{"id":5735,"date":"2026-05-28T09:01:51","date_gmt":"2026-05-28T12:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5735"},"modified":"2026-05-28T09:01:51","modified_gmt":"2026-05-28T12:01:51","slug":"agua-em-salto-de-pirapora-avanco-no-abastecimento-convive-com-nascentes-degradadas-e-esgoto-sem-coleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/05\/28\/agua-em-salto-de-pirapora-avanco-no-abastecimento-convive-com-nascentes-degradadas-e-esgoto-sem-coleta\/","title":{"rendered":"\u00c1gua em Salto de Pirapora: avan\u00e7o no abastecimento convive com nascentes degradadas e esgoto sem coleta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pesquisas apontam que 40% das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente na bacia do rio Pirapora est\u00e3o sem cobertura vegetal; mais de um quarto dos moradores ainda n\u00e3o tem coleta de esgoto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Riki Kosuge (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"400\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5736\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-10.jpg 700w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-10-300x171.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Divulga\u00e7\u00e3o: Instagram<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando chove forte em Salto de Pirapora, a \u00e1gua que desce pelos morros carrega junto terra, galhos e o que mais encontrar pela frente. Para quem mora \u00e0s margens do rio Pirapora, essa cena se repete h\u00e1 anos, e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Boa parte das encostas que deveriam estar cobertas por mata est\u00e1 exposta, e isso tem consequ\u00eancias diretas para quem depende daquela \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O munic\u00edpio avan\u00e7ou na infraestrutura de abastecimento. Dados do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre Saneamento (SINISA) de 2022, reunidos pelo Instituto Trata Brasil, indicam que cerca de 94% dos moradores s\u00e3o atendidos pela rede p\u00fablica de \u00e1gua tratada, um \u00edndice expressivo para uma cidade do interior paulista. Mas esse n\u00famero, por si s\u00f3, n\u00e3o conta a hist\u00f3ria completa. Os outros 6% da popula\u00e7\u00e3o dependem de po\u00e7os, minas e nascentes. E s\u00e3o exatamente essas fontes que est\u00e3o sob maior press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista que analisaram a bacia do rio Pirapora encontraram um dado preocupante: aproximadamente 40% das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, as faixas de vegeta\u00e7\u00e3o que a lei exige ao redor de rios e nascentes, est\u00e3o sem cobertura vegetal. O levantamento, publicado em 2021 na revista Estudos Geogr\u00e1ficos, com dados referentes a 2019, confirmou que as \u00e1reas degradadas deixam os cursos d&#8217;\u00e1gua vulner\u00e1veis ao aporte excessivo de sedimentos. Um segundo estudo da mesma universidade, publicado em 2025, que avaliou a s\u00e9rie hist\u00f3rica de 30 anos (1990 a 2019), identificou que 53,4% da bacia se encontra em estado cr\u00edtico segundo o \u00cdndice de Comprometimento H\u00eddrico da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas. O aumento populacional aliado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o no volume de precipita\u00e7\u00e3o anual tende a agravar esse quadro, comprometendo o abastecimento p\u00fablico de cidades como Salto de Pirapora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A vegeta\u00e7\u00e3o ciliar n\u00e3o \u00e9 enfeite. Ela segura o solo, filtra a \u00e1gua da chuva antes de chegar ao rio e mant\u00e9m a temperatura e o n\u00edvel dos cursos d&#8217;\u00e1gua est\u00e1veis&#8221;, explica a bi\u00f3loga Fernanda Almeida, pesquisadora ambiental que integra um projeto de monitoramento de bacias h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. &#8220;Quando voc\u00ea tira essa vegeta\u00e7\u00e3o, o rio come\u00e7a a receber sedimentos em excesso, o leito sofre assoreamento, e a qualidade da \u00e1gua cai. \u00c9 um efeito em cadeia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O assoreamento, ac\u00famulo de sedimentos no fundo dos rios, \u00e9 um dos problemas mais vis\u00edveis na regi\u00e3o. Al\u00e9m de reduzir a profundidade dos cursos d&#8217;\u00e1gua, o processo dificulta o abastecimento e encarece o tratamento da \u00e1gua captada. Se o abastecimento avan\u00e7ou, o esgotamento sanit\u00e1rio ainda patina. Segundo os mesmos dados do SINISA de 2022, cerca de 26% dos moradores de Salto de Pirapora, mais de 11 mil pessoas, n\u00e3o t\u00eam coleta de esgoto. Isso significa que uma parte consider\u00e1vel dos res\u00edduos dom\u00e9sticos pode acabar indo para fossas, terrenos ou, no pior dos casos, direto para o solo e os rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto n\u00e3o \u00e9 imediato nem sempre vis\u00edvel, mas \u00e9 real. Estudos acad\u00eamicos conduzidos na \u00faltima d\u00e9cada sobre pontos da bacia identificaram que alguns par\u00e2metros de qualidade da \u00e1gua ficam fora dos padr\u00f5es estabelecidos pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais, especialmente em trechos pr\u00f3ximos a \u00e1reas urbanas e agr\u00edcolas sem manejo adequado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o engenheiro sanitarista Carlos Mendon\u00e7a, que j\u00e1 prestou consultoria a munic\u00edpios da regi\u00e3o de Sorocaba, o problema em Salto de Pirapora \u00e9 parecido com o de v\u00e1rias cidades paulistas de porte semelhante. &#8220;A rede de \u00e1gua chega primeiro porque \u00e9 mais vis\u00edvel politicamente. O esgoto fica para depois, e esse &#8216;depois&#8217; muitas vezes demora d\u00e9cadas&#8221;, afirma. &#8220;O que preocupa \u00e9 que o esgoto sem tratamento contamina o len\u00e7ol fre\u00e1tico de forma silenciosa. Quando a popula\u00e7\u00e3o percebe, o dano j\u00e1 \u00e9 grande.&#8221; Mendon\u00e7a ressalta que os moradores da zona rural s\u00e3o os mais expostos, j\u00e1 que dependem mais diretamente de po\u00e7os e nascentes. &#8220;Uma fossa mal constru\u00edda a poucos metros de um po\u00e7o pode contaminar a \u00e1gua que a fam\u00edlia bebe todos os dias. Isso ainda acontece com frequ\u00eancia.&#8221; A equa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tamb\u00e9m pesa. Quanto mais degradada a bacia, mais caro fica tratar a \u00e1gua captada, e esse custo, em algum momento, chega na conta do consumidor ou nos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recomposi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nas APPs \u00e9 apontada por especialistas como uma das estrat\u00e9gias mais custo-efetivas para proteger mananciais. Mas esbarra em obst\u00e1culos pr\u00e1ticos: falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o, press\u00e3o de atividades agropecu\u00e1rias e aus\u00eancia de incentivos econ\u00f4micos para os propriet\u00e1rios que precisam recuperar as \u00e1reas em suas terras. &#8220;O produtor rural sozinho n\u00e3o vai fazer isso. Precisa de apoio t\u00e9cnico, de mudan\u00e7as, de algum tipo de compensa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Fernanda Almeida. &#8220;E a prefeitura precisa entender que investir na mata \u00e9 investir no abastecimento de \u00e1gua da cidade. N\u00e3o \u00e9 gasto, \u00e9 economia.&#8221; Salto de Pirapora n\u00e3o \u00e9 um caso isolado nem um caso perdido. \u00c9, na verdade, um retrato bastante comum do interior paulista: infraestrutura urbana em expans\u00e3o, mas com a base ambiental que sustenta essa expans\u00e3o ainda fr\u00e1gil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O avan\u00e7o no abastecimento \u00e9 real e deve ser reconhecido. Mas a prote\u00e7\u00e3o das nascentes, a amplia\u00e7\u00e3o da coleta de esgoto e o monitoramento cont\u00ednuo da qualidade da \u00e1gua s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para que esse avan\u00e7o se sustente ao longo do tempo, especialmente num cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em que per\u00edodos de seca tendem a ser mais longos e mais severos. Sem nascente protegida, n\u00e3o h\u00e1 cano que resolva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>[Texto produzido para a disciplina Jornalismo Regional, ministrada pela professora M\u00f4nica Ribeiro]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas apontam que 40% das \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente na bacia do rio Pirapora est\u00e3o sem cobertura vegetal; mais de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,16,9,102,37,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5735","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-regional","category-sorocaba","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/regional\/\" rel=\"category tag\">Regional<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/sorocaba\/\" rel=\"category tag\">Sorocaba<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5735"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5735\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5737,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5735\/revisions\/5737"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}