Alunos apresentam trabalhos de extensão de iniciação científica, reafirmando a universidade como agente de mudança social
Por Antony Moscatelli (Agência Focas – Jornalismo Uniso)
Durante a mesa redonda realizada no primeiro dia dos eventos ENEX e EPIC, foi levantada a seguinte pergunta: “Se o conhecimento produzido na universidade não chega na sociedade, a universidade cumpriu sua função?”
Após placas de concordância e discordância serem distribuídas para a plateia e uma série de perguntas sobre o tema serem feitas, o resultado foi unânime. Assim como escritos nos corredores da Uniso, como lembrou o Professor Renan Angrisani de Oliveira, coordenador da graduação em Engenharia Ambiental, a Universidade tem como uma de suas missões formar agentes de mudança social, e não faria sentido manter o conhecimento preso dentro dela.


Plateia interage com os palestrantes através de plaquinhas durante mesa redonda | Foto: Antony Moscatelli
Os três dias de encontro contaram com apresentações dos projetos de pesquisa, projetos de extensão e pesquisas de iniciação científica realizadas nas salas de aula do Bloco F, pelos alunos e orientadores.
Rafaela de Barros Mott, mestranda em ciências farmacêuticas, descreve a importância dos projetos como parte de algo maior, feito em conjunto pela comunidade científica, “A gente nunca faz sozinho. Mesmo que a nossa dê resultados negativos, outra pessoa pode usar esses resultados como base para pesquisas futuras.”
A Professora Bianca Gianola Belline Silva, de medicina veterinária, ressalta que o sucesso das pesquisas não está diretamente ligado a resultados positivos, nem à publicação da pesquisa em si, mas ao processo e edificação pessoal e profissional que se ganha no processo, tanto da pesquisa quanto da extensão.
Na abertura do evento, ela contou sobre uma das pesquisas das quais participou em sua graduação, que precisou ser interrompida porque os animais apresentaram uma doença infectocontagiosa. “Mesmo com a interrupção da pesquisa, eu precisava descobrir o que eles tinham para escrever o relatório, e os passos dessa investigação são os mesmos que eu sigo até hoje”. A pesquisa pode não ter seguido adiante, mas o caso virou um artigo posteriormente.
Após as apresentações dos projetos de extensão, a presidente da comissão técnica do programa de extensão (PROBEX), Professora Silvana Maria Gabaldo Xavier, certificou os melhores trabalhos como sendo:
“Conhecimento para reduzir desigualdades: Um olhar internacional nas escolas (ODS 4 e ODS 10)”, feito por Vitória Rodrigues da Silva;
“Como o dentista pode ser um ponto de apoio para mulheres e crianças em situação de violência doméstica”, feito por Lya Santos Vouk;
“Toxoplasmose e os gatos: separando a lenda da ciência”, feito por Paulo César Coldebella.

Alunos participantes do Probex juntos à comissão técnica | Foto: Bernardo Sader
A premiação das melhores pesquisas de Iniciação Científica aconteceu no dia seguinte (22/10), e foi dada aos seguintes trabalhos:
“Produtividade e qualidade fisiológica das sementes de feijão sob diferentes dosagens de inoculante”, por Túlio Domingues Ferraz;
“Saúde mental na universidade: intervenção baseada em mindfulness e terapia de aceitação e compromisso (ACT)”, por Paola Verruck de Moraes;
“Avaliação da eficácia de rotinas de limpeza e desinfecção em abrigos para animais”, por Julia Leite de Pádua.
Para os calouros que sentem vontade de trabalhar uma extensão ou entrar em uma iniciação científica, os professores concordam que a escolha de qual caminho seguir varia muito do perfil do aluno e dos objetivos futuros dele. “Eu brinco que a extensão é o ‘fazer de verdade’, é para quem gosta de pôr a mão na massa, mas tem gente que se interessa mais pela parte de pesquisa”, conta Silvana Gabaldo. Independente da escolha, Renan Angrisani afirma que ter experiência tanto em uma extensão quanto em uma pesquisa de iniciação científica é um fator de peso dentro do currículo.
Parafraseando um dos projetos de extensão apresentados, “conservar começa por conhecer”. No caso do projeto de Ciências Biológicas ao qual a frase pertence (@projeto_levantamento_de_fauna), conservar espécies da fauna local, mas no contexto do evento, conservar o conhecimento começa por permitir que as pessoas tenham acesso à ele. Daí a importância de ambos os programas, tanto a Iniciação Científica quanto a Extensão, não só para o currículo dos alunos, mas para com a sociedade, cumprindo assim a missão da Universidade de Sorocaba.

