Deficientes visuais: saiba a forma correta de identificar e orientar
Por Yumi Cugler (Agência Focas – Jornalismo Uniso)
O conhecimento sobre a maneira de agir ao orientar umdeficiente visual é uma forma de inclusão social.
Deficientes visuais lidam constantemente com a falta deinclusão, com as barreiras de acessibilidade e o despreparo da população para ampará-los quando necessário. Para entender um pouco melhor sobre esse universo, a Agência Focas fez uma visita ao Centro de Reabilitação Vida Nova (CRV), em Sorocaba, onde foram ouvidos alguns pacientes do centro e uma técnica em mobilidade.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, 3,4% da população brasileira com 2 anos ou mais (cerca de 6,98 milhões de pessoas) declararam ter muita dificuldade ou não conseguir enxergar. A deficiência visual atingia 2,7% dos homens e 4,0% das mulheres.
A partir da dúvida sobre qual a melhor forma de orientar e abordar um deficiente visual, conversamos com AlessandraAlves, 26 anos, que atua como técnica em orientação e mobilidade no CRV, deficientes podem ser identificados poralgumas características: “algumas pessoas utilizam óculos,transitam com os olhos voltados para baixo, movimentam a cabeça para encontrar um foco visual, andam próximos da parede por ser mais seguro e também com a bengala que traz uma identificação de acordo com a cor [que corresponde ao grau de sua deficiência]”.
As cores existentes das bengalas são: verde para pessoascom baixa visão, branca para quem tem a perda total da visão e a branca com uma faixa vermelha para deficientes visuais e auditivos.

Para a abordagem e orientação correta, primeiro perguntese a pessoa precisa de auxílio. Se a pessoa confirmar que precisa de ajuda, se apresente, informe o lado em que você está, principalmente nas travessias, e ofereça o seu braço. Eles já possuem uma técnica para se locomover, que se chama guia vidente de acordo com Alessandra.
“Nós não somos orgulhosos, muitas pessoas têm medo de chegar até nós, não sabem como nos abordar”, alega Maria de Lourdes Pedroso Garcia, 50 anos, que sofreu descolamento deretina pós-traumática e tem glaucoma avançado devido àscirurgias realizadas.
A inclusão social se enquadra de diversas maneiras, comoo conhecimento adequado, a interação e a acessibilidade em ambientes públicos. “Se as pessoas aprenderem os tipos de deficiência visual, a necessidade que cada uma tem, essarelação de acesso e de cuidado é modificada”, defende DanielaBatista Pilar, 47 anos, que possui glaucoma severo e éconsiderada uma pessoa de baixa visão.
“Acho que nós não precisamos de pessoas que tenhamum olhar de dó pra gente, nós não somos ‘coitadinhos’, nãobuscamos isso, aconteceu. A gente só queria esse olhar demais respeito, todo mundo tem alguma condição, todo mundo tem um problema, mas infelizmente nós não temos todo orespaldo, a acessibilidade e o olhar que a gente merece ter”, acrescenta Magno Senna, 33 anos, vítima de uma meningite que após um acidente vascular cerebral (AVC) teve a obstrução do nervo óptico, que causou a perda total da visão.
Maria, Daniela e Magno são frequentadores do Centro de Reabilitação Vida Nova (CRV), cuja equipe conta comprofissionais da área social, da saúde e da educação, que tem como objetivo ajudar deficientes visuais a conseguirem sua independência e autonomia no dia-a-dia.
Serviço
Centro de Reabilitação Vida Nova (CRV)
Criado para promover a reintegração de pessoas com deficiência à vida familiar e social, proporcionando melhor qualidade de vida. Atua na reabilitação de pessoas com baixa visão, cegueira e deficiência auditiva para o desempenho de suas atividades diárias.
Endereço: R. Antônio Cândido Pereira, 121 – Jardim Faculdade, Sorocaba – SP
Telefone: (15) 3212-7877
Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira, das 7h às 17h