{"id":5721,"date":"2026-05-27T09:11:31","date_gmt":"2026-05-27T12:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5721"},"modified":"2026-05-27T09:11:31","modified_gmt":"2026-05-27T12:11:31","slug":"o-impacto-da-incerteza-climatica-nas-producoes-de-arroz-no-rio-grande-do-sul-em-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/05\/27\/o-impacto-da-incerteza-climatica-nas-producoes-de-arroz-no-rio-grande-do-sul-em-2026\/","title":{"rendered":"O impacto da incerteza clim\u00e1tica nas produ\u00e7\u00f5es de arroz no Rio Grande do Sul em 2026"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Eventos extremos no campo afetam produtores, alteram pre\u00e7os e exp\u00f5em desigualdades estruturais na produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Ra\u00edssa Rosendo, Rayane Azevedo e Sophia Ruivo (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-22.28.49-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5725\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-22.28.49-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-22.28.49-300x169.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-22.28.49-768x432.jpeg 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-22.28.49-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-22.28.49.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sup>Produ\u00e7\u00e3o da lavoura de arroz | Foto: arquivo pessoal Leonardo Munari, Fazenda Munari<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A irregularidade clim\u00e1tica tem afetado a produtividade agr\u00edcola no Brasil, com impactos distintos entre regi\u00f5es produtoras e culturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da previs\u00e3o de safra recorde de soja estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 177,8 milh\u00f5es de toneladas na temporada 2025\/26, um crescimento de 3,7%, eventos extremos, como secas e excesso de chuvas, t\u00eam pressionado o cultivo de alimentos b\u00e1sicos, como arroz e feij\u00e3o, encarecendo o abastecimento e aprofundando desigualdades no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, a imprevisibilidade clim\u00e1tica se tornou um dos principais entraves para a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os essenciais. A incerteza no regime de chuvas, seja pela escassez ou pelo excesso em curtos per\u00edodos, dificulta o planejamento das lavouras e compromete a produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os impactos s\u00e3o mais intensos no Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do pa\u00eds, que tem enfrentado uma sequ\u00eancia de enchentes e alagamentos capazes de comprometer \u00e1reas inteiras de cultivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos produtores afetados \u00e9 o agricultor Leonardo Munari, da regi\u00e3o norte do estado, em Torres. Segundo ele, a instabilidade clim\u00e1tica vai al\u00e9m das lavouras e atinge diretamente a tomada de decis\u00f5es no campo. \u201cAs previs\u00f5es est\u00e3o muito inseguras. Como tomar uma decis\u00e3o importante sem confian\u00e7a no tempo? A gente pode perder uma lavoura de 30 hectares por erro de previs\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio de constante instabilidade clim\u00e1tica, o doutor em Engenharia Agr\u00edcola, professor Admilson Irio Ribeiro, explica que h\u00e1 uma diferen\u00e7a estrutural entre os modelos de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no pa\u00eds. Segundo ele, culturas voltadas ao mercado internacional contam com maior n\u00edvel tecnol\u00f3gico, enquanto os alimentos destinados ao consumo interno enfrentam mais limita\u00e7\u00f5es. \u201cA varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica traz dificuldade de manter uma produtividade constante. A produ\u00e7\u00e3o de alimentos mesmo no Brasil, no caso, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para a mesa, ele vem da agricultura familiar e das pequenas propriedades. Esse n\u00famero chega a ser cerca de 60% dos produtos que est\u00e3o na nossa mesa, vem da pequena propriedade. E, muitas vezes, a gente n\u00e3o tem uma pol\u00edtica bem definida, tanto do ponto de vista de fomento quanto tamb\u00e9m de assist\u00eancia tecnol\u00f3gica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fala evidencia que, al\u00e9m dos impactos clim\u00e1ticos, h\u00e1 tamb\u00e9m uma desigualdade estrutural no campo, que afeta diretamente a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o dos produtores de alimentos b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, essa desigualdade se materializa nas diferen\u00e7as de terreno de plantio, nas formas de produ\u00e7\u00e3o e na escala produtiva, do pequeno ao grande produtor. No caso de Munari, a situa\u00e7\u00e3o se agrava por ele atuar em \u00e1reas de v\u00e1rzea, regi\u00f5es naturalmente mais suscet\u00edveis a alagamentos e que dependem diretamente do comportamento dos rios e do volume de chuvas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da imprevisibilidade, o excesso de precipita\u00e7\u00e3o tem provocado impactos diretos na lavoura. \u201cO problema s\u00e3o chuvas de 120 a 150 mil\u00edmetros em 24 horas\u201d, explica. Nessas condi\u00e7\u00f5es, \u201cas \u00e1reas alagam e a \u00e1gua demora muito para baixar\u201d e, em muitos casos, \u201cquando est\u00e1 baixando, vem outra pancada e levanta tudo de novo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os preju\u00edzos s\u00e3o recorrentes e afetam diretamente a produ\u00e7\u00e3o. \u201cPerdemos arroz embaixo da \u00e1gua\u201d e \u201cteve \u00e1rea que precisou ser replantada por causa da chuva\u201d, relata o agricultor. Segundo ele, a situa\u00e7\u00e3o tem se repetido com frequ\u00eancia: \u201cquase todo ano a gente tem problema com excesso de chuva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo diante desses desafios, o problema n\u00e3o se limita ao clima. \u201cA produtividade \u00e9 boa, mas n\u00e3o compensa plantar\u201d e \u201co pre\u00e7o do arroz est\u00e1 extremamente defasado\u201d, afirma Munari, ao destacar o descompasso entre custo de produ\u00e7\u00e3o e retorno financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A instabilidade relatada no campo \u00e9 reflexo de um cen\u00e1rio mais amplo. Segundo o professor Admilson Irio Ribeiro, \u201ca gente tem uma instabilidade no regime de chuvas\u201d e \u201cos eventos clim\u00e1ticos ficaram mais severos, com grande varia\u00e7\u00e3o de temperatura e chuva\u201d, o que intensifica ainda mais os desafios enfrentados pelos produtores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"781\" height=\"586\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-15.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5724\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-15.jpeg 781w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-15-300x225.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-15-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Fazenda Munari devastada pela enchente, produ\u00e7\u00e3o alagada e perdida | Foto: Leonardo Munari<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses efeitos tamb\u00e9m se refletem na economia nacional, principalmente, na mesa do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o engenheiro agr\u00f4nomo Prof. Dr. Manuel Enrique Gamero Guandique, o cen\u00e1rio clim\u00e1tico n\u00e3o ser\u00e1 impactado somente a curto prazo. As grandes enchentes que ocorreram em 2025 afetaram a maior parte das produ\u00e7\u00f5es, e isso continua sendo um risco recorrente na regi\u00e3o. \u201cNestes \u00faltimos anos, tem ocorrido muitos eventos extremos que afetaram e afetam diretamente a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com destaque ao arroz e ao feij\u00e3o. Essa variabilidade, seja anos muito secos ou muito chuvosos, influenciam diretamente nos pre\u00e7os desses alimentos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, a variabilidade clim\u00e1tica interfere diretamente no comportamento do mercado, intensificando a oscila\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Em anos de quebra de safra, como em 2025, a redu\u00e7\u00e3o da oferta pressiona os pre\u00e7os para cima, enquanto em per\u00edodos de maior produ\u00e7\u00e3o, a amplia\u00e7\u00e3o da oferta tende a reduzir os pre\u00e7os, evidenciando a rela\u00e7\u00e3o direta entre clima e din\u00e2mica de oferta e demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Guandique, a press\u00e3o sobre os recursos naturais pode agravar ainda mais o cen\u00e1rio. De acordo com relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), de 2025, a expans\u00e3o da \u00e1rea cultivada de arroz no Rio Grande do Sul tem elevado significativamente a demanda por irriga\u00e7\u00e3o, pressionando a disponibilidade h\u00eddrica para os produtores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, uma eventual redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea plantada pode comprometer o abastecimento e impactar diretamente o custo dos alimentos para o consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das quest\u00f5es clim\u00e1ticas, a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de insumos adiciona uma preocupa\u00e7\u00e3o com fertilizantes e combust\u00edveis, associada \u00e0s instabilidades geopol\u00edticas de pa\u00edses exportadores, o que pode comprometer as pr\u00f3ximas safras.\u201cH\u00e1 risco de falta de insumos e at\u00e9 de combust\u00edveis suficientes para o plantio e a colheita, o que pode gerar um colapso no mercado de alimentos\u201d, aponta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto deixa de ser restrito ao produtor e passa a atingir diretamente o consumidor. Dados coletados por meio de formul\u00e1rio feito para esta reportagem com 35 respostas indicam que 80% dos respondentes perceberam aumento nos pre\u00e7os de alimentos b\u00e1sicos recentemente. Na regi\u00e3o de Sorocaba, onde as respostas foram registradas em cidades como Sorocaba, Votorantim, Ara\u00e7oiaba da Serra, Ibi\u00fana, Itapetininga e Piedade, a alta dos pre\u00e7os j\u00e1 se consolidou como parte do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O perfil dos participantes \u00e9 diverso, com idades que variam entre 16 e 75 anos, o que evidencia que o impacto atinge diferentes faixas et\u00e1rias e realidades sociais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"781\" height=\"329\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5722\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Gr\u00e1fico de percep\u00e7\u00e3o de aumento dos alimentos b\u00e1sicos do formul\u00e1rio aplicado para a reportagem | Fonte: formul\u00e1rio autoral<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a altera a forma como o consumidor escolhe a qualidade dos produtos. No levantamento, 57,1% dos correspondentes alegaram que j\u00e1 deixaram de comprar um produto b\u00e1sico ou precisaram substituir uma marca pelo aumento dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"781\" height=\"329\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-5723\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Gr\u00e1fico de mudan\u00e7a de comportamento do formul\u00e1rio aplicado para a reportagem | Fonte: formul\u00e1rio das autoras<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras estrat\u00e9gias tamb\u00e9m s\u00e3o adotadas, como investir menos em lazer ou produtos que n\u00e3o s\u00e3o essenciais, diminuindo, assim, a qualidade de vida em prol do menor poder de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as principais opini\u00f5es sobre propostas de interven\u00e7\u00e3o, destacam-se termos como \u201cdiminui\u00e7\u00e3o dos impostos\u201d e \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo aos produtores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMais infraestrutura para produtores, principalmente da regi\u00e3o, que sofrem para manter as safras e, consequentemente, distribuir alimentos para cidades pr\u00f3ximas. Al\u00e9m disso, poderia ter mais pr\u00e1ticas sociais para pessoas de baixa renda, principalmente vindas de grandes corpora\u00e7\u00f5es que podem ajudar e fazer a diferen\u00e7a. Em geral, toda a pol\u00edtica p\u00fablica tem que ser respons\u00e1vel por se preocupar na quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, dos pre\u00e7os e qualidades dos produtos oferecidos para seus habitantes, ent\u00e3o \u00e9 uma cobran\u00e7a que precisa ser dirigida a pol\u00edticos\u201d, disse uma resposta an\u00f4nima do formul\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A percep\u00e7\u00e3o dos consumidores refor\u00e7a o que acad\u00eamicos e agricultores j\u00e1 apontam: a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola enfrenta limita\u00e7\u00f5es estruturais, instabilidade clim\u00e1tica e acesso restrito a tecnologias, refletindo diretamente no aumento dos pre\u00e7os e na redu\u00e7\u00e3o do poder de consumo da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse cen\u00e1rio se agrava ao se tornar cotidiano em uma sociedade marcada pela desigualdade, impactando diretamente a qualidade de vida e evidenciando a aus\u00eancia de pol\u00edticas eficazes em um setor essencial para a alimenta\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>[Texto desenvolvido na disciplina jornalismo especializado, ministrada pela professora Georgia Mattos]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eventos extremos no campo afetam produtores, alteram pre\u00e7os e exp\u00f5em desigualdades estruturais na produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil. 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