Entrega do Projeto Leonti marca a primeira edição do UNISO Quantum Day
O UNISO Quantum Day destaca avanços quânticos e marca a entrega do computador quântico fotônico à instituição.
Por Antony Moscatelli, Nathiély Dias, William Bueno Fernandes (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Projeto Leonti, computador quântico fotonico | Foto: William Bueno Fernandes
O UNISO Quantum Day, realizado no dia 7 de abril na Universidade de Sorocaba, reuniu especialistas, pesquisadores, estudantes e representantes do setor tecnológico para falar sobre os avanços, desafios e aplicações das tecnologias quânticas na região e no mundo. A programação foi distribuída ao longo de três períodos — manhã, tarde e noite —, com palestras, painéis e apresentações sobre formação, pesquisa, inovação, o impacto e o papel do mercado. Durante a noite, para finalizar o evento, foi realizada a solenidade de entrega do computador quântico fotônico, o LEONTI A LACQ UNISO.
Durante a programação da manhã, os avanços nas pesquisas no cenário quântico na educação foram discutidos. Os participantes falaram sobre as preocupações com a queda na formação de engenheiros e físicos. De acordo com o Censo da Educação Superior, elaborado pelo MEC, houve uma queda de 23,6% de matrículas na área da engenharia entre 2014 e 2023. Como pontuado pelo doutor em engenharia da computação, Waldemir Cambiucci, essa crise na área afeta diretamente os avanços na área quântica, uma vez que, sem profissionais trabalhando em pesquisa, há o risco de atrasos.
Rosangela Viegas Maraschin, doutora em economia do desenvolvimento e vice-presidente do ICTQ Foton (Instituto de Ciências e Tecnologias Quânticas), associa essa crise à algo estrutural: a falta de incentivo à criatividade. “Não existe ciência e tecnologia quântica se não tivermos engenheiros. Mas, qual o perfil curricular dessa engenharia que é desmotivador para os alunos que vêm com curiosidade, vontade de conhecer o novo? A obsolescência institucional não permite que o aluno use todo o seu potencial criativo. O problema não são as pessoas, mas o processo de formação que começa lá na educação básica, onde ser criativo é deixado para depois. Isso faz com que a gente forme pessoas que não se consideram capazes de resolver problemas complexos.”

Rosangela Maraschin durante sua palestra sobre o Manifesto Quântico Nacional | Foto: William Bueno Fernandes
Maraschin aponta a importância das Ligas Acadêmicas, como a LACQ Uniso, nesse cenário. “O processo de desenvolvimento institucional é muito mais lento em relação à curva da tecnologia. As universidades sofrem com determinadas questões que são curriculares. As ligas acadêmicas são uma forma orgânica de acelerar esse processo.”
Dessa forma, chegamos ao destaque do evento: a entrega do Projeto LEONTI, um computador quântico multipropósito, que servirá de apoio nas pesquisas da Liga Acadêmica de Computação Quântica da Universidade de Sorocaba (LAQC UNISO). A iniciativa é fruto de uma parceria entre a universidade e a Q-Bra (Qubits Brasil), startup brasileira fundada por Samuel Rufino, membro do ICT UNISOTECH (Instituto de Ciência e Tecnologia da UNISO). A empresa atua no desenvolvimento de tecnologias quânticas e apresentou o LEONTI como seu mais recente protótipo, desenvolvido nos laboratórios de engenharia da universidade.
A cerimônia teve início no auditório da instituição, com a apresentação da trajetória do projeto e discurso dos principais envolvidos. Na sequência, o público seguiu para a biblioteca, onde o equipamento foi exposto. No espaço, os participantes puderam observar o protótipo de perto e conhecer aspectos de seu funcionamento inicial.
Rufino, durante a apresentação, ressaltou a excelência do trabalho em equipe. Iniciado em 2024, o projeto contou com pesquisadores e profissionais, como Nilo Koscheck Chagas, físico e colaborador na área de fotônica; Vitor Gabriel, engenheiro e cofundador da NEO 3D; Denicezar Angelo Baldo, coordenador do curso Engenharia da Computação da UNISO; Luís Roberto Momberg Albano, professor e pesquisador em Ciências de Dados; além de Wilson Fonseca e Alessandro de Oliveira Faria, desenvolvedores do sistema operacional DiraQ.

Samuel Rufino e Wilson Fonseca falam sobre o Projeto Leonti | Foto: William Bueno Fernandes
Entre as características marcantes da iniciativa, destaca-se o avanço em tecnologia quântica, especialmente pelo seu potencial de aplicação na saúde pública e na segurança. Com o incentivo dos colaboradores, o projeto também incorpora preocupações ambientais, utilizando materiais reaproveitados na produção do protótipo — como pedaços de madeira previamente para descarte —, na estrutura do dispositivo.
Em entrevista, Rufino afirmou que pretende continuar incentivando novos talentos na área e fomentando o crescimento da computação quântica dentro e fora do ambiente universitário. “Quero auxiliar alunos da liga acadêmica de computação quântica a desenvolver novos protótipos e diferentes tipos de computadores, para que construam uma carreira e ampliem sua visão profissional sobre essa tecnologia.”
Dessa forma, no encerramento do evento, os participantes reforçaram que o futuro da computação depende da curiosidade e da necessidade de encontrar modos criativos que abram caminhos para o desenvolvimento das tecnologias e para o incentivo de pessoas que as tornem possíveis.
