{"id":6881,"date":"2026-10-09T07:40:31","date_gmt":"2026-10-09T10:40:31","guid":{"rendered":"https:\/\/focas.uniso.br\/?p=6881"},"modified":"2026-10-09T07:44:39","modified_gmt":"2026-10-09T10:44:39","slug":"o-olhar-que-salva-resenha-de-a-vida-que-ninguem-ve-de-eliane-brum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/2026\/10\/09\/o-olhar-que-salva-resenha-de-a-vida-que-ninguem-ve-de-eliane-brum\/","title":{"rendered":"O olhar que salva:\u00a0resenha de A vida que ningu\u00e9m v\u00ea, de Eliane Brum"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Por Vit\u00f3ria Rodrigues (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Antes de contar sobre uma de suas obras de mais sucesso, precisamos contar sobre quem a produziu. Eliane Brum, atualmente com 60 anos de idade, \u00e9 jornalista, escritora e documentarista brasileira. Eliane amava literatura e escrevia poesias quando pequena. Por\u00e9m, ainda na faculdade, n\u00e3o se identificava na profiss\u00e3o. \u201cGosto de olhar, n\u00e3o gosto de falar. Gosto de ser invis\u00edvel\u201d. Seu pai assinava o tradicional jornal ga\u00facho <em>Correio do Povo<\/em>, mas ela achava chato e preferia os livros.<br><br>Sua paix\u00e3o pelo jornalismo nasceu apenas no \u00faltimo semestre da faculdade, quando teve a oportunidade de conhecer o professor Marques Leonam, onde lhe ensinou al\u00e9m de t\u00e9cnicas de reda\u00e7\u00e3o. Logo em 1988, ingressou na <em>Zero Hora<\/em>, como pr\u00eamio de um concurso universit\u00e1rio que sua amiga a inscreveu. O seu jeito de escrever as reportagens que iam para a coluna do jornal, deram vida e f\u00f4lego para este livro.<br><br>\u201c<strong>A vida que ningu\u00e9m v\u00ea<\/strong>\u201d, de Eliane Brum, \u00e9 composta por 21 cr\u00f4nicas, sendo esses os textos originalmente publicados no jornal <em>Zero Hora<\/em>, de Porto Alegre, ao longo do ano de 1999. Como o pr\u00f3prio nome diz, as in\u00fameras hist\u00f3rias do livro retratam a vida de pessoas que passam despercebidas no dia a dia, contando casos reais de seres humanos reais, e como hist\u00f3rias t\u00e3o complexas e cheias de vida, dificuldades e supera\u00e7\u00f5es est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximas e, geralmente, n\u00e3o temos o olhar sens\u00edvel para perceb\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eliane traz uma escrita envolvente, leve e encantadora. \u00c9 prazeroso identificar detalhes t\u00e3o precisos que ela p\u00f4de apurar com tanta sensibilidade, cuidado e respeito pela fonte. Cada cr\u00f4nica traz uma narrativa completamente diferente e, conforme a leitura progride, \u00e9 surpreendente como a seguinte \u00e9 sempre mais envolvente do que a anterior, deixando com o desejo de \u201cquero mais\u201d. Em algumas entrevistas, ela utiliza travess\u00f5es para indicar as falas, o que torna o texto mais din\u00e2mico e fluido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pessoalmente, a obra mudou a minha perspectiva sobre o jornalismo. Compreendi que muitas vezes as coisas mais valiosas est\u00e3o em hist\u00f3rias que n\u00e3o necessariamente precisam de uma pessoa ou um acontecimento grandioso, mas s\u00e3o especiais apenas por serem quem s\u00e3o, na sua simplicidade e singularidade. Ao final do livro, j\u00e1 em uma perspectiva da autora, ela nos convida a refletir que o que chama mais aten\u00e7\u00e3o nas hist\u00f3rias dos her\u00f3is n\u00e3o s\u00e3o os poderes grandiosos que eles podem ter, mas sim o qu\u00e3o humanos s\u00e3o. E essa \u00e9 a vis\u00e3o da obra. Pessoas, hist\u00f3rias e objetos que muitas vezes s\u00e3o rejeitados, mal-vistos ou desprezados pela sociedade, carregam um poderoso ensinamento de supera\u00e7\u00e3o, busca pela dignidade, sensibilidade e, na minha vis\u00e3o, principalmente, resili\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todas as hist\u00f3rias s\u00e3o especiais, mas algumas me chamaram mais a aten\u00e7\u00e3o. \u201cO cativeiro\u201d traz a reflex\u00e3o de que as pessoas v\u00e3o ao zool\u00f3gico para ter a sensa\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o livres, mas que na verdade tentam esconder que tamb\u00e9m s\u00e3o cativas de suas pr\u00f3prias rotinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO sapo\u201d por trazer a vis\u00e3o de algu\u00e9m que vive \u201cembaixo da sociedade\u201d devido \u00e0 paralisia nas pernas que o impede de andar, a entrevista \u00e9 envolvente e as respostas do personagem trazem grandes reflex\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDona Maria tem olhos brilhantes\u201d conta a hist\u00f3ria de uma mulher que deixou seus filhos, sua terra e o amor da sua vida, para ir aprender a ler, ela ia em busca de seu sonho, o que a deixava com os olhos iluminados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a minha favorita \u00e9 \u201cEva contra as almas deformadas\u201d. Mesmo tendo sofrido uma paralisia cerebral no nascimento que faz suas m\u00e3os tremerem e a impede de realizar atividades b\u00e1sicas, o sonho dela era estudar e se tornar educadora, e o principal, ela n\u00e3o aceitava ser coitada! Ao final desta cr\u00f4nica, a reflex\u00e3o que mais me impactou: \u2018A vida \u00e9 pr\u00f3diga em paradoxos. O de Eva \u00e9 que a odeiam porque n\u00e3o podem sentir pena dela. E o do mundo \u00e9 que as piores deforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o as invis\u00edveis\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, o livro \u00e9 um convite para olhar com mais aten\u00e7\u00e3o e humanidade para quem vive ao nosso lado. Uma leitura essencial para quem ama jornalismo, e para quem ainda n\u00e3o aprendeu a ver a vida que ningu\u00e9m v\u00ea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vit\u00f3ria Rodrigues (Ag\u00eancia Focas \u2013 Jornalismo Uniso) Antes de contar sobre uma de suas obras de mais sucesso, precisamos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6883,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[15,16,9,144],"tags":[30,29,28],"class_list":["post-6881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jornalismo","category-jornalismo-digital","category-jornalismo-online","category-resenha","tag-focas","tag-jornalismo","tag-uniso"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"thumbnail":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"medium_large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"1536x1536":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"2048x2048":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"colormag-highlighted-post":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"colormag-featured-post-medium":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-225x205.png",225,205,true],"colormag-featured-post-small":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-130x90.png",130,90,true],"colormag-featured-image":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false],"colormag-default-news":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images-150x150.png",150,150,true],"colormag-featured-image-large":["https:\/\/focas.uniso.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/images.png",225,225,false]},"author_info":{"info":["focas"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo\/\" rel=\"category tag\">Jornalismo<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-digital\/\" rel=\"category tag\">jornalismo digital<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/jornalismo-online\/\" rel=\"category tag\">jornalismo online<\/a> <a href=\"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/category\/resenha\/\" rel=\"category tag\">Resenha<\/a>","tag_info":"Resenha","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6881"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6884,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6881\/revisions\/6884"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/focas.uniso.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}