{"id":5636,"date":"2026-05-13T09:15:42","date_gmt":"2026-05-13T12:15:42","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5636"},"modified":"2026-05-13T09:15:43","modified_gmt":"2026-05-13T12:15:43","slug":"ate-onde-vai-a-empatia-com-a-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/05\/13\/ate-onde-vai-a-empatia-com-a-saude-mental\/","title":{"rendered":"At\u00e9 onde vai a empatia com a sa\u00fade mental?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o refor\u00e7am a import\u00e2ncia do cuidado psicol\u00f3gico, mas nem todos os transtornos recebem o mesmo acolhimento social.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Beatriz Viana\u00a0(Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"427\" height=\"473\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-13-091211.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5637\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-13-091211.jpg 427w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-13-091211-271x300.jpg 271w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Imagem de divulga\u00e7\u00e3o<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Falar sobre sa\u00fade mental nunca foi t\u00e3o comum. Basta abrir qualquer rede social para ser inundado por frases sobre autocuidado, lembretes de terapia e discursos sobre empatia que parecem estar em todo lugar, das campanhas publicit\u00e1rias aos murais das empresas. Agora em maio, os Estados Unidos celebram o <em>Mental Health\u00a0Awareness\u00a0Month<\/em>, uma iniciativa que j\u00e1 completa 77 anos. Mas, olhando de perto, fica a d\u00favida: estamos mesmo avan\u00e7ando ou estamos apenas selecionando quais dores merecem nossa aten\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que, apesar de todo o progresso, existe um &#8220;filtro&#8221; na aceita\u00e7\u00e3o social. Transtornos como ansiedade e&nbsp;burnout&nbsp;foram abra\u00e7ados pelo debate p\u00fablico, especialmente ap\u00f3s a pandemia. Mas quando falamos de diagn\u00f3sticos mais complexos e estigmatizados, como o Transtorno Bipolar ou o Borderline, o acolhimento muitas vezes d\u00e1 lugar ao afastamento. Onde termina a frase motivacional e come\u00e7a o medo?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0<em>National\u00a0Institute\u00a0of\u00a0Mental Health <\/em>aponta que o\u00a0tabu sobre esses transtornos ainda \u00e9 a maior barreira para quem precisa de ajuda. E os n\u00fameros no Brasil refor\u00e7am a gravidade da situa\u00e7\u00e3o: em 2025, o Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais. \u00c9 um recorde que esconde uma realidade cruel: muitos desses pacientes relatam que a empatia acaba quando os sintomas deixam de ser &#8220;aceit\u00e1veis&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil ter empatia com quem est\u00e1 cansado ou triste; o desafio \u00e9 manter o apoio diante de oscila\u00e7\u00f5es intensas de humor, da impulsividade ou de crises emocionais que fogem ao controle. Em f\u00f3runs e redes sociais, o relato \u00e9 quase sempre o mesmo: o medo de ser reduzido a um diagn\u00f3stico. E o preconceito mais doloroso costuma acontecer dentro de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos, a pr\u00f3pria fam\u00edlia se torna um tribunal. Sintomas psicol\u00f3gicos reais s\u00e3o lidos como agressividade, exagero ou at\u00e9 manipula\u00e7\u00e3o. Existe uma dificuldade imensa em separar a pessoa do transtorno, o que faz com que muitos escolham o sil\u00eancio. Por medo de serem vistos como &#8220;loucos&#8221; ou &#8220;perigosos&#8221;, eles escondem o que sentem, evitam pedir ajuda e se isolam em um ciclo de culpa e desumaniza\u00e7\u00e3o.&nbsp;Especialistas alertam que esse julgamento adia a busca por tratamento profissional. Muita gente hesita em procurar ajuda simplesmente por medo do que os outros v\u00e3o pensar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O debate sobre sa\u00fade mental avan\u00e7ou, sim, mas ele n\u00e3o pode se limitar a discursos confort\u00e1veis. Conscientizar de verdade exige presen\u00e7a nos momentos dif\u00edceis, inclusive quando os sintomas s\u00e3o incompreens\u00edveis para quem olha de fora. Mais do que repetir palavras bonitas sobre acolhimento, precisamos encarar a pergunta que campanhas como o <em>Mental Health\u00a0Awareness\u00a0Month<\/em>\u00a0nos prop\u00f5em: at\u00e9 onde\u00a0vai a nossa empatia quando o outro deixa de ser f\u00e1cil de lidar?\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o refor\u00e7am a import\u00e2ncia do cuidado psicol\u00f3gico, mas nem todos os transtornos recebem o mesmo acolhimento social. 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