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Assessoria de imprensa para nichos orienta estudantes sobre carreira e mercado em palestra na Uniso

Jornalista defendeu repertório amplo e atuação estratégica para dar visibilidade a artistas independentes em um mercado cada vez mais competitivo.

Por Rayane Luana Azevedo (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Alunos do 5º semestre de Jornalismo da Uniso ao lado de Felipe Shikama e da professora Mônica Cristina Ribeiro Gomes | Foto: Gabriéla Bandeira Santos

O jornalista Felipe Shikama, em palestra sobre assessoria de imprensa para nichos, apresentou aos estudantes do 5º semestre de Jornalismo da Universidade de Sorocaba (Uniso) caminhos possíveis de atuação profissional e reflexões sobre carreira na área. O encontro foi realizado na última segunda-feira (27), durante a disciplina ministrada pela professora Mônica Cristina Ribeiro Gomes.

Intitulada “Assessoria de Imprensa para nicho (ou o que eu gostaria que tivessem me contado quando decidi ser jornalista)”, a palestra reuniu experiências práticas e conceitos sobre mercado, empreendedorismo e construção profissional.

Sorocabano, Shikama tem 40 anos e acumula experiências em diferentes áreas da comunicação. Formado em Jornalismo pela Uniso, possui especialização em Jornalismo Social pela PUC e também formação complementar em documentário e políticas públicas. Ao longo da carreira, atuou como repórter, redator, profissional de marketing e, atualmente, trabalha com assessoria de imprensa voltada a nichos culturais, além de manter uma atuação paralela como músico e curador.

Carreira e trajetória

Durante a palestra, o jornalista destacou que a construção da carreira não segue um caminho linear. “Carreira não é fazer a mesma coisa a vida toda. É fazer escolhas que levem a uma direção”, afirmou Felipe.

Ele ressaltou ainda que cada experiência contribui para o desenvolvimento de habilidades diferentes. A atuação no rádio, por exemplo, favoreceu a comunicação oral e a organização do pensamento em tempo real. Já o trabalho com cultura ampliou a sensibilidade artística, enquanto a publicidade trouxe uma visão estratégica sobre mercado e geração de valor. De acordo com Shikama, dois fatores são essenciais nesse processo: experiência e networking.

Um dos conceitos centrais abordados foi o de “transferência de domínio”, que consiste em aplicar aprendizados de diferentes áreas em novos contextos. Para o palestrante, esse repertório acumulado permite desenvolver estratégias mais criativas e eficientes.

Nesse sentido, ele destacou que o pensamento de repórter pode ser aplicado na construção de estratégias de comunicação, enquanto o repertório cultural contribui para a criação de narrativas e a publicidade auxilia na venda de serviços: “cada experiência me deu habilidades diferentes”, pontuou.

“Carreira não é linha ascendente. É acúmulo de experiências”, reforçou. Segundo ele, ao longo desse processo, o profissional passa a identificar o que chama sua atenção e quais caminhos deseja seguir. “Vale o esforço, porque quando você descobre, há um desbloqueio para ampliar seus gostos”, completou.

Felipe Shikama durante palestra para alunos de Jornalismo da Uniso | Foto: Rayane Azevedo

Prática da assessoria e mercado de trabalho

O assessor também falou sobre sua atuação atual, voltada a artistas independentes e projetos culturais, e destacou que a assessoria de imprensa vai além da divulgação. “Não é só assessoria, é ajudar a construir o artista como produto”, explicou Felipe.

Ao abordar a rotina da profissão, destacou a importância de identificar o valor-notícia e mapear oportunidades de visibilidade. Quando isso não ocorre, o assessor deve orientar o cliente no amadurecimento do trabalho.

Em outro momento, durante a interação com os alunos, o jornalista respondeu a questionamentos sobre o mercado e as oportunidades de trabalho. Ele explicou que o direcionamento dos releases costuma ser feito para veículos especializados, já que o acesso à grande mídia é mais restrito e frequentemente condicionado a interesses comerciais.

As redes sociais, segundo ele, funcionam como aliadas para ampliar o alcance dos artistas e romper a limitação do público já consolidado, podendo inclusive se tornar um serviço complementar dentro da assessoria.

Ao comentar sobre o papel do profissional, o jornalista chamou a atenção para a construção da informação: “a grande notícia não chega por e-mail, mas é buscada e construída pelo repórter”. Ao final, após outra pergunta, Felipe falou sobre precificação e orientou que o trabalho deve ser visto como investimento: “é preciso pensar no valor que você gera e no valor do seu tempo”, concluiu.

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