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Alunos da Uniso desenvolvem primeiro computador quântico da região metropolitana de Sorocaba

O incentivo a novas tecnologias encoraja alunos na criação do primeiro protótipo de computador quântico na região metropolitana, colocando a Universidade de Sorocaba (Uniso) como pioneira no movimento de tecnologia quântica.

Por Samyra Alves (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Adaptar-se ao novo é uma realidade na vida de todos, principalmente com o avanço das tecnologias que já fazem parte do cotidiano. Pensando nisso, a Universidade de Sorocaba (Uniso) está investindo no aprimoramento de novas tecnologias, direcionadas ao universo quântico. A iniciativa tem possibilitado aos alunos participar de pesquisas científicas, especialmente uma cujo objetivo é a criação de um computador quântico.

De acordo com o agente de inovação do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) UNISO TECH, Samuel Rufino, a tecnologia do computador quântico se baseia na física quântica, ou como também é conhecida, na mecânica quântica, mais precisamente nas escalas nanométricas. Essas escalas são manifestações de energia de prótons (carga positiva), nêutrons (partículas neutras) e elétrons (carga negativa) que são a estrutura de um átomo – definido como a menor unidade de uma matéria.

Samuel Rufino com chip quântico | Foto: Rafael Filho

Mas então, o que seria de fato um computador quântico, qual seria sua utilidade e qual é o papel da Uniso nesse assunto?

Quando o assunto é tecnologia quântica, os maiores investimentos da atualidade são direcionados para o chamado “computador quântico”. Trata-se de um computador de alta performance que trabalha com uma unidade de informação chamada “qubit”, um  bit quântico. Da mesma forma que os computadores comuns têm os bits, 0 e o 1, o computador quântico junta esses dois bits, condensando essas unidades e gerando uma informação mais precisa.

Rufino exemplifica essa dinâmica, “você tem esse qubit, e ele é o 0 e o 1 ao mesmo tempo. Imagina uma moeda, tem a cara e o coroa, cada face dessa moeda é o 0 e o 1. Vamos dizer que a cara é 1 e a coroa é o 0, mas quando você gira essa moeda ela é os dois. O qubit é exatamente isso quando ele está fazendo o giro dentro de um processador quântico. Ele está armazenando a informação ao mesmo tempo que está recebendo, ou seja, você tem o bit 0 e o 1 ao mesmo tempo dentro daquela estrutura e isso é um diferencial gigantesco para a computação.”

Esse poder computacional promete feitos impressionantes como, por exemplo, a solução em minutos de cálculos que levariam anos para serem feitos, descobertas de novos materiais que podem reforçar estruturas de prédios, a análise de solo, a descoberta de novos fármacos, o tratamento para doenças graves que ainda não tem cura, entre outras coisas que são impossíveis com a tecnologia que temos hoje.

Isso tudo são promessas e possibilidades que ainda estão sendo estudadas. Rufino explica que existem muitas limitações a serem vencidas, por ser uma área muito nova e que demanda um longo caminho para o aprimoramento. “O computador quântico universal ainda não existe, o que existe são computadores quânticos de altíssimo desempenho, mas que ainda sofrem com alguns problemas ali no meio do caminho.”

Para o desenvolvimento do computador quântico, é necessário um chip quântico responsável pelo processamento de informação. Esse chip foi fornecido à Uniso pelo Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no final de 2025. O professor de tecnologia da Uniso Bruno Aguilar da Cunha lembra como a visita feita à Unicamp foi enriquecedora, proporcionando conhecimento e integração entre os docentes presentes. Aguilar diz que o chip é a materialização do estudo e que, por enquanto, não pretendem se aprofundar tanto na pesquisa, mas sim dar espaço para os alunos analisarem o chip e, então, pensarem na pesquisa como segundo plano. No momento, os dados obtidos para a construção do protótipo são de artigos e pesquisas sobre desenvolvimento do computador e da infraestrutura quântica feitos na Unicamp, assim como resultados obtidos em testes na própria universidade.

Professor Bruno Aguilar | Foto: Rafael Filho

O primeiro protótipo de computador quântico na região de Sorocaba é desenvolvido pela Liga Acadêmica de Computação Quântica da Uniso (LACQ), uma iniciativa de grupos de estudantes da área de tecnologia e engenharia. O objetivo desses grupos é a criação de espaços de inovação, de pensamento crítico e de trabalho em equipe o que tem resultado em impactos positivos para os próprios estudantes, para universidade e para a comunidade.  

Bruno Aguilar, Denicezar Baldo, Ovídio Francisco e Samuel Rufino visitando o IFGW | Foto: arquivo pessoal Samuel Rufino

Aguilar enfatiza que o curso de tecnologia da Uniso funciona com três pilares fundamentais, o pilar de ensino, de extensão e o de pesquisa, visando o incentivo à aprendizagem, ao compartilhamento da informação e ao apoio a pesquisas.

A construção do computador é um processo lento, porém já apresenta resultados. Por isso, amanhã, 7 de abril, será realizado o “Quantum Day” quando o protótipo do computador quântico desenvolvido pelos alunos da universidade será apresentado oficialmente ao público. O evento conta com dinâmicas, debates e a presença de especialistas de diferentes partes do brasil.

Para saber mais informações sobre o evento, acesse: https://publuu.com/flip-book/1081033/2411141.

[Texto desenvolvido na disciplina de Jornalismo especializado, ministrada pela professora Georgia de Mattos]

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