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Só a eleição que acabou ou nossas forças também?

Acabou a eleição!

Será?

Esses dias vi um vídeo no Instagram no qual um homem brincava que as pessoas, após grandes fatos como este, deveriam esperar pelo menos 30 dias para aprontarem qualquer coisa, para que os jornalistas tivessem pelo menos um mês de descanso. 

A brincadeira se deve ao fato de que duas jornalistas que ele acompanha, saíram de férias na segunda-feira, dia seguinte às eleições, mas devido a desdobramentos do processo eleitoral, tiveram que retornar à ativa no segundo dia de férias.

“Esse povo trabalhou demais minha gente. E nem tiveram tempo de descanso pois já está rolando por aí uma carta golpista”, disse o autor do vídeo.

Sim, os jornalistas (e muitas outras pessoas também) trabalharam muito nessas eleições. Seja para dar notícias, desmentir outras, trazer informação ou editar algo que foi publicado, pois as coisas mudavam de minuto a minuto.

Haja trabalho para os jornalistas.

Era de se esperar o aumento de trabalho, pois essa seria a primeira eleição após o boom das Depp Fakes, receio que já era aventado desde 2022.

O termo psicose política nunca foi usado com tanta frequência. Seu uso é até compreensível, mas, enquanto jornalista, não posso deixar de lembrar de que não podemos banalizar um termo tão sério e que deve ser respeitado no âmbito da saúde mental.

Haja trabalho para os jornalistas.

Teve virada histórica, Exército de campanha, pessoas demorando em frente a urna para ver a foto de Luiz Inácio Lula da Silva pela última vez, muita gente nas ruas, idosos indo votar em peso, extensão de horário (algo jamais visto nas eleições brasileiras), questionamento de resultados e muito mais. 

Haja trabalho para os jornalistas.

Listas de boicotes — algo que no século passado tinha outro nome: práticas nazistas — a comércios não me assustou muito pois já tinha visto na eleição passada. Agora a enxurrada de ódio contra nordestinos e os pedidos de demissão de pessoas que votaram em determinado candidato me impressionou. Assustou, e muito, na verdade.

Haja trabalho para os jornalistas.

Falta de transportes, chuvas, fuga, repercussão internacional, carta golpista, denúncias de todos os tipos, pessoas votando armadas e criando provas contra si mesmas em vídeos, pedidos de prisão, retenção de documentos, perda de mandatos, teclados de urnas colados, saudações nazistas, perseguições em metrôs, ameaças a indígenas… meu Deus, teve de tudo! 

Sim, cada vez mais temos que repetir a frase: o Brasil não é para amadores!

Logo, logo algum diretor de Hollywood vai querer fazer um filme somente sobre as eleições tupiniquins. Roteiro não falta. E dos mais inacreditáveis possíveis.

Haja trabalho para os jornalistas.

Em alguns casos de violência que vi serem noticiados, fiquei pensando o quanto os meus colegas de profissão precisam ter (ainda mais) estômago e terapia em dia para dar conta do fardo.

Talvez a nossa força física tenha dado uma abaixada, mas a jornalística tenho a certeza que não.

Descansamos enquanto noticiamos!

Parabéns a toda a imprensa que atuou em mais uma eleição insana nessas terras brasileiras.

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