Projeto “Academia Estudantil de Letras” homenageia Carolina Maria de Jesus na 28ª Bienal de Livros de São Paulo
Crianças interpretam vida da escritora através do projeto municipal
Por Eduarda Lopes (Agência Focas – Jornalismo Uniso)
Durante a tarde do último dia 11, uma sexta-feira, a turma de estudantes do terceiro ano do fundamental da escola EMEF Júlio de Grammont apresentou, em meio à edição com maior número de público da Bienal de Livros, sua própria versão da vida da autora Carolina Maria de Jesus. A performance foi produzida pelos alunos, do início ao fim do projeto.
A iniciativa da Academia Estudantil de Letras (AEL), assiste escolas municipais desde 2005. Criado pela professora conhecida carinhosamente por seus alunos como “Suelizinha”, que promovia, fora dos horários de aula, práticas literárias e teatrais, a ação visa promover o interesse dos estudantes por autores escolhidos por eles mesmos. Os nomes desses autores passam a ser conhecidos em encontros e dinâmicas como leituras coletivas, produções de roteiros e eventos culturais, como a Bienal de Livros de São Paulo. A ação também estimula a socialização e outras habilidades essenciais para o desenvolvimento dos interessados.
Neste ano, as crianças escolheram a escritora Carolina Maria de Jesus como homenageada. Segundo o assessor Danilo Prado, as apresentações não se resumem apenas ao teatro. Os alunos podem participar da própria Semana da Arte Moderna levando projetos que dialoguem com outras linguagens artísticas, como pinturas, danças, músicas, fotografia, entre outras.
A professora de estudos literários e teatrais encarregada pela turma do terceiro ano do fundamental, Sandra de Melo, fala sobre o empenho da turma ao fazer parte da iniciativa “eles que escreveram o roteiro, e fizeram tudo, etapa por etapa, se dedicaram bastante ao projeto, e apesar de ser nossa terceira vez aqui na Bienal a gente sempre tem aquele friozinho na barriga”, conta a docente.
Já a aluna Ana Clara Souza Pereira, responsável por interpretar Carolina Maria quando criança falou sobre a importância de seu papel, e como se sentiu ao assumir uma função tão representativa. “Ela sofreu muito quando era criança, não podia estudar, mas cresceu e se tornou uma mulher incrível, e é um papel muito importante né, foi bem difícil estudar tanto para chegar até aqui”, relatou Ana Clara.

