{"id":5843,"date":"2026-06-09T10:19:13","date_gmt":"2026-06-09T13:19:13","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5843"},"modified":"2026-06-09T10:19:13","modified_gmt":"2026-06-09T13:19:13","slug":"interesse-publico-x-interesse-do-publico-entre-informacao-e-audiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/06\/09\/interesse-publico-x-interesse-do-publico-entre-informacao-e-audiencia\/","title":{"rendered":"INTERESSE P\u00daBLICO x INTERESSE DO P\u00daBLICO: ENTRE INFORMA\u00c7\u00c3O E AUDI\u00caNCIA\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio \u00e0 disputa por aten\u00e7\u00e3o, o que informa nem sempre \u00e9 o que engaja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Andr\u00e9 Machado, Kauan Portela, Luiza Valle, Nathalia<strong> <\/strong>Ara\u00fajo e Patrick<strong> <\/strong>Vieira (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"736\" height=\"406\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5854\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI-1.jpeg 736w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI-1-300x165.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalismo e a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica enfrentam um desafio \u00e9tico e estrat\u00e9gico: equilibrar o dever de informar sobre temas de <strong>interesse p\u00fablico<\/strong> com a crescente demanda por conte\u00fados de interesse<strong> do <\/strong>p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E tem diferen\u00e7a?<\/strong>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00edntia Papile, jornalista e assessora de imprensa da C\u00e2mara Municipal de Porto Feliz, define, no contexto da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que o interesse p\u00fablico \u00e9 um dos pilares e princ\u00edpios norteadores. Envolve transpar\u00eancia, pol\u00edticas p\u00fablicas, decis\u00f5es institucionais, uso de recursos, direitos e deveres. \u00c9, essencialmente, o que o cidad\u00e3o precisa saber para exercer sua cidadania de forma plena. J\u00e1 o interesse do p\u00fablico est\u00e1 relacionado ao que desperta aten\u00e7\u00e3o, curiosidade e engajamento, \u201c\u00e9 aquilo que o p\u00fablico deseja consumir\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"438\" height=\"630\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-06-09-100005.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5855\" style=\"width:760px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-06-09-100005.png 438w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-06-09-100005-209x300.png 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 438px) 100vw, 438px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>C\u00edntia palestrando sobre comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica | Divulga\u00e7\u00e3o C.M. Araras &#8211; SP<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um cen\u00e1rio midi\u00e1tico onde o excesso de informa\u00e7\u00f5es ocasiona disputa por aten\u00e7\u00e3o, conte\u00fados importantes para a sociedade nem sempre est\u00e3o entre os mais lidos. Temas relacionados a pol\u00edticas p\u00fablicas e direitos institucionais acabam passando despercebidos, enquanto curiosidades sobre famosos ganham grande destaque. Para compreender o cen\u00e1rio, \u00e9 preciso recorrer \u00e0 base te\u00f3rica. Como aponta o autor Nilson Lage, o interesse p\u00fablico refere-se a assuntos que afetam a vida coletiva, os direitos civis e o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, \u00e9 o &#8220;precisar saber&#8221;. Em contraponto, o interesse do p\u00fablico \u00e9 pautado pelo entretenimento e pela curiosidade, frequentemente alimentado por pol\u00eamicas de subcelebridades e fofocas, \u00e9 o &#8220;querer saber&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aten\u00e7\u00e3o e inten\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com um <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/comunicacao-e-engajamento-publico-um-caminho-para-aproximar-a-universidade-da-sociedade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo<\/a> publicado pelo Jornal da USP (2023), a grande quantidade de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel atualmente n\u00e3o garante que o p\u00fablico consiga compreender o que est\u00e1 sendo transmitido. Sem uma linguagem acess\u00edvel e sem conex\u00e3o com a realidade das pessoas, temas importantes podem acabar sendo ignorados. Segundo a <a href=\"https:\/\/ijnet.org\/pt-br\/story\/estrat%C3%A9gias-para-engajar-p%C3%BAblicos-que-est%C3%A3o-distantes-do-jornalismohttps:\/ijnet.org\/pt-br\/story\/estrat%C3%A9gias-para-engajar-p%C3%BAblicos-que-est%C3%A3o-distantes-do-jornalismohttps:\/ijnet.org\/pt-br\/story\/estrat%C3%A9gias-para-engajar-p%C3%BAblicos-que-est%C3%A3o-distantes-do-jornalismohttps:\/ijnet.org\/pt-br\/story\/estrat%C3%A9gias-para-engajar-p%C3%BAblicos-que-est%C3%A3o-distantes-do-jornalismohttps:\/ijnet.org\/pt-br\/story\/estrat%C3%A9gias-para-engajar-p%C3%BAblicos-que-est%C3%A3o-distantes-do-jornalismohttps:\/ijnet.org\/pt-br\/story\/estrat%C3%A9gias-para-engajar-p%C3%BAblicos-que-est%C3%A3o-distantes-do-jornalismo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">International Journalists\u2019 Network<\/a> (2023), uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o evita consumir not\u00edcias \u201cmais densas\u201d, seja pelo excesso de conte\u00fados, seja pela dificuldade de compreens\u00e3o ou at\u00e9 mesmo pela falta de identifica\u00e7\u00e3o com os temas abordados. Al\u00e9m disso, o consumo informativo tem migrado para plataformas digitais, onde conte\u00fados r\u00e1pidos e acess\u00edveis tendem a ter melhor desempenho e maior engajamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto isso, not\u00edcias mais leves e curiosidades sobre a vida de alguma celebridade costumam ganhar maior destaque, gerando certo favoritismo em pautas de <strong>interesse <\/strong><strong>do<\/strong><strong> P\u00fablico<\/strong>, principalmente em uma sociedade que consome muito das redes sociais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como exemplo, essas duas not\u00edcias de perfis do Instagram:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"396\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI2-1-1024x396.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5856\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI2-1-1024x396.jpeg 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI2-1-300x116.jpeg 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI2-1-768x297.jpeg 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI2-1-1536x594.jpeg 1536w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AQUI2-1.jpeg 1632w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Publica\u00e7\u00e3o sobre confus\u00e3o entre influenciadoras e comunicado oficial da Anvisa | ambas capturas de tela do dia 08\/05\/2026<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, o desafio do jornalismo est\u00e1 justamente em equilibrar esses dois aspectos, aproximando a popula\u00e7\u00e3o do que \u00e9 necess\u00e1rio ser do entendimento de todos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por que isso acontece?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temas de alto interesse p\u00fablico muitas vezes exigem mais esfor\u00e7o ou n\u00e3o atingem todas as camadas da popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o mais t\u00e9cnicos, mais densos, menos imediatos. J\u00e1 conte\u00fados nichados ou mais leves costumam ativar emo\u00e7\u00f5es, identifica\u00e7\u00e3o ou curiosidade, o que naturalmente gera mais engajamento, e atingem mais f\u00e1cil diversos p\u00fablicos. Para Papile, isso tem rela\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria l\u00f3gica do consumo de informa\u00e7\u00e3o, principalmente em ambientes digitais. Com a disputa por aten\u00e7\u00e3o, uma popula\u00e7\u00e3o que chega cansada do trabalho e tem muitas preocupa\u00e7\u00f5es em mente, ainda existe outro ponto de vista: \u201cMas tamb\u00e9m tem uma dimens\u00e3o importante da teoria da comunica\u00e7\u00e3o: a forma como a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada influencia diretamente sua recep\u00e7\u00e3o. E \u00e9 neste ponto que n\u00f3s, jornalistas, devemos estar atentos, como construir uma narrativa que alcance, desperte e atraia para que a miss\u00e3o do interesse p\u00fablico prevale\u00e7a\u201d, completa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"881\" height=\"589\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5857\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-16.png 881w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-16-300x201.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-16-768x513.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 881px) 100vw, 881px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Pessoa olhando para not\u00edcia sobre influenciadora | Cr\u00e9dito: Maria C. Emy e Kauan Portela\u00a0<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fim de entender mais sobre a opini\u00e3o do p\u00fablico consumidor, foram colhidas respostas, por meio de um formul\u00e1rio online, onde revelam certa contradi\u00e7\u00e3o. Embora a maioria declare valorizar o conte\u00fado &#8220;s\u00e9rio&#8221;, o comportamento de engajamento sugere que a facilidade de consumo dita o ritmo do clique:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"421\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-17-1024x421.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5858\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-17-1024x421.png 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-17-300x123.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-17-768x316.png 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-17.png 1324w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Respostas de 41 pessoas, de dentro e fora do campus\u00a0\u00a0<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fator decisivo para essa discrep\u00e2ncia reside na forma da escrita: <strong>81,8%<\/strong> dos entrevistados afirmam que a linguagem e o t\u00edtulo da not\u00edcia influenciam diretamente no seu desejo de leitura. Sobre os t\u00edtulos das not\u00edcias, um entrevistado comenta o que o faz clicar: \u201cInteresse pessoal, acredito que seja pela curiosidade intr\u00ednseca em n\u00f3s, independente se for algo que v\u00e1 nos agregar ou n\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, 26,8% afirmam nunca ter ouvido falar do termo \u201ccortina de fuma\u00e7a\u201d, que como <a href=\"https:\/\/guiadoestudante.abril.com.br\/atualidades\/desinformacao-como-e-feita-a-cortina-de-fumaca-e-o-firehosing\/%0a%0a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">define<\/a> a revista Abril educa\u00e7\u00e3o: \u201c\u00e9 a estrat\u00e9gia de atrair aten\u00e7\u00e3o para assuntos irrelevantes ou falsos de forma a tirar o foco de pautas centrais e de maior impacto\u201d, fator importante na distra\u00e7\u00e3o dos p\u00fablico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de todos esses fatores, o que fazer?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Inovar e prosseguir<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Cintia, Ignorar completamente o interesse do p\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 um erro, pois o p\u00fablico responde, mas leva tempo. Trata-se de um trabalho de constru\u00e7\u00e3o: \u201cO que podemos fazer \u00e9 utilizar como porta de entrada. Quando voc\u00ea traduz, contextualiza e aproxima da realidade do cidad\u00e3o, o engajamento muda\u201d, acrescenta. Ou seja, n\u00e3o se trata de uma batalha perdida, apenas de uma realidade nova, a qual temos que nos adaptar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 neste ponto que n\u00f3s, jornalistas, devemos estar atentos, como construir uma narrativa que alcance, desperte e atraia para que a miss\u00e3o do interesse p\u00fablico prevale\u00e7a\u201d, completa.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 disputa por aten\u00e7\u00e3o, o que informa nem sempre \u00e9 o que engaja. 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