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Viagens para congressos, parcerias com universidades e bolsa de mestrado: entenda como a pesquisa abriu portas para a cientista votorantinense

Por Laura Ferreira Machado (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Foto: Arquivo pessoal

Ana Carolina Souza Chacon, de 23 anos, mora em Votorantim desde os 3 anos, tendo passado pelos bairros Jardim Europa, Itapeva e Real Parque. Atualmente, Ana é mestranda em Ciências Farmacêuticas na Universidade de Sorocaba (Uniso), mas percorreu um longo caminho com a ciência para chegar até lá.

Ela conta que desde a infância gostava muito de acompanhar desenhos que passavam na televisão e que incentivavam a curiosidade, como: “Dexter”, “As Meninas Superpoderosas” e “De Onde Vem?”. “Quando eu era criança, eu já pensava como se virava um cientista”, relatou a pesquisadora.

Ana Carolina passou pelas EMEIEFs Gerson Soares de Arruda e Gilberto Santos, depois ingressando na EE José Ermírio de Moraes Senador. A biomédica relata que foi o Senador – apelido pelo qual a escola é conhecida – que despertou sua paixão pelos estudos. Foi lá que ela entendeu a importância de se dedicar na escola e estudar para conseguir o que desejasse.

Ana, em sua infância, com o uniforme da escola municipal de Votorantim | Foto: Arquivo pessoal

Em 2018, ingressou na Etec Rubens de Faria após passar na concorrida prova, iniciando sua jornada na ciência com o ensino médio integrado ao técnico em alimentos. No curso, que envolve diversas práticas laboratoriais, ela foi se interessando mais pela ciência: “Eu fui percebendo que gostava de laboratório, fisiologia, bioquímica”, afirmou.

Ana sentia que queria ser professora, mas ao mesmo tempo desejava se graduar em alguma área. Então, ela descobriu que poderia ser professora universitária e começou a pesquisar sobre os cursos da área da saúde. Ela decidiu que faria biomedicina por conta da ampla variedade de especializações que essa graduação fornece.

No último ano do ensino médio, participou do cursinho popular Gera Bixo e conseguiu conquistar a bolsa mérito na Universidade de Sorocaba. Como já sabia desde cedo que queria ser professora e pesquisadora, entrou na Uniso focada em participar de alguma iniciação científica. A iniciação científica (IC) é um programa voltado a estudantes de graduação que introduz o aluno no universo da pesquisa acadêmica, permitindo o desenvolvimento de estudos científicos sob a orientação de um professor experiente.

Assim que os editais foram divulgados com os títulos da pesquisa, Ana se inscreveu no projeto que se tornaria a primeira de três ICs que fez ao longo do curso. A pesquisa era sobre aplicação de celulose bacteriana em cosméticos, o que chamou a atenção da estudante. Logo em seu primeiro projeto como pesquisadora, teve a oportunidade de participar do 32° Congresso Brasileiro de Microbiologia em Foz do Iguaçu. “Foi a primeira vez que eu viajei de avião, eu achei muito legal por ter sido logo na primeira pesquisa, eram coisas que não pareciam possíveis na minha realidade”, conta.

Ana e sua orientadora, professora Ângela Jozala, em Foz do Iguaçu | Foto: Arquivo pessoal

Em sua segunda pesquisa, que era sobre aplicação da celulose bacteriana como Scaffold (utilizando células), Ana esteve na PUC Sorocaba durante boa parte do projeto em uma parceria para utilizar os laboratórios da universidade. Lá, ela conheceu a pesquisadora Jéssica Asami, que a apoiou na pesquisa, sendo, segundo Ana, um exemplo de compartilhamento de conhecimento na ciência: “a Jéssica me ensinou muito sobre células”.

Ana também participou de outro congresso em Florianópolis: o ABCF Congress (Congresso da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas).

Apresentação no ABCF Congress | Foto: Arquivo pessoal

A terceira pesquisa da qual Ana participou avaliava a toxicidade de um antimicrobiano. O terceiro congresso do qual participou foi o da FeSBE (Federação de Sociedades de Biologia Experimental).

Ana na Unicamp para divulgação científica | Foto: Arquivo pessoal

As duas primeiras pesquisas foram realizadas no Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos (LaMInFe) – acompanhadas pela professora Ângela Jozala – e a terceira no Laboratório de Pesquisas em Toxicologia (LAPETOX – acompanhada pela professora Denise Grotto – onde Ana cursa mestrado atualmente. Os laboratórios realizam parcerias com universidades privadas e federais da região de Sorocaba para a realização de pesquisas.

Imagem do Laboratório LaMInFe | Foto: uniso.br

Imagem do Laboratório LAPETOX | Foto: uniso.br

Os dois laboratórios são da UNISO e ficam localizados no NEAS – Núcleo de Estudos Ambientais de Sorocaba.

Ana Carolina, agora mestranda, deixa um recado sobre a ciência: “A divulgação mostra que realmente é algo possível de ser feito, não é tão longe de você conseguir, se você é curioso você pode participar disso também […] existe essa opção, existem políticas públicas e bolsas […] a ciência também é trabalho, mas é um trabalho diferente, você não precisa ser um gênio, estar em Harvard […] se você tem um bom orientador, uma possibilidade, você se torna um pesquisador, um cientista”.

Ana Carolina durante as práticas laboratoriais | Foto: Arquivo Pessoal

Ela ainda reforça o papel do jornalismo na aproximação do público geral com a ciência: “Toda produção é publicada em bases de dados, então quando existe divulgação e jornalismo, as pessoas veem as pesquisas mais próximas delas”.

A pesquisadora está muito animada para assumir a posição de maior responsabilidade no mestrado e para defender sua dissertação. Seus planos para o futuro são: fazer doutorado, ser professora universitária, divulgar e incentivar os alunos para que a ciência tenha cada vez mais investimento e ganhos.

[Texto produzido na disciplina Jornalismo Regional, ministrada pela professora Mônica Ribeiro]

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