Jornalistas formados pela Uniso conquistam terceiro lugar na categoria Podcast do IV Prêmio Rubra
O podcast “Além das Ruínas”, produzido pelos jornalistas Luís Felipe Pio, Gabriela Lago, Helena Lima e Giulia Fonseca, formados na Universidade de Sorocaba (Uniso), sob orientação da professora Mara Rovida, conquistou premiação de rádio universitário
Por Kauã Bueno (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

O evento, organizado pela Rede de Rádios Universitárias do Brasil (RUBRA) e pelo Grupo de Pesquisa e extensão Rádio Educação Cidadania (REC) da Universidade Federal de Rondônia (Unir), foi realizado na última quarta-feira (2), no canal do YouTube da Rede Rubra.
Em formato de áudio documentário, o Podcast conta a história do antigo Asilo Colônia Pirapitingui, considerado o maior hospital-colônia de hansenianos do Brasil, localizado em Itu, no interior do Estado de São Paulo.
O grupo conheceu o Asilo durante a produção das monografias em jornalismo e o tema se tornou posteriormente o projeto experimental em jornalismo, desenvolvido em 2024. Gabriela Lago, uma das integrantes do grupo, é moradora da cidade e foi quem apresentou o local para os colegas.
“Mesmo morando na cidade [Itu] eu não via os moradores falando sobre o Asilo e eu passava em frente o Pira [como o Asilo é carinhosamente chamado] diariamente. E como trabalhava na prefeitura aproveitei para perguntar se a história do local daria um bom tema, e todos incentivaram.”
Em 2005, a escritora Katia Auvray publicou um livro sobre o Asilo, intitulado “Cidade dos esquecidos: a vida dos hansenianos num antigo leprosário do Brasil”, a obra também serviu como inspiração para Gabriela e seu grupo.
“Uma colega do meu trabalho indicou o livro da Katia porque ela é historiadora e pesquisou durante anos o hospital, e disse que o livro tinha tudo que a gente precisava saber, e que poderia nos passar o contato dela para conversarmos. Então compramos o livro e conversamos com a Kátia para fazer a monografia.”
Durante a produção do projeto experimental, o grupo visitou o local três vezes para coletar informações e realizar entrevistas com os funcionários para o podcast.
Giulia Fonseca descreve a experiência da produção. “Desde o começo nós sabíamos que iríamos lembrar desse trabalho com muito carinho e que seria muito gratificante, então isso nos motivou muito do começo ao fim. Na apresentação fomos muito bem reconhecidos, toda a repercussão que teve nos deixou muito felizes. E agora essa premiação aumentou ainda mais o sentimento de gratidão, porque vemos que atingimos o objetivo de fazer a diferença e fazer as pessoas conhecerem essa história”, finaliza Giulia.
Em maio deste ano, o podcast foi inscrito no IV Prêmio Rubro de Rádio Universitário, na categoria Podcast, concorrendo contra outros 25 programas do Brasil todo.
“Eu convidei a professora Lenize Villaça para participar da banca de TCC deles e um tempo depois ela viu o prêmio e fez a sugestão especificamente para esse podcast, que ela conheceu por conta da participação na banca. Imediatamente já acionei o grupo, que gostou da ideia. Eles foram atrás para fazer a inscrição”, explica a professora Mara Rovida, orientadora do trabalho.
Mara fala ainda sobre a importância dessa produção para a sociedade. “É uma pauta histórica, é uma pauta de memória e é uma pauta que tem a ver com algumas discussões que estão reaparecendo em relação a políticas públicas, voltadas a saúde mental. Embora seja uma narrativa que olha para um passado, esse passado tem muito a dizer sobre coisas que estão em pauta agora, nesse momento. Então essa premiação confirma aquilo que já víamos na qualidade do trabalho quando foi apresentado.”
Luís Felipe Pio, um dos integrantes do grupo, relata a sensação de conquistar o prêmio com o podcast. “Nós não participamos do ao vivo – da premiação online –, no momento eu estava trabalhando e recebi a informação que o nosso programa havia ficado em terceiro lugar, fiquei muito feliz e orgulhoso. Não sabíamos que o nosso podcast iria gerar esse resultado nas pessoas e na mídia. Então essa sensação de ver que o programa rompeu fronteiras, quebrou barreiras e chegou a outros lugares é muito interessante. Saber que as pessoas ouviram, prestaram atenção e que passou por uma curadoria isso é muito interessante, porque mostra que o nosso trabalho é reconhecido e valorizado”, conclui Pio.
Para Helena Lima, a emoção com o resultado do trabalho é inexplicável. “Esse trabalho merece isso, e merece muito mais, fazê-lo foi um processo de mudança em cada um de nós, foi algo muito especial. Todas as histórias contadas no episódio são histórias que merecem ser contadas, ouvidas e vou além, as pessoas precisam conhecer o local, conhecer quem foram as pessoas, o que aconteceu com elas, aonde elas estão, e a sensação de ganhar esse prêmio vai muito além de nós, é pelas pessoas que trabalham lá e que mantém o local de pé, então é uma sensação de dever cumprido, todos os esforços valeram a pena.”
O podcast completo está disponível no Spotify:

