Mostra Internacional do Cinema Negro retorna ao SESI Sorocaba com filmes sobre resistência negra
Nicolas Teixeira Araujo e Gabrielle de Souza Gomes (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Foto por Gabrielle Gomes
A Mostra Internacional do Cinema Negro, em sua 21˚ edição, retornou para Sorocaba com o objeto de valorizar e promover a cultura negra por meio da exibição gratuita de filmes e documentários. Entre os dias 5 e 30 de maio, o público teve acesso a produções que retratam momentos da história protagonizada pelo povo preto brasileiro.
A ação foi realizada pelo Sesi-SP que levou a programação da mostra a várias sedes do Estado de São Paulo, como Sorocaba, Campinas, Itapetininga, Jundiaí, Mogi das Cruzes e Marília. Na programação do evento, há títulos como: “O Trem do Soul”, “Pegadas da Floresta”, “Cabo Verde: Um Sonho Possível” e “Bença Vó!”.
A primeira semana da mostra em Sorocaba foi marcada pela exibição de “1798 Revolta dos Búzios”. O longa-metragem brasileiro, de 2018, trata do evento que ficou conhecido como a Revolta dos Búzios, em que centenas de homens negros se uniram, na Bahia em 1798, num movimento audacioso para derrubar o governo colonial, proclamar a independência e estabelecer uma República democrática e livre da opressão da escravidão. O filme mostra essa revolta e suas consequências, reforçando a luta do povo negro contra a escravização e as diversas formas de repressão.

Gabriele Clemente Dos Anjos, estudante de teatro e estagiária no Sesi | Foto por Gabrielle Gomes
Com entrada gratuita, a mostra incluiu atividades que incentivam o diálogo e a reflexão sobre temas contemporâneos como representatividade, ancestralidade e justiça social. A estudante de teatro da Unicesumar e estagiária de cultura do Sesi, Gabriele Clemente Dos Anjos, considera o evento muito importante para que as pessoas acessem uma parte da história do Brasil que é pouco divulgada. “Quando eu soube desse filme que vai ser exibido hoje [6 de maio] já bateu uma coisa assim, eu não conheço a Revolta dos Búzios. Então, eu acho que a importância já está em apresentar uma história que faz parte da história do Brasil e que a gente não conhece. Então, eu acho que essa mostra está nesse lugar de valorização e também de espalhar conhecimento”.
Gabriele também fala sobre seu sentimento como mulher negra, ao assistir filmes que contam histórias com as quais ela se identifica. “Eu sou uma pessoa negra, então tem esse impacto mesmo de ver pessoas trabalhando, atuando, escrevendo e em tantas outras áreas ali dentro do audiovisual. Isso é tão poderoso e bonito, porque a gente está muito mais acostumado em não ver.” Ela também acredita na importância na divulgação de momentos da história que foram apagados ou silenciados por serem protagonizados por pessoas negras. “É essencial, é bonito, é importante. Eu acho que essa é a importância do cinema negro.”
