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João Fonseca e o retorno do Brasil ao protagonismo do tênis

Por Juliano Rosa (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Reprodução | Instagram @joaoffonseca

O título de Roland Garros não veio, o carioca de 19 anos foi superado por outro prodígio, Jakub Mensik, de 20 anos, mas isso não apaga o brilhantismo de João Fonseca no torneio em Paris. Em um país em que apenas a vitória importa e os esportes coletivos dominam o imaginário popular, talvez tentem desmerecer uma “simples” campanha individual findada nas quartas de finais, mas no tênis, não é bem assim que funciona.

Desde 2004, quando Gustavo Kuerten alcançou o mesmo resultado, nas quartas de finais, o circuito masculino não via um brasileiro chegar tão longe em um grand-slam, torneios que representam a elite do esporte, que acontece quatro vezes no ano (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open). Em 2023, no lado feminino, Beatriz Haddad Maia, no auge de seus 27 anos, chegou às semifinais, também de Roland Garros, e no mesmo ano ascendeu ao 10º lugar do ranking mundial. Infelizmente, a brasileira não conseguiu manter o ritmo, e somente três anos depois, despencou no ranking, se encontrando apenas na 91ª colocação.

Mas, o horizonte é positivo. Fonseca já chocou o mundo do tênis, quando em seu primeiro grand-slam, na Austrália em janeiro de 2025, superou o 9º melhor jogador do mundo, Andrey Rublev, numa vitória esmagadora por 3-0. Nas demais competições, mesmo com meros 18 anos, sempre saiu dos torneios avançando, ao menos, para a segunda rodada. Para um público resultadista e acostumado a vencer no futebol, esporte mais popular do país, pode parecer pouco, mas se tratando de um esporte individual, no qual o país não possui uma tradição regular, é espetacular.

E os resultados não foram por menos, em sua segunda edição de Roland Garros, João conseguiu chocar o mundo pela segunda vez. No dia 29 de maio, enfrentou na lendária quadra Philippe-Chatrier, o jogador mais vitorioso de toda a história do esporte, Novak Djokovic, e protagonizou uma virada épica, saindo perdendo de 2-0 e virando para 3-2, em 4h53 de partida, a mais longa da carreira de 20 anos do sérvio, no saibro francês. Por mais que a idade tenha chegado a Djokovic, aos 39 anos, os resultados recentes mostram que, ao menos, nas semifinais ele sempre chegava, sendo superado apenas pelos extraclasse do circuito, Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, que estão sempre três passos à frente dos demais competidores. O sérvio não era derrotado antes das quartas de finais de Roland Garros desde 2009, quando havia conquistado apenas um dos seus 24 títulos de grand-slam. Esse é o tamanho do feito de João Fonseca.

E nada poderia ser mais poético do que a presença de Gustavo Kuerten nas arquibancadas. O “Guga”, que há exatos 22 anos daquele 29 de maio, também venceu o lendário Roger Federer naquele mesmo lugar, no ano em que o suíço ganhara três dos quatro principais torneios, sendo superado apenas pelo catarinense, campeão de Roland Garros por três vezes, em 1997, 2000 e 2001.

Se João Fonseca será tão vitorioso quanto Guga, ninguém pode dizer. Se João Fonseca atingirá um resultado como a semifinal de Bia Haddad Maia, ninguém pode dizer. Se João Fonseca será o terceiro nome que baterá de frente com Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, como Novak Djokovic fez com Rafael Nadal e Roger Federer na geração passada, ninguém pode dizer. Mas que o Brasil voltou a ter um protagonista e um futuro no esporte, isso é um fato. Com apenas 19 anos, o carioca já provou todo o seu talento, e promete um futuro animador para o Brasil no tênis.

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