz, pesquisadora e slammer Roberta Estrela D\u2019Alva, respons\u00e1vel por introduzir o formato no pa\u00eds ap\u00f3s conhecer competi\u00e7\u00f5es de poesia falada nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a poesia falada exista h\u00e1 muito tempo, o que diferencia o slam de outras manifesta\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas \u00e9 o seu car\u00e1ter popular e coletivo. Se antes a poesia era associada principalmente a espa\u00e7os acad\u00eamicos e elitizados, o slam surge justamente com a proposta de aproximar essa arte do p\u00fablico comum, ocupando ruas, pra\u00e7as e espa\u00e7os p\u00fablicos. Nas apresenta\u00e7\u00f5es, os poetas utilizam apenas o corpo e a voz para recitar textos autorais, geralmente com dura\u00e7\u00e3o de at\u00e9 tr\u00eas minutos, sem qualquer acompanhamento musical ou objetos c\u00eanicos.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra \u201cslam\u201d, em ingl\u00eas, remete ao som de uma batida forte, como o fechar de uma porta ou janela. Na pr\u00e1tica, o termo representa a intensidade e o impacto das performances po\u00e9ticas. Durante as competi\u00e7\u00f5es, cinco jurados s\u00e3o escolhidos entre o p\u00fablico e atribuem notas \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es logo ap\u00f3s cada declama\u00e7\u00e3o, avaliando aspectos como criatividade, performance e conex\u00e3o com a plateia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma competi\u00e7\u00e3o art\u00edstica, o slam se consolidou como um importante movimento cultural e social. Nas poesias, \u00e9 comum que os participantes abordem temas atuais e urgentes, como racismo, viol\u00eancia, desigualdade social, identidade, pol\u00edtica e viv\u00eancias das periferias. Ao trazer essas quest\u00f5es para o centro do debate p\u00fablico, o slam transforma a poesia em uma ferramenta de reflex\u00e3o e posicionamento pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o primeiro campeonato de slam foi o ZAP! (Zona Aut\u00f4noma da Palavra), criado em S\u00e3o Paulo em 2008. Pouco tempo depois, surgiu o Slam da Guilhermina, considerado o primeiro slam realizado nas ruas do pa\u00eds. Organizado pr\u00f3ximo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o Guilhermina\u2013Esperan\u00e7a do metr\u00f4, na zona leste da capital paulista, o evento ajudou a consolidar o formato de batalhas abertas ao p\u00fablico e realizadas em espa\u00e7os urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos, o movimento se expandiu rapidamente. A partir de 2014, novos coletivos come\u00e7aram a surgir em diferentes cidades brasileiras, e em 2017 ocorreu o que muitos organizadores chamam de \u201cboom do slam\u201d, quando o n\u00famero de grupos e campeonatos cresceu significativamente. Atualmente, os vencedores das competi\u00e7\u00f5es locais podem participar do Slam BR, o Campeonato Brasileiro de Poesia Falada. O campe\u00e3o nacional segue para representar o pa\u00eds na Copa do Mundo de Slam, realizada anualmente em Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a feminina tamb\u00e9m \u00e9 uma caracter\u00edstica marcante da cena. Muitas das principais vozes do slam brasileiro s\u00e3o mulheres, que utilizam o espa\u00e7o da poesia para discutir quest\u00f5es de g\u00eanero, viol\u00eancia e desigualdade. Esse ambiente mais diverso e inclusivo contribui para que diferentes grupos sociais encontrem no slam uma forma de express\u00e3o e representatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o estudante de Publicidade e Propaganda Thiago Rodrigues Freitas, de 20 anos, o contato com o slam aconteceu por acaso, mas rapidamente se transformou em paix\u00e3o. \u201cEu n\u00e3o sabia o que era slam. Eu estava numa batalha de hip hop e vi um pessoal recitando poesia de forma mais intensa. Achei parecido com o que eu j\u00e1 fazia nas escolas e resolvi participar\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Thiago participou pela primeira vez do Slam 015, em Sorocaba, e mesmo n\u00e3o avan\u00e7ando nas etapas da competi\u00e7\u00e3o, se sentiu acolhido pelo ambiente. \u201cEu gostei muito da forma como as coisas aconteceram e do acolhimento dos outros poetas. Foi ali que eu me apaixonei pelo movimento\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"254\" height=\"238\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5476\" style=\"width:760px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Thiago Rodrigues Freitas | Foto: Stefany Lima<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia foi t\u00e3o marcante que, no mesmo dia, surgiu a oportunidade de criar um novo coletivo. Ao lado do poeta conhecido como Z\u00e9 Ningu\u00e9m, Thiago ajudou a fundar o Slam Trincheira (@slamtrincheira), com o objetivo de ampliar o acesso ao movimento na regi\u00e3o. \u201cA gente quis levar o slam para a Zona Norte da cidade. O evento que j\u00e1 existia era no centro, o que \u00e9 bom, mas quer\u00edamos descentralizar e facilitar o acesso para quem mora na periferia\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a cria\u00e7\u00e3o de novos grupos tamb\u00e9m contribui para revelar talentos locais e fortalecer a cultura perif\u00e9rica. \u201cEm pouco tempo j\u00e1 apareceram muitos poetas da Zona Norte. Isso mostra que existe muita gente com vontade de se expressar, s\u00f3 precisava de um espa\u00e7o para isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os temas mais recorrentes nas rodas de slam est\u00e3o quest\u00f5es raciais, viol\u00eancia policial, desigualdade social e feminic\u00eddio. Os assuntos discutidos nas poesias costumam refletir diretamente o momento pol\u00edtico e social vivido pela comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da valoriza\u00e7\u00e3o cultural, Thiago acredita que o slam tem um papel social importante, especialmente entre jovens. Para ele, a arte pode funcionar como uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o. \u201cNa periferia, muitas vezes o \u00fanico incentivo que chega \u00e9 o esporte. A arte quase n\u00e3o aparece. Quando voc\u00ea leva poesia para esses lugares, voc\u00ea mostra que existe outra forma de se expressar e de pensar o mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do crescimento do movimento, os organizadores ainda enfrentam desafios, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao financiamento. Muitos coletivos funcionam de forma independente e dependem de editais ou iniciativas culturais para manter suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante dessas dificuldades, o estudante acredita que o futuro do movimento \u00e9 promissor. Seu principal objetivo \u00e9 ampliar o alcance do slam e inspirar novas iniciativas. \u201cA nossa meta \u00e9 levar essa cultura para o m\u00e1ximo de pessoas poss\u00edvel. Quando voc\u00ea apresenta o slam em um lugar e algu\u00e9m se inspira a criar outro grupo, a cultura vai se espalhando.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, entre versos, performances e viv\u00eancias compartilhadas, o slam segue se consolidando como um espa\u00e7o de resist\u00eancia, express\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o coletiva, em que a poesia deixa de ser apenas literatura e se transforma em voz ativa da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>[Texto desenvolvido na disciplina de Jornalismo especializado, ministrada pela professora Georgia de Mattos]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Sorocaba, o crescimento das batalhas de slam mostra como a poesia falada se tornou ferramenta de express\u00e3o social nas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,16,9,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5475"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5475\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5478,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5475\/revisions\/5478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}