{"id":5944,"date":"2026-06-11T11:04:03","date_gmt":"2026-06-11T14:04:03","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=5944"},"modified":"2026-06-11T11:04:04","modified_gmt":"2026-06-11T14:04:04","slug":"entre-fatos-e-narrativas-a-ilusao-de-estar-informado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/06\/11\/entre-fatos-e-narrativas-a-ilusao-de-estar-informado\/","title":{"rendered":"Entre fatos e narrativas: A Ilus\u00e3o de estar informado\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um cen\u00e1rio dominado pela p\u00f3s-verdade, o excesso de conte\u00fado e os algoritmos das redes sociais ampliam bolhas e confundem o que \u00e9 informa\u00e7\u00e3o de fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Grazielle Tainara Da Silva, Nathalia Moreira Gussom, Paula Vitoria Dos Santos e Yasmin De Campos (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-53-1024x572.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5947\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-53-1024x572.png 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-53-300x168.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-53-768x429.png 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-53.png 1054w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><sub>Cr\u00e9dito: Freepik, DC Studio\u00a0<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, vivemos cercados por conte\u00fados, mas quantidade n\u00e3o significa qualidade. A dificuldade em distinguir o que \u00e9 informa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 apenas material que distrai ou busca audi\u00eancia alimenta a desinforma\u00e7\u00e3o e enfraquece o pensamento cr\u00edtico. Esse ambiente abre espa\u00e7o para a p\u00f3s-verdade, na qual o que se acredita passa a importar mais do que o que \u00e9 comprovado, influenciando diretamente a forma como as pessoas julgam as hist\u00f3rias que consomem.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fim de compreender melhor esse fen\u00f4meno, os estudiosos Carl Hovland e Harold Lasswell desenvolveram a Teoria da Persuas\u00e3o. A teoria explica que os seres humanos n\u00e3o absorvem as informa\u00e7\u00f5es de forma autom\u00e1tica, pois existe uma esp\u00e9cie de filtro psicol\u00f3gico durante o processo comunicacional, representado pela seguinte rela\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>E \u2192 FP \u2192 R\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>(Est\u00edmulo \u2192 Fatores Psicol\u00f3gicos \u2192 Resposta)\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, antes de ser assimilada pelo receptor, a mensagem sofre interfer\u00eancias, perdas e altera\u00e7\u00f5es. Como consequ\u00eancia, a informa\u00e7\u00e3o pode chegar \u00e00s pessoas com efeitos diferentes dos inicialmente pretendidos, criando ru\u00eddos perigosos na comunica\u00e7\u00e3o e afetando diretamente a maneira como a sociedade acompanha not\u00edcias e consome conte\u00fados.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor e coordenador do curso de Filosofia da Universidade de Sorocaba (Uniso), Vidal Dias da Motta Junior, em entrevista, explicou o chamado fen\u00f4meno da p\u00f3s-verdade: \u201cEstamos vivendo uma realidade muito preocupante, que afeta toda a sociedade. Uma parcela das pessoas passa a basear suas decis\u00f5es em convic\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o em fatos, evid\u00eancias ou o conhecimento cient\u00edfico \u2014 ou seja, \u2018acredito, logo \u00e9 verdade\u2019. Opini\u00f5es passam a orientar decis\u00f5es, mas nem sempre correspondem \u00e0 verdade\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, as pessoas tendem a absorver apenas aquilo que consideram relevante para suas pr\u00f3prias cren\u00e7as, deixando de lado o aprofundamento nos fatos. Esse comportamento est\u00e1 diretamente ligado \u00e0s chamadas \u201cbolhas\u201d, ambientes digitais em que os usu\u00e1rios consomem conte\u00fados semelhantes \u00e0s suas opini\u00f5es e interesses.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Atualmente, vivemos cercados por essas bolhas informacionais, muitas vezes compostas por conte\u00fados superficiais, a professora de Teorias da Comunica\u00e7\u00e3o, Georgia de Mattos, explica que na sociedade atual, h\u00e1 uma falta de aprofundamento em temas relevantes, com isso, o f\u00e1cil acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o garante compreens\u00e3o: \u201cExiste uma enxurrada de informa\u00e7\u00f5es quando abrimos o celular, o que facilita um consumo superficial sobre diversos assuntos. Isso n\u00e3o significa que a gente conhe\u00e7a ou compreenda de fato. Muitas vezes, acompanhamos apenas os t\u00edtulos ou temas do momento, sem nos aprofundar. O conte\u00fado exige interesse e busca ativa, ele n\u00e3o chega pronto como a informa\u00e7\u00e3o.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa autoral realizada nos arredores de Sorocaba, refor\u00e7a esse cen\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"637\" src=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-54-1024x637.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5948\" srcset=\"https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-54-1024x637.png 1024w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-54-300x187.png 300w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-54-768x478.png 768w, https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-54.png 1133w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os temas mais consumidos, o entretenimento lidera com 70,1%, seguido por pol\u00edtica (47,7%) e sa\u00fade (46,7%). O levantamento tamb\u00e9m mostra que, embora a maioria dos participantes afirme verificar a veracidade das informa\u00e7\u00f5es, o consumo ainda \u00e9 predominantemente superficial \u2014 especialmente entre adolescentes, que concentram seu acesso nas redes sociais e priorizam conte\u00fados de entretenimento. Nesse contexto, entende-se que o impacto das redes sociais nesse processo \u00e9 significativo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender melhor o papel das redes sociais e dos formadores de opini\u00e3o nesse cen\u00e1rio, a professora de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas M\u00e9rcia Segala Bruns destaca que a informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se torna conte\u00fado quando cumpre uma fun\u00e7\u00e3o social relevante: \u201cA informa\u00e7\u00e3o vira conte\u00fado quando \u00e9 utilizada de forma adequada para orientar, esclarecer e contribuir para a compreens\u00e3o da sociedade. Independentemente do formato \u2014 texto, \u00e1udio ou v\u00eddeo \u2014, ela precisa ter utilidade, n\u00e3o ser manipulada e agregar valor em termos de conhecimento.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, influenciadores digitais tamb\u00e9m passam a desempenhar um papel importante na forma\u00e7\u00e3o de pensamento cr\u00edtico. Criadores como\u00a0 Laila Zaid (promove sa\u00fade e sustentabilidade); Felca (usou da sua influ\u00eancia para destacar o tema de adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as em redes sociais); Martina Giovanetti (traduz a geopol\u00edtica de forma que todos possam entender); Tukum\u00e3 Patax\u00f3 (defensor de causas ind\u00edgenas); Nath Finan\u00e7as (focada em educa\u00e7\u00e3o financeira); Chavoso da USP (traz o debate sobre periferia, educa\u00e7\u00e3o superior e desigualdade social sob uma perspectiva perif\u00e9rica); Rita Von Hunty (dragqueen e professor), utilizam suas plataformas para traduzir temas complexos, promover debates e ampliar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de qualidade, contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de uma audi\u00eancia mais consciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para assistir as entrevistas completas, acesse o link:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1V4SQj5HkErV2s-Q2M3gtu1_TJzLqNTUL\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1V4SQj5HkErV2s-Q2M3gtu1_TJzLqNTUL\/view?usp=sharing<\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para ver os gr\u00e1ficos, acesse o link:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/16VEYP35vEq6KxO1JQN7R99ymi5L9ehJm?usp=sharing\">https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/16VEYP35vEq6KxO1JQN7R99ymi5L9ehJm?usp=sharing <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um cen\u00e1rio dominado pela p\u00f3s-verdade, o excesso de conte\u00fado e os algoritmos das redes sociais ampliam bolhas e confundem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[36,15,16,9,31,14],"tags":[41,29,28],"class_list":["post-5944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-projeto-integrador","category-uniso","tag-focas-na-rede","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","colormag-highlighted-post":"","colormag-featured-post-medium":"","colormag-featured-post-small":"","colormag-featured-image":"","colormag-default-news":"","colormag-featured-image-large":""},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/comunicacao\/\" rel=\"category tag\">Comunica\u00e7\u00e3o<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/projeto-integrador\/\" rel=\"category tag\">Projeto Integrador<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/uniso\/\" rel=\"category tag\">Uniso<\/a>","tag_info":"Uniso","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5944"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5944\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5949,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5944\/revisions\/5949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}