Além de Melhor Filme Internacional: veja 5 participações brasileiras no Oscar ao longo da história
Brasil já foi indicado em outras categorias da premiação, realizada no último domingo
Por Gustavo Guebert e Mar Carrasco (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

A premiação do Oscar 2026 foi realizada na noite de domingo, dia 15, e o Brasil, pelo segundo ano consecutivo, foi indicado na principal categoria da noite, a de Melhor Filme. No ano passado, o longa Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, fez história ao ser indicado em três categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz pela atuação de Fernanda Torres e Melhor Filme Internacional, vencendo esta última.
Neste ano, concorremos com o longa O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O filme foi indicado em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, para Wagner Moura, e Melhor Elenco, porém não levou nenhuma estatueta para casa.
O Brasil já concorreu à categoria de Melhor Filme Internacional, antes chamada Melhor Filme em Língua Estrangeira, outras quatro vezes: em 1963, por O Pagador de Promessas, em 1996, por O Quatrilho, em 1998, por O Que é Isso, Companheiro?, e em 1999, por Central do Brasil, porém não levou a estatueta nenhuma das vezes.
Mas o Brasil já foi indicado a outras categorias do Oscar, e aqui vai uma lista de cinco vezes em que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas reconheceu talentos brasileiros:
- O Beijo da Mulher-Aranha (1986)
O filme, coprodução estadunidense e brasileira, foi nomeado a quatro categorias na premiação de 1986: Melhor Filme, Melhor Diretor, para o argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco, Melhor Ator, para o estadunidense William Hurt, e Melhor Roteiro Adaptado, para o também estadunidense Leonard Schrader.
O longa, que conta a história de dois presidiários durante a ditadura militar no Brasil, venceu apenas na categoria de Melhor Ator, e foi responsável por introduzir a atriz brasileira Sônia Braga no cinema internacional. Ela posteriormente faria carreira em Hollywood, participando de filmes e séries de sucesso, como Sex and the City e A Primeira Profecia.
- Cidade de Deus (2004)
Este é um caso curioso, onde um filme brasileiro foi nomeado pela Academia em categorias importantes, mas não na então chamada Melhor Filme em Língua Estrangeira. O longa, que se passa na Cidade de Deus e trata do crime organizado, recebeu quatro indicações: Melhor Diretor, para Fernando Meirelles, Melhor Roteiro Adaptado, para Bráulio Mantovani, Melhor Edição, para Daniel Rezende, e Melhor Fotografia, para César Charlone.
O filme não levou nenhuma estatueta, mas ajudou a divulgar o trabalho do cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que fez grandes filmes nos EUA, como O Jardineiro Fiel, Ensaio sobre a Cegueira e Dois Papas.
- O Menino e o Mundo (2016)
A animação brasileira foi reconhecida em 2016 com uma nomeação na categoria de Melhor Filme de Animação. O longa, dirigido por Alê Abreu, tem estilo de animação inventivo e história tocante, e foi aclamado pela crítica, vencendo premiações na França e no Egito. Porém, o filme não levou o Oscar.
- O Sal da Terra (2015)
O filme, coprodução francesa, italiana e brasileira, concorreu na categoria de Melhor Documentário, e conta com a direção do alemão Wim Wenders e do brasileiro Juliano Salgado, filho do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, cuja vida e obra são o tema do longa. O documentário não levou o prêmio, mas fez homenagem ao brasileiro que é considerado um dos maiores fotógrafos do mundo.
- Democracia em Vertigem (2020)
Novamente na categoria de Melhor Documentário, o longa Democracia em Vertigem, dirigido por Petra Costa, figurou entre os indicados em 2020. O filme trata do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que foi tirada do cargo em 2016, e traça uma linha do tempo do Brasil que sucedeu os protestos de 2013 até a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência em 2018. O filme também não levou o prêmio, e sua indicação, bem como seu tema, foi polarizante, com a direita criticando o longa e sua nomeação e a esquerda os louvando.
Um filme francês brasileiro?
Também vale a pena mencionar o caso do longa Orfeu Negro, vencedor do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 1960. O filme, coprodução italiana, francesa e brasileira, se passa no Brasil e é falado em português, e tem seu enredo baseado numa obra de Vinícius de Moraes. Porém, o longa representou a França naquele ano, e não o Brasil, então sua vitória é creditada como francesa, e não brasileira.
