{"id":5540,"date":"2026-04-23T09:24:07","date_gmt":"2026-04-23T12:24:07","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5540"},"modified":"2026-04-23T09:33:51","modified_gmt":"2026-04-23T12:33:51","slug":"resistencia-indigena-durante-a-colonizacao-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/04\/23\/resistencia-indigena-durante-a-colonizacao-contemporanea\/","title":{"rendered":"Resist\u00eancia ind\u00edgena durante a coloniza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A exposi\u00e7\u00e3o \u201cTerra Rasgada: mem\u00f3ria e resist\u00eancia ind\u00edgena\u201d, abre espa\u00e7o para debates sobre preserva\u00e7\u00e3o dos costumes e culturas origin\u00e1rias<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Antony Moscatelli (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"761\" height=\"536\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-5.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5542\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>L\u00edder ind\u00edgena Williams Tataendy (Kara\u2019i Tataendy) da aldeia Gwyra Pep\u00f3 | Foto: Gustavo Cassillo<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, o Brasil teve o in\u00edcio de sua hist\u00f3ria apresentada a partir da sa\u00edda das caravelas de Portugal, propagando um apagamento da mem\u00f3ria sobre o que j\u00e1 acontecia aqui antes da, hoje j\u00e1 entendida como, invas\u00e3o europeia. Essa narrativa, repetida em livros did\u00e1ticos e museus, n\u00e3o somente ignora a exist\u00eancia de centenas de povos origin\u00e1rios, mas encomenda uma vers\u00e3o conveniente, para muitos, do passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Sorocaba, essa vers\u00e3o da hist\u00f3ria est\u00e1 retratada na pintura \u201cFunda\u00e7\u00e3o de Sorocaba\u201d, obra de Ettore Marangoni, criada para o tricenten\u00e1rio da cidade em 1951. A obra mostra um grupo de ind\u00edgenas em posi\u00e7\u00e3o de subalterna ao bandeirante Baltazar Fernandes, em 1654.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-center is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-23441af8 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"372\" height=\"272\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5543\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"363\" height=\"272\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-4.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5541\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Obra \u201cFunda\u00e7\u00e3o de Sorocaba\u201d, de Ettore Marangoni | Em ordem: Larissa Girardi, Cristian Miguel Braz\u00e3o e Mateus Lopes Teixeira, mostrando frases ditas por ind\u00edgenas ao verem a pintura | Foto: Antony Moscatelli<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>A professora do curso de Hist\u00f3ria da Uniso, Larissa Girardi Losarda (33), muse\u00f3loga, historiadora e arquiteta, explica que essa pintura \u201c\u00e9 criada para ser uma janela no tempo. Ela \u00e9 criada para uma pessoa ver e falar: foi assim que aconteceu.\u201d Os pintores seguiam um protocolo para pintar os bandeirantes, justamente para moldar essa imagem, \u201cvoc\u00ea n\u00e3o observa o bandeirante com a arma em punho, ele est\u00e1 parado e as armas est\u00e3o penduradas. Por qu\u00ea? Porque ele tem que ser bom, ele tem que ser justo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto para alguns, Baltazar Fernandes \u00e9 tido como um her\u00f3i sorocabano, com est\u00e1tuas espalhadas pela cidade, para o estudante de ci\u00eancias biol\u00f3gicas, Cristian Miguel Braz\u00e3o (23), da etnia Baniwa (e para outros ind\u00edgenas), essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu senti uma sensa\u00e7\u00e3o estranha [ao ver a pintura] de que tinha algo errado. Era como se [ele] estivesse disciplinando os ind\u00edgenas, s\u00f3 que a forma que foi retratada \u00e9 como se fosse de uma forma boa, sem maltratar as pessoas. Eu n\u00e3o vi como se fosse uma informa\u00e7\u00e3o certa. Foi a primeira vez que pensei \u2018como eles representam algo assim e ainda colocam como se a pessoa fosse um her\u00f3i?\u2019\u201d Cristian relata tamb\u00e9m que outras imagens, principalmente relacionadas \u00e0 catequiza\u00e7\u00e3o o fizeram pensar sobre a pr\u00f3pria comunidade. \u201cEu me lembro que, na minha inf\u00e2ncia, a gente tinha umas tradi\u00e7\u00f5es sobre dan\u00e7as, apresenta\u00e7\u00f5es, sobre rituais de passagem. A\u00ed, com o tempo, foi sumindo. Onde eu nasci, pouco dela tem se mantido. Tanto que, vindo de mim, pouco eu sei da minha cultura. Ent\u00e3o por que isso est\u00e1 sendo retratado de uma forma boa, sendo que, por causa disso, eu acabei esquecendo um pouco da minha cultura?\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/essa-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5545\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/essa-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/essa-300x200.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/essa-768x512.jpeg 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/essa.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Cristian Miguel Braz\u00e3o | Foto: Gustavo Cassillo<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Os europeus equiparavam a cultura que girava em torno da religi\u00e3o crist\u00e3 \u00e0 civilidade, e aqueles que n\u00e3o eram \u201cciviliz\u00e1veis\u201d eram vistos como \u201cselvagens\u201d e \u201cb\u00e1rbaros\u201d. Assim se deu in\u00edcio ao processo de catequiza\u00e7\u00e3o, em que os ind\u00edgenas foram impedidos de exercerem sua espiritualidade e obrigados a seguir os dogmas cat\u00f3licos. Nesse caminho, aqueles que se negaram foram intitulados \u201cb\u00e1rbaros\u201d e foram mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena brasileira girava em torno de 5 milh\u00f5es de pessoas, organizadas em mais de 2 mil povos. O \u00f3rg\u00e3o oficial Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Ind\u00edgena (SPI), na d\u00e9cada de 1960, estimou que essa popula\u00e7\u00e3o tinha cerca de 100 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Censo demogr\u00e1fico de 2022 (IBGE), a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena representa 0,83% da popula\u00e7\u00e3o do Brasil, o que ainda sim representa um aumento significativo de 76,6% em rela\u00e7\u00e3o ao censo de 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>O l\u00edder Guarani-Mby\u00e1, Williams Tataendy (Kara\u2019i Tataendy), da aldeia Gwyra Pep\u00f3, em Tapira\u00ed, conta que \u201cquando houve esses conflitos, o pr\u00f3prio colonizador falava \u2018o paj\u00e9 \u00e9 um feiticeiro, ent\u00e3o isso que est\u00e1 fazendo mal para a sua aldeia\u2019, algumas etnias foram exterminadas por causa disso, porque o pr\u00f3prio colonizador jogava ind\u00edgenas contra os ind\u00edgenas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Kuhupi Waur\u00e1 (29), da etnia Waur\u00e1, entende \u201co apagamento de cren\u00e7as como uma forma de apagar as mem\u00f3rias, a cultura e tudo mais\u201d. Considerando que a espiritualidade \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 vida e ao modo como os ind\u00edgenas se relacionam com ela, a catequiza\u00e7\u00e3o foi o primeiro passo para o apagamento das identidades dos povos origin\u00e1rios do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"760\" height=\"506\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5544\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Kuhupi Waura | Foto: Gustavo Cassillo<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Williams Tataendy, a espiritualidade se d\u00e1 por uma conex\u00e3o interior com o mundo e os seres encantados, que habitam o cotidiano dos povos origin\u00e1rios. Diferente da vis\u00e3o euroc\u00eantrica de religi\u00e3o, baseada na busca em se conectar com um Deus, os povos j\u00e1 s\u00e3o ligados individual e coletivamente com a ancestralidade, que habita e orienta suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse epistemic\u00eddio, que Larissa Girardi explica como \u201cprocesso que se relaciona com impor determinadas culturas, religi\u00f5es, etc., e que se d\u00e1 em um apagamento intencional\u201d, resulta em uma grande parcela de brasileiros, os n\u00e3o-ind\u00edgenas, que n\u00e3o conhece a hist\u00f3ria pr\u00f3pria do Brasil, como diz Williams Tataendy.<\/p>\n\n\n\n<p>E as hist\u00f3rias e mem\u00f3rias que sobreviveram, acabam se tornando meramente \u201cest\u00f3rias\u201d para essa grande parcela de brasileiros, incorporadas a fantasias e alegorias de quem n\u00e3o sabe como conduzir essas hist\u00f3rias, at\u00e9 o momento em que elas se perdem de seu pr\u00f3prio significado, como Cristian exemplifica: \u201cNa cria\u00e7\u00e3o do mundo, existia o ser chamado \u00d1aporikoli, que criou as pessoas, os cl\u00e3s, etnias e tudo mais, assim como nas demais cren\u00e7as. S\u00f3 que a nossa foi reduzida a fic\u00e7\u00e3o, e ela fica ridicularizada, voc\u00ea deixa de crer naquilo e deixa de contar a hist\u00f3ria por causa disso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Larissa ainda traz a preocupa\u00e7\u00e3o de que, colocando essas mem\u00f3rias na categoria de fic\u00e7\u00e3o, essas culturas sejam vistas como algo \u201cdo passado, como se esses povos estivessem apenas no passado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o somente no campo das narrativas, mas muito da materialidade ind\u00edgena tamb\u00e9m \u00e9 colocada no passado. \u201cAs produ\u00e7\u00f5es, inclusive historiogr\u00e1ficas locais, refor\u00e7am que \u2018os ind\u00edgenas <em>viviam<\/em> aqui\u2019, \u2018os povos que <em>habitavam <\/em>Sorocaba\u2019&#8230; s\u00f3 que a gente entende que isso n\u00e3o est\u00e1 no passado. Por que a gente coloca na exposi\u00e7\u00e3o \u201cTerras rasgadas, mem\u00f3ria e resist\u00eancia ind\u00edgena\u201d? Porque as pessoas est\u00e3o aqui. Resistindo desde que o per\u00edodo chamado de coloniza\u00e7\u00e3o foi iniciado, mas a despeito disso, para as pessoas ind\u00edgenas essa coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o acabou. Isso \u00e9 um processo de coloniza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Querem botar no passado como se fosse algo resolvido, mas quem est\u00e1 vivendo isso cotidianamente entende que n\u00e3o acabou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Williams conta que sua filha estuda fora da aldeia, \u201cela veio e falou assim: \u2018eu me sinto confusa, porque a gente estudou hist\u00f3ria hoje, mas as hist\u00f3rias n\u00e3o falam da gente que vive no Brasil&#8217;. A gente tem mais de 300 povos ind\u00edgenas totalmente diferentes. Eu sou Guarani-Mby\u00e1, se eu falar que conhe\u00e7o toda a etnia Guarani-Nhandewa, eu vou estar mentindo. Os livros falam do ind\u00edgena, mas de qual?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u201cTerra Rasgada: mem\u00f3ria e resist\u00eancia ind\u00edgena\u201d, que esteve na Uniso de 13 a 17 de abril, se prop\u00f4s a abrir espa\u00e7o para o olhar contempor\u00e2neo da arqueologia, que estuda o hoje. Al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o montada na biblioteca Alu\u00edsio de Almeida, na Uniso, a programa\u00e7\u00e3o da semana incluiu apresenta\u00e7\u00f5es e debates com convidados externos. A partir do inc\u00f4modo gerado na primeira visita ao Museu Hist\u00f3rico Sorocabano, a curadoria do acervo foi feita a partir da materialidade ind\u00edgena trazida pelos integrantes do Centro de Conviv\u00eancia Ind\u00edgena (CCI), da UFSCar Sorocaba. A exposi\u00e7\u00e3o teve como objetivo maior ressoar a necessidade de afirmar Sorocaba enquanto uma terra ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSorocaba \u00e9 uma cidade que tem v\u00e1rios s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e a gente pouco fala sobre isso. Ent\u00e3o, se a gente fosse analisar a nossa cidade enquanto documento hist\u00f3rico, a pr\u00f3pria cidade de Sorocaba mostraria como se deu esse processo\u201d, conta Larissa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuito se fala, em hist\u00f3ria, sobre fontes escritas. Mas a gente sabe que a maior parte dos grupos humanos n\u00e3o se utilizavam de fontes escritas. Ent\u00e3o a mem\u00f3ria era a parte principal da hist\u00f3ria deles\u201d, explica o historiador e mestre em arqueologia Mateus Lopes Teixeira (30) sobre o reconhecimento de documentos hist\u00f3ricos. \u201cHoje, um guarani, como o L\u00edder Williams, sabe fazer a ro\u00e7a do mesmo jeito que os ancestrais dele faziam h\u00e1 2.500 anos atr\u00e1s. Esse \u00e9 o peso da mem\u00f3ria ancestral, ningu\u00e9m escreveu isso para ele.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na aldeia Gwyra Pep\u00f3, a ancestralidade e a hist\u00f3ria s\u00e3o os pilares que mant\u00e9m a cultura forte. \u201cOs jovens falam assim: \u2018Por que voc\u00ea \u00e9 forte hoje?\u2019 Porque a gente est\u00e1 sendo guiado pelos nossos ancestrais, que est\u00e3o aqui com a gente. Isso \u00e9 espiritualidade. A gente est\u00e1 sempre no dia a dia conversando com eles para eles sentirem como \u00e9 importante eles tamb\u00e9m se fortalecerem, para que a nossa cultura continue sendo realidade\u201d, conta Williams. \u201cEu sempre falo que eu tenho orgulho de ser guarani. Eu sou guarani, eu sempre vou ser guarani. Na pr\u00f3xima reencarna\u00e7\u00e3o eu quero ser de novo guarani. E \u00e9 isso que a gente passa para os nossos jovens. Isso nos fortalece e fortalece eles tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, al\u00e9m da luta pela preserva\u00e7\u00e3o da espiritualidade e modo de vida, os povos origin\u00e1rios tamb\u00e9m est\u00e3o ligados \u00e0 luta pela preserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, no Brasil, o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI)<sup>(1)<\/sup> registrou 230 ocorr\u00eancias envolvendo garimpo, madeireiros e grileiros e 154 casos de conflitos relacionados a direitos territoriais em 114 terras ind\u00edgenas, al\u00e9m de 48 terras ind\u00edgenas que registraram inc\u00eandios ou queimadas provocadas pela expans\u00e3o de atividades ilegais. Segundo a ONU, mesmo representando apenas 6% da popula\u00e7\u00e3o mundial, os povos origin\u00e1rios protegem cerca de 80% da fauna e da flora em todo o globo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o que as popula\u00e7\u00f5es t\u00eam com a floresta \u00e9 muito diferente de n\u00f3s ocidentais. Cada vez mais no nosso mundo atual a gente entende que o territ\u00f3rio n\u00e3o sobrevive sem as suas popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias, infelizmente, o homem branco demonstrou que ele n\u00e3o \u00e9 capaz\u201d, pondera Mateus Teixeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa persegui\u00e7\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, n\u00e3o s\u00f3 na luta pelo meio ambiente, mas por representatividade em cargos que possam ajudar de fato, estimulam jovens ind\u00edgenas, como conta Williams. \u201cA gente incentiva os nossos jovens a fazer uma universidade, para que possam ter mais ind\u00edgenas capacitados para nos representar e representar os nossos territ\u00f3rios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A luta contra o preconceito \u00e9 plural, como mencionou Larissa durante as apresenta\u00e7\u00f5es da programa\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o Terra Rasgada, \u201co racismo \u00e9 um problema criado pelos brancos\u201d. Por isso, nosso papel enquanto sociedade \u00e9 ajudar a instrumentalizar e ampliar a voz dessas pessoas, para que possamos alcan\u00e7ar a democracia.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>(1) <\/sup>Para saber mais, acesse o \u201cRelat\u00f3rio: Dados de 2024 \u2013 Viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas no Brasil\u201d: <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/relatorio-violencia-povos-indigenas-2024-cimi.pdf\">https:\/\/cimi.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/relatorio-violencia-povos-indigenas-2024-cimi.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u201cTerra Rasgada: mem\u00f3ria e resist\u00eancia ind\u00edgena\u201d, abre espa\u00e7o para debates sobre preserva\u00e7\u00e3o dos costumes e culturas origin\u00e1rias Por<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[11,4,15,16,9,7,37,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5540","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diversidade","category-evento","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-reportagens-especiais","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/diversidade\/\" rel=\"category tag\">diversidade<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/evento\/\" rel=\"category tag\">Evento<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/reportagens-especiais\/\" rel=\"category tag\">Reportagens Especiais<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5540"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5547,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5540\/revisions\/5547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}