ColunaFocando em

Quando sua criança vai vir?

Eu fico com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita

Viver e não ter a vergonha de ser feliz.

A canção “O Que É o Que É?” de Gonzaguinha passou pela minha cabeça esses dias.

Eu estava pensando sobre quais perguntas eu faria para a pesquisadora estadunidense Kushya Sugarman que está visitando a Uniso nesta semana. Especialista e defensora da utilização do brincar como parte das metodologias de aprendizagem, Kushya visita as terras brasilianas por meio de um intercâmbio promovido pelo Researchers in Intercultural Actions (RIA), um grupo de pesquisa liderado pela professora da Uniso, Daniela Zanella. Ela foi personagem em uma matéria publicada na edição 15 da Revista Uniso Ciência (para conferir CLIQUE AQUI), escrita pela jornalista Mara Rovida e intitulada “Refletir e agir a partir do brincar: uma proposta intercultural”.

Eu estava pensando justamente no brincar.

Ao dirigir por uma das ruas da cidade, visualizei mais a frente barulhos de buzinas e crianças gritando. De primeira, pensei que poderia ter sido um acidente ou alguma freada brusca. Ao me aproximar da situação, ouvi o que as crianças gritavam: “buzinaaaa! Buzinaaaa!”. Depois de alguns segundos entendi o que ocorria: as crianças estavam brincando de pedir para os motoristas buzinarem para elas — não sei se era algum tipo de “desafio” ou apenas brincadeira de criança — e ficou muito nítido a tristeza delas quando não eram correspondidas. Aquilo me comoveu pois eu também passei sem buzinar.

Em um ato de reparação e com a sensação de que eu tinha cometido um crime, fiz questão de dar a volta no quarteirão para passar por aquelas crianças novamente. Dessa vez buzinei, e a alegria delas foi contagiante.

O que para mim era algo tão simples, para elas era o máximo. Isso é ser criança.

E a quanto tempo você não é criança?

Se lembra da última vez que brincou?

A vida adulta nos faz esquecer da pureza da mente infantil, e de que já fomos criança um dia.

Acho que a última vez que minha criança veio à tona, foi quando visitei as armaduras da tríade de heróis asiáticos — Jiraya, Jaspion e Black Kamen Raider — de qualquer criança dos anos 1990, no Museu de Imigração Japonesa, localizado no bairro da Liberdade em São Paulo.

“O adulto se entregar para a brincadeira é mais difícil. Ele demora, ele acha banal, desnecessário”, comentou Zanella na matéria. Mas como vamos ensinar as crianças se achamos o brincar desnecessário? Como educar sem pensar qual é a perspectiva de visão delas, ou como nos ensina a visão hermenêutica, ver o mundo pelos olhos delas e não pelos nossos. E a “empatia comunicacional”, tão propagada por Henrik Fexeus, de por exemplo se abaixar para falar com uma criança para que ela se sinta mais confortável, onde deixamos?

Ainda segundo a matéria, a pessoa que brinca tem a possibilidade de imaginar situações, assumir papeis e “tornar-se” algo ou alguém diferente do que realmente é, independentemente da idade. “Fora os afetos que vêm à tona”.

E, ai? Quando você vai deixar sua criança vir à tona? (os Erês do terreiro não contam).

Vamos brincar mais, então? (sem piadas com o Boneco Assassino, por favor!).

Deixar a sutileza da ação infantil suplantar um pouco os stress diários faz bem para a saúde de vez em quando.

Que fiquemos com a pureza da resposta das crianças, para que a vida seja ainda mais bonita, e possamos viver sem ter a vergonha de ser feliz.

Brincar…e brincar…e brincar…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *