{"id":5511,"date":"2026-04-15T09:05:02","date_gmt":"2026-04-15T12:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5511"},"modified":"2026-04-15T09:05:02","modified_gmt":"2026-04-15T12:05:02","slug":"a-pressao-da-moda-entre-tendencias-e-estilo-proprio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/04\/15\/a-pressao-da-moda-entre-tendencias-e-estilo-proprio\/","title":{"rendered":"A press\u00e3o da moda: entre tend\u00eancias e estilo pr\u00f3prio"},"content":{"rendered":"\n<p>Como redes sociais e <em>fast fashion<\/em> moldam o visual coletivo e porque manter a autenticidade continua sendo escolha pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Sophia Ruivo Pompeu (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-center is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-23441af8 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"389\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-3.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5512\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"291\" height=\"389\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5513\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4.jpg 291w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4-224x300.jpg 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Instagram: Tamires Dagnes, \u00e0 esquerda, em seu perfil pessoal, e Suellen Cristina, \u00e0 direita, em seu perfil pessoal<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 assistiu a um filme dos anos 1980 ou 2000 e reparou como cada personagem parecia ter um estilo pr\u00f3prio? De acess\u00f3rios marcantes a cores vibrantes e modelagens diversas, a moda parecia refletir identidades \u00fanicas. Com o passar do tempo, no entanto, essa diversidade foi dando lugar a padr\u00f5es e, hoje, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que todos caminham na mesma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a padroniza\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias nas redes sociais, a moda deixa de ser apenas express\u00e3o e passa a revelar as tens\u00f5es entre pertencimento, identidade e autenticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa quantitativa foi realizada especialmente para esta reportagem. O levantamento foi composto por cinco perguntas (quatro objetivas e uma aberta) com o objetivo de compreender como o p\u00fablico percebe o estilo pessoal em meio \u00e0 l\u00f3gica contempor\u00e2nea da moda.<\/p>\n\n\n\n<p>O formul\u00e1rio, divulgado online ao longo de quatro dias, reuniu 57 respostas de participantes da regi\u00e3o de Sorocaba, com idades entre 18 e 50 anos. A proposta foi mapear a percep\u00e7\u00e3o sobre a padroniza\u00e7\u00e3o do vestir, identificar os principais fatores que influenciam o consumo e captar, em respostas espont\u00e2neas, como os indiv\u00edduos definem o que \u00e9 ter um estilo pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>60% dos usu\u00e1rios disseram que as pessoas est\u00e3o sim se vestindo cada vez mais parecidas, enquanto 29% disseram que talvez pare\u00e7am iguais e 10% alegam que n\u00e3o. Ainda de acordo com o formul\u00e1rio, o que rege o consumo das roupas s\u00e3o o estilo pessoal e o conforto; as redes sociais aparecem em terceiro lugar. Os resultados demonstram que, mesmo com a massifica\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e9 ir contra a cultura de padr\u00f5es em uma busca de conforto e autenticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a jornalista e influencer de moda Tamires Dagnes, as redes sociais contribuem para essa percep\u00e7\u00e3o porque a informa\u00e7\u00e3o que demorava meses para chegar das passarelas ao consumidor agora est\u00e1 cada vez mais instant\u00e2nea. \u201cLooks viram tend\u00eancia em horas e passam a ser consumidos rapidamente, tornando a moda mais baseada no parecer do que no ser. O importante passa a ser estar dentro de um c\u00f3digo visual reconhec\u00edvel, uma f\u00f3rmula pronta e n\u00e3o necessariamente construir algo pr\u00f3prio. \u00c9 como se o significado ficasse mais raso, porque a est\u00e9tica vem antes da hist\u00f3ria por tr\u00e1s dela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa perspectiva se intensifica com a l\u00f3gica do consumo r\u00e1pido. Aplicativos de redes sociais com lojas integradas diretamente dentro das plataformas induzem o p\u00fablico a consumir no pr\u00f3prio v\u00eddeo em que a pe\u00e7a est\u00e1 exposta. Em uma rede social de alto consumo, um \u00fanico v\u00eddeo pode vender milhares de pe\u00e7as de roupas. Jovens s\u00e3o especialmente influenciados a reproduzir padr\u00f5es visuais como forma de pertencer e de serem aceitos socialmente<em>. <\/em>\u201c\u00c9 natural sentir essa press\u00e3o, principalmente, quando o algoritmo te for\u00e7a a seguir uma dire\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Tamires.<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o cen\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 observado em estudos acad\u00eamicos. Um artigo de Maria Isabella Pereira de Alencar e Maria Eduarda Bonfim de Oliveira, publicado em 2025 na Revista de Geopol\u00edtica, aponta que a exposi\u00e7\u00e3o constante a padr\u00f5es de beleza irreais nas redes sociais est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o corporal e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da autoimagem de adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A influenciadora de moda Suellen Cristina se destaca nas redes com seu cabelo ruivo, maquiagens nada convencionais e looks que misturam elementos dos anos 1970 e 1980.<br>Para ela, a moda depende muito de como voc\u00ea a usa. \u201cQualquer pessoa pode usar qualquer pe\u00e7a de roupa! Voc\u00ea pode muito bem usar um blazer e passar uma imagem formal, mas tamb\u00e9m pode us\u00e1-lo de uma forma divertida e descontra\u00edda. &nbsp;As pe\u00e7as s\u00e3o padronizadas, mas voc\u00ea n\u00e3o! A forma que estiliza a sua roupa \u00e9 o que determina o seu estilo, a sua ess\u00eancia! Eu n\u00e3o considero que tenho um estilo definido, eu fui crescendo, descobrindo o que eu realmente gosto e me moldando ao longo dos anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Suellen diz que, mesmo com seu estilo, ainda sente medo do julgamento ao usar certos looks na rua. Ela comenta que, por mais que as pessoas olhem, cabe a cada um decidir se absorve ou ignora esses olhares. \u201cNa verdade, eu acho que as pessoas pararam de tentar, sabe? Estamos em um momento onde tudo que foge minimamente do padr\u00e3o \u00e9 tomado como esquisito, rid\u00edculo. Ent\u00e3o, para evitar coment\u00e1rios desconfort\u00e1veis, as pessoas acabam se escondendo e caindo na padroniza\u00e7\u00e3o. Elas deixam a sua ess\u00eancia de lado pelo simples medo de julgamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que exista a ascens\u00e3o da pasteuriza\u00e7\u00e3o na moda, o formul\u00e1rio refletiu que estilo pessoal ainda \u00e9 caracterizado por palavras como \u201cautenticidade\u201d, \u201cpersonalidade\u201d, \u201cindepend\u00eancia\u201d e \u201ccriatividade\u201d. Em uma das respostas an\u00f4nimas da pergunta aberta sobre estilo pessoal, o respondente diz que \u201cse sentir bem com o que est\u00e1 vestindo, sem precisar seguir padr\u00f5es ou tend\u00eancias. Usar uma roupa que expresse quem voc\u00ea \u00e9, e n\u00e3o uma roupa que todos usam. Sinto que muitas pessoas que se vestem igual a influencers ou famosos e seguem tend\u00eancias est\u00e3o perdendo sua ess\u00eancia e personalidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A ess\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 citada por Suellen, com um misto de refer\u00eancias que voc\u00ea carrega de quem admira. \u201cA sua ess\u00eancia vem daquilo que gosta, daquilo que consome. Voc\u00ea se veste dessa maneira porque admira algu\u00e9m que te inspirou a se vestir assim, usa essa maquiagem porque \u00e9 algo que faz parte de voc\u00ea, e isso \u00e9 a sua identidade! Ningu\u00e9m pode apagar aquilo que admira, aquilo que voc\u00ea gosta, a n\u00e3o ser voc\u00ea mesmo!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Tamires Dagnes tamb\u00e9m cita que ter um estilo pr\u00f3prio n\u00e3o impede de seguir tend\u00eancias, e parte disso se reflete em patrocinadores que buscam <em>creators<\/em> com identidade pr\u00f3pria. \u201cHoje, meu estilo influencia meu conte\u00fado. Isso n\u00e3o quer dizer que eu seja uma <em>creator<\/em> imut\u00e1vel, mas acredito que ser fiel a voc\u00ea te permite ser aut\u00eantico at\u00e9 quando a mudan\u00e7a \u00e9 inevit\u00e1vel. Apesar disso, me mantenho fiel ao meu conte\u00fado e acredito que as marcas me procuram justamente por isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a busca por padr\u00f5es que fa\u00e7am pertencer a algum grupo, manter a identidade aut\u00eantica \u00e9 uma forma de se adaptar \u00e0 realidade do consumo massivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Tamires Dagnes e Suellen Cristina mostram, misturar refer\u00eancias, estilos e gostos \u00e9 fundamental para construir um estilo pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Alternativas sustent\u00e1veis, como artesanatos e brech\u00f3s, s\u00e3o sempre uma escolha para quem busca construir uma identidade \u00fanica. Assim, ao escolher pe\u00e7as al\u00e9m do cat\u00e1logo convencional, \u00e9 poss\u00edvel refletir ainda mais sua identidade sem repetir padr\u00f5es ou competir por aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>[Texto desenvolvido na disciplina de Jornalismo especializado, ministrada pela professora Georgia de Mattos]<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como redes sociais e fast fashion moldam o visual coletivo e porque manter a autenticidade continua sendo escolha pessoal. 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