{"id":5660,"date":"2026-05-18T09:45:30","date_gmt":"2026-05-18T12:45:30","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5660"},"modified":"2026-05-18T10:02:50","modified_gmt":"2026-05-18T13:02:50","slug":"oab-de-tatui-debate-letramento-racial-e-educacao-antirracista-nas-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/05\/18\/oab-de-tatui-debate-letramento-racial-e-educacao-antirracista-nas-escolas\/","title":{"rendered":"OAB de Tatu\u00ed debate letramento racial e educa\u00e7\u00e3o antirracista nas escolas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ao fim do dia, a Casa de Advocacia de Tatu\u00ed reuniu colaboradores para discutir o letramento racial 137 anos depois de a Lei \u00c1urea ser assinada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Leticia Am\u00e9rico Camargo (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"709\" height=\"548\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5666\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9.jpeg 709w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9-300x232.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Bonecas Africanas em exposi\u00e7\u00e3o | Foto por Let\u00edcia Am\u00e9rico Camargo<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Realizado na \u00faltima quarta-feira (13), o evento organizado pela OAB de Tatu\u00ed reuniu representantes importantes para discutir o Direito Antidiscriminat\u00f3rio e o Letramento Racial nas Escolas. As palestrantes La\u00eds Carvalho e Ros\u00e2ngela Louren\u00e7o mediaram a noite com duas apresenta\u00e7\u00f5es referente ao assunto, e discutiram pautas de grande import\u00e2ncia para o futuro das novas gera\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s o momento de reflex\u00e3o, a noite se encerrou com a apresenta\u00e7\u00e3o da violoncelista Lua D\u2019Alessandro, que encantou a todos com a sua m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia 13 de maio marca um momento importante na trajet\u00f3ria do pa\u00eds. H\u00e1 137 anos atr\u00e1s, a princesa Isabel assinou a Lei \u00c1urea, que viria a libertar todos os escravizados do Brasil. Primeira palestrante da noite, La\u00eds Carvalho iniciou sua reflex\u00e3o comentando exatamente sobre este acontecimento. \u00c9 comum que durante o ensino nas escolas, se aprenda que a grande libertadora do povo preto foi uma princesa europeia, uma mulher branca que toma o local como grande salvadora. Entretanto, a verdade \u00e9 que Isabel estava sendo pressionada por quest\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, e n\u00e3o assinou o papel por miseric\u00f3rdia, mas por necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>La\u00eds segue a noite contando a hist\u00f3ria de personalidades importantes como Esperan\u00e7a Garc\u00eda, a primeira mulher a se tornar advogada no Brasil. Uma mulher escravizada que iniciaria sua hist\u00f3ria reivindicando seus direitos atrav\u00e9s de uma carta, direcionada \u00e0s autoridades. Evidenciando o valor destas pessoas ao longo da hist\u00f3ria do pa\u00eds, a Advogada, presidente da Comiss\u00e3o da Igualdade Racial da OAB Sumar\u00e9, pesquisadora de interseccionalidade entre ra\u00e7a, g\u00eanero, cultura e territ\u00f3rio, al\u00e9m de coautora dos projetos Territ\u00f3rio do Invis\u00edvel e Direito na Mochila revela a import\u00e2ncia de levarmos esse tipo de assunto para as escolas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"709\" height=\"398\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-10.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5667\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-10.jpeg 709w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-10-300x168.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>La\u00eds Carvalho durante sua palestra na OAB de Tatu\u00ed | Foto por Leticia Am\u00e9rico Camargo<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA import\u00e2ncia nasce da minha pr\u00f3pria trajet\u00f3ria: na escola, h\u00e1 30 anos, n\u00e3o havia acesso \u00e0 cultura africana, ao letramento racial nem ao entendimento do racismo estrutural. Sofr\u00edamos racismo sem conseguir nome\u00e1-lo. Por isso, surgiu a necessidade de levar esse debate \u00e0s salas de aula, para que as crian\u00e7as de hoje n\u00e3o precisem passar pelo mesmo caminho doloroso. Al\u00e9m disso, acreditamos que \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o e da troca de saberes que conseguimos enfrentar essas barreiras\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de sua carreira profissional, La\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 coautora de dois projetos, e explica um pouco como funciona um deles, o Direito na Mochila. \u201cO projeto nasceu, em 2022, da urg\u00eancia de levar o acesso aos direitos e deveres para dentro das escolas, usando a hist\u00f3ria da legisla\u00e7\u00e3o brasileira como fio condutor. A iniciativa mostra aos estudantes como a lei teve um papel amb\u00edguo ao longo da hist\u00f3ria: ao mesmo tempo em que ajudou a estruturar a escraviza\u00e7\u00e3o e o racismo, tamb\u00e9m \u00e9 por meio dela que o Estado busca reparar esses danos atualmente. Assim, o \u2018Direito na Mochila\u2019 atua como uma ferramenta pedag\u00f3gica e social de educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e letramento racial, ajudando os jovens a compreender seus direitos, deveres e transformar suas realidades\u201d, explica La\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuando as reflex\u00f5es, Ros\u00e2ngela Louren\u00e7o, assistente social, palestrante e criadora do Akoma Projetos exibe uma linha do tempo de acontecimentos relevantes dentro da trajet\u00f3ria do povo negro durante o per\u00edodo de escraviza\u00e7\u00e3o, comprovando que grande parte da hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 ensinada para a popula\u00e7\u00e3o nas escolas. Entre os t\u00f3picos levantados, religi\u00e3o, cultura e revoltas foram o guia da palestra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao explicar sobre a educa\u00e7\u00e3o antirracista, a assistente aocial explica como trazer esses assuntos para o dia a dia dos estudantes, e aproxim\u00e1-los de uma realidade mais igualit\u00e1ria. \u201cA educa\u00e7\u00e3o antirracista vai al\u00e9m de disponibilizar informa\u00e7\u00e3o: \u00e9 preciso transformar conhecimento em a\u00e7\u00e3o concreta. Apesar de existirem palestras e debates sobre o tema, os casos de racismo mostram que ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer, especialmente nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.\u201d Segundo ela, o avan\u00e7o existe, mas ainda \u00e9 inicial, com as concep\u00e7\u00f5es antirracistas \u2018engatinhando\u2019. A palestrante tamb\u00e9m defende uma educa\u00e7\u00e3o positiva, que valorize a resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra durante e ap\u00f3s a escraviza\u00e7\u00e3o, fortalecendo a autoestima e o conhecimento hist\u00f3rico dos estudantes. Para ela, \u201cessa hist\u00f3ria n\u00e3o deve ser lembrada apenas no 20 de novembro, mas fazer parte do cotidiano escolar ao longo de todo o ano\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu projeto, conhecido como Akoma surgiu em 2019, a partir da trajet\u00f3ria acumulada de trabalhos e iniciativas voltadas para quest\u00f5es raciais e sociais em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. A ag\u00eancia foi criada com o objetivo de promover di\u00e1logos sobre diversidade, racismo e direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ em espa\u00e7os de base, como periferias, escolas e ambientes culturais. Em Tatu\u00ed, a atua\u00e7\u00e3o incluiu a realiza\u00e7\u00e3o de saraus, projetos comunit\u00e1rios e a presen\u00e7a de poetas reconhecidos nacionalmente pela milit\u00e2ncia antirracista. Al\u00e9m disso, houve a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 inclus\u00e3o e diversidade no Conservat\u00f3rio de Tatu\u00ed, com a contrata\u00e7\u00e3o de pessoas negras, LGBTQIA+ e pessoas com defici\u00eancia para cargos administrativos e de lideran\u00e7a. Dessa forma, se consolidou como uma iniciativa voltada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social, ao acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas e ao fortalecimento da autonomia dos sujeitos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"709\" height=\"398\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5669\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12.jpeg 709w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12-300x168.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Ros\u00e2ngela Louren\u00e7o durante sua palestra na OAB de Tatu\u00ed | Foto por Leticia Am\u00e9rico Camargo<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da noite, a musicista Lua D\u2019Alessandro realizou uma apresenta\u00e7\u00e3o musical. Violoncelista, doutora em M\u00fasica, Linguagem e Sonologia pela UNICAMP e criadora dos projetos Ecoares e Kianda, Lua, uma mulher trans, ressalta ainda mais a import\u00e2ncia da realiza\u00e7\u00e3o de eventos sobre diversidade. Para ela, arte e reflex\u00e3o social caminham juntas, j\u00e1 que a pr\u00f3pria presen\u00e7a de uma mulher trans tocando violoncelo questiona quais corpos s\u00e3o historicamente autorizados a ocupar determinados espa\u00e7os na m\u00fasica. A artista destaca que o violoncelo, tradicionalmente ligado \u00e0 m\u00fasica erudita europeia e a uma trajet\u00f3ria marcada majoritariamente por compositores homens, tamb\u00e9m pode ser ressignificado por outras experi\u00eancias, repert\u00f3rios e identidades. Inspirada por violoncelistas que transitam pela m\u00fasica popular e latina, ela busca ampliar as possibilidades do instrumento e romper expectativas sobre o fazer musical.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA arte acessa lugares que a pr\u00f3pria reflex\u00e3o social n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar, porque rompe os limites das palavras e atua na percep\u00e7\u00e3o e subjetividade de cada pessoa. Enquanto o discurso tem limites, a arte permite diferentes interpreta\u00e7\u00f5es a partir das viv\u00eancias individuais. Por isso, em espa\u00e7os de reflex\u00e3o social, ela expande o alcance do debate e consegue tocar lugares profundos que o discurso racional muitas vezes n\u00e3o acessa\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"710\" height=\"532\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-11.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5668\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-11.jpeg 710w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-11-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><sub>Lua D\u2019Alessandro durante sua apresenta\u00e7\u00e3o na OAB de Tatu\u00ed | Foto por Leticia Am\u00e9rico Camargo<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma de suas falas, Ros\u00e2ngela disse: \u201cN\u00f3s vamos sobreviver por mais 500 anos, e mostrar para aqueles que nos arrastaram por correntes, nos chamaram de animais, de macacos, que n\u00f3s somos um povo\u201d. A frase sintetizou o tom da noite, marcada por debates, m\u00fasica e reflex\u00f5es sobre mem\u00f3ria, resist\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o antirracista. O evento refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de discutir o letramento racial para al\u00e9m das datas simb\u00f3licas, levando o tema para o cotidiano das escolas e da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao fim do dia, a Casa de Advocacia de Tatu\u00ed reuniu colaboradores para discutir o letramento racial 137 anos depois<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[11,15,16,9,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diversidade","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/diversidade\/\" rel=\"category tag\">diversidade<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5660"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5671,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660\/revisions\/5671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}